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1. (Eear 2019) Leia:

– Nem remédio ingeri, a moribunda esclarecia.

Passando para o Discurso Indireto o fragmento acima, de acordo com a norma gramatical, tem-se:
a) Esclarecia a moribunda que nem ingeriria remédio.   
b) A moribunda esclareceu que nem remédio iria ingerir.   
c) Que nem remédio iria ingerir, a moribunda esclareceria.   
d) A moribunda esclarecia que nem remédio tinha ingerido.   
  
2. (Ufu 2018) Por que Raduan Nassar parou de escrever? Essa pergunta com ares novelescos continua um enigma inexplicado. Depois de se preparar por 20 anos, a consagração veio junto com a estreia no lançamento do romance "Lavoura Arcaica" (1975), seguido de outro êxito atordoante, a novela “Um Copo de Cólera” (1978). No auge de uma carreira recém-começada, as traduções de vento em popa, quando seus leitores antecipam proezas ainda maiores que estavam por vir, de repente o escritor paulista anunciou que passava a arar outras terras, trocava a literatura pela agricultura [...]. 
FRIAS FILHO, O. O silêncio de Raduan. Folha de S. Paulo, 10 out. 1996. Disponível em: <https://goo.gl/8Q8oyN>. Acesso em: 30 mar. 2018.

Na coluna publicada no jornal Folha de São Paulo em outubro de 1996, a informação sobre o abandono da literatura pelo escritor Raduan Nassar
a) foi transcrita sob a forma de discurso indireto introduzido por um verbo de dizer que pode ser considerado sinônimo de declarar.   
b) foi relatada sem marcas linguísticas que permitam distinguir as palavras do escritor das palavras do autor do texto.   
c) foi transcrita diretamente embora não seja possível identificar as marcas formais comumente usadas nessa forma de discurso relatado.   
d) foi relatada indiretamente sem que as regras gramaticais para esse fim fossem seguidas adequadamente pelo autor do texto.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), para responder à questão:

Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama: “Não saia casa 3 outubro abraços”.
O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa, precipitara-se na agência para expedir a mensagem.
Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha, mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira: “como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha. Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou: “Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância. Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos cantos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.
Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”, ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se, embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!”
Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.
 (70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

3. (Unifesp 2018)  O chamado discurso indireto livre constitui uma construção em que a voz do personagem se mescla à voz do narrador. Verifica-se a ocorrência de discurso indireto livre em:
a) “Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o ‘pois não’ melodioso de d. Anita, durante o dia.” (3º parágrafo)   
b) “E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa, precipitara-se na agência para expedir a mensagem.” (2º parágrafo)   
c) “Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.” (3º parágrafo)   
d) “Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: ‘Desculpe, é engano’, ou ficava mudo, sem desligar.” (4º parágrafo)   
e) “‘O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?’” (5º parágrafo)   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A questão a seguir está relacionada ao texto abaixo.

1– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra. – Na Europa 2mataram 3milhões de judeus.
Contava as 4experiências que 5os médicos nazistas faziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as cabeças, faziam-nas encolher – à maneira, li depois, dos índios Jivaros. 6Amputavam pernas e braços. Realizavam estranhos transplantes: uniam a metade superior de um homem _____1_____ metade inferior de uma mulher, ou aos quartos traseiros de um bode. 7Felizmente 8morriam 9essas atrozes quimeras; 10expiravam como seres humanos, não eram obrigadas a viver como aberrações. (_____2_____ essa altura eu tinha os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava 11que a descrição das maldades nazistas me deixava comovido.)
12Em 1948 13foi proclamado 14o Estado de Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando _____3_____ notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava entusiasmado com o novo Estado: em Israel, explicava, vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Europa, judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito esquisitos, Guedali.
Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias. Por que não ir para Israel? 15Num país de gente tão estranha – e, 16ainda por cima, em guerra – eu certamente não chamaria a atenção. Ainda menos como combatente, entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo pelas ruelas de uma aldeia, empunhando um revólver trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo, 17varado de balas. 18Aquela, sim, era a 19morte que eu almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para uma vida miserável, de monstro 20encurralado. E, caso não morresse, poderia viver depois num kibutz . Eu, que conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a fazer ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo. 
Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim. 9. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001.

