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1. (Upe-ssa 2 2022) Texto 1

Padre Júlio Lancellotti: “Não se humaniza a vida numa sociedade como a nossa sem conflito”

Líder religioso, conhecido por seu trabalho com a população em situação de rua em São Paulo, fala ao EL PAÍS sobre seus 35 anos de sacerdócio. Alvo de críticas da extrema direita, ele voltou a sofrer ameaças durante a pandemia.

São oito horas da manhã de quinta-feira, 17 de setembro, e o padre Júlio Lancellotti (São Paulo, 1948) veste jaleco branco, avental laranja, sandálias pretas, luvas de látex e uma máscara respiratória rosa com filtro embutido. Há uma fila de centenas de pessoas para tomar café da manhã no Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, da prefeitura da capital paulista, e é o religioso quem aponta um termômetro para a testa de cada uma delas. Aos 71 anos, pertence ao grupo mais propenso a desenvolver complicações da covid-19, mas nem uma pandemia tão longa e mortífera freou sua convivência diária com a população que vive nas ruas de São Paulo.

 

Quando Cassiano, de 40 anos, se juntou à fila com o corpo sujo, as roupas rasgadas, machucado na testa e olhar triste, Lancellotti não hesitou em se aproximar e tocar a cabeça do homem com as duas mãos. “Nós vamos cuidar de você”, disse, com a voz suave. Quando ele já estava sentado e comendo, o padre se aproximou de novo para saber o que havia acontecido. Um abraço demorado cobriu, então, a cabeça do rapaz. Um carinho incomum que fez com que ele chorasse. “Não são anjos ou demônios. Eu procuro ver os olhos deles... Tem os que estão com raiva, tristes, solitários, alegres... Desses 40 anos, há quanto tempo Cassiano não recebia um afeto?”, pergunta Lancellotti.

Sua quinta-feira começou como todos os dias, com uma missa na Igreja São Miguel Arcanjo, da qual é pároco. Ali, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, mantém há 35 anos um compromisso constante com a população em situação de vulnerabilidade. Costumava servir um café da manhã na própria igreja para cerca de 200 pessoas. Veio a pandemia e o número praticamente triplicou. As atividades tiveram de ser transferidas, com o aval da Prefeitura, para o centro comunitário a algumas quadras dali. “Eu não trabalho com morador de rua. Eu convivo com eles. Porque dizer “trabalhar” parece que eles são objetos. É preciso olhar para a vida de forma humana. Isso não é tarefa só para os religiosos. Mas eu não conseguiria viver a dimensão religiosa sem humanizar a vida", explica. [...] Até hoje Lancellotti segue vivendo na pequena casa, no bairro do Belém, que era de sua mãe, Wilma, que morreu em 2010, aos 88 anos.

Felipe Betim. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-09-20/padre-julio-lancellotti-nao-se-humaniza-a-vida-numa-sociedade-como-a-nossa-sem-conflito.html Acesso em: 02 ago. 2021. Excerto adaptado.

Texto 2: Um universo sem fim

            Fomos alfabetizados para poder ler tudo o que quisermos. Descobrir o que os outros pensam ou pensaram, saber o que já aconteceu e o que pode vir a acontecer. Entender melhor o mundo em que vivemos e imaginar como poderia ser melhor do que é. Um universo sem fim espera por nós nos livros. Basta abri-los e deixar-nos levar pelas palavras, que se encadeiam nas folhas finas. [...]

            Os miseráveis, do romancista francês Victor Hugo, foi publicado, pela primeira vez, na França, em 1862. Transformou-se logo em grande sucesso. Foi traduzido para diversas línguas. Percorreu o mundo. É uma história com forte cunho social, mas o enredo, em que um ex-prisioneiro é perseguido sem tréguas por um inspetor fanático, tem fortes elementos de trama policial.

            Jean Valjean, o herói, foi condenado a trabalho forçado por roubar um pão para a família faminta. Cumpriu pena. Mesmo assim, para fugir de seu perseguidor e se reabilitar, precisou trocar de identidade. Sob disfarce, tornou-se um grande empresário. Promoveu o desenvolvimento da cidade, ajudou a todos que precisavam dele.

            Mas Javert, o policial, não desistia de lhe seguir os rastros. Vivia no encalço de Jean Valjean. Criava espertas armadilhas para que a verdadeira identidade do ex-condenado fosse revelada. [...] A sucessão dos acontecimentos e as difíceis circunstâncias vividas pelas personagens levantam questões sobre lei, justiça e solidariedade.

            Acima de tudo, Os miseráveis mostra como uma pessoa pode se transformar graças à ação de outra. No caso, a mudança ocorre quando um homem injustiçado recebe de alguém compreensão e generosidade. História de fugas, trapaças e armadilhas, esta também é uma história de amor entre jovens. Aqui são relatados interesses e atitudes muito mesquinhos, mas também grandes gestos de desprendimento e bondade.

CADEMARTORI, Lígia. In. HUGO, Victor. Os miseráveis. Tradução e adaptação de Walcyr Carrasco. São Paulo: FTD, 2001. (Coleção Literatura em minha casa; v. 4). Adaptado do texto de apresentação.

Quem lê o Texto 2 pode notar certa identidade de assunto com o Texto 1. Assinale a alternativa que indica essa espécie de elo temático entre esses dois textos.

a) Os livros permitem que possamos descobrir um universo sem fim de aventuras e aprendizados.   

b) Tanto Jean Valjean, o herói ficcional de Os miseráveis condenado por roubar um pão, como Cassiano, o herói real do Texto 1, buscam escapar da lei.   

c) Lei, justiça e solidariedade são aspirações comuns às personagens Jean Valjean e Javert, de Os miseráveis.   

d) Ambos os textos partilham a ideia de que, com solidariedade e amor à humanidade, uma pessoa pode mudar a vida de outra.   

e) A história de Valjean, como a de Cassiano, revela interesses e atitudes muito mesquinhos que nunca são vencidos.   

2. (Pucrs Medicina 2022) Texto 1

EU EXISTO!

