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1. (IFBA 2018) A festa do dois de Julho vem, ao longo do tempo, notabilizando-se como um momento importante da memória oficial da Bahia. Sobre ela podemos afirmar:
a) É o dia em que os Índios atacaram os inimigos colonizadores e conseguiram ajudar os baianos a expulsar os portugueses da Cidade de Salvador. Por isso estariam representados, como símbolos da festa, o caboclo e a cabocla.    
b) É uma festa religiosa que tem no dia 2 de Julho o seu ritual mundano.   
c) Um ritual a serviço dos governantes eleitos, que mantêm as festas para testarem sua popularidade.    
d) É uma festa que celebra, além da expulsão da presença portuguesa colonizadora, vários aspectos da cultura religiosa e popular do povo baiano.    
e) Celebra a proclamação da República.    
  
2. (Uel 2018) Leia o texto a seguir.

Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.
(Disponível em: <https://pt.wikiquote.org/wiki/Blade_Runner>. Acesso em: 11 jul. 2017.)


Esta é uma fala do androide Roy que queria eliminar Decard, no filme Blade Runner, o Caçador de Androides (1982), dirigido por Ridley Scott. No entanto, no combate, Roy o salvou da morte. Essa reflexão apresenta a noção de uma existência construída por múltiplas experiências as quais, que por serem as memórias de Roy, se perderiam para sempre.

Com base nos conhecimentos hoje predominantes sobre os fundamentos da história, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.

(     ) A História privilegia, nos seus estudos, as experiências coletivas dos grandes grupos humanos, excluindo a vida do indivíduo comum.
(     ) A historiografia desconsidera a memória oral para registrar as formas culturais de compreensão do mundo.
(     ) Nos museus e cemitérios, descansam os personagens históricos cujas ideias não mais afetarão os vivos.
(  ) Memória e história são noções diferentes, mas se complementam e interagem quando depoimentos orais são registrados em documentos.
(  ) Um fato histórico gera uma diversidade de documentos, e as interpretações sobre ele ressignificam o seu teor.

Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
a) V, F, F, V, F   
b) V, F, V, F, V   
c) V, V, F, V, F   
d) F, F, F, V, V   
e) F, V, V, F, V   
  
3. (Udesc 2018) A História, segundo o historiador Marc Bloch, pode ser definida como a ciência do homem no tempo. Quando estudada em instituições escolares, ela é, comumente, dividida em: Idade Antiga, Idade Medieval, Idade Moderna e Idade Contemporânea.

Sobre este modelo de organização do tempo histórico em períodos ou idades, analise as proposições.

I. O modelo acima foi instituído na Grécia durante o século IV a.C. por Aristóteles que, na época, assumia as funções de tutor de Alexandre da Macedônia.
II. A adoção deste modelo demonstra o forte vínculo existente entre os programas escolares de história e a tradição europeia, na medida em que as idades são organizadas a partir de processos ocorridos majoritariamente no Continente Europeu.
III. O modelo citado foi desenvolvido e institucionalizado em 1837, pelo Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, e refere-se, exclusivamente, aos processos ocorridos a partir do Descobrimento do Brasil, em 1500.

Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa I é verdadeira.    
b) Somente a afirmativa III é verdadeira.    
c) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.    
d) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.    
e) Somente a afirmativa II é verdadeira.    
  
4. (Udesc 2018) É prática comum nos programas escolares a delimitação de datas que marcam o início e, muitas vezes, o fim de processos históricos. No caso da História do Brasil, o ano de 1500 recebe bastante atenção.

A respeito do ano de 1500 como início oficial da História do Brasil, analise as proposições.

I. A definição de datas como marcos históricos tem implicações políticas, uma vez que elege certos eventos como fundamentais. No caso da História do Brasil, a ênfase no ano de 1500 ressalta a importância atribuída à chegada dos europeus para a constituição da história brasileira.
II. Ao definir o ano de 1500 como marco inicial para a História do Brasil, corre-se o risco de desconsiderar a importância da história, as características e os costumes dos vários grupos indígenas que já habitavam o território, que seria posteriormente conhecido como Brasil.
III. A definição do ano de 1500, como marco para o início oficial da História do Brasil, foi resultado de uma série de demandas populares que reivindicavam a possibilidade de opinar a respeito da oficialização da História Nacional.

Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.    
b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.    
c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.    
d) Somente a afirmativa I é verdadeira.    
e) Somente a afirmativa II é verdadeira.    
  
5. (Uece 2017) História, como área do conhecimento, possui, hoje, especificidades que a definem, dentre as quais encontra-se a característica de
a) ater-se apenas a documentos escritos, não aceitando como fonte outros tipos de informação tais como informações originadas na oralidade ou produzidas pela mídia.   
b) não se ater apenas aos fatos realizados por governantes e poderosos, tomando os eventos cotidianos e as práticas sociais como importantes temas históricos.   
c) entender o tempo histórico e o tempo cronológico como iguais, uma vez que ambos são caracterizados por ter medidas constantes e exatas de tempo.   
d) reconhecer apenas grandes eventos documentados oficialmente como um fato histórico.   

 
6. (Ufrgs 2016) Leia o segmento abaixo.

Nossa história colonial não se confunde com a continuidade do nosso território colonial.
ALENCASTRO, L.F. O trato dos viventes; formação do Brasil no Atlântico sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 9.

Considerando a história brasileira, assinale a alternativa correta.
a) A realidade territorial do Brasil foi definida exclusivamente em tratados diplomáticos, estabelecidos durante os conflitos entre Portugal e Espanha.   
b) A compreensão da história brasileira exige o entendimento das relações sociais e econômicas, mantidas pelos colonos com a África e com a Europa.   
c) A história da formação do Brasil é independente da relação comercial entre as diversas regiões do território brasileiro.   
d) A ocupação da zona litorânea e a do interior do Brasil foram simultâneas.   
e) O território do Brasil colonial é desimportante para o estudo da história brasileira.   
  
