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1. (Uece 2019) “Chamo de princípio de demonstração às convicções comuns das quais todos partem para demonstrar: por exemplo, que todas as coisas devem ser afirmadas ou negadas e que é impossível ser e não ser ao mesmo tempo.”

ARISTÓTELES. Metafísica, 996b27-30.

Em sua Metafísica, Aristóteles apresenta um conjunto de princípios lógico-metafísicos que ordenam a realidade e nosso conhecimento acerca dela. Dentre eles está o princípio de não contradição, o qual

a) indica que afirmações contraditórias são lógica e metafisicamente aceitáveis, pois a contradição faz parte da realidade.    

b) estabelece que é possível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias.    

c) afirma que é impossível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias.    

d) é normativo, ou moral; portanto, deve ser rejeitado como antimetafísico, ou seja, não caracteriza a realidade.    

2. (Ufpr 2019) Considere as três premissas abaixo:

1. Devemos proibir legalmente apenas o que é moralmente incorreto.

2. Os filhos mentirem para os pais é moralmente incorreto.

3. Todavia, os filhos mentirem para os pais não deve ser legalmente proibido.

A partir dessas premissas, é correto inferir que:  

a) Não é verdade que devemos proibir legalmente apenas o que é moralmente incorreto.    

b) Os filhos mentirem para os pais não é moralmente incorreto.    

c) Tudo o que é moralmente incorreto é ilegal.    

d) Nem tudo que é moralmente incorreto deve ser legalmente proibido.    

e) Deveria ser proibido que os filhos mentissem para os pais.    

3. (Uece 2019) Da premissa “Se estudo filosofia, então gosto de ler”, é logicamente correto, segundo o modus tollens, tirar a seguinte conclusão:

a) Gosto de ler, portanto estudo filosofia.   

b) Não estudo filosofia, mas gosto de ler.   

c) Não gosto de ler, logo não estudo filosofia.   

d) Estudo Filosofia, logo gosto de ler.    

4. (Upe-ssa 3 2018) Na temática da Lógica, leia o texto a seguir sobre os tipos de inferência:

A dedução e a indução são conhecidas com o nome de inferência, isto é, concluir alguma coisa a partir de outra já conhecida. Sobre a indução e a dedução, entende-se como inferências mediatas.

(CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1996, p. 68.) Adaptado.

A autora acima enfatiza a singularidade dos tipos de inferência no âmbito da razão discursiva. Sobre isso, observe a seguinte inferência:

Sócrates é homem e mortal

Platão é homem e mortal

Aristóteles é homem e mortal

Logo, todos os homens são mortais.

A inferência expressa o raciocínio

a) dedutivo.   

b) dialético.   

c) disjuntivo.   

d) indutivo.   

e) conjuntivo.   

5. (Upe-ssa 3 2017) Sobre a Lógica, observe o texto a seguir:

 

Para Aristóteles, a lógica não era uma ciência teorética nem prática ou produtiva, mas um instrumento para as ciências. Eis por que o conjunto das obras lógicas aristotélicas recebeu o nome de Órganon, palavra grega que significa instrumento.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 1996, p. 183.

A autora retrata a dimensão que tem a lógica como instrumento do pensamento no plano das obras da filosofia de Aristóteles. Com relação a esse assunto, é CORRETO afirmar que

a) a lógica na concepção de Aristóteles é um instrumento que não pode ser utilizado pelas ciências.   

b) a lógica para Aristóteles possui um caráter instrumental e preocupa-se primordialmente com o aspecto informal de um argumento.   

c) Aristóteles, na sua lógica clássica, concebe como instrumento do pensamento três funções básicas: conceber, julgar e raciocinar.   

d) a dimensão lógica para Aristóteles não é um estágio preparatório que antecede ao conhecimento propriamente dito.   

e) na lógica clássica de Aristóteles, a ciência prática ou produtiva se sobrepõe ao caráter instrumental do pensamento.   

6. (Upe-ssa 3 2017) Leia o texto a seguir sobre a temática da Lógica:

A Aristóteles cabe o mérito de ter iniciado o estudo orgânico das regras da lógica. O mérito principal de Aristóteles é ter fixado, com grande exatidão, as regras da argumentação dedutiva na forma de silogismo.

MONDIN, B. Introdução à Filosofia. São Paulo: Edições Paulinas, 1980, p. 13.

