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1. (Albert Einstein - Medicina 2022) Nos dois primeiros séculos de colonização, a empresa colonial giraria em torno da cana: a formação de vilas e cidades, a defesa de territórios, a divisão de propriedades, as relações com diferentes grupos sociais e até a escolha da capital.

(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018. Adaptado.)

O excerto apresenta o avanço da produção de cana-de-açúcar no Brasil colonial como

a) a adoção de uma sociedade de modelo feudal, que determinou a forte dependência da economia brasileira em relação às grandes potências europeias do período.   

b) a definição de um perfil para a ação portuguesa na América, que incluiu a produção voltada ao mercado externo e a consolidação da ocupação territorial.   

c) o estabelecimento de mecanismos reguladores da relação colônia-metrópole, que passava a funcionar a partir do princípio da liberdade comercial.   

d) a conformação de uma economia diversificada, que assegurava a expansão territorial e uma distribuição equilibrada dos recursos metropolitanos nas áreas de colonização.   

e) o deslocamento do eixo econômico da colônia, que avançou para o centro do território e passou a privilegiar a agricultura extensiva baseada em mão de obra indígena.   

2. (Unesp 2021) A produção de açúcar no Brasil colonial era parte de um conjunto de processos e relações que ultrapassavam os limites da colônia e incluíam

a) a estruturação do engenho como unidade produtiva, a disposição portuguesa de povoar a colônia e o comércio sistemático com a América espanhola.   

b) as técnicas de cultivo indígenas, as mudas de cana procedentes do mundo árabe e a intermediação britânica na comercialização.   

c) a adaptação da cana à terra roxa do Nordeste, o conhecimento técnico dos imigrantes e a atuação holandesa no transporte marítimo.   

d) a constituição da grande propriedade, o tráfico de africanos escravizados e a existência de amplo mercado consumidor na Europa.   

e) o avanço da ocupação das áreas centrais da colônia, o recurso à mão de obra nativa e o crescimento do gosto pelos sabores doces na Europa.   

3. (Fgv 2021) É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico de lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. A silhueta antiga do senhor de engenho perde aqui alguns dos seus traços característicos, desprendendo-se mais da terra e da tradição – da rotina – rural. A terra da lavoura deixa então de ser o seu pequeno mundo para se tornar unicamente seu meio de vida, sua fonte de renda e de riqueza. A fazenda resiste com menos energia à influência urbana.

(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1995.)

O historiador compara duas economias agrárias, empregando como critério da comparação

a) o volume do capital acumulado com as redes internacionais de comércio de produtos primários.   

b) o grau maior ou menor de autonomia dos centros de produções agrícolas para com as relações socioeconômicas mais gerais.   

c) o emprego de formas de exploração do trabalho especializado assalariado ou compulsório em regimes de plantations.   

d) o controle ou a influência maior ou menor dos grandes empresários agrícolas sobre as políticas governamentais.   

e) a permanência mais ou menos duradoura da atividade produtiva agrícola ao longo da história do Brasil.   

4. (Unichristus - Medicina 2021) (...) desde a saída do Conde Maurício de Nassau do governo dominado pelos holandeses na América, em 1644, foi-se ampliando um clima de descontentamento entre os colonos em Pernambuco, provocado por incompatibilidades com o novo rumo dado à administração da capitania pela Companhia das Índias, considerado prejudicial aos seus negócios. Entre outras coisas, a Companhia passou a cobrar os empréstimos concedidos por Nassau, e quando esses não eram pagos, os juros aplicados eram extorsivos. Em 1645 teve início um movimento de revolta contra o domínio holandês que ficou conhecido como Insurreição Pernambucana.

Disponível em: http://www.multirio.rj.gov.br. Acesso em: 14 set. 2020.

A expulsão dos holandeses do Brasil gerou sérios problemas para a economia da Colônia portuguesa devido ao fato de os holandeses

a) terem se negado a vender o açúcar brasileiro, que passou a ser substituído pelo açúcar estadunidense.

b) terem se aliado à França para produzir açúcar a fim de dividirem o lucrativo mercado açucareiro europeu.

c) terem iniciado a própria produção de açúcar nas Antilhas quebrando o monopólio do açúcar brasileiro.

d) terem iniciado a produção de açúcar junto a países árabes acabando com o monopólio do açúcar brasileiro.

e) iniciarem uma campanha difamatória afirmando que o açúcar brasileiro era impuro devido ao fato de ser produzido por escravizados africanos.