7. (Pucsp 2016) “As fugidias confissões que os inquisidores tentavam arrancar dos acusados proporcionam ao pesquisador atual as informações que ele busca – claro que com um objetivo totalmente diferente. Mas, enquanto lia os processos inquisitoriais, muitas vezes tive a impressão de estar postado atrás dos juízes para espiar seus passos, esperando, exatamente como eles, que os supostos culpados se decidissem a falar das suas crenças.”
Carlo Ginzburg. O fio e os rastros. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 283-284. Adaptado.

O texto aponta semelhanças entre a expectativa do inquisidor, que colhia os depoimentos daqueles que eram julgados pelo Santo Ofício, e a expectativa do pesquisador, que, séculos depois, analisa os processos inquisitoriais. O “objetivo totalmente diferente” de cada um deles pode ser assim caracterizado:
a) enquanto o inquisidor desejava salvar a alma do acusado, por meio da expiação de seus pecados, o pesquisador consegue descobrir, no depoimento, a verdade completa e absoluta sobre o período.   
b) enquanto o inquisidor ampliava os limites da fé cristã, ao perdoar os erros do acusado, o pesquisador consegue identificar a fé superior do membro da Igreja e os pecados cometidos pelos réus.   
c) enquanto o inquisidor pretendia obter, do acusado, uma confissão ou o reconhecimento de culpa, o pesquisador deseja encontrar, no processo, indícios que o ajudem a compreender aquela experiência histórica.   
d) enquanto o inquisidor assumia uma atitude de tolerância e respeito perante o acusado, o pesquisador penetra indevidamente na intimidade dessas duas pessoas.   
  
8. (Upe-ssa 1 2016) A Europa é uma criação feita diante do outro. Suas fronteiras são culturais e se opõem em três ao que não é Europa: a Ásia, os Árabes, que assediam a Europa, primeira frente antieuropeia; o ‘leste’ sempre indefinido; e finalmente o Oceano”.
FEBVRE, Lucien. A Europa – gênese de uma civilização. Bauru: Edusc, 2004, p. 118-121. (Adaptado)


O trecho acima representa certa historiografia europeia, que se caracteriza pelo
a) Multiculturalismo – valoriza as contribuições das diversas populações na criação da civilização europeia.   
b) Orientalismo – entende o Oriente como uma criação pacífica e igualitária do Ocidente.   
c) Eurocentrismo – entende a Europa como centro da civilização, ameaçada pela barbárie e obrigada a expandir os limites da Humanidade.   
d) Humanismo – percebe uma mesma essência em todas as manifestações do gênio humano, disfarçada por elementos culturais diversos.   
e) Materialismo Histórico – privilegia os elementos econômicos sobre os culturais e políticos.   

9. (Udesc 2015) “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja menos vão esgotar-se em compreender o passado se nada se sabe do presente.”
Marc Bloch. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, p. 65.

Assinale a alternativa que contém a definição de história mais coerente com a citação do historiador Marc Bloch.
a) A História é a ciência que resgata o passado para explicar o presente e fazer previsões sobre o futuro.   
b) A História é uma ciência que visa promover o entretenimento dos expectadores do presente e um conhecimento inútil sobre o passado.   
c) A História é, tal como a literatura, uma narrativa sobre o passado determinada pela imaginação do historiador.   
d) A História é a ciência que se refugia no passado para não compreender as questões do presente.   
e) A História é uma ciência que formula questões sobre o passado a partir de inquietações e experiências vividas no presente.   

10. (Upe 2014) A cultura material estudada pelo arqueólogo insere-se, sempre, em um contexto histórico muito preciso e, portanto, o conhecimento da história constitui aspecto inelutável da pesquisa arqueológica. Assim, só se pode compreender a cerâmica grega se conhecermos a história da sociedade grega, as diferenças entre as cidades antigas, as transformações por que passaram. 
(FUNARI, Pedro Paulo. Arqueologia. São Paulo: Contexto, 2003. p. 85.)

Com base nas afirmações acima, assinale a alternativa CORRETA.
a) A Arqueologia, diferentemente da História, concentra seus estudos na análise da cultura material, negligenciando fontes escritas e orais.  
b) A relação interdisciplinar entre a Arqueologia e a História é apresentada no texto como um fator essencial na análise da cultura material.  
c) Os estudos arqueológicos pouco retratam as sociedades pré-históricas tendo em vista a ausência de fontes não materiais sobre esses povos.  
d) A arqueologia não contribuiu para o estudo de regiões africanas como o Sudão e o Egito, tendo em vista a exclusividade da análise das tradições orais no estudo dessas sociedades.
e) História e Arqueologia só constroem uma relação interdisciplinar nos estudos sobre a pré-história e a antiguidade, em que a análise da cultura material é o cerne das pesquisas.     

11. (Upe 2014) Existe em todo historiador, em toda pessoa apaixonada pelo arquivo uma espécie de culto narcísico do arquivo, uma captação especular da narração histórica pelo arquivo, e é preciso se violentar para não ceder a ele. Se tudo está arquivado, se tudo é vigiado, anotado, julgado, a história como criação não é mais possível: é então substituída pelo arquivo transformado em saber absoluto, espelho de si. Mas se nada está arquivado, se tudo está apagado ou destruído, a história tende para a fantasia ou o delírio, para a soberania delirante do eu, ou seja, para um arquivo reinventado que funciona como dogma. 
(ROUDINESCO, Elisabeth. A análise e o arquivo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 09.)