O autor faz algumas considerações acerca da filosofia de Aristóteles, com singularidade no âmbito da lógica. Sobre isso, tem-se como CORRETO que

a) o silogismo é expresso pela ligação de dois termos por meio de um terceiro.   

b) a argumentação dedutiva chega à conclusão valendo-se da experiência sensível.   

c) o silogismo é um tipo de argumento que deve ter um termo maior, nem mais nem menos.   

d) o tipo de argumento dedutivo faz uso da analogia sem inferência das premissas.   

e) as regras da argumentação dedutiva chegam a uma conclusão, partindo de dados particulares.   

7. (Unisc 2017) Considere os seguintes silogismos:

I. Todo felino é vertebrado

Todo vertebrado é mamífero

Logo, todo felino é mamífero

II. Todo paulista é colombiano

Todo colombiano é sul-americano

Logo, todo paulista é sul-americano

III. Todos os mamíferos são vertebrados

Alguns répteis são vertebrados

Logo, alguns mamíferos são répteis

Marque agora a afirmativa correta.

a) Todos os silogismos acima pertencem ao mesmo modo e figura.   

b) O silogismo II tem um modo e figura inválidos.   

c) O silogismo III tem um modo e figura válidos.   

d) Os silogismos I e II têm o mesmo modo e figura, os dois são formalmente válidos, mas somente o I prova sua conclusão.   

e) Todos os silogismos acima têm premissas universais.   

8. (Ufsm 2015) Há diversos indícios empíricos da evolução das espécies. Alguns desses indícios são conhecidos desde Darwin, tais como o registro fóssil, as variações entre indivíduos de uma mesma espécie e a distribuição geográfica das espécies. Outros indícios provêm de estudos mais recentes, notadamente em genética. O conjunto desses indícios torna a teoria da evolução mais provavelmente verdadeira que qualquer outra hipótese alternativa. Essa inferência, em que se parte de indícios empíricos e se conclui com teorias ou enunciados gerais, é comumente chamada de inferência

a) lógica.   

b) dedutiva.   

c) analógica.   

d) indutiva.   

e) biológica.   

9. (Ufsm 2015) Complete a tabela da verdade a seguir.

 

Assinale a alternativa que completa corretamente a tabela.

10. (Upe 2013) A validade de nossos conhecimentos é garantida pela correção do raciocínio. São dois os modos de raciocínio: o indutivo e o dedutivo. 

Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. 

a) O raciocínio indutivo é amplamente utilizado pelas ciências experimentais. 

b) O raciocínio indutivo parte de uma lei universal, considerada válida para um determinado conjunto, aplicando-a aos casos particulares desse conjunto. 

c) O raciocínio dedutivo parte de uma lei particular, considerada válida para um determinado conjunto, aplicando-a aos casos universais desse conjunto. 

d) O raciocínio dedutivo é uma argumentação na qual, a partir de dados singulares suficientemente enumerados, inferimos uma verdade universal. 

e) O raciocínio indutivo é o argumento cuja conclusão é inferida necessariamente de duas premissas. 

11. (Uel 2013) No livro Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, a Rainha Vermelha diz uma frase enigmática: “Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar.” 

(CARROL, L. Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p.186.) 

Já na Grécia antiga, Zenão de Eleia enunciara uma tese também enigmática, segundo a qual o movimento é ilusório, pois “numa corrida, o corredor mais rápido jamais consegue ultrapassar o mais lento, visto o perseguidor ter de primeiro atingir o ponto de onde partiu o perseguido, de tal forma que o mais lento deve manter sempre a dianteira.” 

(ARISTÓTELES. Física. Z 9, 239 b 14. In: KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M. Os Pré-socráticos. 4.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.284.) 

Com base no problema filosófico da ilusão do movimento em Zenão de Eleia, é correto afirmar que seu argumento 

a) baseia-se na observação da natureza e de suas transformações, resultando, por essa razão, numa explicação naturalista pautada pelos sentidos. 

b) confunde a ordem das coisas materiais (sensível) e a ordem do ser (inteligível), pois avalia o sensível por condições que lhe são estranhas. 

c) ilustra a problematização da crença numa verdadeira existência do mundo sensível, à qual se chegaria pelos sentidos. 

d) mostra que o corredor mais rápido ultrapassará inevitavelmente o corredor mais lento, pois isso nos apontam as evidências dos sentidos. 

e) pressupõe a noção de continuidade entre os instantes, contida no pressuposto da aceleração do movimento entre os corredores. 

