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1. A fala do pai permite concluir que o filho
Fonte: Emidio. <https://lixoanormal.blogspot.com.br>. 14 Dez. 2015.

a) usufruirá uma vida confortável no futuro, garantida por seus familiares.
b) terá de lidar, no futuro, com um problema negligenciado no presente.
c) deve obedecer aos mais velhos para ser bem-sucedido no futuro.
d) herdará recursos suficientes para ter uma vida próspera no futuro.

2. Leia o texto abaixo.

O site americano TechCrunch, especializado em web, fez em agosto do ano passado uma constatação que, sempre que feita, ainda espanta a gringaiada: é preciso falar português para entender parte importante do universo online atual.

É na América Latina, constata o site, que a web mais cresce no planeta: a região já responde hoje por metade da população de internet da América do Norte e continua crescendo mais que a média mundial de usuários em outros continentes. O Brasil, nesse bolo, está na ponta, compondo 35% dos internautas latino-americanos.

Em sites de forte apelo global como Orkut, Facebook e Twitter, os falantes de português são um público numeroso. Mas falar português também está virando um atrativo de mercado: o acesso a sites e a compras latino-americanas, diz o TechCrunch, são majoritariamente em português. [...] O brasileiro adere fácil à tecnologia da conversação porque é comunicativo.
[...] Segundo o Ibope, os internautas brasileiros entre 12 e 24 anos passam 27 horas mensais no computador, dos quais 57% visitam blogs e 46% usam programas de conversação. Língua. Ano 5, n. 64, fev. 2011.

Nesse texto, a ideia defendida pelo site TechCrunch refere-se
a) à importância do português no universo online.
b) à participação do português nas compras realizadas online.
c) ao crescimento da web na América Latina.
d) ao tempo gasto pelos internautas brasileiros na web.

3. Como é feito o leite em pó?

O leite em pó é uma forma moderna de consumo de leite, que, desidratado, tem sua longevidade estendida. O leite em pó é feito a partir da secagem do leite comum. Para extrair a água, que compõe cerca de 90% da massa do leite, as fábricas fazem-na evaporar num processo lento, que não estraga as proteínas do produto.

Primeiro, o leite escorre em paredes metálicas verticais aquecidas a 77 °C, porque o líquido não pode ser fervido. Nessa etapa, evapora até 50% da água, e o leite fica pastoso. O produto concentrado segue então para uma máquina que borrifa minúsculas gotículas contra um jato de ar quente a 180 °C. Um rápido contato é o suficiente para fazer com que o restante da água evapore, e as gotículas de leite se transformem em grãos de leite seco. Então, o leite é separado em diferentes fases: flocos, granulado e pulverizado.

Este leite em pó pode apresentar-se com diferentes teores de gordura, conforme o leite utilizado tenha a gordura natural do leite, seja parcialmente desnatado ou seja magro.

De qualquer forma, a proteína do leite em pó é a mesma que no leite líquido, com valores próximos de 30 – 35%, o que faz um alimento extremamente interessante. 1kg de leite em pó, adicionado com água, permite obter 6 – 7 litros de leite recombinado.
Disponível em: <https://www.vocesabia.net/categoria/saude/alimentacao/page/2>. Acesso em: 17 jan. 2011.

Esse texto serve para
a) fazer uma sugestão ao leitor.
b) divulgar um novo tipo de leite.
c) dar uma informação ao leitor.
d) criticar o uso do leite comum.

4. Quais os efeitos da cultura do cancelamento?

Juliana Domingos de Lima

Além dos seus usos mais tradicionais – como deixar de assinar um serviço ou desmarcar um compromisso agendado –, o verbo “cancelar” tem sido empregado com frequência, recentemente, para pessoas. O ato de cancelar alguém costuma ser aplicado a figuras públicas que tenham feito ou dito algo considerado condenável, ofensivo ou preconceituoso.