Muito prazer, sou a jornalista que estacionou o carro de Caetano no Leblon

Elisangela Roxo

Caro Caetano Veloso,

Espero que esta carta encontre você e sua família em perfeita saúde. Que todos estejam seguros nestes tempos tão sombrios... Escrevo por um bom motivo. Depois de amanhã, ________ dez anos de um curioso e desconcertante fenômeno: o dia em que a internet ficou odara e eu virei lenda (sim, uma lenda, embora você não saiba disso). Muita gente ainda se lembra da reportagem que publiquei no portal Terra em 10 de março de 2011, com um título longuíssimo: Caetano Veloso Passeia pelo Leblon e Estaciona o Carro. Era uma notícia nada noticiosa, sem dúvida, mas acabou se transformando num marco do jornalismo brasileiro. A matéria – banal como um bichinho de avenca, poderia dizer o Nelson Rodrigues – ________ apenas 49 palavras e saiu sem assinatura. Pois bem... 1Eu existo! Sou a autora daquelas mal traçadas linhas e chegou a hora de você conhecer os bastidores do elo invisível que nos conecta há uma década. Prazer, meu nome é Elisangela.

[...]

_________ a minha petulância com sua imagem, Caetano, mas eu precisava rir de mim mesma naquela atividade tão carente de sentido. Precisava me satirizar enquanto satirizava o jornalismo sobre o nada, entende? Olhei para dentro e dei de cara com minha porção jornalista que sonhava entrar para a história graças a reportagens sensíveis e bem escritas. Olhei para fora e lá estava eu, solitária, em frente ao computador, já tarde da noite, numa gaiola envidraçada, com vista panorâmica para a Marginal Pinheiros. Imaginei que apenas meia dúzia de gatos-pingados (e insones) iria ver a nota. Minha gracinha certamente desapareceria em meio a tantas outras pérolas publicadas por nós.

Adaptado de: https://abre.ai/cA92. Acesso em 13 abr. 2021.

Texto 2

Maria Homem, viúva de Contardo Calligaris, lembra a relação com ele

Na conversação que era nossa vida, o grego, a filosofia, o teatro, enfim, as ideias e práticas antigas sempre estiveram presentes. Transmitimos um pouco disso nos dois livros que fizemos. Até escolhemos uma expressão em grego para eu fazer uma tatuagem, que a pandemia adiou. Como tantas coisas que ela adiou. Enfim, com grego, latim, italiano, inglês, francês, português... A embocadura e as palavras podiam ser salvadoras. O que seria de mim sem você?

Até que um dia, esses dias, eu repeti a minha pergunta, e num outro tom: “O que vai ser de mim sem você?”. Já tínhamos tido, claro, longas conversas sobre o futuro e essa espera angustiante da morte. Com humor, com tranquilidade, com lágrimas absurdas. Às vezes com revolta, às vezes com aceitação radical (c’est la vie).

Cada um vive a morte à sua maneira. A inexoravelmente solitária forma de cada um ter seu corpo e seu ser sendo atravessados pela morte. A morte de quem morre e a morte de quem fica. Na véspera, a pergunta era séria e talvez sem resposta: o que vai ser de mim sem você? Você estava consciente, olhou no meu olho e disse: “Vai ser o que você quiser”. Parei de chorar naquele instante. Olhei atônita: você conseguia ser analista até debaixo d’água. Você ofertava ao outro uma palavra para ele seguir. E conseguia ser fiel ao seu mais caro princípio até o final: crie sua vida. Esse é o sentido que ela tem e que você criará para ela.

No dia seguinte, naqueles instantes que ficarão para sempre inesquecíveis, falei na sua orelha tudo o que eu quis. Até que ficou tudo calmo. Sozinha no quarto, continuei deitada ao seu lado, e continuei falando. Ainda não sei o que vou querer ou o que vou conseguir inventar de mim mesma. Sei que a 11tatuagem e as 12cicatrizes serão inevitáveis, e o que te falei seguirá valendo.

Adaptado de: https://bit.ly/3uAD39q. Acesso em 08 abr. 2021. 

Sobre os textos, é correto afirmar que

a) a frase “Eu existo!” (ref. 1), no texto 1, demonstra a necessidade da autora de ser uma jornalista conhecida.   

b) a autora, no texto 2, reflete sobre como a morte de seu parceiro impactou a sua vida.   

c) o emprego de “você”, em ambos os textos, indica que dialogam diretamente com o leitor.   

d) há, tanto no texto 1 quanto no texto 2, trechos que citam obras de outros autores.   

3. (Unicamp 2022) No conjunto de seus diferentes usos, a palavra “cultura” pode significar um valor individual do sujeito que “tem cultura”; um valor coletivo de povos, etnias e grupos sociais que produzem bens culturais que podem tornar-se propriedade de alguns; um valor de produto comercializado, como um livro, um quadro, uma peça teatral. O controle da circulação de bens começa com a invenção da imprensa no século XV, seguida da regulação dos direitos autorais e de reprodução. Hoje, a expansão da tecnologia digital, o compartilhamento nas redes e seu monopólio resultam em condições ainda mais complexas de produção, circulação e comercialização de bens culturais. Além disso, tradições milenares no Extremo Oriente e em alguns povos originários da América Latina mostram que o mundo não é só o que chamamos de Ocidente e que as noções de cópia, original, livre e coletivo diferem entre culturas diversas. Nesse contexto, pergunta o autor, como defender uma cultura livre?

(Adaptado de Leonardo Foleto, Introdução ao livro A cultura é livre: uma história da resistência antipropriedade. Disponível em https://outraspalavras.net/alemdamercadoria/cultura-seus-tres-significados-e-sualibertacao/. Acessado em 10/04/2021.)

Com base no que afirma o autor, a defesa de uma cultura livre dependeria

a) da produção e circulação de bens culturais por grupos sociais.   

b) da atenção dada aos valores individuais e aos direitos autorais.   

c) da consideração de experiências e valores de outras culturas.   

d) do compartilhamento de bens culturais via tecnologia digital.   

4. (Pucpr Medicina 2022) O trecho reproduzido a seguir, de uma entrevista com o professor Dante Gallian, autor de A literatura como remédio, é referência para a próxima questão.

Dá para dizer que a leitura fez diferença na vida dessas pessoas?