12. (Upe 2010) (JC ONLINE -10.08.2009) Pesquisa divulgada pelo Ibope Inteligência, em parceria com a rede global de pesquisas Worldwide Independent Network of Market Research (WIN), revela que o Nordeste está bem mais preocupado que as demais regiões do País: 44%. No Norte, os preocupados somam 34%. Já as regiões Sul e Sudeste apresentam índice de preocupação de 36% e 31%, respectivamente. 

Para se chegar a essa afirmação, utilizou-se do Raciocínio 

a) Lógico Dedutivo. 

b) Lógico Indutivo. 

c) Lógico Analógico. 

d) Dialético. 

e) Lógico Dedutivo e Indutivo. 

13. (Ufma 2009) Assinale qual das alternativas abaixo apresenta um raciocínio dedutivo logicamente correto. 

a) João tem 3 filhos e, neste caso, necessita trabalhar. O mesmo ocorre com Dona Jandira e Seu Bertoldo, portanto todos os homens e mulheres que tem filhos necessitam trabalhar. 

b) Todos os cavalos bons corredores são também muito dóceis e, portanto, são fáceis de serem manejados ou tratados. Pode-se afirmar que o cavalo de Janete é bom corredor, uma vez que não oferece resistência ao seu tratador. 

c) Ao longo da história, não foi observado ser vivo que fosse imortal. Desta forma afirmei ao meu amigo que o seu galo de estimação, que é um ser vivo, mais cedo ou mais tarde morrerá. 

d) Uma quantia bastante expressiva de pessoas afirmou a necessidade de todos os homens e mulheres se engajarem politicamente. Assim, como não sou uma árvore, nem uma barata, me filiei ao partido político com o qual mais me identifico. 

e) Um homem e uma mulher que trabalharam durante 40 anos, ao alcançarem a idade de 60 anos, devem merecer descanso pelo resto de sua vida. Isto nos leva a ter a certeza de que todos os indivíduos humanos de mais de 60 anos têm direito a descansar até sua morte. 

14. (Ueg 2009) Aristóteles, o grande estagirita, afirmou que o desejo de saber é inato no homem, constituindo o princípio das ciências. Este desejo conduz, necessariamente, a um ordenamento da ideia, do juízo e do raciocínio, para atingir o conhecimento da verdade. O ordenamento lógico conduz ao alvo que nos atrai: a verdade. Daí a importância da lógica, a ciência normativa, que estabelece os princípios de um raciocínio certo, para a pesquisa e a demonstração da verdade. Segundo Aristóteles, a lógica se divide em 

a) lógica clássica e lógica intuitiva. 

b) lógica analítica e lógica dialética. 

c) lógica simbólica e lógica matemática. 

d) lógica formal ou menor e lógica material ou maior. 

15. (Uel 2007) Karl Popper, em “A lógica da investigação científica”, se opõe aos métodos indutivos das ciências empíricas. Em relação a esse tema, diz Popper: “Ora, de um ponto de vista lógico, está longe de ser óbvio que estejamos justificados ao inferir enunciados universais a partir dos singulares, por mais elevado que seja o número destes últimos”. 

Fonte: POPPER, K. R. A lógica da investigação científica. Tradução de Pablo Rubén Mariconda. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p.3. 

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Popper, assinale a alternativa correta: 

a) Para Popper, qualquer conclusão obtida por inferência indutiva é verdadeira. 

b) De acordo com Popper, o princípio da indução não tem base lógica porque a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. 

c) Uma inferência indutiva é aquela que, a partir de enunciados universais, infere enunciados singulares. 

d) A observação de mil cisnes brancos justifica, segundo Popper, a conclusão de que todos os cisnes são brancos. 

e) Para Popper, a solução para o problema do princípio da indução seria passar a considerá-lo não como verdadeiro, mas apenas como provável. 

16. (Ufsj 2007) Assinale a alternativa que apresente um argumento indutivo. 

a) Os filhos de Seu João e Dona Maria são engenheiros. Antonio é filio de Seu João e Dona Maria, logo Antonio é engenheiro. 

b) Seu João e Dona Maria têm três filhos: Antonio, Pedro e Vera. Antonio é engenheiro arquiteto, Pedro, engenheiro mecânico e Vera, engenheira ecológica. Seu João e Dona Maria estão muito felizes porque todos os seus filhos são engenheiros. 

c) Todos os estudantes de Filosofia gostam de lógica. Pedro é estudante de Filosofia, logo Pedro gosta de lógica. 

d) Faz um mês que os trabalhadores da prefeitura estão consertando o asfalto da rua onde eu moro. 