São inúmeros os exemplos de cancelados, e a lista aumenta a cada semana. O cancelamento é primeiramente decretado numa rede social, onde gera uma onda de críticas e comentários. Depois estampa manchetes e, normalmente, é seguido de uma retratação do cancelado, que pode ou não ser acatada por seus críticos. Cancelar alguém publicamente requer um anúncio, o que torna o alvo do cancelamento objeto de atenção.

Para ser cancelado, não é preciso nem mesmo estar vivo: a internet brasileira proclamou no fim de outubro o cancelamento do músico Raul Seixas, após uma nova biografia levantar suspeitas de que ele tenha delatado o amigo Paulo Coelho a agentes da ditadura militar.

A arquiteta e feminista negra Stephanie Ribeiro disse que os cancelamentos não são propriamente uma novidade. “Há um ou dois anos atrás, a gente não falava em cancelamento, mas em linchamento virtual”, disse. Ela liga essas movimentações às redes sociais, “às possibilidades de interação e de resposta muito mais rápidas”, tanto no que diz respeito a reagir a algo que desagrada quanto a conectar pessoas que pensam da mesma maneira.

Leonardo Goldberg, psicólogo e doutor em psicologia, aponta que, com isso, o usuário pode participar ativamente dos perfis, das contas e das carreiras dos artistas. “Acho que a cultura do cancelamento é uma consequência desse usuário ativo, que consegue, de modo engajado, social, político e coletivo dizer se está ou não gostando” das condutas daqueles que acompanha pelas redes.

Muitos daqueles que foram alvo de cancelamentos, ou que se solidarizam com pessoas que tenham sido criticadas dessa forma, se queixam de uma perseguição inquisitorial que cercearia o discurso e as ações de comediantes, artistas, políticos e youtubers. Críticos apontam ainda que as reações muitas vezes alcançam dimensões desproporcionais ou se dão sem base em fatos.

Os efeitos da cultura do cancelamento, no entanto, são em geral menos efetivos do que os “canceladores” poderiam desejar e do que os “cancelados ” costumam alardear.

O autor do artigo da New Republic, Osita Nwanevu, vai ao encontro desses questionamentos sobre o verdadeiro impacto da cultura do cancelamento, sugerindo um entendimento mundano da questão: enxergá-la como expressões públicas e corriqueiras de desagrado, manifestadas por pessoas comuns em novas plataformas.

Embora critique a ausência de diálogo que impede “qualquer operação simbólica que possa fazer aquela pessoa mudar de opinião, porque ela é simplesmente cancelada”, Goldberg vê de maneira positiva que as críticas transformam os discursos públicos. Todos aqueles que passam a emitir discursos públicos vão ter que se haver com aquilo que dizem”.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/ 2019/11/01/Quais-os-efeitos-da-cultura-do-cancelamento). Adaptado

Com base na discussão da autora, o paradoxo do cancelamento pode ser explicitado em:
a) somente figuras públicas podem ser canceladas
b) cancelamentos deixam o cancelado em evidência
c) pessoas em geral são semanalmente canceladas
d) não é preciso estar vivo para ser cancelado

5. A CAUSA DA CHUVA (MILLOR FERNANDES, Fábulas Fabulosas)

1. Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.

2. – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.

3. – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.

4. – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.

5. Nesse momento começou a chover.

6. - Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!

7. – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.

8. – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores?

A fábula de Millôr Fernandes é uma afirmativa de que:
a) as pessoas julgam os fatos pela aparência.
b) cada pessoa vê as coisas conforme o seu estado e seu ponto de vista.
c) todos tem uma visão intuitiva dos fenômenos naturais.
d) o mundo é repleto de cientistas.
e) Errado