Refletindo sobre o historiador e sua relação com os arquivos, o texto nos mostra que
a) todo conhecimento histórico se encerra dentro dos arquivos, e o historiador é um mero reprodutor de documentos oficiais.  
b) só por meio do arquivo, no século XXI, ele pode retratar o passado tal qual foi.  
c) essa relação é ambivalente, e, ao mesmo tempo em que ele necessita do arquivo para legitimar sua narrativa, deve ter o cuidado de não transformá-lo num saber absoluto.  
d) no seu trabalho, é melhor a ausência de arquivo que o excesso.  
e) todo conhecimento histórico é produzido sem necessidade dos arquivos.   


12. (Uema 2016) Um líder jihadista egípcio convocou a população muçulmana para destruir a Esfinge e as Pirâmides de Gizé, informa o site árabe Al Arabiya. Murgan Salem al-Gohary, que afirma ter ligações com o Talibã, pediu que os egípcios repetissem o que foi feito no Afeganistão, quando estátuas de Buda foram removidas após a chegada dos fundamentalistas ao poder. “A destruição da memória, da História, do passado é algo terrível para uma sociedade”. 
Jacques Le Goff, Revista Veja.
A destruição de patrimônios históricos da Humanidade, como as estátuas de Buda no Afeganistão, e a ameaça à Esfinge de Gizé e às Pirâmides não se restringem aos conflitos político-religiosos que assolam o Oriente Médio há séculos, mas fazem parte de um processo maior de reconfiguração da Memória e da História da sociedade.

O processo acima descrito está diretamente relacionado ao (à)
a) uso da Memória e da História como campo de disputa e de construção de identidades coletivas.   
b) tentativa de uso da Memória e da História como estratégias para reforçar identidades coletivas passadas.   
c) destruição dos bens culturais construídos ao longo da dominação imperialista sobre a região do Oriente Médio.   
d) ataque aos Patrimônios Culturais como forma de destruição de símbolos ocidentais que representam o domínio estrangeiro.   
e) projeto de diluição das fronteiras culturais por meio da tentativa de imposição de uma única memória coletiva aos demais povos do Oriente Médio.   


13. (Ufg 2012) Analise a imagem e leia os artigos da Lei n. 4897 a seguir.
 
As sucessivas representações sobre Tiradentes exemplificam o fenômeno de apropriação do passado, tal como se observa na pintura, elaborada no início da República, e na lei, promulgada durante o regime militar. Essas apropriações, em suas épocas, objetivavam 
a) referendar o caráter religioso da Inconfidência.
b) unir a sociedade contra os ideais estrangeiros.
c) justificar a ação inconfidente contra o governo.
d) enfatizar o sacrifício individual em prol da nação.
e) destacar o caráter violento da história nacional. 

14. (Unicamp 2011) A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas.

A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência.
(Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: AlfaÔmega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.0)

As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como 
a) materialismo histórico, que compreende as sociedades humanas a partir de ideias universais independentes da realidade histórica e social.
b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção.
c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio de uma revolução e a implantação de uma ditadura do proletariado.
d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo, com o fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da ação direta.

15. (Ufu 2011) [...] devia ser um ponto capital para o historiador reflexivo mostrar como no desenvolvimento sucessivo do Brasil se acham estabelecidas as condições para o aperfeiçoamento de três raças humanas [...].
MARTIUS, Carl F. Ph. von. “Como se deve escrever a História do Brasil”. In: _____. O estado de direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1982. p. 89.

Considerando o texto, escrito por von Martius e publicado em 1845 pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, assinale a alternativa correta.
a) O autor demonstra que o branco português não obteve participação tão significativa na formação histórica do Brasil quanto o africano ou o indígena.
b) O autor procura, em uma perspectiva evolutiva da humanidade, demonstrar que a história do Brasil é o resultado do cruzamento gradativo entre brancos, indígenas e africanos.
c) O aperfeiçoamento das três raças no Brasil é resultado de um conjunto de políticas de branqueamento populacional, ao mesmo tempo em que se extinguem as populações africanas e indígenas.
d) O branco teria que aprender a cultura e a língua do indígena para sobreviver no Brasil, assim como deveria aprender a cultura do trabalho com o africano para desenvolver-se economicamente.

16. (Ufsm 2011) Leia os textos:

Texto I

"A intensa radiação solar na região equatorial é responsável direta pelas altas taxas de evaporação da água de sua superfície, levando à formação de massas de ar quente e úmido que condicionam os altos índices pluviométricos observados. Assim, elevadas temperaturas, intensa radiação solar e muita chuva caracterizam o clima das regiões tropicais e nos fazem entender as luxuriantes formações florestais e as riquezas dos recifes de corais típicos dessas latitudes. Esses fatores reunidos explicam, ainda, a elevada produtividade associada aos referidos ecossistemas." 
UZUNIAN & BIRNER. Biologia. São Paulo: Harbra, 2007. p.820.

Texto II

"É seguramente fácil encontrar casos de correlação íntima entre um fato geográfico e um fato social. A contiguidade* de duas regiões, planície e montanha, onde a ordem dos trabalhos não é a mesma e onde as colheitas amadurecem em datas diferentes, torna disponíveis os trabalhadores que alugarão periodicamente seus braços. A presença de uma grande cidade faz nascer à sua porta cultivos especiais, associados a hábitos igualmente especiais, como o dos horticultores. A ocorrência bem localizada de um produto de primeira necessidade pode engendrar consequências sociais e políticas." 
VIDAL DE LA BLANCHE, Paul. As condições geográficas dos fatos sociais. 
http://www4.fct.unesp.br/raul/saude_ambiental/condicoes_geograficas_faros_sociais.pdf

*contiguidade = proximidade, vizinhança.

O desenvolvimento das ciências neste século XXI oferece uma variedade de explicações sobre os processos que envolvem as relações entre os seres humanos e os ecossistemas.