4. (Ufrgs 2018) Assinale a alternativa que apresenta a transposição correta para o discurso indireto do trecho abaixo:

– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra (ref. 1).
a) Dizia meu pai que tinha sorte de viver no Brasil depois da guerra.   
b) Dizia meu pai que tínhamos sorte de viver no Brasil depois da guerra.   
c) Dizia meu pai para mim que tivéramos sorte de viver no Brasil depois da guerra.   
d) Dizia meu pai: temos sorte de viver no Brasil depois da guerra.   
e) Disse meu pai que tivemos sorte de viver no Brasil depois da guerra.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A questão a seguir refere-se ao trecho inicial do conto “A aranha”, do escritor e jornalista paulista Orígenes Lessa (1903-1986).

Quer assunto para um conto? – perguntou o Eneias, cercando-me no corredor.
Sorri.
Não, obrigado.
Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido, acontecido, interessantíssimo!
Não, não é preciso... Fica para outra vez...
Você está com pressa?
Muita!
Bem, de outra vez será. 1Dá um conto estupendo. E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco.
2Está bem...Então...até logo...Tenho que apanhar o elevador...
3Quando me despedia, surge um terceiro. Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.
Então, que há de novo?
Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até comecei a esboçá-lo, 4há tempos. Mas conto não é gênero meu continuou o Eneias, os olhos azuis transbordando de generosidade.
5Sobre o quê? perguntou o outro.
Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir, mais uma vez, o assunto.
Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma ou várias fazendas pelo interior?
Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar. 
(In: Omelete em Bombaim, 1946. Disponível em: www.academia.org.br)

5. (Puccamp 2018) É correta a seguinte observação:
a) O fragmento transcrito mostra que essa narrativa reproduz uma cena bastante curta como se fosse captada mecanicamente por um cinegrafista, sem a presença da subjetividade de um narrador.   
b) A narrativa que se caracteriza pelo ritmo acelerado, em decorrência da grande presença da fala direta entre personagens, conta com a presença de um narrador que, onisciente, faz algumas intromissões no relato.   
c) Em relato realizado estritamente por meio de diálogos, as informações são transmitidas ao leitor pelo que falam ou fazem as personagens que participam da cena representada.  
d) O trecho é metalinguístico, pois uma personagem, Eneias, centra seu interesse em convencer, com fundamentos, um contista a escrever sobre fatos verídicos; o objetivo da personagem é legítimo, porque a veracidade do fato narrado é que caracteriza a narrativa como literária.   
e) No conto, os comentários de Eneias permitem compreender o que esta personagem entende que seja um conto, demonstrando seu desconhecimento de que, numa produção literária, a forma não constitui simples ornamento, mas produz sentidos.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-1990), para responder à(s) questão(ões) a seguir.

A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu avançava no 1batelão velho; remava cansado, com um resto de sono. De longe veio um 2rincho de cavalo; depois, numa choça de pescador, junto do morro, tremulou a luz de uma lamparina.
Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu encontrara galopando na praia. Ela era corada, forte. Viera do Rio, sabíamos que era muito rica, filha de um irmão de um homem de nossa terra. A princípio a olhei com espanto, quase desgosto: ela usava calças compridas, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pescadores. Mas na segunda noite, quando nos juntamos todos na casa de Joaquim Pescador, ela cantou; tinha bebido cachaça, como todos nós, e cantou primeiro uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma canção antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo encanta deve ser alguma santa”. Era uma canção triste.
Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela deixou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas tímida, esse fervor confuso da adolescência – adoração sem esperança, ela devia ter dois anos mais do que eu. E amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que costuma ir ao Rio, ou (murmurava-se) o homem casado, que já tinha ido até à Europa e tinha um automóvel e uma coleção de espingardas magníficas. Não a mim, com minha pobre 3flaubert, não a mim, de calça e camisa, descalço, não a mim, que não sabia lidar nem com um motor de popa, apenas tocar um batelão com meu remo.
Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei na praia solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a cavalo; vi-a de longe, meu coração bateu adivinhando quem poderia estar galopando sozinha a cavalo, ao longo da praia, na manhã fria. Pensei que ela fosse passar me dando apenas um adeus, esse “bom-dia” que no interior a gente dá a quem encontra; mas parou, o animal resfolegando e ela respirando forte, com os seios agitados dentro da blusa fina, branca. São as duas imagens que se gravaram na minha memória, desse encontro: a pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa; aquela dupla respiração animal no ar fino da manhã.
E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo. Séria, como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela, um homem como os de sua roda, com calças de “palm-beach”, relógio de pulso. Perguntou coisas sobre peixes; fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sabia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam ser peixes de outros lugares mais importantes, com certeza mais bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos coqueirinhos junto da praia – e falou de minha irmã, que conhecera, quis saber se era verdade que eu nadara desde a ponta do Boi até perto da lagoa.
De repente me fulminou: “Por que você não gosta de mim? Você me trata sempre de um modo esquisito...” Respondi, estúpido, com a voz rouca: “Eu não”.
Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo, perguntou se eu não queria ir na garupa. Inventei que precisava passar na casa dos Lisboa. Não insistiu, me deu um adeus muito alegre; no dia seguinte foi-se embora.
Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Severone apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho distante de um cavalo me fez lembrar a moça bonita e rica. Eu disse comigo – rema, bobalhão! – e fui remando com força, sem ligar para os respingos de água fria, cada vez com mais força, como se isto adiantasse alguma coisa. 
(Os melhores contos, 1997.)