6. Crenças exterminadoras

Os rinocerontes torcem para que o Vietnã adote uma rigorosa lei seca. Isso porque os moradores do país acreditam que o chifre do bicho em pó é um eficiente remédio contra a ressaca. Crenças desse tipo são responsáveis pela ameaça de extinção de diversas espécies animais e têm um novo alvo: as arraias gigantes. Na semana passada, as organizações Shark Savers e WildAid divulgaram um relatório em que alertam para o risco de duas espécies desse animal desaparecerem. A pesca foi intensificada nos últimos dez anos para a comercialização das brânquias – estruturas responsáveis pela filtragem da água – que, secas, podem valer até US$ 500 por quilo. Apesar de não haver nenhuma comprovação científica dos benefícios de ingerir essas partes, alguns asiáticos acreditam que comê-las fortalece o sistema imunológico, melhora a circulação, e trata dores de garganta, catapora, problemas de rim, câncer e ajuda até casais com problemas de fertilidade.
Disponível em: https://www.istoe.com.br/reportagens/187548_CRENCAS+EXTERMINADORAS. Acesso em 01 nov 2019.

A expressão que revela uma opinião sobre o fato “... os moradores do país acreditam que o chifre do bicho em pó é um eficiente remédio contra a ressaca”.
a) Os rinocerontes torcem para que o Vietnã adote uma rigorosa lei seca.
b) A pesca foi intensificada nos últimos dez anos para a comercialização das brânquias.
c) Apesar de não haver nenhuma comprovação científica dos benefícios de ingerir essas partes (...).
d) Crenças desse tipo são responsáveis pela ameaça de extinção de diversas espécies animais e têm um novo alvo: as arraias gigantes.
e) Na semana passada, as organizações Shark Savers e WildAid divulgaram um relatório em que alertam para o risco de duas espécies desse animal desaparecerem.

7. Leia o texto para responder a questão abaixo:

É preciso se levantar cedo?

A partir do momento em que a lógica popular desenrola diante de nós sua sequência de surpresas, é inevitável que vejamos surgir a figura do grande contador de histórias turco, Nasreddin Hodja. Ele é o mestre nessa matéria. Aos seus olhos a vida é um despropósito coerente, ao qual é fundamental que nós nos acomodemos.

Deste modo, quando era jovem ainda, seu pai

um dia lhe disse:

– Você devia se levantar cedo, meu filho.

– E por quê, pai?

– Porque é um hábito muito bom. Um dia eu me levantei ao amanhecer e encontrei um saco de ouro no meu caminho.

– Alguém o tinha perdido na véspera, à noite?

– Não, não – disse o pai. – Ele não estava lá na noite anterior. Senão eu teria percebido ao voltar para casa.

– Então – disse Nasreddin –, o homem que perdeu o ouro tinha se levantando ainda mais cedo. Você está vendo que esse negócio de levantar cedo não é bom para todo mundo.
(CARRIÈRE, Jean-Claude. O círculo dos mentirosos: contos filosóficos do mundo inteiro. São Paulo: Códex, 2004.)

O diálogo entre pai e filho permite entender que:
a) pai e filho não se dão bem.
b) pai e filho têm os mesmos hábitos.
c) pai e filho encontraram um saco de ouro.
d) pai e filho pensam de forma diferente.

8. O cartum lido trata de maneira cômica o problema vivenciado por um aluno.


O humor está baseado no fato de o aluno
a) não entender o tema da redação.
b) não ter permissão para usar o celular de seus familiares.
c) conseguir consertar seu computador que estava quebrado.
d) tratar como apavorante ficar sem acesso a dispositivos tecnológicos.
e) não poder terminar sua redação por conta da falta de energia elétrica