17. (Ufsj 2007) Analise o enunciado a seguir. 

“Toda inferência analógica parte da semelhança de duas ou mais coisas em um ou mais aspectos para concluir a semelhança dessas coisas em algum outro aspecto”.

(l.Copi. Introdução à Lógica. São Paulo: Mestre Jou, 1968, p. 315)

Esquematicamente, se a, b, c e d forem quaisquer entidades, e P, Q, R forem quaisquer propriedades ou “aspectos”, um argumento analógico poderá ser representado da seguinte forma: 

a) a, b, c, d têm todas as propriedades R e Q 

a, b,c têm todos a propriedade Q 

portanto, d tem a propriedade Q 

 

b) a, b,c, d têm todas as propriedades P e Q 

a, b, c têm todos a propriedade R 

portanto, d tem a propriedade R 

 

c) a, b,c, d têm todas as propriedades R e P 

a, b, c têm todos a propriedade P 

portanto, d tem a propriedade P 

 

d) a, b, c, d têm todas as propriedades R e R 

a, b, c têm todos a propriedade R 

portanto, d tem a propriedade R 

18. (Uema 2005) Considerando as afirmações relativas ao raciocínio lógico, assinale a opção correta. 

a) Os argumentos podem ser válidos e inválidos. Os sofismas, verdades escondidas, são armas de convencimento. O silogismo é uma forma perfeita de dedução. 

b) No argumento dedutivo a conclusão está contida nas premissas. Todo segmento linguístico é um enunciado. Os argumentos podem ser válidos ou inválidos. 

c) No argumento dedutivo a conclusão está contida nas premissas. A realidade experimental é o ponto originante da indução. É aparente a lógica do sofisma. 

d) Nem sempre um argumento é uma atividade raciocinante. Os argumentos podem ser válidos ou inválidos. Todo segmento linguístico é um enunciado. 

e) Todo segmento linguístico é um enunciado. O silogismo é uma forma perfeita de dedução. A realidade experimental é o ponto originante da indução. 

19. (Ufu 2002) 

“Todos os homens são mortais. 

Sócrates é homem. 

Logo, Sócrates é mortal.” 

Sobre o silogismo em geral e, sobre este em particular, é correto afirmar que: 

I. é um raciocínio indutivo, pois parte de duas premissas verdadeiras e chega a uma conclusão também verdadeira. 

II. o termo médio homem liga os extremos e, por isso, não pode estar presente na conclusão. 

III. é um raciocínio válido, porque é constituído por proposições verdadeiras, não importando a relação de inclusão (ou de exclusão) estabelecida entre seus termos. 

IV. as premissas, desde que uma delas seja universal, devem tornar necessária a conclusão.  

Marque a alternativa que contém todas as afirmações corretas. 

a) II e IV 

b) I e II 

c) II e III 

d) III e IV 

20. (Ufu 2000) Aristóteles estabeleceu sua lógica sobre alguns princípios, percebidos por intuição e que são anteriores a qualquer raciocínio, devendo servir de base a toda argumentação científica. Esses princípios são: 

a) de identidade, de não contradição e de terceiro excluído. 

b) de identidade, de contradição e da negação da negação. 

c) de tese, de antítese e de síntese. 

d) de salto qualitativo, de interpenetração dos opostos e de negação da negação. 

21. (Ufu 1998) O filósofo pré-socrático, Parmênides de Eléia, afirmava que “o ser é e o não-ser não é”. Por essa afirmação, ele foi considerado pelos filósofos posteriores como 

a) o pai do ceticismo. 

b) o fundador da Metafísica. 

c) o fundador da sofística. 

d) o iniciador do método dialético. 

e) o filósofo do absurdo.




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1. (Unicamp 2020) O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más notícias. 

(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em https://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/globo-adota-boa- noticia-e-que-para.html. Acessado em 01/03 /2019.)

Para se referir a matérias jornalísticas televisivas que informam e, ao mesmo tempo, entretêm os espectadores, o autor cria um neologismo por meio de

a) derivação prefixal.   

b) composição por justaposição.   

c) composição por aglutinação.   

d) derivação imprópria.   