1batelão: embarcação movida a remo.
2rincho: relincho.
3flaubert: um tipo de espingarda.

6. (Unesp 2018) Ao se converter o trecho “Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela” (7º parágrafo) para o discurso direto, o verbo “confessara” assume a forma:
a) confessei.   
b) confessou.   
c) confessa.   
d) confesso.   
e) confessava.   
  
7. (Espcex (Aman) 2017) Assinale a alternativa que apresenta exemplo de discurso indireto livre.
a) – Desejo muito conhecer Carlota – disse-me Glória, a certo ponto da conversação. – Por que não a trouxe consigo?   
b) Omar queixou-se ao pai. Não era preciso tanta severidade. Por que não tratava os outros filhos com o mesmo rigor?   
c) – Isso não pode continuar assim, respondeu ela; – é preciso que façamos as pazes definitivamente.   
d) Uma semana depois, Virgília perguntou ao Lobo Neves, a sorrir, quando seria ele ministro. Ele respondeu que, pela vontade dele, naquele mesmo instante.   
e) Daí a pouco chegou João Carlos e, após ligeiro exame, receitou alguma coisa, dizendo que nada havia de anormal...    
  
8. (IFSP 2017) Leia o texto adaptado abaixo da Revista Língua Portuguesa, nº 104, de junho de 2014, para responder à questão.

Os legos escritores

            O cientista molecular Jared K. Burks, criador da marca Fine Clonier, deu início à carreira de personalizar minifiguras há 15 anos, quando a linha Lego Star Wars foi lançada. Fã de ficção científica, coleciona figuras desde criança.
            Desanimado com os personagens do mercado, criou um método de decalques, o toboágua, e a partir daí aprendeu a esculpir e montar elencos. Assim surgiu o site Fine Clonier. Em 2007, o site realizou um concurso sobre versões de figuras históricas e literárias com Lego.
            – Aprendi sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passei a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhei o que eu sei em vários sites – disse Burks.


De acordo com Celso Cunha, discurso é a prática humana de construir textos, sejam eles escritos ou orais. No texto, há um discurso direto, transcrito abaixo.

“– Aprendi sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passei a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhei o que eu sei em vários sites – disse Burks.”

Assinale a alternativa que apresenta a correta transposição do trecho para o discurso indireto.
a) Burks disse que aprendia sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passava a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhava o que soube em vários sites.   
b) Burks disse que aprendeu sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passou a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhou o que soubera em vários sites.   
c) Burks dissera que aprendera sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passara a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhara o que soubera em vários sites.   
d) Burks dizia que aprenderia sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passaria a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilharia o que soubera em vários sites.   
e) Burks disse que aprendera sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passara a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhara o que sabia em vários sites.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo e responda à questão.

A PIPOCA
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
 Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp.
Acessado em 31 de mai. 2016.

Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.

9. (Efomm 2017) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’

Essa passagem com a transposição do discurso direto para o indireto, considerando-se a norma culta, ficaria adequadamente organizada na opção:
a) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que ficou piruá.   
b) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que tinha ficado piruá.   
c) Minha prima, passada dos quarenta, havia lamentado que ficou piruá.   
d) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que teria ficado piruá.   
e) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que ficará piruá.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a fábula “A raposa e o lenhador”, do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?), para responder à questão a seguir:

Enquanto fugia de caçadores, uma raposa viu um lenhador e lhe pediu que a escondesse. Ele sugeriu que ela entrasse em sua cabana e se ocultasse lá dentro. Não muito tempo depois, vieram os caçadores e perguntaram ao lenhador se ele tinha visto uma raposa passar por ali. Em voz alta ele negou tê-la visto, mas com a mão fez gestos indicando onde ela estava escondida. Entretanto, como eles não prestaram atenção nos seus gestos, deram crédito às suas palavras. Ao constatar que eles já estavam longe, a raposa saiu em silêncio e foi indo embora. E o lenhador se pôs a repreendê-la, pois ela, salva por ele, não lhe dera nem uma palavra de gratidão. A raposa respondeu: “Mas eu seria grata, se os gestos de sua mão fossem condizentes com suas palavras.” 
(Fábulas completas, 2013.)