Sim. Alguns anos depois da formação desse primeiro grupo, entrevistei alguns dos participantes para descobrir o que estavam fazendo e de que forma aquela experiência impactou a formação profissional e de vida deles. E todos responderam que aquelas reuniões foram fundamentais, porque despertaram neles o interesse pela leitura. Os cursos da área de saúde são muito focados nos aspectos físicos e biológicos, e o fator humano costuma ficar mais relegado. Todos disseram que a leitura deu a eles um diferencial. Primeiro, porque se tornaram leitores, e não eram. Além disso, se tornaram bons ouvintes, o que é incrível.

Disponível em: < https://blogs.uai.com.br/contaumahistoria/literatura-como-remedio/>. Acesso em: 20/08/21.

Na resposta dada pelo professor, é possível perceber que não se trata da primeira pergunta da entrevista e que as respostas dialogam entre si. Assinale a alternativa que apresenta a palavra contida na resposta do professor que indica essa relação.

a) desse.   

b) deles.   

c) neles.   

d) eles.   

e) se.   

5. (Pucpr Medicina 2022) O texto a seguir é referência para a próxima questão.

A relevância do tema progresso para o segundo conferencista da Temporada 2021 do Fronteiras do Pensamento, Steven Pinker, é evidenciada pela notoriedade que ganhou sua defesa da psicologia evolucionista e da teoria computacional da mente e pelo protagonismo que o conceito recebeu em sua obra mais recente, “O novo iluminismo”.

Disponível em: <https://www.fronteiras.com/noticias/steven-pinker-fala-sobre-progresso-na-segunda-conferencia-da-temporada-2021>. Acesso em: 10/9/21.

A maneira como é feita a apresentação de nomes e títulos de quem profere uma fala em um evento oferece uma informação específica a respeito do tema. No trecho lido, ao colocar o nome do conferencista entre vírgulas, o autor

a) generaliza o tipo de abordagem realizada pelo pesquisador.   

b) contextualiza o leitor sobre quem é o pesquisador conferencista.   

c) destaca subjetivamente a importância do pesquisador para o evento.   

d) induz o leitor a concluir erroneamente que somente ele pesquisa esse tema.   

e) singulariza a presença e as características atribuídas ao pesquisador.   

6. (Epcar (Afa) 2022) TEXTO I

O HOMEM CORDIAL

Marco A Rossi

            É de 1936 o livro “Raízes do Brasil”, do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Nele está contida a ideia de “homem cordial”, uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros. O “homem cordial”, resultado de um cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado, embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de homo brasiliensis, o “homem cordial” é avesso ao esforço metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo. A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e sociais, nada disso agrada ao “homem cordial”, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as regras particulares, a moral privada, o “salve-se quem-puder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços culturais brasileiros como uma barreira intransponível para a democracia. 1E hoje? 2Creio que a atualidade da ideia de “homem cordial” salta aos olhos de quem observa com interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo espólio.

(Fonte: Marco. A .Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.)

TEXTO II

A VERDADEIRA LEI DE GÉRSON

Raul Marinho Gregorin

            Você se lembra daquele célebre comercial do cigarro Vila Rica, onde nosso tricampeão Gérson falava a famosa frase: “...Porque você tem que levar vantagem em tudo, cerrrto?”. A frase teve tanto impacto que acabou sendo criada a “Lei de Gérson”, que simboliza o oportunismo e a falta de escrúpulos típicas de uma grande parcela de nossa sociedade. (...)

            3Concordo que nossa postura oportunista realmente contribui para nos manter neste estado de atraso econômico e cultural em que vivemos. Só que a “Lei de Gérson”, na verdade é muito mais antiga que o próprio. No excelente livro “Mauá, Empresário do império”, de Jorge Caldeira (Ed. Companhia das Letras), percebe-se que há quase duzentos anos atrás esta lei já era cumprida. Aliás, essa deve ser a lei mais antiga do Brasil, pois desde as capitanias hereditárias nossa história é pontilhada de exemplos de oportunismo e falta de escrúpulos. A própria escravidão não deixa de ser uma mostra do viés ético de nossa sociedade desde tempos imemoriais, mas isso já é outra história.

            Eu não conheço a biografia do Gérson, muito menos do publicitário que criou a frase e o comercial do Vila Rica. Mas 4acho muito improvável que o Gérson real seja um oportunista sanguinário como ficou sendo sua imagem. Nem 5acredito que o diretor de criação da agência poderia imaginar que esta frase seria usada mais de vinte anos depois para designar esta nossa característica.

            Nossa língua é ferina. Quando a Volkswagen lançou o Fusca com teto solar no final da década de ‘60’, as vendas despencaram depois que passou a ter a conotação de “carro de chifrudo”. A VASP na década de 70 criou um voo noturno ligando São Paulo ao Guarujá para atender aos executivos que deixavam suas famílias no balneáreo e passavam a semana trabalhando na capital. O nome do voo era “Corujão” devido ao horário. Não demorou muito, o voo passou a ser apelidado de “Cornudão”, pelo fato das esposas ficarem na praia enquanto os maridos ficavam na cidade. A VASP teve que cancelar a linha por falta de passageiros.

            E óbvio que a VW tinha introduzido o teto solar baseado no fato do Brasil ser um país quente e ensolarado, perfeito para aquele opcional. Só que o consumidor preferia ficar passando calor a ser visto dirigindo um carro com um buraco no teto para “deixar os chifres de fora”. O voo corujão era perfeito, especialmente na época em que não havia Piaçaguera e, para chegar ao Guarujá de carro na alta temporada, o motorista tinha que enfrentar horas de fila na balsa. Mas era melhor demorar oito ou dez horas de carro do que ir de avião, em meia hora, num voo chamado “Cornudão”...

            Com o comercial do Gérson foi a mesma coisa. Levar vantagem em tudo não significa que os outros tem que levar desvantagem. O oportunismo foi incorporado à frase por quem a leu/ouviu, não por quem a escreveu/disse. O problema é que passou a ficar (para usar um conceito atual) “politicamente incorreto” levar vantagem em alguma coisa.

            Na verdade, parece que nossa sociedade se divide em dois grandes blocos: um que leva vantagem em tudo (no sentido pejorativo) e outro que não pode levar vantagem em nada. Acontece que dá para levar vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam em desvantagem. Você não precisa esmagar a outra parte para sair ganhando.

(http://www.geocities.ws/cp_adhemar/leidegerson.html. Acesso em: 10 abril 2017. Texto revisado conforme a nova ortografia.)