A História, ciência social, na medida em que estabelece o diálogo e o debate com os demais campos do conhecimento científico, pode confrontar explicações e buscar novas e mais abrangentes formas de entender o conjunto dos processos que envolveram as ações humanas ao longo do tempo e nos diversos espaços.
Como se pode perceber, através das informações da Biologia e da Geografia nos textos apresentados, essa abertura é possível e necessária, porque a História é uma ciência cada vez mais
a) pragmática.
b) experimental.
c) teórica.
d) interdisciplinar.
e) factual.

17. (Upe 2011) A História é uma área do conhecimento, que sofreu várias inovações metodológicas no século XX. Essas inovações provocaram mudanças que estão ligadas à eclosão da Escola dos Annales. Nessa perspectiva, é correto afirmar que
a) a Escola dos Annales reafirmou os postulados positivistas, reforçando uma história política como a única perspectiva de análise da sociedade.
b) a produção cultural humana assim como as mentalidades, o imaginário, o cotidiano e a cultura popular foram vistos como novos interesses de estudo dos historiadores.
c) a análise econômica desaparece da pauta de temáticas estudadas pela História após o advento dos Annales.
d) a única preocupação dos historiadores influenciados pelo pensamento dos Annales se refere à cultura.
e) não existem ainda hoje ecos do pensamento dos Annales nos estudos sobre a história do Brasil.

18. (Enem 2010) Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa república que já se viu na América Latina, a do Paraguai.
CHIAVENATTO, J. J. Genocídio americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado).

O imperialismo inglês, "destruindo o Paraguai, mantém o status o na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre".

Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria tem alguma repercussão.
(DORATIOTO. F. Maldita guerra: nova historia da Guerra do Paraguai. São Paulo: Cia. das Letras, 2002 (adaptado).

Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que ambas estão refletindo sobre
a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais motivos dessa Guerra.
b) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra.
c) o resultado das intervenções britânicas nos cenários de batalha.
d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre os motivos dessa Guerra.
e) o nível de crueldade das ações do exército brasileiro e argentino durante o conflito.

19. (Ufc 2010) “A maneira como os indivíduos manifestam sua vida reflete exatamente o que são. O que eles são coincide, pois, com sua produção, isto é, tanto com o que eles produzem quanto com a maneira como produzem. O que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais da sua produção.”
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 13.

Com base nessa citação do livro A ideologia alemã, que trata da teoria marxista para a interpretação da sociedade, é correto afirmar que:
a) o capitalismo teve origem no modo de produção socialista, a partir de uma revolução burguesa.
b) o capitalismo teve origem em ideias religiosas, a partir do Renascimento, e no crescimento da burguesia.
c) a produção de ideias na vida social, no decorrer da história, está separada da produção da vida material.
d) a perspectiva de análise marxista examina a sociedade levando em consideração as relações sociais estabelecias no modo de produção.
e) o pensamento marxista surgiu no início da revolução francesa, com a defesa da igualdade e da fraternidade entre todos os seres humanos.

20. (Ufg 2010) As pinturas rupestres são evidências materiais do desenvolvimento intelectual dos seres humanos. Embora tradicionalmente estudadas pela Arqueologia, elas ajudaram a redefinir a concepção de que a História se inicia com a escrita, pois
a) funcionam como códices velados de uma comunidade à espera de decifração.
b) expressam uma concepção de tempo marcada pela cronologia.
c) indicam o predomínio da técnica sobre as forças da natureza.
d) atestam as relações entre registros gráficos e mitos de origem.
e) registram a supremacia do indivíduo sobre os membros de seu grupo.

21. (Unesp 2010) A Ilíada, de Homero, data do século VIII a.C. e narra o último ano da Guerra de Troia, que teria oposto gregos e troianos alguns séculos antes. Não se sabe, no entanto, se esta guerra de fato ocorreu ou mesmo se Homero existiu. Diante disso, o procedimento usual dos estudiosos tem sido:
a) desconsiderar os relatos atribuídos a Homero, pois não temos certeza de sua procedência, nem se eles nos contam a verdade sobre o passado grego.
b) identificar na obra, apesar das dúvidas, características da sociedade grega antiga, como a valorização das guerras e a crença na interferência dos deuses na vida dos homens.
c) desconfiar de Homero, pois ele era grego e assumiu a defesa de seu povo, abrindo mão da completa neutralidade que todo relato histórico deve ter.
d) acreditar que a Guerra de Troia realmente aconteceu, pois Homero não poderia ter imaginado tantos detalhes e personagens tão complexos como os que aparecem no poema.
e) descartar o uso da obra como fonte histórica, pois, mesmo que a guerra tenha ocorrido, a Ilíada é um relato literário e não foi escrita com rigor e precisão científica.

22. (Ufg 2010) Leia o texto a seguir.

Origens do regime feudal, diz-se. Onde buscá-las? Alguns responderam em “Roma”. Outros “na Germânia”. As razões dessas miragens são evidentes […]. Das duas partes, sobretudo, eram empregadas palavras – tais como “benefício” (beneficium) para os latinos, “feudo” para os germanos – das quais essas gerações persistiram em se servir, ainda que lhes conferindo, sem se dar conta, um conteúdo quase inteiramente novo. Pois, para o grande desespero dos historiadores, os homens não têm o hábito, a cada vez que mudam o costume, de mudar de vocabulário.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar. p. 58. (Adaptado).

Neste fragmento, Marc Bloch discute de que forma os historiadores lidam com a questão das origens, indicando que a
a) origem dos fenômenos históricos deve ser buscada no encadeamento dos acontecimentos, o que confere à História um sentido de continuidade.
b) origem é o ponto de partida da mudança que demarca a ruptura com as formas históricas precedentes.
c) ideia de origem desconsidera a cronologia, ferramenta metodológica que concede sentido à explicação histórica.
d) busca da origem dos fenômenos históricos encobre a relação entre as forças de conservação e de mudança que compõem a vida social.
e) origem dos fenômenos históricos pode ser encontrada na permanência dos costumes e do uso do vocabulário.