10. (Unifesp 2017) Os trechos “Ele sugeriu que ela entrasse em sua cabana” e “vieram os caçadores e perguntaram ao lenhador se ele tinha visto uma raposa” foram construídos em discurso indireto. Ao se transpor tais trechos para o discurso direto, o verbo “entrasse” e a locução verbal “tinha visto” assumem, respectivamente, as seguintes formas:
a) “entrai” e “vira”.   
b) “entrou” e “viu”.   
c) “entre” e “vira”.   
d) “entre” e “viu”.   
e) “entrai” e “viu”.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A questão a seguir está relacionadas ao texto abaixo.

Não faz muito que 1temos esta nova TV com controle remoto, 2mas devo dizer que se trata agora de um instrumento sem 3o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na velha poltrona, mudando de um canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa movimentação, 4mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto – 5zap, mudo para outro. 6Eu 7gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. 8Trata-se de uma pretensão fantasiosa, 9mas pelo menos 10indica 11disposição para o humor, admirável nessa mulher.
12Sofre minha mãe. Sempre 13sofreu14: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache 15isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. 16Não conheço nem quero conhecer, de modo que – 17zap – mudo de canal. “Não me abandone, Mariana, não me abandone18!”. Abandono, sim. Não tenho o menor 19remorso, e agora é um desenho, que eu já vi duzentas vezes, e – 20zap – um homem 21falando. Um homem, abraçado _____1_____ guitarra elétrica, fala _____2_____ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.
É sobre mim que 22ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio 23constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que sim, que tem um filho só que não vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha que fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (24é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock25? Que você saiba, seu filho gosta de rock26?
Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso _____3_____ desbotada camisa, roça-27lhe o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa local e de baixíssima audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. 28Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso; mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta _____4_____ pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me perdoa? – mas aí comete um engano mortal29: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e 30ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – 31zap – aciono o controle remoto e ele some. 32Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – à exceção do pequeno relógio que usa no pulso – nua, completamente nua. 
Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548.

11. (Ufrgs 2017) Na primeira coluna, abaixo, são listados modos diferentes de apresentação, pelo narrador, de discurso direto e indireto no interior da narrativa; na coluna seguinte, passagens que correspondem à caracterização desses discursos e suas relações aos dizeres do narrador-personagem e demais personagens presentes no texto.

Associe corretamente a primeira coluna à segunda.

1. Passagem que traz o discurso direto do narrador-personagem, que revela os diálogos entre ele e a televisão.
2. Passagem que traz o discurso direto, que revela o dizer da mãe do narrador-personagem.
3. Passagem que traz o discurso indireto, que revela o dizer da mãe do narrador-personagem.
4. Passagem que traz o discurso indireto, que revela a suposição do narrador-personagem do dizer do pai.
5. Passagem que traz o discurso indireto, que revela a suposição do narrador-personagem a respeito do que o pai irá responder.
6. Passagem que traz o discurso indireto, que revela a suposição do narrador-personagem da resposta dos leitores sobre suas convicções.

(     ) Eu gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora [...]. (ref. 6)
(     ) Não conheço nem quero conhecer [...]. (ref. 16)
(     ) Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha [...]. (ref. 28)
(     ) ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele [...]. (ref. 30)

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) 1 – 5 – 3 – 4.   
b) 2 – 1 – 6 – 5.   
c) 3 – 6 – 4 – 5.   
d) 4 – 2 – 3 – 1.   
e) 5 – 3 – 6 – 1.    

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à questão a seguir, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953.

Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do 1vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.
Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente 2ressabiada quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à 3lide caseira, queixou-se do fatigante 4ramerrão do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:
– Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.
De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:
– Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:
– É, canto às vezes, de brincadeira...
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:
– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:
– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!
E, a seguir, ponderou:
– Agora, piano é diferente. Pianista ela é!
E acrescentou:
Eximinista pianista! 
Para uma menina com uma flor, 2009.

1vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.
2ressabiado: desconfiado.
3lide: trabalho penoso, labuta.
4ramerrão: rotina.

12. (Unesp 2017) “[Seu Afredo] perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?” (2º parágrafo/3º parágrafo)

Ao se adaptar este trecho para o discurso indireto, o verbo “vais” assume a seguinte forma:
a) foi.   
b) fora.    
c) vai.   
d) ia.   
e) iria.    