5. (Unesp 2021) O consumo dos alimentos nas propriedades de monocultura de cana-de-açúcar estava […] baseado no que se podia produzir nas brechas de um grande sistema subordinado ao mercado externo, resultando em uma grande quantidade de farinha de mandioca, feijões de diversos tipos, batata-doce, milho e cará comidos com pouco rigor, além de uma cultura do doce, cristalizada na mistura das frutas com açúcar refinado e simbolizada, popularmente, pela rapadura.

(Paula Pinto e Silva. “Sabores da colônia”. In: Luciano Figueiredo (org). História do Brasil para ocupados, 2013.)

O texto caracteriza formas de alimentação no Brasil colonial e revela

a) o esforço metropolitano de diversificar a produção da colônia, com o intuito de ampliar as vendas de alimentos para outros países europeus.   

b) a diferença entre a sofisticação da alimentação da população colonial e o restrito conjunto de alimentos disponíveis na metrópole.   

c) a articulação entre um sistema de produção voltado ao atendimento das necessidades e interesses da metrópole e as estratégias de subsistência.   

d) o interesse dos grandes proprietários de terras na colônia de produzir para o mercado interno, rejeitando a submissão ao domínio metropolitano.   

e) a separação entre as lavouras voltadas ao fornecimento de alimentos para os países vizinhos e as plantações destinadas ao consumo interno.   

6. (Enem PPL 2020) Ao longo de uma evolução iniciada nos meados do século XIV, o tráfico lusitano se desenvolve na periferia da economia metropolitana e das trocas africanas. Em seguida, o negócio se apresenta como uma fonte de receita para a Coroa e responde à demanda escravista de outras regiões europeias. Por fim, os africanos são usados para consolidar a produção ultramarina.

ALENCASTRO, L. F. O trato dos viventes. São Paulo: Cia. das Letras, 2000 (adaptado).

A atividade econômica destacada no texto é um dos elementos do processo que levou o reino português a

a) utilizar o clero jesuíta para garantir a manutenção da emancipação indígena.   

b) dinamizar o setor fabril para absorver os lucros dos investimentos senhoriais.   

c) aceitar a tutela papal para reivindicar a exclusividade das rotas transoceânicas.   

d) fortalecer os estabelecimentos bancários para financiar a expansão da exploração mineradora.   

e) implementar a agromanufatura açucareira para viabilizar a continuidade da empreitada colonial.   

7. (Fmj 2020) Observe o afresco de Cândido Portinari, pintado em 1938 para compor o mural do Ministério da Educação no Rio de Janeiro sobre os ciclos econômicos do Brasil.

No Brasil colonial, um fator essencial para a organização da atividade econômica representada no afresco foi

a) a divisão dos engenhos de açúcar em datas, que eram lotes de terra de tamanhos variáveis, distribuídos de acordo com o número de escravos e de trabalhadores livres de cada senhor de engenho.   

b) a instituição do regime de porto único, em que se reservou ao porto de Recife o privilégio exclusivo de exportar o açúcar para a metrópole e importar produtos manufaturados da Europa.   

c) a participação financeira dos holandeses, já que a produção de açúcar exigia grande número de escravos, instalações de alto custo e mão de obra especializada.   

d) a implantação do estanco, que consistia em um monopólio do cultivo da cana e da produção do açúcar, autorizado pelo rei de Portugal.   

e) a criação do colonato, regime de trabalho em que o empregado do engenho era pago, em parte, por tarefa executada e, em parte, pela colheita anual.  

8. (Pucpr 2020) Leia o texto que segue para responder à próxima questão.

Os primeiros engenhos começaram a funcionar em Pernambuco no ano de 1535, sob a direção do donatário Duarte Coelho. A partir daí os registros não pareciam crescer: quatro estabelecimentos em 1550; trinta em 1570, e 140 no fim do século XVI. A produção de cana alastrava-se não só numericamente como espacialmente, chegando à Paraíba, ao Rio Grande do Norte, à Bahia e até mesmo ao Pará. Mas foi em Pernambuco e na Bahia, sobretudo na região do Recôncavo baiano, que a economia açucareira de fato prosperou.