Assinale a alternativa correta com relação aos elementos da estrutura dos textos I e II.

a) O texto I é predominantemente argumentativo, enquanto o II é predominantemente dissertativo.   

b) A interrogação presente na referência 1 do texto I, seguida da expressão “creio que”, é uma marca textual do posicionamento pessoal do autor sobre o tema abordado.   

c) As formas verbais “creio” (Texto I, ref. 2), “Concordo” (Texto II, ref. 3), “acho” (Texto II, ref. 4) e “acredito” (Texto II, ref. 5) são equivalentes em termos de sentido; logo, poderiam ser intercambiadas sem alterar o sentido dos contextos em que ocorrem.   

d) A presença da 1ª pessoa do singular no texto II – “Concordo” (ref. 3), “acho” (ref. 4), “acredito” (ref. 5) – é uma prova de que este texto não pode ser caracterizado como argumentativo, já que a redação argumentativa deve ser impessoal.   

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

Consumismo: impactos para o bolso e para o planeta

Carlos Eduardo Costa

            1Há vários anos, a sociedade moderna tem sido rotulada como a sociedade do consumo. A grande questão, na verdade, é que 2temos assistido à consolidação de uma sociedade consumista. E esse é o grande problema.

            3Em uma sociedade de consumo, 4as pessoas adquirem produtos e serviços necessários para sua vida. Consumismo, ao contrário, é o ato de comprar produtos e serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo e descontrolado. 5Não basta se vestir, é preciso acompanhar todas as tendências da moda. Não é suficiente o conforto proporcionado por alguns produtos tecnológicos, é necessário possuir os últimos lançamentos. Numa sociedade consumista, o consumidor é permanentemente incentivado a adquirir novos produtos.

            6E essa onda consumista traz graves consequências para a nossa sociedade. No plano individual, 7um 8grande número de pessoas se encontra em uma situação de endividamento extremo estimulado pelo desejo de consumo. (...).

            9Já no plano coletivo, é o nosso planeta que sofre com o consumismo. 10O meio ambiente é diretamente afetado, pois o consumo desenfreado e o desperdício, muitas vezes causado pela falta de conhecimento, requerem o uso de mais matérias-primas, e, consequentemente, também geram grande quantidade de resíduos. 11Por causa disso, os ambientalistas acreditam que 12o nosso planeta está gravemente doente, 13e 14alguns dos sintomas já são sentidos e estão piorando as condições de vida na Terra, como, por exemplo, o aquecimento global. (...)

(Disponível em: https://www.campograndenews.com.br/artigos/consumismo-impactos-para-o-bolso-e-para-o-planeta. Acesso em 13/03/2021) 

7. (Epcar (Cpcar) 2022) Assinale a única alternativa em que NÃO se percebe o posicionamento do autor sobre o que é transmitido.

a) “Há vários anos, a sociedade moderna tem sido rotulada como a sociedade do consumo.” (ref. 1)   

b) “E essa onda consumista traz graves consequências para a nossa sociedade.” (ref. 6)   

c) “O meio ambiente é diretamente afetado, pois o consumo desenfreado e o desperdício, muitas vezes causado pela falta de conhecimento...” (ref. 10)   

d) “...o nosso planeta está gravemente doente, e alguns dos sintomas já são sentidos e estão piorando as condições de vida na Terra...” (ref. 12)   

8. (Epcar (Cpcar) 2022) Segundo o texto, é correto afirmar que

a) a causa do endividamento dos cidadãos é o desejo de possuir os últimos lançamentos dos produtos tecnológicos.   

b) o consumismo faz com que as pessoas adquiram somente produtos e serviços imprescindíveis para a sua vida.   

c) o grande problema apontado pelo autor é a transformação dos hábitos de consumo em consumismo.   

d) o trecho “Por causa disso ... gravemente doente,” (ref. 11) retoma o trecho “Em uma sociedade de consumo ... para sua vida.” (ref. 3)   

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

‘A única coisa que não pode ser comprada é o saber’, diz Nuccio Ordine

por Leonardo Cazes

            RIO - Na abertura dos seus cursos na Universidade da Calábria, na Itália, 1o filósofo Nuccio Ordine sempre pergunta aos seus alunos: 2“por que vocês vieram para a universidade?”. A provocação de Ordine parte da sua constatação de que as instituições de ensino se tornaram meras fábricas que despejam jovens diplomados no mercado de trabalho, 3e não lugares aonde se vai para compreender o mundo e a si mesmo.

            Contra uma visão utilitarista dos saberes, o filósofo escreveu o manifesto “A utilidade do inútil” (...), best-seller na Europa que chega agora ao Brasil.

            Como convencer as pessoas da utilidade do que é considerado inútil?

            É preciso olhar o mundo em que vivemos, onde a lógica do dinheiro domina tudo. A única coisa que não pode ser comprada é o saber. Não é possível se tornar um homem culto com um cheque em branco. Criamos um mundo onde as pessoas pensam apenas no seu próprio egoísmo. Perdeu-se de vista o sentido da solidariedade humana. 4Um mundo que nos obriga a viver na dor é um mundo possível? Eu não acredito. 5Os saberes, como a música, a literatura, a filosofia, a arte, nos ensinam a importância da gratuidade. Devemos fazer coisas que não buscam o lucro. A dignidade humana não é a conta que temos no banco. A dignidade humana é a nossa capacidade de abraçar os grandes valores, a solidariedade, o amor pela justiça, o bem-estar. 6Como convencer as pessoas disso? Meu argumento é que estamos numa rota autodestrutiva.

            No livro, o senhor mostra que a discussão sobre o utilitarismo e o poder do dinheiro existe há séculos. O que há de diferente hoje?

            Desde o período clássico, vários autores refletiram sobre o perigo do dinheiro. Mas, hoje, nós temos uma radicalização na busca pelo lucro que se tornou uma forma de autodestruição do próprio capitalismo. É a ânsia de ganhar mais e mais que vai destruir o capitalismo.

(O Globo, Segundo Caderno, p. 06 – 27/02/2016.)

9. (Epcar (Cpcar) 2022) Assinale V para as proposições verdadeiras e F para as falsas. A seguir, assinale a sequência correta.

(     ) O “inútil” a ser valorizado pelas pessoas é a compreensão de si próprio e do mundo, a solidariedade, o amor pela justiça e o bem-estar.