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1. (Fmp 2018) Limites da manipulação genética

         Nos últimos anos, a possibilidade de manipulação genética de seres humanos se tornou tecnicamente real, o que levou à publicação de vários manifestos da comunidade científica internacional contra o uso da técnica em embriões, óvulos e espermatozoides humanos. 1Não aceitamos alterações genéticas que possam ser transmitidas às próximas gerações. Apesar disso, cientistas chineses publicaram um trabalho descrevendo a criação de embriões humanos geneticamente modificados! 2Abrimos a Caixa de Pandora?
         Ainda não. Os pesquisadores chineses só testaram o quão segura a técnica é de fato em embriões humanos – afinal, se um dia pudéssemos, por exemplo, corrigir a mutação no gene do câncer de mama, interromperíamos a herança genética familiar e os filhos não correriam o risco de herdar a doença.
         Se temos algo a ganhar com a técnica, não vale a pena testá-la? 3Sim, mas existe uma linha muito tênue entre ousadia e irresponsabilidade, e o desenvolvimento científico não pode cruzá-la. Assim, para ficar do lado de cá dessa fronteira, foram usados embriões defeituosos de fertilização in vitro. 4Neles foram injetadas pequenas moléculas construídas para consertar um gene que, quando "mutado", causa uma forma grave de anemia. Dos 54 embriões analisados, somente quatro tinham o gene corrigido... Além disso, eles também tinham alterações genéticas em outros locais não planejados do genoma – 5ou seja, a tal molécula muitas vezes erra o seu alvo...
         6Em resumo, o trabalho demonstrou que a técnica de edição de genoma é ineficiente e insegura para se utilizar em embriões humanos – exatamente o que 7a comunidade científica previa e questionava, com o objetivo de que esse procedimento não fosse feito em embriões humanos.
         8O que não significa que as pesquisas nesse sentido devam ser interrompidas. Se tivéssemos proibido as pesquisas em transplante cardíaco em 1968, quando 80% dos pacientes transplantados morriam, 9nunca teríamos tornado esse procedimento uma realidade que hoje em dia salva muitas vidas. 10Cientistas seguirão aprimorando a técnica para torná-la mais eficiente e segura. Porém, essas pesquisas devem ser conduzidas de forma absolutamente ética – aliás, todas as pesquisas devem ser conduzidas assim; mas, quando envolvem embriões humanos,
mais ainda.
         E enquanto nós, cientistas, resolvemos os aspectos técnicos, conclamamos legistas, psicólogos, sociólogos e a população em geral para discutir as vantagens e os riscos de usar a tecnologia de edição do genoma em seres humanos. Para pesquisar ou para evitar doenças como câncer e Alzheimer? Sim. 11E para que o bebê nasça com olhos azuis, mais inteligente, mais alto? Não. Em que situações permitiremos sua aplicação?
         12Um cenário que, há 15 anos, era ficção científica agora é tão real que devemos discuti-lo urgentemente. No Brasil, já estamos precavidos: a Lei de Biossegurança de 2005 proíbe "engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano". Talvez um dia tenhamos que rever o texto 13para considerar casos específicos em que essa engenharia genética possa ser feita. Mas, por enquanto, estamos protegidos – que orgulho!
PEREIRA, L. O Globo. Opinião. 12 maio 2015. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/opiniao/limites-da-manipulacao-genetica-16125529>. Acesso em: 20 jun. 2017. Adaptado.

Depois de defender que as experiências em manipulação genética não sejam interrompidas, tendo em vista a comparação com as pesquisas em transplante cardíaco, no século passado, o texto desenvolve a ideia de que
a) os pesquisadores chineses foram cuidadosos ao realizar pesquisa com embriões defeituosos para desenvolver testes de engenharia genética.   
b) a técnica de edição de genoma é ineficiente e insegura para ser utilizada em embriões humanos, conforme defende a comunidade científica.   
c) a comunidade científica internacional já publicou vários manifestos contra o uso da técnica da manipulação genética em embriões, óvulos e espermatozoides humanos.   
d) a correção da mutação no gene do câncer de mama poderia evitar a transmissão familiar de modo a impedir que a doença se manifeste nos descendentes.   
e) a engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano já foi proibida em nosso país a partir de uma lei da década passada.   

2. (Enem 2012) 

Não somos tão especiais

Todas as características tidas como exclusivas dos humanos são compartilhadas por outros animais, ainda que em menor grau.

INTELIGÊNCIA
A ideia de que somos os únicos animais racionais tem sido destruída desde os anos 40. A maioria das aves e mamíferos tem algum tipo de raciocínio.

AMOR
O amor, tido como o mais elevado dos sentimentos, é parecido em várias espécies, como os corvos, que também criam laços duradouros, se preocupam com o ente querido e ficam de luto depois de sua morte.