SCHWARCZ, Lilia M; STARLING, Heloisa M. Brasil: Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 55.

O texto faz referência ao chamado sistema de plantation, utilizado nos engenhos de açúcar, que se caracterizou

a) pelo cultivo em pequenas propriedades familiares voltadas para o comércio interno da colônia.  

b) pela utilização exclusiva da mão de obra indígena local, cultivo em grandes propriedades conhecidas como latifúndios e voltadas para o comércio de exportação.    

c) pelo cultivo de gêneros tropicais para exportação em grandes propriedades chamadas latifúndios e utilização de trabalho assalariado.    

d) pela pequena propriedade, produção de vários produtos voltados para o mercado interno e utilização de mão de obra escravizada vinda da África.    

e) pela utilização da mão de obra escravizada vinda da África, produção em larga escala de gêneros tropicais para a exportação e cultivo em grandes propriedades chamadas latifúndios.   

9. (Fatec 2020) O texto II remete a um período de produção do açúcar em que se estabeleceu um tipo característico de relação social e de trabalho.


Texto I
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.
Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
Nem escola,
Homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
Homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
GULLAR, F. “O Açúcar”. Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980.

Texto II

* Texto da imagem: “Em 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas nem todo mundo conseguiu ler.”

As informações contidas na imagem do texto II, localizadas no canto inferior direito, não foram reproduzidas, pois não interferem na resolução das questões apresentadas.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, algumas das características dessas relações sociais e de trabalho nos engenhos de açúcar da América portuguesa, no século XVI.

a) O modelo de produção de açúcar na América portuguesa beneficiou-se da prática corrente entre os povos africanos, que se ofereciam voluntariamente à escravidão, como forma de fugir das más condições econômicas e climáticas características do subdesenvolvimento do seu continente.   

b) A escravidão africana foi justificada por diferentes narrativas que utilizavam passagens bíblicas para defender o trabalho forçado como castigo divino ou como forma de expiação dos supostos pecados dos africanos, que, muitas vezes, na América portuguesa, foram separados de membros de suas famílias e comunidades.   

c) Embora no sudeste prevalecesse a escravidão africana, nos engenhos de açúcar do Nordeste, a mão de obra escravizada era predominantemente de origem indígena andina, fornecida por traficantes de escravos especializados em atravessar clandestinamente a linha de fronteira demarcada pelo Tratado de Tordesilhas.   

d) Ao contrário das capitanias do Nordeste, que utilizavam mão de obra escravizada, a capitania de São Vicente se caracterizou pelo açúcar de alta qualidade, produzido a partir da mão de obra livre de imigrantes italianos e alemães, que vinham para a América fugindo das guerras de unificação de seus respectivos países.   

e) A escravid de africanos e afrodescendentes nos engenhos de acar coloniais seguia a lica interna das sociedades africanas, cujo sistema de produo de commodities em larga escala foi tomado como modelo para o desenvolvimento das colias europeias em todo o continente americano.   

10. (Ifce 2019) Com a chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500, teve início um processo de invasão das terras indígenas e de implantação do sistema colonial. Os portugueses que vieram para o Brasil tinham como objetivo claro a exploração econômica do nosso território e de seu povo.

Constituíam a economia colonial do Brasil 

a) cana-de-açúcar, algodão e café.    

b) pau-brasil, cana-de-açúcar e café.    

c) café, borracha da Amazônia e cana-de-açúcar.    

d) pau-brasil, cana-de-açúcar e mineração.    

e) pau-brasil, cana-de-açúcar e produção de tecidos industrializados.  

11. (Espm 2019) A primeira vez que se mencionou o açúcar e a intenção de implantar uma pro­dução desse gênero no Brasil foi em 1516, quando o rei D. Manuel ordenou que se distribuíssem machados, enxadas e de­mais ferramentas às pessoas que fossem povoar o Brasil e que se procurasse um homem prático e capaz de ali dar princí­pio a um engenho de açúcar. Os primeiros engenhos começaram a funcionar em Pernambuco no ano de 1535, sob a direção de Duarte Coelho. A partir daí os registros não parariam de crescer: quatro estabelecimentos em 1550; trinta em 1570, e 140 no fim do século XVI. A produção de cana alastrava-se não só nu­mericamente como espacialmente, che­gando à Paraíba, ao Rio Grande do Norte, à Bahia e até mesmo ao Pará. Mas foi em Pernambuco e na Bahia, sobretudo na re­gião do recôncavo baiano, que a econo­mia açucareira de fato prosperou. Tiveram início, então, os anos dourados do Brasil da cana, a produção alcançando 350 mil ar­robas no final do século XVI.