(     ) A visão utilitarista dos saberes diz respeito àqueles conhecimentos que são úteis na conquista do lucro e à manutenção de uma sociedade capitalista.

(     ) A visão utilitarista dos saberes contribui na construção de uma sociedade mais evoluída moral e tecnologicamente, ou seja, contribui para o progresso do ser humano como um todo.

(     ) Nas instituições de ensino, valorizam-se a literatura, a filosofia e a arte por serem disciplinas que ajudam na percepção do perigo do dinheiro.

(     ) Paradoxalmente, a busca pelo lucro e a ânsia de acúmulo de capitais ensinam ao homem a importância da gratuidade e da solidariedade.


a) V – F – F – V – F   

b) V – V – F – F – F   

c) F – F – V – V – V   

d) F – V – V – F – V   

10. (Epcar (Cpcar) 2022) Sobre o texto, é correto inferir que

a) as interrogações ao longo do texto (referências 2; 4 e 6) têm o mesmo objetivo: propor um problema sobre o qual o leitor vai refletir e tirar conclusões.   

b) o entrevistado se dirige a um público especializado no assunto enfocado, por isso se vale da norma padrão da língua e de construções sintáticas mais complexas.   

c) Nuccio Ordine preocupa-se em se aproximar de seu público-alvo, por isso, em suas respostas ao entrevistador, opta pelo emprego da primeira pessoa do plural.   

d) o entrevistador mostra-se pouco preparado para a condução da entrevista, fazendo perguntas óbvias e demonstrando falta de familiaridade com o assunto.   

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:

O HOMEM CORDIAL

Marco A Rossi

            É de 1936 o livro 1“Raízes do Brasil”, do historiador Sérgio Buarque de Holanda. 2Nele está contida a ideia de 3“homem cordial”, 4uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros. 5O 6“homem cordial”, resultado de um 7cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado, 8embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de homo brasiliensis, 9o “homem cordial” é avesso ao esforço metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo. 10A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e sociais, 11nada disso agrada ao “homem cordial”, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as regras particulares, a moral privada, o 12“salve-se quem-puder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços culturais brasileiros como uma barreira intransponível para a democracia. 13E hoje? 14Creio que a atualidade da ideia de “homem cordial” salta aos olhos de quem observa com interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo espólio.

(Fonte: Marco A. Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.)

11. (Epcar (Afa) 2022) De acordo com os conceitos expostos no texto sobre as características morais do homem cordial, só NÃO se pode dizer que ele é um

a) lobo na pele de cordeiro.   

b) santinho do pau oco.   

c) gato vendido por lebre.   

d) cão que ladra e não morde.   

12. (Epcar (Afa) 2022) Quanto à pontuação, assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA do trecho dado.

a) “...nada disso agrada ao ‘homem cordial’, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais...” (ref. 11) – A vírgula utilizada antes do pronome indica que todos os homens cordiais não escondem amar o familiarismo nas relações sociais.   

b) “E hoje? Creio que a atualidade da ideia de ‘homem cordial’ salta aos olhos de quem observa com interesse o país.” (ref. 13) – O ponto de interrogação introduz um questionamento retórico, já que o próprio autor deduz a resposta.   

c) “Nele está contida a ideia de ‘homem cordial’, uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros.” (ref. 2) – A vírgula poderia ser substituída por travessão.   

d) “O ‘homem cordial’, resultado de um cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário;” (ref. 5) – A vírgula antes do adjetivo “afetuoso” é de emprego facultativo.   

13. (Epcar (Afa) 2022) Assinale a alternativa em que todos os adjetivos podem ser utilizados para descrever o “homem cordial”, conforme é caracterizado no texto.

a) Oportunista, irresponsável e hipócrita.   

b) Imediatista, precavido e egocêntrico.   

c) Compenetrado, ardiloso e criativo.   

d) Meticuloso, simpático e farrista.   

14. (Epcar (Afa) 2022) Assinale a alternativa cuja concordância pode ser feita das duas formas indicadas na opção, sem infringir as regras da Língua Portuguesa.

a) “...salve-se / salvem-se quem-puder, o apelo a saídas pessoais...” (ref. 12)   

b) “...uma das maiores contribuições já realizadas / realizada para a compreensão do Brasil...” (ref. 4)   

c) “A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética, (...), nada disso agrada / agradam ao ‘homem cordial’” (ref. 10)   

d) “Creio que a atualidade da ideia de ‘homem cordial’ salta / saltam aos olhos de quem observa...” (ref. 14)   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

A VERDADEIRA LEI DE GÉRSON

Raul Marinho Gregorin

            Você se lembra daquele célebre comercial do cigarro Vila Rica, onde nosso tricampeão Gérson falava a famosa frase: “...Porque você tem que levar vantagem em tudo, cerrrto?”. A frase teve tanto impacto que acabou sendo criada a “Lei de Gérson”, 1que simboliza o oportunismo e a falta de escrúpulos típicas de uma grande parcela de nossa sociedade. (...)

            Concordo que nossa postura oportunista realmente contribui para nos manter 2neste estado de atraso econômico e cultural em que vivemos. 3Só que a “Lei de Gérson”, na verdade é muito mais antiga que o próprio. No excelente livro “Mauá, Empresário do império”, de Jorge Caldeira (Ed. Companhia das Letras), 4percebe-se que há quase duzentos anos atrás esta lei já era cumprida. Aliás, essa deve ser a lei mais antiga do Brasil, pois desde as capitanias hereditárias nossa história é pontilhada de exemplos de oportunismo e falta de escrúpulos. A própria escravidão não deixa de ser uma mostra do viés ético de nossa sociedade desde tempos imemoriais, mas isso já é outra história.

            Eu não conheço a biografia do Gérson, muito menos do publicitário que criou a frase e o comercial do Vila Rica. 5Mas acho muito improvável que o Gérson real seja um oportunista sanguinário como ficou sendo sua imagem. Nem acredito que o diretor de criação da agência poderia imaginar que esta frase seria usada mais de vinte anos depois para designar esta nossa característica.