CONSCIÊNCIA
Chimpanzés se reconhecem no espelho. Orangotangos observam e enganam humanos distraídos. Sinais de que sabem quem são e se distinguem dos outros. Ou seja, são conscientes.

CULTURA
O primatologista Frans de Waal juntou vários exemplos de cetáceos e primatas que são capazes de aprender novos hábitos e de transmiti-los para as gerações seguintes. O que é cultura se não isso?
BURGIERMAN, D. Superinteressante, n.º 190, jul. 2003.

O título do texto traz o ponto de vista do autor sobre a suposta supremacia dos humanos em relação aos outros animais. As estratégias argumentativas utilizadas para sustentar esse ponto de vista são
a) definição e hierarquia.   
b) exemplificação e comparação.   
c) causa e consequência.   
d) finalidade e meios.   
e) autoridade e modelo.   

3. (Ueg 2018) O mundo como pode ser: uma outra globalização

Podemos pensar na construção de um outro mundo a partir de uma globalização mais humana. As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência dos momentos e o conhecimento do planeta. É nessas bases técnicas que o grande capital se apoia para construir uma globalização perversa. Mas essas mesmas bases técnicas poderão servir a outros objetivos, se forem postas a serviço de outros fundamentos sociais e políticos. Parece que as condições históricas do fim do século XX apontavam para esta última possibilidade. Tais novas condições tanto se dão no plano empírico quanto no plano teórico.
Considerando o que atualmente se verifica no plano empírico, podemos, em primeiro lugar, reconhecer um certo número de fatos novos indicativos da emergência de uma nova história. O primeiro desses fenômenos é a enorme mistura de povos, raças, culturas, gostos, em todos os continentes. A isso se acrescente, graças ao progresso da informação, a “mistura” de filosofia, em detrimento do racionalismo europeu. Um outro dado de nossa era, indicativo da possibilidade de mudanças, é a produção de uma população aglomerada em áreas cada vez menores, o que permite um ainda maior dinamismo àquela mistura entre pessoas e filosofias. As massas, de que falava Ortega y Gasset na primeira metade do século (A rebelião das massas, 1937), ganham uma nova qualidade em virtude de sua aglomeração exponencial e de sua diversificação. Trata-se da existência de uma verdadeira sociodiversidade, historicamente muito mais significativa que a própria biodiversidade. Junte-se a esses fatos a emergência de uma cultura popular que se serve dos meios técnicos antes exclusivos da cultura de massas, permitindo-lhe exercer sobre esta última uma verdadeira revanche ou vingança.
É sobre tais alicerces que se edifica o discurso da escassez, afinal descoberta pelas massas. A população, aglomerada em poucos pontos da superfície da Terra, constitui uma das bases de reconstrução e de sobrevivência das relações locais, abrindo a possibilidade de utilização, ao serviço dos homens, do sistema técnico atual.
No plano teórico, o que verificamos é a possibilidade de produção de um novo discurso, de uma nova metanarrativa, um grande relato. Esse novo discurso ganha relevância pelo fato de que, pela primeira vez na história do homem, se pode constatar a existência de uma universalidade empírica. A universalidade deixa de ser apenas uma elaboração abstrata na mente dos filósofos para resultar da experiência ordinária de cada pessoa. De tal modo, em mundo datado como o nosso, a explicação do acontecer pode ser feita a partir de categorias de uma história concreta. É isso, também, que permite conhecer as possibilidades existentes e escrever uma nova história.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. 13. ed. São Paulo: Record, 2006. p. 20-21. (Adaptado).

O processo argumentativo do texto é construído a partir do seguinte procedimento: 
a) são expostas, de forma detalhada, duas consequências econômicas de um determinado modelo de organização de produção.    
b) relata-se o conjunto de ações desenvolvidas por uma instituição pública como fundamento e justificativa de um projeto de lei.    
c) elabora-se um quadro comparativo, no qual se apresentam a aproximação e os contrastes de dois tipos de pesquisa social.    
d) faz-se a explanação dos dados de um relatório técnico-científico de uma pesquisa desenvolvida por dois cientistas sociais.    
e) são apresentadas, de forma paralela, duas dimensões teórico-conceituais como argumentos em defesa de uma tese.

4. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) Era digital desafia exercício profissional

“A medicina não sobreviverá ao velho método do médico de família, mas terá que se adaptar”. A afirmação é do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Diaulas Costa Ribeiro, proferida durante a mesa-redonda “Panorama atual das mídias sociais e aplicativos na medicina contemporânea”. Para ele, as novas tecnologias trazem desafi os que precisam ser colocados em perspectiva para garantir a ética e o sigilo.
“Possivelmente vamos chegar a uma medicina sem gosto, distanciada, mas que também funciona. Talvez este não seja o fim, mas um recomeço”, ponderou Ribeiro. Segundo ele, antes de gerar um novo modelo de atendimento médico, o “dr. Google” – termo que utilizou para indicar as buscas por informações médicas na internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou a conhecer mais sobre as doenças e, por isso, exige um novo relacionamento com seu médico.
O desembargador ainda reforçou a necessidade de se rediscutir questões como o uso da internet nessa relação médico-paciente e a segurança do sigilo médico neste cenário. “Precisamos refletir sobre algumas questões importantes. Quem guardará o sigilo? Ou não haverá sigilo? O sigilo médico será mantido ou valerá o direito público à informação? Os conflitos serão reinventados ou serão os mesmos? A solução para os problemas será a de sempre?”, indagou.
Ética – Na perspectiva do médico legista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Malthus Galvão, embora acredite que algumas mudanças serão inevitáveis e necessárias, é preciso defender os princípios fundamentais instituídos pelo Código de ética médica (CEM).
“As novas mídias devem ser entendidas como um sistema de interação social, de compartilhamento e criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos e não podemos perder essa oportunidade”, destacou. Ele lembra, por exemplo, que desde a Resolução CFM 1.643/2002, que define e disciplina a prestação de serviços através da telemedicina, alguns avanços colaborativos já foram possíveis.
Galvão apresentou ainda preceitos da Resolução CFM 1.974/2011 e também da Lei do Ato Médico (12.842/2013), chamando a atenção para alguns cuidados que o médico deve ter ao divulgar conteúdo de forma sensacionalista. “Segundo o CEM, é vedada a divulgação de informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. A internet deve ser usada como um instrumento de promoção da saúde e orientação à população”, reforçou.
Editorial do Jornal Medicina – Publicação oficial do Conselho Federal de Medicina (CFM). Brasília, jul. 2017, p. 7.

Para defender seu ponto de vista, ainda na matéria do CFM, Malthus Galvão se sustenta em argumentos
a) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.   
b) do senso comum.   
c) formulados com perguntas retóricas.   
d) de autoridade.   

5. (Famerp 2018) Leia um trecho do ensaio de Antonio Candido para responder à questão.

Na extraordinária obra-prima Grande sertão: veredas há de tudo para quem souber ler, e nela tudo é forte, belo, impecavelmente realizado. Cada um poderá abordá-la a seu gosto, conforme o seu ofício; mas em cada aspecto aparecerá o traço fundamental do autor: a absoluta confiança na liberdade de inventar.
Numa literatura de imaginação vasqueira, onde a maioria costeia o documento bruto, é deslumbrante essa navegação no mar alto, esse jorro de imaginação criadora na linguagem, na composição, no enredo, na psicologia.
(Antonio Candido. Tese e antítese, 1971.)

Em “Numa literatura de imaginação vasqueira, onde a maioria costeia o documento bruto, é deslumbrante essa navegação no mar alto” (2º parágrafo), o termo destacado, mantendo-se o sentido do texto, pode ser substituído por:
a) profunda.   
b) eloquente.   
c) escassa.   
d) criativa.   
e) vivaz.   

6. (Ufrgs 2018) A questão a seguir está relacionada ao texto abaixo.

Nada mais importante para chamar a atenção sobre 1uma verdade do que exagerá-la. 2Mas também, nada mais perigoso, _________ um dia vem 3a 4reação indispensável e 5a relega injustamente para a categoria do erro, até que se efetue a operação difícil de 6chegar a um ponto de vista objetivo, sem desfigurá-7la de um lado nem de outro. 8É o que tem ocorrido com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura chegou a ser vista como 9chave para compreendê-la, depois foi 10rebaixada como falha de visão, — e talvez só agora comece a ser proposta nos devidos termos.
11De fato, antes se procurava mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela 12exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se à posição oposta, procurando-se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo-lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de 13quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de compreensão. 14Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar 15nenhuma dessas visões _________; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação 16dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que 17explicava pelos fatores 18externos, quanto o outro, norteado pela 19convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos 20necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o 21externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha certo papel na constituição da estrutura, tornando-22se, 23portanto, interno.
Neste caso, saímos dos aspectos periféricos da sociologia, ou da história sociologicamente orientada, para chegar a uma interpretação estética que assimilou a dimensão social como fator de arte. Quando isto se dá, ocorre o 24paradoxo assinalado inicialmente: o externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser apenas crítica. Segundo esta ordem de ideias, o ângulo sociológico adquire uma validade maior do que tinha. Em __________, não pode mais ser imposto como critério único, ou mesmo preferencial, 25pois a importância de cada fator depende do caso a ser analisado. Uma crítica que se queira integral deve 26deixar de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou 27linguística, para utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente.
Adaptado de: CANDIDO, Antônio. Literatura e sociedade. 9. ed.
Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

