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Se bem que seja já uma primeira forma de explicação do universo, a explicação mítica assume, ainda, uma atitude passiva perante a realidade. Por exemplo, os antigos narradores, Homero e Hesíodo, transmitiam as suas histórias sem que se predispusessem a provar ou a justificar as mesmas. Aristóteles vem dizer, mais tarde, que a filosofia distingue-se do mito, porque é próprio dos filósofos dar razão daquilo que falam. Eis, uma primeira diferença entre o pensamento mítico e o pensamento racional.

O processo do conhecimento é dinâmico e, por esta razão, aquela atitude de aceitação, temor e passividade perante o mundo, característica do pensamento mítico, vai transformar-se gradualmente em atitude ativa, operante e racional. Donde resulta que o Homem, progressivamente, deixa de ser um instrumento das impressões exteriores que o atormentam e, por vontade própria, orientará, de acordo com as suas necessidades, o curso dos acontecimentos, desenvolvendo uma nova cosmovisão, mais de acordo com as regras da racionalidade.

Os povos evoluem e os mitos começam, gradualmente, a perder influência devido à sua proliferação no seio das comunidades, e por não darem razão do que afirmam. Por outro lado, resultado das migrações e das conquistas, os grupos populacionais veem-se confrontados com diferentes pontos de vistas ou soluções para as mesmas situações, o que leva os mais esclarecidos a concluir que tais narrativas se revelam pouco convincentes ou mesmo ingénuas. Por estas razões, os mitos, que perduraram e foram o sustentáculo de civilizações antigas, vão perdendo a sua importância original, até se transformarem em simples histórias, lendas ou superstições.

Em consequência do novo modo de observar e pensar o meio, os mais atentos começam a sentir necessidade de dar um novo enquadramento às coisas e aos acontecimentos, mais coerente com a realidade, a fim de que pudessem encontrar mais tranquilidade e segurança. É chegado o momento em que emerge uma outra visão diferente do mundo, da sociedade e da vida, em que, à luz da razão, passam a ser explicados os fenómenos que ocorrem. Mas a passagem da consciência mítica e religiosa para a consciência racional não foi fácil. Estes dois tipos de consciência vão coexistir na sociedade que deu origem ao pensamento racional, a sociedade grega (...).

António A. B. Pinela, Para quee seve a Filosofia, pp. 49-51
Disponível em efilosofia
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