23. (Enem 2010)

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis. 
Arrastaram eles os blocos de pedra? 
E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes? 
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores? 
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta? 
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo. 
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?
BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que lê.
Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.

Partindo das reflexões de um trabalhador que lê um livro de História, o autor censura a memória construída sobre determinados monumentos e acontecimentos históricos.
A crítica refere-se ao fato de que
a) os agentes históricos de uma determinada sociedade deveriam ser aqueles que realizaram feitos heroicos ou grandiosos e, por isso, ficaram na memória.
b) a História deveria se preocupar em memorizar os nomes de reis ou dos governantes das civilizações que se desenvolveram ao longo do tempo.
c) grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram.
d) os trabalhadores consideram que a História é uma ciência de difícil compreensão, pois trata de sociedades antigas e distantes no tempo.
e) as civilizações citadas no texto, embora muito importantes, permanecem sem terem sido alvos de pesquisas históricas.

24. (Enem simulado 2009) A Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desenvolveu o projeto “Comunidades Negras de Santa Catarina”, que tem como objetivo preservar a memória do povo afrodescendente no sul do País. A ancestralidade negra é abordada em suas diversas dimensões: arqueológica, arquitetônica, paisagística e imaterial. Em regiões como a do Sertão de Valongo, na cidade de Porto Belo, a fixação dos primeiros habitantes ocorreu imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil. O Iphan identificou nessa região um total de 19 referências culturais, como os conhecimentos tradicionais de ervas de chá, o plantio agroecológico de bananas e os cultos adventistas de adoração.
Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=14256&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia>. Acesso em: 1 jun. 2009. (com adaptações).

O texto acima permite analisar a relação entre cultura e memória, demonstrando que
a) as referências culturais da população afrodescendente estiveram ausentes no sul do País, cuja composição étnica se restringe aos brancos.
b) a preservação dos saberes das comunidades afrodescendentes constitui importante elemento na construção da identidade e da diversidade cultural do País.
c) a sobrevivência da cultura negra está baseada no isolamento das comunidades tradicionais, com proibição de alterações em seus costumes.
d) os contatos com a sociedade nacional têm impedido a conservação da memória e dos costumes dos quilombolas em regiões como a do Sertão de Valongo.
e) a permanência de referenciais culturais que expressam a ancestralidade negra compromete o desenvolvimento econômico da região. 

25. (Ufpa 2013) “Os judeus tinham que usar uma estrela amarela, [...] tinham que entregar as bicicletas, [...] não podiam andar de bonde, [...] ficavam proibidos de dirigir automóveis.[...] só podiam fazer compras das três às cinco horas e só em casas que tivessem placa dizendo ‘casa israelita’. Os judeus deviam recolher-se às suas casas às oito da noite [...]. Ficavam proibidos de ir a teatros, cinemas e outros lugares de diversão.”
FRANK, Anne. Diário de uma jovem. São Paulo: Editora Mérito S. A., 1958, p. 14, 3ª edição.

Esse trecho, que foi retirado do diário de uma adolescente judia prisioneira num campo de concentração, na Alemanha, onde morreu em 1945, revela
a) poucas e distorcidas informações para se compreender o que foi a 2ª Guerra Mundial.
b) detalhes das perseguições sofridas pelos judeus na Alemanha, durante a 1ª Guerra Mundial.
c) ideias falsas, pois os alemães não podiam abrir mão do dinheiro que os judeus gastavam em locais como cinemas e teatros.
d) aspectos importantes para nossa compreensão acerca das perseguições sofridas pelos judeus, desde a 2ª Guerra Mundial até os ano de 1960, com o fim do apartheid.
e) a importância desse diário como documento histórico que registrou, para a posteridade, a perseguição sofrida pelos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.

26. (Upe 2013) A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que fabrica, tudo o que toca pode e deve informar sobre ele.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001, p. 79. (Adaptado).

Sobre as fontes históricas, com base no texto acima, assinale a alternativa CORRETA.
a) O pensamento marxista aboliu a utilização de fontes escritas nas pesquisas históricas.
b) A afirmação do texto sintetiza a nova perspectiva historiográfica sobre as fontes históricas.
c) Os utensílios produzidos pelo homem se enquadram como registros arqueológicos e não como fontes para o historiador.
d) Marc Bloch, no texto, defende a primazia das fontes escritas.
e) A escola positivista foi a primeira a fazer uso da chamada história oral.

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1. (Ufu 2017) Para Fernando José Martins, no “fenômeno contemporâneo das ocupações das escolas: os estudantes de São Paulo lutaram para que sua escola não feche, ou por melhores condições nas escolas do Rio de Janeiro, ou contra a gestão privada das escolas em Goiás, o passe livre e aumento da merenda no Ceará, ou, no caso paranaense, sobre a reforma do Ensino Médio, que subtrai a obrigatoriedade de elementos curriculares fundamentais.” 
Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-carater-pedagogico-da-ocupacao-das-escolas-4qd45ib0p7hy6mli685kqzsxg>. Acesso em: 22 abr. 2017.

Avaliando o movimento das ocupações a partir do conceito de ação social em Weber, pode-se afirmar que o tipo de ação social prevalecente é:
a) Ação afetiva    
b) Ação racional em relação a fins    
c) Ação tradicional    
d) Ação altruísta em relação a valores    
  
2. (Upe-ssa 3 2017) Leia o texto a seguir:

O saber da comunidade, aquilo que todos conhecem de algum modo; o saber próprio dos homens e das mulheres, de crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos; o saber de guerreiros e esposas; o saber que faz o artesão, o sacerdote, o feiticeiro, o navegador e outros tantos especialistas, envolve, portanto, situações pedagógicas interpessoais, familiares e comunitárias, em que ainda não surgiram técnicas pedagógicas escolares, acompanhadas de seus profissionais de aplicação exclusiva. 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação? São Paulo: Brasiliense, 2007, p. 20.