(Lilia M. Schwarcz. Brasil: uma Biografia)

A partir do texto e considerando a econo­mia açucareira e a civilização do açúcar, é correto assinalar: 

a) a cana de açúcar era um produto autóc­tone, ou seja, nativo do Brasil e gradativa­mente foi caindo no gosto dos portugueses e dos europeus, a partir do século XVI;    

b) a produção e comercialização do açúcar ocorreram sob a influência do livre-cam­bismo em que se baseou o empreendi­mento colonial português;    

c) a metrópole estabeleceu o monopólio real, porém a comercialização do açúcar pas­sou para os porões dos navios holandeses, que acabaram por assumir parte substan­cial do tráfego entre Brasil e Europa;    

d) os portugueses mantiveram um rigoroso monopólio sobre o processo de produ­ção e refinação do açúcar, só permitindo a participação de estrangeiros na comer­cialização do produto;    

e) para implantação da indústria canavieira no Brasil, o projeto colonizador luso pre­cisava contar com mão de obra compul­sória e abundante, dada a extensão do território e por isso sempre privilegiou a utilização dos nativos, cuja captura pro­porcionava grandes lucros para a coroa.    

12. (Famerp 2019) O sistema de plantation, predominante na colonização portuguesa do Brasil, baseou-se na

a) produção agrícola voltada à subsistência e ao comércio local.   

b) exportação dos excedentes agrícolas não consumidos internamente.   

c) aplicação de moderna tecnologia europeia à agricultura.   

d) rotação de culturas em pequenas propriedades rurais.   

e) monocultura extensiva com emprego de trabalho compulsório.   

13. (Ufrgs 2019) Sobre as atividades econômicas e a mão de obra na América Portuguesa, entre os séculos XVI e XVII, é correto afirmar que a produção

a) era voltada exclusivamente para o mercado externo, restrita ao cultivo em plantations, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados.   

b) era voltada para além do mercado externo, com diversas culturas ligadas ao mercado interno, e a mão de obra era majoritariamente de escravizados, mas com a presença de trabalhadores livres.   

c) era voltada exclusivamente para o mercado interno, através do cultivo de itens de subsistência, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados.   

d) não se resumia ao mercado externo, com diversas culturas voltadas ao mercado interno, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados.    

e) era voltada exclusivamente para o mercado externo, restrita ao cultivo em plantations, e a mão de obra era majoritariamente de escravizados, mas com a presença de trabalhadores livres.   

 14. (Espm 2018) A colonização levou à exploração do trabalho indígena e foi responsável por muita dizimação. É ainda na conta da co­lonização que se deve pôr o recrudesci­mento das guerras indígenas, que, se já existiam internamente, eram agora pro­vocadas também pelos colonos, os quais faziam aliados na mesma velocidade com que criavam inimigos. Havia nesse contexto índios aldeados e aliados dos portugueses, e índios inimigos.

Uma das atribuições dos índios aldea­dos era tomar parte nas guerras promovidas pelos portugueses contra índios hostis e ser­vir como povos estratégicos para impedir a entrada de estrangeiros.

Os índios aldeados e aliados foram mobilizados para expulsar os franceses de Villegagnon, o qual, por sua vez se uniu a índios amigos que apoiaram a incursão fran­cesa na baía da Guanabara.

(Lilia Moritz Schwarcz. Brasil uma Biografia)

A respeito do texto é correto assinalar que: 

a) os indígenas aldeados e aliados dos por­tugueses, na guerra contra os franceses de Villegagnon, eram os Tupinambás;    

b) os indígenas aldeados e aliados dos por­tugueses, na guerra contra os franceses de Villegagnon, eram os Araucanos;    

c) os indígenas que apoiaram os franceses de Villegagnon foram os Tapuias;    

d) os indígenas que apoiaram os franceses de Villegagnon foram os Tupinambás;    

e) os indígenas que apoiaram os franceses de Villegagnon foram os Charruas.   