9. DUZENTAS GRAMAS

Meu amigo Hélio, que é pai do Arthur e diz sonoramente trêss e déss (ao invés de, digamos, “trêis” e “déis”) fica indignado quando peço na padaria duzentas gramas de presunto – quando a forma correta, insiste ele, é “duzentos” gramas. Sempre que acontece e estamos juntos acabamos discutindo uns dez minutos sobre modos diferentes de falar. Ele de praxe argumenta que as regras de pronúncia e ortografia, se existem, devem ser obedecidas – e que os mais cultos (como eu, um cara que traduz livros!) devem insistir na forma correta a fim de esclarecer e encaminhar gente menos iluminada, como supõe-se seja a moça que me vende na padaria o presunto e o queijo. Eu sempre argumento que quando ele diz que só existe uma forma correta de falar está usurpando um termo de outro ramo, e tentando aplicar a ética à gramática: como se falar “corretamente” implicasse em algum grau de correção moral; como se dizer “duzentas” gramas fosse incorrer numa falha de caráter e dizer “duzentos” fosse prova de virtude e integridade. [...]
https://www.baciadasalmas.com/duzentas-gramas/. Acesso em: 09.11.2017.

Segundo o texto, é possível afirmar que
a) o autor do texto, apesar de admitir o uso de “duzentas gramas”, afirma que há formas incorretas de pronunciar palavras como “três” e “dés”.
b) a forma correta a que o autor se refere tem como parâmetro a linguagem coloquial e não a norma culta padrão da língua portuguesa.
c) há formas de se expressar que não devem existir, principalmente em contextos sociais como o que foi retratado pela crônica.
d) a expressão que dá nome à crônica faz parte da oralidade do autor e implica, também, questões de prestígio social.
e) há uma incongruência na afirmação da personagem Hélio, pois o que ele afirma não acontece na vida real.

10. O texto 1, primeiro parágrafo de um editorial, e o texto 2, uma charge, tratam de um mesmo assunto. Leia-os e identifique suas semelhanças e diferenças.

Texto 1
Secas e cheias do século 21

Esta edição especial de NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL nasceu sob o signo da crise hídrica de São Paulo em 2014. Foi quando começamos a pensá-la. As águas dos gigantescos reservatórios do Sistema Cantareira, que abastece boa parte da população da cidade, secaram [...]. As chuvas não chegavam. Buscaram reservas “técnicas” no lodo das represas, o famoso “volume morto” [...]. Notou-se uma diferença de gosto na água da torneira, um quê de terra a mais. Aumentou a venda de água mineral entre os mais abastados. Cisternas caseiras entraram na moda. Qual era o problema, afinal? Por que não chovia?
[...]
SHIRTS, Matthew. Secas e cheias do século 21. National Geographic Brasil, p. 9, 2015. Edição especial.


Texto 2

MACHADO, Dalcio. H2O. Correio popular, 23 jan. 2015. Disponível em: <https://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/01/entretenimento/charges/236740-charge-do-dia.html>. Acesso em: 26 dez. 2016.

Ambos os textos foram publicados no mesmo ano e tratam da falta de água. Entretanto, apenas no segundo percebe-se uma clara crítica
a) à falta de políticas públicas para contornar o problema.
b) ao uso de cisternas como alternativa à falta d’água.
c) às atitudes dos mais abastados.
d) ao desperdício de água.

11. Observe o meme abaixo e responda à questão que se segue:


Em relação ao meme apresentado acima, assinale a alternativa CORRETA:
a) Se a expressão Sqn (só que não) fosse apagada da frase, o meme perderia a ironia.
b) A interjeição Sqn (só que não) assinala uma quebra de expectativa em relação a tudo que foi dito anteriormente.
c) O humor do meme depende exclusivamente da expressão Sqn (só que não).
d) O meme acima utiliza a norma padrão da Língua Portuguesa.
e) Se o trecho “Tá boa, tia! Sqn (só que não)” fosse trocado por “Não tá boa, tia”, o meme, ainda assim, teria o mesmo efeito.

12.

Texto 1

ADIANTA REDUZIR A MAIORIDADE PENAL?