O tema discutido no texto é uma preocupação nos estudos da Sociologia desde a sua consolidação como ciência. Nos trabalhos de Émile Durkheim, esse tema ganhou um destaque por considerar uma forma de integração dos indivíduos e de perpetuação dos hábitos e costumes do grupo, ou seja, dos fatos sociais.

Sobre isso, assinale a alternativa que NÃO indica uma característica do tipo de transmissão do conhecimento.
a) A aprendizagem acontece sem que haja um planejamento específico e, muitas vezes, sem que os sujeitos se deem conta.   
b) O processo de construção do conhecimento é permanente, contínuo e não previamente organizado, desenvolvendo-se ao longo da vida.   
c) O conhecimento transmitido permite ao sujeito resolver situações referentes aos processos de socialização e àqueles relacionados às imposições da natureza para sobrevivência do grupo.   
d) A percepção gestual, a moral e a comportamental, provenientes de meios familiares de amizade, de trabalho e de socialização midiática, fazem parte do rol de aprendizagens e conhecimentos.   
e) O conhecimento e a habilidade são transmitidos por meio de um currículo pré-definido em ambientes especializados, num processo conhecido como escolarização.   
  
3. (Upe-ssa 3 2017) A Escola é considerada pela Sociologia uma instituição, pois se trata de um conjunto de relações entre indivíduos mediadas por normas e procedimentos padronizados de comportamento, aceitos pela sociedade como importantes para a socialização dos sujeitos e para a transmissão de determinado conhecimento compartilhado pela cultura.

Assinale a alternativa que NÃO indica uma das funções das instituições escolares.
a) Preparar os sujeitos para os papéis profissionais e ocupacionais.   
b) Transmitir a herança cultural do grupo.   
c) Promover a mudança social por meio de pesquisas.   
d) Estimular a sociabilidade entre os sujeitos.   
e) Desenvolver o senso crítico-reflexivo para questionar a autoridade dos adultos e romper com as regras sociais.   
  
4. (Unisc 2017) Na última década, entre os investimentos mais significativos do Governo Federal está a Educação. Dada uma série de fatores econômicos e políticos, externos e internos à Nação, o orçamento da União prevê uma redução drástica no orçamento da educação que certamente repercutirá nos dois programas mais significativos de financiamento para estudantes de Universidades privadas e comunitárias. Das alternativas abaixo, assinale aquela que contempla os dois programas aqui destacados.
a) Bolsa Família e Jovem Aprendiz.   
b) Minha Casa Minha Vida e PRONATEC.   
c) FIES e PROUNI.   
d) PETI-MT e Criança Feliz.   
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

‘Todos precisam ser expostos às diferenças’

Vishakha N. Desai, cientista política e consultora

Eleita uma das cem mulheres mais poderosas do mundo em cargo de liderança, indiana veio ao Rio para congresso da AFS, entidade dos EUA que promove intercâmbios

Estou na casa dos 60 anos, mas não quero revelar a idade real. Sou consultora da Universidade de Columbia e pesquisadora na Faculdade de Relações Públicas e Internacionais. Atuo como consultora no Museu Guggenheim, em Nova York, e presido o conselho da American Field Service (AFS).

ENTREVISTA A:
DANIELA KALICHESKl
daniela.kalicheski.rpa@oglobo.com.br

- Conte algo que não sei.
Até o ano 2050, 50% do PIB do mundo virão da Índia e da China, como era em 1800.

- Por que isso vai acontecer!
Nos últimos 250 anos, tivemos uma dominação europeia e americana, e isso vai mudar. Cerca de metade da população estará localizada na China e na Índia, e a curva de crescimento populacional sugere essa mudança, que já aconteceu antes e voltará a ocorrer. O importante é que todos devem ter consciência desse movimento. No mundo ocidental, boa parte das pessoas não entende como as culturas orientais funcionam. Essa falta de entendimento é um grande risco e uma desvantagem.

- Isso poderia ser visto como um retrocesso!
Depende de quem responde à pergunta. Um líder chinês dirá que os últimos 250 anos não são nada em relação aos milênios em que a China esteve em seu auge. Então, os chineses diriam que isso é uma retomada. Mas é importante frisar que, em um mundo globalizado, nunca se pode voltar a um momento anterior, por isso essa mudança é vista como um movimento em espiral.

- Como estar preparado para essas mudanças!
Existem dois segredos. O primeiro é estar ciente das tendências do mundo e buscar entendê-las. A compreensão é fundamental para ser um cidadão do mundo. O segundo segredo é entender as diferenças. Se você não souber lidar com isso, será impossível se ver dentro do contexto mundial.

- Qual a melhor forma de preparar as pessoas para um mundo multicultural?
Ser parte de um sistema de educação que promova a curiosidade sobre o diferente. É preciso aprender a pluralidade e fugir do ponto comum e dominante do conhecimento. Também é preciso entender que existem diversos pontos de vista e que todos devem ser respeitados. Todos precisam ser expostos às diferenças.

- Você observa um movimento de intolerância no Brasil!
Há um movimento retroativo nesse sentido no mundo, uma onda contra as diferenças, contra a evolução global. Em geral, essas pessoas intolerantes acreditam estar se esforçando para defender ideologias, quando, na verdade, essas ideologias já estão quebradas. Intolerância está associada à insegurança. No Brasil, não é diferente, a intolerância é o medo de perder algo. Países com muita diversidade interna deveriam ter um papel importante para demonstrar como é conviver com as diferenças, não o contrário.