2. (Unifesp 2020) Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.

Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.

Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem. Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins.

Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais obras de outras.

Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.

Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados.

O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma coisa.

 (O imaginário cotidiano, 2002.)

Expressam ideia de negação e ideia de repetição, respectivamente, os prefixos das palavras

a) “deformados” e “repulsivo”.    

b) “insuspeitados” e “repulsivo”.    

c) “deformados” e “recobertas”.    

d) “repulsivo” e “recobertas”.    

e) “insuspeitados” e “deformados”.    

3. (Cotuca 2020) O texto a seguir é um trecho de um slam transcrito a partir da performance de sua autora, Midria, em um programa de televisão da TV Cultura. Leia-o e responda.

Eu tenho um problema: meu ascendente é em Áries.

E eu tenho outro problema: é que eu sou a menina que nasceu sem cor.

Pra alguns eu sou "preta", para outras eu sou Preta, para muitos e muitos eu sou parda.

(...) Eu sou a menina que nasceu sem cor porque eu nasci num país sem memória, com amnésia,

que apaga da história todos os seus símbolos de resistência negra,

que embranquece a sua população e trajetória a cada brecha,

(...) E eu tenho outro problema... pô, eu não sei dar cambalhota

e não importa que pra alguns eu seja a menina que nasceu sem cor,

que falte melanina pra minha pele ser retinta, que os meus traços não sejam tão marcados.

O colorismo é uma política de embranquecimento do Estado

que por muito tempo fez com que eu odiasse meus traços genéticos do meu pai herdados.

Me odiasse, me mutilasse, meu cabelo alisasse.

Meninas pretas não brincam com bonecas pretas,

mas faço questão de botar no meu texto

que pretas e pretos estão se armando, se amando,

porque me chamam por aí de parda, morena,

moreninha, mestiça, mulata,

café com leite, marrom bombom...

Por muito tempo eu fui a menina que nasceu sem cor,

até que um dia gritaram-me: NEGRA.

E eu respondi. 

(MIDRIA, 2018)

Analise o processo de formação da palavra “embranquecimento”, avaliando se há prefixos e/ou sufixos adicionados a um ou mais radicais. Outra palavra formada por esse mesmo processo é: 

a) Folhagem   

b) Dança    

c) Impaciente    

d) Desfazer    

e) Camponês    

4. (Fuvest 2019) Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, 1reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.

A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto decair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos, 2"viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que 3"desincompatibilizar" sempre foi um palavrão.

FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.

Com base no texto, é correto afirmar:

a) A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por objetivo banir da língua portuguesa os verbos terminados em “ilizar”.   

b) O autor considera o emprego de verbos como “reinicializando” (ref. 1) e “viabilizar” (ref. 2) uma verdadeira “doença”.    

c) A maioria dos verbos terminados em “(i)lizar”, presentes no texto, foi incorporada à língua por influência estrangeira.    

d) O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando involuntariamente os verbos que ele condena.   

e) Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do verbo “desincompatibilizar” (ref. 3), têm sentido oposto, por isso o autor o considera um “palavrão”.   

5. (Enem PPL 2019) Eu gostaria de comentar brevemente as afinidades existentes entre comunidade, comunicação e comunhão. Essas afinidades começam no próprio radical das palavras em questão. Assim, se nosso alvo são os atos de interação comunicativa, temos que incluir em nosso objeto de estudo a ecologia dos atos de interação comunicativa, que se dão no contexto da ecologia da interação comunicativa. No entanto, não basta a proximidade espacial para que a comunicação se dê, é necessário que os potenciais interlocutores entrem em comunhão. Por fim, sem trocadilhos, a comunicação ideal se dá no interior de uma comunidade, entre indivíduos que entram em comunhão.

COUTO, H. H. O Tao da linguagem. Campinas: Pontes, 2012.

O trecho integra um livro sobre os aspectos ecológicos envolvidos na interação comunicativa. Para convencer o leitor das afinidades entre comunidade, comunicação e comunhão, o autor

a) nega a força das comunidades interioranas.   

b) joga com a ambiguidade das palavras.   

c) parte de uma informação gramatical.   

d) recorre a argumentos emotivos.   

e) apela para a religiosidade.   