Por Miguel Martins

A julgar pelas pesquisas de opinião, o Brasil é um país majoritariamente conservador. Em 2013, o Instituto Datafolha aferiu que 48% dos brasileiros julgavam-se de direita ou de centro-direita, ante 30% da população que se identificavam com pautas progressistas. Tal distância entre os espectros reflete em parte a opinião dos cidadãos com relação a alguns temas. O casamento gay é rechaçado por 49,7% da população, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes. São contrários ao aborto 71% dos brasileiros, de acordo com o Datafolha. Três quartos dos brasileiros, de acordo com a Universidade Federal de São Paulo, dizem ser contra a legalização da maconha. Essa tendência conservadora acentua-se de forma descomunal quando o tema é a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos, aprovada por 89% da população, segundo pesquisa realizada por Vox Populi e Carta Capital no ano passado.

Embora criticada por juristas e especialistas em políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente, a proposta tem ganhado fôlego no Congresso. Criada em 2011, a Frente Parlamentar pela Redução da Maioridade Penal conta com o apoio de mais de 200 deputados. A Proposta de Emenda Constitucional que defende o novo limite, de autoria do senador tucano Aloysio Nunes, deve ir a plenário ainda este ano. Como opção à PEC de Nunes, um grupo encabeçado pelos parlamentares Humberto Costa e Eduardo Suplicy, com participação da ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, estuda apresentar um projeto que aumenta o tempo de pena para jovens infratores reincidentes em crimes graves, entre eles homicídio, latrocínio e estupro.

Ambas as propostas parecem ignorar a exaustão do sistema carcerário brasileiro, que convive com superlotação nas prisões comuns e nos centros de atendimento socioeducativo. A redução da maioridade penal poderia inflar ainda mais a população carcerária, atualmente superior a 550 mil presos, responsável por posicionar o Brasil entre os quatro países com maior número de presos no mundo. A situação poderia ser pior. Segundo um levantamento do Conselho Nacional de Justiça de 2012, há mais de 500 mil mandados de prisão não cumpridos, o que poderia dobrar a população carcerária brasileira. Na outra ponta, a proposta esbarra na falta de espaço nos centros destinados à criança e ao adolescente. Em São Paulo, 90% das unidades da Fundação Casa apresentam superlotação.

Para Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC, o Brasil atravessa um momento em que o clima político, cultural e midiático estimula o “punitivismo”: as soluções escolhidas para enfrentar a violência passam sempre pelo endurecimento das penas. “Acredita-se que há impunidade no Brasil, mas não é verdade. Punimos muito, mas punimos mal”. Segundo o jurista, as condições insalubres dentro das prisões impedem o maior controle por parte do Estado. “ Isso estimula o surgimento do crime organizado. Ao se colocar na cadeia um usuário de drogas como se fosse um traficante, ele pode se tornar mais à frente um homicida”. Serrano menciona o caso dos Estados Unidos, onde se estima que 250 mil jovens são processados, sentenciados ou encarcerados como adultos todo ano. Apesar de as taxas de criminalidade terem caído no país desde os anos 1990, um estudo do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) estimou que jovens presos ao lado de adultos têm 34% mais chance de voltar a cometer crimes.

Fabio Paes, representante da ONG Aldeias Infantil e integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, afirma que a formulação das perguntas sobre o tema nas pesquisas de opinião pode levar a distorções. Ele afirma que a adesão à proposta é motivada pelo desconhecimento da população das políticas públicas desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e pela Secretaria de Direitos Humanos. O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, programa da SDH criado em 2012, busca garantir nacionalmente o cumprimento de modalidades previstas na legislação da criança e do adolescente que escapem à mera aplicação da punição. Há oito medidas que deveriam complementar a internação, dentre elas, a inclusão em programas comunitários, o tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico e a participação dos jovens em programas para alcoólatras e dependentes químicos.

Portanto, antes de se cogitar investir em soluções ineficazes como a redução da maioridade penal, é importante dar uma chance para aquilo que está à disposição, mas não é aplicado.
Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/revista/812/o-inimigo-errado-3791.html>. Acesso em: 09 nov. 2014.

Texto 2
Disponível em: <https://www.chargeonline.com.br Acesso em: 09 nov. 2014.