            Nossa língua é ferina. Quando a Volkswagen lançou o Fusca com teto solar no final da década de ‘60’, as vendas despencaram depois que passou a ter a conotação de “carro de chifrudo”. A VASP na década de 70 criou um voo noturno ligando São Paulo ao Guarujá 6para atender aos executivos que deixavam suas famílias no balneáreo e passavam a semana trabalhando na capital. O nome do voo era “Corujão” devido ao horário. Não demorou muito, o voo passou a ser apelidado de “Cornudão”, pelo fato das esposas ficarem na praia enquanto os maridos ficavam na cidade. 7A VASP teve que cancelar a linha por falta de passageiros.

            E óbvio que 8a VW tinha introduzido o teto solar baseado no fato do Brasil ser um país quente e ensolarado, perfeito para aquele opcional. 9Só que o consumidor preferia ficar passando calor a ser visto dirigindo um carro com um buraco no teto para “deixar os chifres de fora”. 10O voo corujão era perfeito, especialmente na época em que não havia Piaçaguera e, para chegar ao Guarujá de carro na alta temporada, o motorista tinha que enfrentar horas de fila na balsa. 11Mas era melhor demorar oito ou dez horas de carro do que ir de avião, em meia hora, num voo chamado “Cornudão”...

            12Com o comercial do Gérson foi a mesma coisa. 13Levar vantagem em tudo não significa que os outros tem que levar desvantagem. O oportunismo foi incorporado à frase por quem a leu/ouviu, não por quem a escreveu/disse. O problema é que passou a ficar (para usar um conceito atual) “politicamente incorreto” levar vantagem em alguma coisa.

            Na verdade, parece que nossa sociedade se divide em dois grandes blocos: um que leva vantagem em tudo (no sentido pejorativo) e outro que não pode levar vantagem em nada. Acontece que dá para levar vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam em desvantagem. 14Você não precisa esmagar a outra parte para sair ganhando.

(http://www.geocities.ws/cp_adhemar/leidegerson.html. Acesso em: 10 abril 2017. Texto revisado conforme a nova ortografia.)

15. (Epcar (Afa) 2022) De acordo com os episódios da história da propaganda abordados no texto, podemos notar que as vantagens, às vezes, com o tempo, revelam problemas que as tornam desvantagens. Essa ideia está presente no seguinte trecho:

a) “Laranja madura, na beira da estrada, está bichada, Zé, / ou tem marimbondo no pé.” (Mário Lago)   

b) “Quando você me ouvir cantar, / Venha não creia, eu não corro perigo.” (Caetano Veloso)   

c) “...vão passando os florescentes dias? / As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;” (T.A. Gonzaga)   

d) “A tarde corre pra noite, / A lua desperta sorrindo, / A menina na janela, / botões em flor se abrindo...” (Wando)   

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:

E a indústria de alimentos na pandemia?

            O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary University of London, na Inglaterra, propõe uma reflexão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de obesidade.

            O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19 chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY.

            O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o novo coronavírus encontrou no planeta.

            Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta.

            A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências devastadoras”, está escrito.

            E os autores cobram medidas, lembrando que o confinamento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de prateleira, inclusive na despensa.

            Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketing de algumas marcas nesses tempos desafiadores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de responsabilidade social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico.

            A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.

Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho de 2020. Acessado em 09 Mar 21.

GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando.

16. (Espcex (Aman) 2022) O editorial de edição 10 de junho, assinado pelos professores da Queen Mary University of London foi publicado pelo

a) site https.//abeso.org.br/e-a-industria-na-pandemia.   

b) National Health Service britânico.   

c) site da Organização Mundial da Saúde (OMS).   

d) Open SAFELY.   

e) British Medical Journal.   

17. (Espcex (Aman) 2022) Após a leitura, pode-se inferir que o termo “ambiente obesogênico” refere-se a um local que

a) propicia melhores condições financeiras, o que leva as pessoas a ter maior facilidade para comprar alimentos, levando-as inevitavelmente à obesidade, como é o caso do Reino Unido.   

b) apresenta mais de 60% de sua população com peso maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde, como acontece com os Estados Unidos, por exemplo.   

c) leva as pessoas a estocar alimentos ultraprocessados por motivos de força maior, como guerras e epidemias, em que as pessoas são obrigadas ao confinamento para conseguirem sobreviver.   

d) favorece a maior ingestão extra de alimentos pobres em nutrientes, mas ricos em açúcares e gorduras em comidas processadas e geralmente de baixo custo.   

e) possui habitantes cuja obesidade severa é causada principalmente por causas ligadas à genética e que piora com a ingestão de alimentos ultraprocessados e com grandes quantidades de açúcar.   

18. (Espcex (Aman) 2022) De acordo com o texto, a probabilidade de uma pessoa morrer de Covid-19 chega a ser 27% maior entre os indivíduos com

a) obesidade grau 1 em comparação com os indivíduos com obesidade severa, isto é, com índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado.   

b) índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com os indivíduos com obesidade grau 1.   

c) índice de massa corporal maior do que 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com os indivíduos com obesidade severa.   

d) obesidade severa em comparação com indivíduos com índice de massa corporal superior a 34,9 quilos por metro quadrado.   

e) índice de massa corporal bem superior a 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com indivíduos com obesidade grau 1.   

19. (Espcex (Aman) 2022) Segundo o texto, o editorial do British Medical Journal mostra que a indústria de alimentos

a) revela-se verdadeiramente preocupada com a saúde da população e cita o exemplo de uma empresa que distribuiu alimentos aos profissionais na linha de frente do tratamento de saúde.   

b) é responsável, em parte, pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências devastadoras, já que continua a promover produtos ultraprocessados, com muito açúcar e excesso de gorduras.   

c) aproveitou a pandemia para promover itens um pouco saudáveis e reformulou boa parte de seu portfólio, pois as mortes por Covid-19 deram a pista de que essa causa precisava ser abraçada.   

d) mostra seu envolvimento com excelentes iniciativas de responsabilidade social a partir de ações de marketing, como o oferecimento de calóricos donuts aos profissionais de saúde.   

e) é a principal culpada não somente pela pandemia de obesidade, mas também pelos casos mais severos de Covid-19, pois muita gente passou a estocar itens ultraprocessados em casa.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Cair e levantar

            1O temido tsunami das doenças mentais não parece ter vindo. 2Há muitos relatos de aumento de procura por atendimento. Há estudos mostrando mais pessoas com sintomas depressivos e ansiosos. Levantamentos apontando maior risco de transtornos mentais após infecção pelo novo coronavírus. Tudo isso é verdade, mas nada que configure -pelo menos até agora - uma epidemia, uma catástrofe dos moldes da própria covid-19.