- O que acha da reforma da educação brasileira, que prevê tomar opcionais matérias relacionadas a esse entendimento, como a sociologia!
Penso que isso é um grande problema. As matérias da humanidade são extremamente importantes para nos ajudar a entender o que é ser humano. Quando perdemos essa aprendizagem nas escolas, deixamos de ensinar aos jovens o que é ter uma postura cidadã. É uma grande fraqueza para o país.

- Acredita num mundo com igualdade de gênero!
Há duas formas de mudar a desigualdade de gêneros. Uma delas é fazer política, criando leis de proteção e de igualdade. A segunda é com atitudes, e essas não mudarão só porque as leis mudaram. É importante entender que as atitudes levam tempo para se modificar. É preciso entrar na briga pela igualdade e não desistir.

5. (Unigranrio - Medicina 2017) Que opinião a entrevistada tem em relação ao Brasil em se tratando da reforma no nível médio da educação brasileira?
a) Absteve-se de opinar.   
b) Declarou ser este apenas um problema, sem expressar a magnitude a tal atribuída.   
c) Ao considerar a possibilidade de a Sociologia tornar-se matéria optativa, expressou pensamento crítico entendendo ser medida que não ajuda à construção de valores da cidadania.   
d) Ainda que não signifique fraqueza para o Brasil, as escolas devem ser chamadas para ensinar à toda sociedade – e não apenas aos seus alunos – o significado de ser gente.
e) A sábia resposta por ela dada pode ser resumida plagiando o pensamento do economista Samuel Pessoa, citado por Ricardo Noblat (colunista de O GLOBO), em 7/11/2016: “O sistema educacional só é bom quando o filho do pobre sai com o mesmo conhecimento do filho do rico”.   

6. (Uel 2016)  Leia o texto a seguir.

Inevitavelmente, nós consideramos a sociedade um lugar de conspiração, que engole o irmão que muitas de nós temos razões de respeitar na vida privada, e impõe em seu lugar um macho monstruoso, de voz tonitruante, de pulso rude, que, de forma pueril, inscreve no chão signos em giz, místicas linhas de demarcação, entre as quais os seres humanos ficam fixados, rígidos, separados, artificiais. Lugares em que, ornado de ouro ou de púrpura, enfeitado de plumas como um selvagem, ele realiza seus ritos místicos e usufrui dos prazeres suspeitos do poder e da dominação, enquanto nós, “suas” mulheres, nos vemos fechadas na casa da família, sem que nos seja dado participar de nenhuma das numerosas sociedades de que se compõe a sociedade. 
(WOOLF, V. Trois Guinées. Paris: Éditions des Femmes, 1997. p.200. apud Bourdieu, P. A Dominação Masculina. 2.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p.4.)
  
Em sua obra, Virginia Woolf reflete sobre a condição social das mulheres. Tal condição foi historicamente abordada com base no pensamento binário, a exemplo da díade masculino-feminino, também presente na oposição entre ordem e caos, o que pode ser encontrado em diferentes culturas e no pensamento científico. O binarismo, no entanto, é uma forma de racionalização da vida social criticada por diferentes correntes teóricas.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre as críticas ao pensamento binário aplicado às explicações das relações sociais de gênero, considere as afirmativas a seguir.

I. Nesse trecho, Virginia Woolf invoca o paradigma do construtivismo social e entende que os posicionamentos sociais das mulheres e dos homens são fruto de forças sociais que tendem a transcender as vontades individuais e a gerar opressões.
II. Para Virginia Woolf, as separações entre o mundo dos homens e o mundo das mulheres são intransponíveis, havendo correspondência real entre as representações sociais e as práticas dos sujeitos empreendidas na experiência concreta.
III. As evidências de que diferentes sociedades atribuem posição de domínio ao masculino fornecem a comprovação de que os valores culturais são determinados pelas diferenças biológicas entre os sexos, o que se expressa em uma cultura universal.
IV. Pelos exemplos históricos conhecidos, os esquemas binários de representação do masculino e do feminino produzem hierarquias entre esses dois termos, de modo a reservar um status superior aos atributos classificados como masculinos.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.   
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.    
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.   
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.   
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.   
  
7. (Unesp 2016)  A escola que se autointitula a primeira colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocupa, ao mesmo tempo, a  e a  posição no ranking que a imprensa faz com os resultados do Enem. A escola separou numa sala diferente os alunos que acertavam mais questões em suas provas internas. Trouxe, inclusive, alguns alunos de suas franquias pela Grande São Paulo. E “criou” uma outra escola (abriu outro CNPJ), mesmo estando no mesmo espaço físico. E de lá pra cá esta ‘outra escola’ todo ano é a primeira colocada no Enem. A  posição é a que melhor reflete as condições da escola. O  lugar é uma farsa. A primeira colocada no Enem NÃO é uma escola, é uma artimanha jurídica que faz com que os alunos tenham suas notas computadas em duas listas diferentes. Todos estudam no mesmo prédio, com os mesmos professores, com o mesmo material, no mesmo horário, convivendo no mesmo pátio e no mesmo horário de intervalo.
No Brasil todo temos centenas de escolas que trabalham com a regra na mão para tentar parecer que são a melhor e depois divulgar, em suas propagandas, que são a melhor escola do país, do estado, da região, da cidade e, em cidades grandes, como várias capitais, até mesmo que é a melhor escola de um determinado bairro. 
(Mateus Prado. “Escola campeã do Enem ocupa, ao mesmo tempo, o 1º e o 569º lugar do ranking”. O Estado de S.Paulo, 26.12.2014. Adaptado.)
  
O fato relatado pode ser explicado em função da
a) hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.   
b) falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual.   
c) priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho.   
d) resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica.   
e) separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista.   
  