Considere as seguintes afirmações sobre a síntese de cada parágrafo do texto.
I. O primeiro parágrafo situa a problemática relacionada à relação da obra com o seu condicionamento social, com a apresentação de duas posições.
II. O segundo parágrafo apresenta os modos de abordagem da relação entre a obra e a realidade, constituídos no tempo.
III. O terceiro parágrafo procura separar as diferentes posições acerca da análise literária para inserir a relação entre obra e realidade como um fator de arte.

Quais estão de acordo com o texto?
a) Apenas I.   
b) Apenas III.   
c) Apenas I e II.   
d) Apenas II e III.   
e) I, II e III.   
  
7. (Ufrgs 2018) Assinale a afirmação que está de acordo com a argumentação defendida pelo autor no texto.
a) O autor defende um ponto de vista objetivo de análise que trate da relação entre a obra e o condicionamento social, por meio de intepretação exacerbada da realidade, concebida como verdade, para chamar a atenção do leitor.   
b) O autor defende que o valor e o significado de uma obra são dependentes de sua relação com a realidade e que este aspecto constitui o essencial da análise literária, por agregar uma história sociologicamente orientada, com a valorização dos aspectos externos à obra.   
c) O autor defende uma análise unicamente sociológica da obra para que se configure uma interpretação assimilada à realidade, que conceda uma validade maior ao ângulo sociológico e se chegue à verdade no processo interpretativo.   
d) O autor defende uma interpretação coerente e estética, que considere o aspecto externo (social) como interno e como fator de arte agregado a outros elementos, com a consideração da importância de dado fator como dependente de cada obra em análise.   
e) O autor defende que, para se chegar a uma interpretação coerente que valorize o texto e o contexto externo, deve-se atribuir o mesmo grau de importância aos fatores externos (sociais) e internos (psicológicos ou linguísticos).   

8. (IFSP 2016) Tintim

Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz. Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz talvez correspondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz.
Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das microcoisas.
Há quem diga que não existe uma fração mínima de matéria, que tudo pode ser dividido e subdividido. Assim como existe o infinito para fora – isto é, o espaço sem fim, depois que o Universo acaba – existiria o infinito para dentro. A menor fração da menor partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a loucura.
Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas.
Originalmente, portanto, "tintim por tintim" indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído. Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova concepção de infinito.
Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela vida quindim por quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim-plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin (olha aí, a inflação já levou dois tins).
Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião não nos ajuda. "Triz", diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para "triz". Substantivo feminino. Popular.
"Icterícia." Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas as nossas teorias sobre o Universo ou teremos que mudar de assunto. Acho melhor mudar de assunto.
O Universo já tem problemas demais.
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)

Levando em consideração o texto “Tintim”, de Luis Fernando Veríssimo, e a forma de organização do discurso em narração, descrição e dissertação, marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso e assinale a alternativa correta.
(     ) “Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc.”. A forma de organização do discurso que prevalece no trecho é a narração.
(     ) “É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas.” A forma de organização do discurso que prevalece no trecho é a descrição.
(     ) “Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião não nos ajuda. "Triz", diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para "triz". Substantivo feminino. Popular”. A forma de organização do discurso que prevalece no trecho é a descrição.
(     ) “Originalmente, portanto, "tintim por tintim" indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído. Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova concepção de infinito”. A forma de organização do discurso que prevalece no trecho é a dissertação.
a) V, V, F, F.   
b) F, V, V, V.   
c) V, F, F, V.   
d) F, V, F, F.   
e) V, V, F, V.   
  
9. (Ufpr 2013) Leia a tira abaixo.
Sobre a argumentação de Calvin, considere as seguintes afirmativas:
1. Ao se dirigir à professora, Calvin faz uma simulação do discurso jurídico, tanto no vocabulário quanto na organização dos argumentos.
2. A argumentação de Calvin está fundada na premissa de que a ignorância é uma condição necessária para a felicidade.
3. Calvin questiona a eficiência da professora quando diz que sua aula é uma tentativa deliberada de privá-lo da felicidade.
4. Ao gritar “Ditadura!” no último quadrinho, Calvin protesta contra o desrespeito à Constituição, que lhe garante o direito inalienável à felicidade.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.   
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.   
c) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.   
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.   
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.