            Mas a pandemia de covid-19 afetou as pessoas de forma muito diferente. Dependendo das condições socioeconômicas prévias, da possibilidade de manutenção do emprego, da presença ou não de filhos presos em casa, do risco de adoecimento, o estresse aumentou mais ou menos.

            No Reino Unido, por exemplo, uma pesquisa que acompanhou pouco mais de duas mil pessoas ao longo do ano passado mostrou que, apesar de um aumento de sintomas depressivos e ansiosos na primeira semana da quarentena, os números foram piores entre pessoas pobres, jovens e com crianças pequenas para cuidar. Ainda assim, deforma geral, a tendência se reverteu ao longo do tempo: mais da metade das pessoas se recuperou com o passar dos dias; perto de trinta por cento manteve sintomas moderados ou graves; e quase uma em cada dez pessoas sentiu que estava melhor do que antes. A maioria das pessoas apresenta um bom grau de resiliência.

            Esse conceito pode ser traduzido como a capacidade de se adaptar diante de traumas importantes, absorvendo o estresse e recuperando a possibilidade de funcionar bem no dia a dia, sem sequelas relevantes. Há vários fatores associados à resiliência que não podemos mudar, como traços de personalidade com baixa tendência a emoções negativas ou carga genética sem riscos para depressão. Mas felizmente uma das variáveis mais importantes pode ser modificada: a presença de suporte social. Sentir-se inserido numa rede de amparo, saber que se tem com quem contar na adversidade, não ter a sensação de isolamento, faz toda diferença diante de situações estressantes, ajudando-nos a absorver os impactos e a retomar a vida.

            3Não são todas as pessoas que têm essa possibilidade, no entanto: a solidão é um problema crescente no mundo todo, o que, aliado à necessidade de distanciamento físico, tornou mais difícil para algumas pessoas contar com tal suporte. Ter consciência da importância de tal fator, contudo, é essencial para criarmos uma comunidade mais resiliente. Primeiro porque podemos todos nos preocupar mais com isso, não negligenciando nossas próprias redes. Mas também porque as iniciativas de governos e terceiro setor, por meio de ONGs, igrejas, associações, podem centrar esforços na construção de novas redes e facilitar o ingresso nelas daqueles com necessidade. Com isso, mais gente conseguirá fazer o caminho do estresse em direção à recuperação e à saúde, e não o inverso.

Barros, D. M. de. "Cair e levantar". O Estado de S. Paulo. 18/02/2021. Disponível em: https://bit.ly/20JUy7T/Adaptado.

20. (Fuvest-Ete 2022) "O temido tsunami das doenças mentais não parece ter vindo" (ref. 1). Sem prejuízo do sentido e com uso de linguagem denotativa, o fragmento sublinhado poderia ser substituído por

a) "O esperado maremoto".   

b) "O aumento exagerado".   

c) "A onda aguardada".   

d) "A grande avalanche".   

e) "O impacto corajoso".   

 

21. (Cmrj 2019) TEXTO I

Sem limites, chatas e mandonas: as crianças que sofrem da Síndrome do Imperador

Se o comportamento de birra, agressividade e desrespeito não forem ajustados ainda na infância, na vida adulta será ainda pior, de acordo com a especialista Lilian Zolet

Crianças que mandam em casa, xingam os pais, babás e professores, escolhem o que vão comer e definem todas as escolhas da família: desde o que vai ser visto na televisão até qual é o horário mais adequado para dormir sofrem da “Síndrome do Imperador”. São pequenos “reis” criados sem orientação e limites. Mas o que fazer?

Para Lilian Zolet, psicóloga e autora do livro Síndrome do Imperador: Entendendo a Mente das Crianças Mandonas e Autoritárias, impor limites não é simples e errar nas tentativas é comum. (...) Leia parte da entrevista:

1. Crianças precisam de limites e isso todos os pais sabem. Mas como saber quanto é esse limite? Como saber se foi longe demais ou se falta repreensão?

(...)

Lembremos que as crianças são como “esponjas”, aprendem e modelam seus comportamentos a partir dos exemplos das pessoas que convivem com elas, principalmente dos pais.

2. E quando os pais não conseguem dar os limites necessários?

Quando os pais aceitam os maus comportamentos ou oferecem algum tipo de recompensa (presentes), eles estão na verdade reforçando a atitude errada da criança. Com isso, o filho aprende que pode ter tudo o que deseja, em seu tempo e a seu modo, e que as pessoas irão servi-lo, tornando-se um “imperador doméstico”. Tais crianças mandam em casa e também nas brincadeiras fazendo com que as demais crianças obedeçam às suas ordens. Elas choram e se atiram no chão, batem a cabeça na parede, jogam os alimentos ou cospem no rosto dos pais e agridem e ameaçam psicologicamente os progenitores quando seus caprichos não são atendidos. (...)

Adaptado da Reportagem de Amanda Milléo, Gazeta do Povo,16/07/2017. Disponível em

<http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/comportamento/descubra-se-seu-filho-tem-a-sindrome-doimperador/>. Acesso em: 18 de ago 2018.

TEXTO II

Mãe que não consegue dizer 'não' ao filho pede

à escola que proíba pipoqueiro na porta

Ancelmo Gois

Madame não educa

A mãe de um aluno de um colégio particular tradicional da Tijuca, no Rio, pediu que a direção proíba o pipoqueiro de trabalhar na porta da escola. É que ela proibiu o filho de comer pipoca. Mas, sempre que vê o pipoqueiro, o miúdo pede à mãe para comprar. E ela não sabe dizer não. Ah, bom!

Blog do Ancelmo Gois, Jornal O Globo, 08/08/2017. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/mae-que-nao-consegue-dizer-nao-ao-filho-pede-escola-queproiba-pipoqueiro-na-porta.html>. Acesso em: 10 ago. 2018. (Adaptado)

Marque a alternativa, com base no texto II, que contenha a fala que melhor corresponde ao comportamento de uma criança retratada pela psicóloga Lílian Zolet, no texto I. 

a) Mãe, eu quero tanto comer pipoca...    

b) Mãe, por favor, me dá pipoca aí...    

c) Mãe, eu posso comer pipoca?    

d) Mãe, eu queria comer pipoca!    

e) Mãe, me dá pipoca agora!    