15. (Famema 2018) Havia muito capital e muita riqueza entre os lavradores de cana, alguns ligados por laços de sangue ou matrimônio aos senhores de engenho. Havia também um bom número de mulheres, não raro viúvas, participando da economia açucareira. Digno de nota até o fim do século XVIII, contudo, era o fato de os lavradores de cana serem quase invariavelmente brancos. Os negros e mulatos livres simplesmente não dispunham de créditos ou capital para assumir os encargos desse tipo de agricultura.

(Stuart Schwartz. “O Nordeste açucareiro no Brasil Colonial”. In: João Luis R. Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa (orgs). O Brasil Colonial, vol 2, 2014.)

O excerto indica que a sociedade colonial açucareira foi

a) organizada em classes, cuja posição dependia de bens móveis.   

b) apoiada no trabalho escravo, principalmente o dos lavradores de cana.   

c) baseada na “limpeza de sangue”, portanto se proibia a miscigenação.   

d) determinada pelos recursos financeiros, o que impedia a mobilidade.   

e) hierarquizada por critérios diversos, tais como a etnia e riqueza.   

16. (Fuvest 2018) A respeito dos espaços econômicos do açúcar e do ouro no Brasil colonial, é correto afirmar:

a) A pecuária no sertão nordestino surgiu em resposta às demandas de transporte da economia mineradora.   

b) A produção açucareira estimulou a formação de uma rede urbana mais ampla do que a atividade aurífera.   

c) O custo relativo do frete dos metais preciosos viabilizou a interiorização da colonização portuguesa.   

d) A mão de obra escrava indígena foi mais empregada na exploração do ouro do que na produção de açúcar.   

e) Ambas as atividades produziram efeitos similares sobre a formação de um mercado interno colonial.   

17. (Fgv 2018) A agromanufatura da cana resultaria em outro produto tão importante quanto o açúcar: a cachaça. Alambiques proliferaram ao longo dos séculos coloniais. A comercialização da bebida afetava profundamente a importação de vinhos de Portugal. Esse comércio era obrigatório, pois por meio dos tributos pagos pelas cotas do vinho importado é que a Coroa pagava as suas tropas na Colônia. A cachaça produzida aqui passou a concorrer com os vinhos, com vantagens econômicas e culturais. Essa concorrência comercial entre colônia e metrópole se estendeu para as praças negreiras e rotas de comercialização de escravos na África portuguesa. A cachaça brasileira, por ser a bebida preferida para os negócios de compra e venda de escravos africanos, colocou em grande desvantagem a comercialização dos vinhos portugueses remetidos à África. A longa queda de braço mercantil acabou favorecendo afinal a cachaça, porque sem ela, nada de escravos, nada de produção na Colônia, com consequências graves para a arrecadação do reino.

(Ana Maria da Silva Moura. Doce, amargo açúcar. Nossa História, ano 3, nº 29, 2006. Adaptado)

A partir dessa breve história da cachaça no Brasil, é correto afirmar que

a) essa produção prejudicou os negócios relacionados ao açúcar, porque desviava parte considerável da mão de obra e dos capitais, além de incentivar o tráfico negreiro em detrimento do uso do trabalho compulsório indígena, que mais interessava ao Estado português.   

b) esse item motivou recorrentes conflitos entre as elites colonial e metropolitana, condição em parte solucionada quando as regiões africanas fornecedoras de escravos tornaram-se também produtoras de cachaça, o que desestimulou a sua produção na América portuguesa.   

c) essa bebida tem uma trajetória que comprova a ausência de domínio da metrópole sobre a América portuguesa, porque as restrições ao comércio e à produção de mercadorias no espaço colonial não surtiam efeitos práticos e coube aos senhores de engenho impor a ordem na Colônia.   

d) esse produto desrespeitava um princípio central nas relações que algumas metrópoles europeias impunham aos seus espaços coloniais, nesse caso, a quebra do monopólio de grupos mercantis do reino e a concorrência a produtos da metrópole.   

e) essa mercadoria recebeu um impulso importante, mesmo contrariando as determinações metropolitanas, mas, gradativamente, perdeu a sua importância, em especial quando o tabaco e os tecidos de algodão assumiram a função de moeda de troca por escravos na África.   