8. (Ueg 2016)  Para as “boas” escolas vão sempre os professores mais competentes e experientes. Nelas, as condições de trabalho são melhores. Há um número menor de alunos por turma e o tempo de aula é maior. O material didático é abundante e de boa qualidade.
Nas escolas “carentes” dá-se o contrário. Os professores estão sobrecarregados e insatisfeitos. Por causa disso, ficam pouco tempo na escola. O material didático (cartilhas, livros, etc.) é inadequado e insuficiente. As turmas estão superlotadas e as crianças têm menos tempo de aula. Nessas escolas, os professores faltam com mais frequência às aulas, os alunos são rebeldes ou desinteressados e há mais problemas de disciplina. 
CECCON, C.; OLIVEIRA, M. D ; OLIVEIRA, R. D. A Vida na escola e a escola da vida. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1983. p. 52-53.
  
As afirmações acima, em nível geral, apresentam uma descrição do sistema escolar brasileiro em seu nível fundamental. Essa situação do sistema escolar pode ser melhor explicada a partir de qual teoria sociológica? 
a) A teoria das classes sociais, que apresenta a divisão social e seu processo de reprodução no âmbito escolar, tal como apresentado por várias pesquisas da sociologia da educação.    
b) A teoria da ação social, que diz que o sujeito atribui um sentido à sua ação voltado para a ação dos demais e, nesse sentido, a escola é produto da ação social de professores e alunos e suas diferenças são o resultado delas.    
c) A teoria da modernização, segundo a qual os mais pobres vão sendo paulatinamente inseridos na modernidade, passando de condições precárias, inclusive escolares, para melhores condições de vida.    
d) A teoria da urbanização, que afirma que existem diferenças espaciais nos grandes centros urbanos que tendem a ser superadas com o processo de desenvolvimento urbano, explicando as diferenças no sistema escolar e sua superação.    
  
9. (Upe-ssa 3 2016)  Leia o texto a seguir:

Tendo em vista que um dos principais sujeitos da sociedade civil organizada são os movimentos sociais, é importante registrar que os movimentos pela educação têm caráter histórico, são processuais e ocorrem, portanto, dentro e fora de escolas e em outros espaços institucionais. As lutas pela educação envolvem a luta por direitos e são parte da construção da cidadania. Movimentos sociais pela educação abrangem questões tanto de conteúdo escolar quanto de gênero, etnia, nacionalidade, religiões, portadores de necessidades especiais, meio ambiente, qualidade de vida, paz, direitos humanos, direitos culturais etc. Esses movimentos são fontes e agências de produção de saberes. 
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362006000100003
Acesso em: junho 2015.
  
A Educação é considerada um aspecto integrador do indivíduo com o grupo social e funciona como um instrumento de transmissão do patrimônio cultural de uma sociedade. No texto, a forma de transmissão da educação é denominada de
a) Revolucionária.   
b) Sistemática.   
c) Burocrática.   
d) Informal.   
e) Isolada.   
  
10. (Enem 2015)  Apesar de seu disfarce de iniciativa e otimismo, o homem moderno está esmagado por um profundo sentimento de impotência que o faz olhar fixamente e, como que paralisado, para as catástrofes que se avizinham. Por isso, desde já, saliente-se a necessidade de uma permanente atitude crítica, o único modo pelo qual o homem realizará sua vocação natural de integrar-se, superando a atitude do simples ajustamento ou acomodação, apreendendo temas e tarefas de sua época.
 FREIRE. P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2011.

Paulo Freire defende que a superação das dificuldades e a apreensão da realidade atual será obtida pelo(a)
a) desenvolvimento do pensamento autônomo.   
b) obtenção de qualificação profissional.   
c) resgate de valores tradicionais.   
d) realização de desejos pessoais.   
e) aumento da renda familiar.   
  
11. (Fgv 2015) 

A imagem retrata a jovem paquistanesa Malala Yousafzai em discurso na ONU, em julho de 2013, trajando o véu e o xale da ex-premiê do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007 em um atentado político.

Leia trechos do discurso de Malala:

Queridos amigos, em 09 de outubro de 2012, o Talibã atirou no lado esquerdo da minha testa. Atiraram nos meus amigos também. Eles acharam que aquelas balas nos silenciariam. Mas falharam e, então, do silêncio vieram milhares de vozes. (...) O sábio ditado que diz A caneta é mais poderosa que a espada é verdadeiro. Os extremistas têm medo dos livros e das canetas. O poder da educação os assusta e eles têm medo das mulheres. (...) É por isto que eles mataram 14 estudantes inocentes no recente ataque em Quetta. E é por isto que eles matam professoras. É por isto que eles atacam escolas todos os dias: porque tiveram e têm medo da mudança, da igualdade que vamos trazer para a nossa sociedade. (...) Deixem-nos pegar nossos livros e Canetas porque estas são as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.
 http://www.ikmr.org.br/dia-malala-discurso-onu/

Com base no texto, o apelo lançado por Malala
a) simboliza a luta das meninas para frequentarem a escola em países com restrições religiosas, culturais e políticas à instrução feminina, como no caso do Paquistão, sob domínio Talibã, e da Índia, submetida à lei oficial da Sharia.   
b) advoga o princípio da educação como arma contra a discriminação muçulmana das minorias étnico-religiosas curda e pachtun e como meio para pacificar a guerra civil em seu país.   
c) apoia a formação militar feminina, inspirando-se no programa de Benazir Bhutto, a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um estado muçulmano moderno.   
d) defende a educação como um dos direitos humanos básicos e como um meio para a libertação dos indivíduos de regimes e crenças excludentes e discriminatórios.   
e) sustenta o protagonismo feminino de todas as mulheres e condena todas as religiões, em nome da adoção de um sistema de educação laico e igualitário no Paquistão.