22. (Unicamp 2020) Texto I

Os idiomas e suas regras são coisas vivas, que vão se modificando de maneira dinâmica, de acordo com o momento em que a sociedade vive. Um exemplo disso é a adoção do termo “maratonar”, quando os telespectadores podem assistir a vários ou a todos os episódios de uma série de uma só vez. Contudo, ao que parece, a plataforma Netflix não quer mais estar associada “maratona” de séries. A maior razão seria a tendência atual que as gigantes da tecnologia têm seguido para evitar o consumo excessivo e melhorar a saúde dos usuários.

(Adaptado de Claudio Yuge, “Você notou? Netflix parece estar evitando o termo ‘maratonar’.” Disponível em https://www.tecmundo.com.br/ internet/133690-voce-notou-net flix-pareceevitando-termo-maratonar.htm. Acessado em 01/06/2019.)

Texto II

Embora os dois textos tratem do termo “maratonar” a partir de perspectivas distintas, é possível afirmar que o Texto II retoma aspectos apresentados no Texto I porque

a) esclarece o significado do neologismo “maratonar” como esforço físico exaustivo, derivado de “maratona”.   

b) deprecia a definição de “maratona” como ação contínua de superação de dificuldades e melhoria da saúde.   

c) reflete sobre o impacto que a falta de exercícios físicos e a permanência em casa provocam na saúde.   

d) menospreza o uso do termo “maratonar” relacionado a um estilo de vida sedentário, antagônico a maratona.   

23. (Enem PPL 2019) A partir de 2018, a Resolução n. 518 do Contran obriga todo novo projeto de automóvel, SUV e picape dupla a ter pontos de ancoragem para cadeirinhas infantis. Em 2020, a regra passa a valer para todos os modelos à venda no Brasil.

Esse tipo de fixação possui travas na cadeirinha no formato de garras que são encaixadas em um ponto fixo na estrutura do veículo. O Isofix reduz o deslocamento do pescoço, ombros e coluna cervical.

Desde 2008, a Lei da Cadeirinha estabelece que bebês e crianças só podem ser transportados em assentos infantis indicados segundo a faixa etária e o peso. Como reflexo, as mortes de menores de 10 anos caíram 23% no Brasil.

A cadeirinha do tipo Isofix não é presa no cinto, mas em dois pontos de apoio soldados à estrutura do carro. Há ainda um terceiro ponto, que pode ser de fixação superior (top tether), atrás do encosto. Cada garra de engate se encaixa num ponto de fixação. Depois, é só apertar o botão para soltá-lo.

CARVALHO, C. Disponível em: http://quatrorodas.abril.com.br. Acesso em: 22 ago. 2017 (adaptado).

Segundo o texto, a cadeira infantil do tipo Isofix tem por característica

a) apresentar um esquema de fixação superior ao top tether presente em projetos de carros no Brasil.   

b) ficar presa no cinto e em mais dois pontos da estrutura de automóveis fabricados no Brasil.   

c) ser mais segura e mais simples de usar que outros modelos disponíveis no Brasil.   

d) estar presente em todos os modelos de carros à venda no Brasil.   

e) ser capaz de reduzir os acidentes em 23% no Brasil.   

24. (Ifpe 2019) 

Neste segundo volume de sua obra-prima, Simone de Beauvoir analisa a condição da mulher em todas as suas dimensões: sexual, psicológica, social e política. Começa pela sua formação: na infância, na adolescência, na vida sexual, tudo parece disposto a aumentar a distância que a separa do homem para transformar as diferenças em desigualdade, e essa desigualdade em inferioridade. Em seguida, Simone descreve a situação da mulher no casamento – com suas premissas e suas tradições –, na maternidade, na vida social, na prostituição, na maturidade e na velhice. Por fim, ela contempla os problemas que se apresentam às mulheres e o caminho da libertação.

“As mulheres de hoje estão destronando o mito da feminilidade; começam a afirmar concretamente sua independência; mas não é sem dificuldade que conseguem viver integralmente sua condição de ser humano. [...]”

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: a experiência vivida. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. v. 2. (adaptado).

O texto corresponde à quarta capa de um livro. Assinale a alternativa que se refere ao objetivo desse texto. 

a) Descrever as principais características da personagem que protagoniza o livro.    

b) Construir argumentação que convença o leitor sobre o mérito da teoria defendida no livro.    

c) Resumir os fatos mais importantes ocorridos na vida da autora que escreveu o livro.    

d) Fornecer informações ao leitor para que ele levante hipóteses sobre o conteúdo do livro.    

e) Apresentar a avaliação de alguns estudiosos sobre as ideias presentes no livro.    

25. (Enem 2018) TEXTO I


TEXTO II

Imaginemos um cidadão, residente na periferia de um grande centro urbano, que diariamente acorda às 5h para trabalhar, enfrenta em média 2 horas de transporte público, em geral lotado, para chegar às 8h ao trabalho. Termina o expediente às 17h e chega em casa às 19h para, aí sim, cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos etc. Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercícios, pois é importante para sua saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância do exercício físico? A probabilidade de essa pessoa praticar exercícios regularmente é significativamente menor que a de pessoas da classe média/alta que vivem outra realidade. Nesse caso, a abordagem individual do problema tende a fazer com que a pessoa se sinta impotente em não conseguir praticar exercícios e, consequentemente, culpada pelo fato de ser ou estar sedentária.

FERREIRA, M. S. Aptidão física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. RBCE, n. 2, jan. 2001 (adaptado).

O segundo texto, que propõe uma reflexão sobre o primeiro acerca do impacto de mudanças no estilo de vida na saúde, apresenta uma visão

a) medicalizada, que relaciona a prática de exercícios físicos por qualquer indivíduo à promoção da saúde.    

b) ampliada, que considera aspectos sociais intervenientes na prática de exercícios no cotidiano.   

c) crítica, que associa a interferência das tarefas da casa ao sedentarismo do indivíduo.    

d) focalizada, que atribui ao indivíduo a responsabilidade pela prevenção de doenças.    

e) geracional, que preconiza a representação do culto à jovialidade.    

 

 





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