18. (Puccamp 2017) Do Brasil descoberto esperavam os portugueses a fortuna fácil de uma nova Índia. Mas o pau-brasil, única riqueza brasileira de simples extração antes da “corrida do ouro” do início do século XVIII, nunca se pôde comparar aos preciosos produtos do Oriente. (...) O Brasil dos primeiros tempos foi o objeto dessa avidez colonial. A literatura que lhe corresponde é, por isso, de natureza parcialmente superlativa. Seu protótipo é a carta célebre de Pero Vaz de Caminha, o primeiro a enaltecer a maravilhosa fertilidade do solo.

(MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides Breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977, p. 3-4)

A colonização portuguesa, no século XVI, se valeu de algumas estratégias para usufruir dos produtos economicamente rentáveis no território brasileiro, e de medidas para viabilizar a ocupação e administração do mesmo. São exemplos dessas estratégias e dessas medidas, respectivamente,

a) a prática do escambo com os indígenas e a instituição de vice-reinos, comarcas, vilas e freguesias.   

b) a implementação do sistema de plantation no interior e a construção, por ordem da Coroa, de extensas fortalezas e fortes.   

c) a imposição de um vultoso pedágio aos navios corsários de distintas procedências e a instalação de capitanias hereditárias.   

d) a introdução da cultura da cana-de-açúcar com uso de trabalho compulsório e a instituição de um governo geral.    

e) o comércio da produção das missões jesuíticas e a fundação da Companhia das Índias Ocidentais.    

19. (Puccamp 2017) Mais do que resultante de acasos e similares, como aconteceu a muitos países, o Brasil é produto de uma obra. Em sua primeira parte, feita à medida e semelhança do colonizador. Depois, conduzida pela classe dominante dele herdeira, no melhor e sobretudo no pior da herança. O sistema aí nascente projetou-se na história como um processo sem interrupção, sem sequer solavancos. Escravocrata por tanto tempo, fez a abolição mais conveniente à classe dominante, não aos ex-escravizados. A República trouxe recusas superficiais ao Império, ficando a expansão republicana do poder e dos direitos reduzida, no máximo, a farsas, a começar do método fraudador das "eleições a bico de pena".

FREITAS, Jânio de. Folha de S. Paulo, 30/04/2017.

Sobre a obra colonizadora, a que o texto de Jânio de Freitas se refere, é correto afirmar que a

a) opção pela implantação da economia açucareira, com base na grande propriedade rural e no trabalho escravo, articula-se com o mecanismo de dominação colonial e com a política mercantilista.    

b) colonização se estabelece dentro dos padrões de povoamento e expansão religiosa, resultou da expansão marítima dos países da Europa e se constituiu numa sociedade de europeus sem miscigenação.    

c) exploração econômica da colônia, com base na produção de açúcar, pretendeu impor a reserva de mercado metropolitano por meio de um sistema de livre comércio que atingia todas as riquezas coloniais.   

d) escolha pela produção açucareira na colônia objetivava demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos na América, tendo como elemento propulsor o desenvolvimento da expansão comercial e marítima.    

e) existência, na colônia recém descoberta, de uma estrutura produtiva já instalada pela população nativa foi capaz de viabilizar uma efetiva exploração econômica segundo os padrões da política mercantilista.    

20. (Espm 2016) Quem vir na escuridade da noite aque­las fornalhas tremendas perpetuamente ar­dentes, o ruído das rodas, das cadeias, da gente toda da cor da mesma noite, traba­lhando vivamente, e gemendo tudo ao mes­mo tempo sem momento de tréguas, nem de descanso; quem vir enfim toda a máquina e aparato confuso e estrondoso daquela Babilônia, não poderá duvidar, ainda que te­nha visto Etnas e Vesúvios, que é uma seme­lhança de inferno.

(Padre Antonio Vieira. Citado por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling in Brasil uma Biografia)

A leitura do trecho deve ser relacionada com: 

a) o trabalho indígena na extração do pau­-brasil;    

b) o trabalho indígena na lavoura da cana­-de-açúcar;    

c) o trabalho de escravos negros africanos no engenho de cana-de-açúcar;    

d) o trabalho de escravos negros africanos no garimpo, na mineração;    

e) o trabalho de imigrantes italianos na la­voura cafeeira.   







 

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