6. (IFCE 2019) As palavras “aguardente” e “pontapé” formaram-se, respectivamente, por 

a) parassíntese e aglutinação.   

b) aglutinação e sufixação.    

c) justaposição e prefixação.    

d) parassíntese e justaposição.    

e) aglutinação e justaposição.    

7. (CPS 2019) Analise a charge para responder à(s) questão(ões).

 


O título da charge “democracinhas” é um neologismo composto pelo mesmo processo de formação presente no termo

a) desanuviar, derivação sufixal.   

b) inativo, derivação parassintética.   

c) girassol, composição por hibridismo.   

d) fidalgo, composição por aglutinação.   

e) televisão, derivação prefixal e sufixal.   

8. (IFPE 2019) Leia o texto para responder à questão.

Considerando o processo de formação da palavra “latifundiário”, ela poderia ser incluída em qual grupo de palavras abaixo? 

a) Inativo, antebraço, intravenoso e irrestrito.    

b) Aguardente, embora, passatempo e girassol.    

c) Moto, refri, foto e quilo.    

d) MST, ONU, UNE e IFPE.    

e) Chuvisco, boiada, folhagem e cafeína.    

9. (Enem PPL 2018) bom... o... eu tenho impressão que o rádio provocou uma revolução... no país na medida que:... ahn principalmente o rádio de pilha né? quer dizer o rádio de pilha representou a quebra de um isolamento do homem do campo principalmente quer dizer então o homem do campo que nunca teria condição de ouvir... falar... de outras coisas... de outros lugares... de outras pessoas, entende? através do rádio de pilha... ele pôde se ligar ao resto do mundo saber que existem outros lugares outras pessoas, que existe um governo, que existem atos do governo... de modo que... o rádio, eu acho que tem um papel até... numa certa medida... ele provocou pelo alcance que tem uma revolução até maior do que a televisão... o que significou a quebra do isolamento... entende? de certas pessoas... a gente vê hoje o operário de obra com o rádio de pilha debaixo do braço durante todo o tempo que ele está trabalhando... quer dizer... se esse canal que é o rádio fosse usado da mesma forma como eu mencionei a televisão... num sentido cultural educativo de boas músicas e de... numa linha realmente de crescimento do homem [...] Esses veículos... de telecomunicações se colocassem a serviço da cultura e da educação seria uma beleza, né?

CASTILHO, A. T.; PRETTI, D. (Org.). A linguagem falada na cidade de São Paulo: materiais para seu estudo. São Paulo: T. A. Queiroz; Fapesp, 1987.

A palavra comunicação origina-se do latim communicare e significa “tornar comum”, “repartir”. Nessa transcrição de entrevista, reafirma-se esse papel dos meios de comunicação de massa porque o rádio poderia

a) oferecer diversão para as massas, possibilitando um melhor ambiente de trabalho.    

b) atender as demandas de mercado, servindo de instrumento à indústria do consumo.    

c) difundir uma cultura homogênea, abolindo as marcas identitárias de toda uma coletividade.    

d) trazer oportunidades de aprimoramento intelectual, permitindo ao homem o acesso a informações e a bens culturais.    

e) inserir o indivíduo em sua classe social, fornecendo entretenimento de pouco aprofundamento crítico.    

10. (Unicamp 2018)  O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James Joyce são autores reverenciados pela inventividade de sua linguagem literária, em que abundam neologismos. Muitas vezes, por essa razão, Guimarães Rosa e Joyce são citados como exemplos de autores "praticamente intraduzíveis". Mesmo sem ter lido os autores, é possível identificar alguns dos seus neologismos, pois são baseados em processos de formação de palavras comuns ao português e ao inglês.

Entre os recursos comuns aos neologismos de Guimarães Rosa e de James Joyce, estão:

i. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma reprodução aproximada de um som natural, utilizando-se os recursos da língua); e

ii. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de prefixos ou sufixos a palavras já existentes na língua). 

Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram extraídos de obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce (JJ). Assinale a opção em que os processos (i) e (ii) estão presentes:

a) Quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém) e tattarrattat (JJ, Ulisses).    

b) Transtrazer (GR, Grande sertão: veredas) e monoideal (JJ, Ulisses).    

c) Rtststr (JJ, Ulisses) e quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém).    

d) Tattarrattat (JJ, Ulisses) e inesquecer-se (GR, Ave, Palavra).