Texto 3
Disponível em: <https://www.chargeonline.com.br Acesso em: 09 nov. 2014.

Quanto ao gênero textual, é correto afirmar que
a) o Texto 1 é uma reportagem.
b) o Texto 1 é um editorial.
c) o Texto 2 é uma tirinha.
d) o Texto 3 é uma charge.

13. Marque a afirmativa incorreta quanto à imagem.

a) Mostra de forma irônica o quanto as pessoas ficam presas à Internet.
b) Relaciona a Internet à perda da noção de tempo muitas vezes verificada nos seus usuários durante o uso.
c) Apresenta uma questão atual.
d) Mostra o quanto a Internet é atraente para seus usuários.
e) Compara o significado que as expressões temporais têm para os indivíduos quando eles estão utilizando a Internet e quando não estão.

14. Leia os textos abaixo.

Texto 1

A cor branca, sua cara amigável e seu tamanho despertam a atenção para o urso polar [...]. Habitantes das terras geladas do Ártico, o urso polar sobrevive a uma temperatura que varia de – 37°C a – 45 °C, graças às duas camadas de pele e uma cama de gordura de 11,5 cm de espessura que fazem o isolamento térmico de seu corpo.

Apesar de seu tamanho grande, o urso polar pode caminhar cerca de 30 quilômetros por dia e por vários dias seguidos. [...] Uma diferença entre o urso polar e os demais ursos é que estes não hibernam. Já a caça por comida é feita tanto pelo macho quanto pela fêmea, que preferem se alimentar de focas.

Entretanto, o urso polar corre sério risco de desaparecer da natureza. O efeito estufa, fenômeno natural que equilibra a temperatura da Terra, está em constante desequilíbrio. Tal fato acarreta no avanço do aquecimento global, principal responsável pelo risco de extinção desse animal. Afinal, o aquecimento global contribui para o derretimento das geleiras e a diminuição do espaço para que eles se locomovam e, consequentemente, a oferta de comida também decai.

Por conta disso, a Rússia e o Canadá classificaram o animal como uma espécie vulnerável. Em 2008, os Estados Unidos classificaram o urso polar do Alasca como uma espécie ameaçada de extinção e, por isso, requer proteção especial. [...]
Disponível em: <https://migre.me/jqZ45>. Acesso em: 29 dez. 2013. Fragmento.


Texto 2
Disponível em:<https://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/01/297_2151-cartuns-aquecimento-g4.jpg >. Acesso em: 29 dez. 2013

No Texto 2, os ursos demonstram estar
a) cansados.
b) famintos.
c) irritados.
d) preocupados.

15. (CMDPII)

Com base nas ideias contidas na charge e na sua estrutura sintática, marque a afirmativa INCORRETA:
a) A fala da criança “Isso não passa de fake news plantada pela oposição” representa um tipo de discurso relacionado às questões políticas, tratando-se, pois, de uma crítica.
b) No trecho “Não há nada me ligando a tal crime”, o termo em destaque se trata de um determinante feminino que está relacionado à palavra “tal”, também feminina.
c) A charge faz essencialmente uma crítica à questão da propagação das fake news, que dizem respeito a notícias falsas que são veiculadas principalmente na internet.
d) No trecho “Não há nada me ligando a tal crime”, há um caso de regência verbal em que o termo é regido pela preposição “a”.

16. O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950/1980). Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Pág. 165-166.

Vocabulário: Afável: delicado, agradável
Regaço: colo; no sentido figurado, lugar onde se acha conforto e tranquilidade.

O poema de Ferreira Gullar faz uma crítica à desigualdade social e econômica no Brasil. A estrofe que melhor exemplifica essa crítica é a:
a) 1ª estrofe
b) 2ª estrofe
c) 3ª estrofe
d) 5ª estrofe

17. Leia com atenção:

“Podem me prender no
quarto eu saio pela janela.
Podem trancar a janela eu
fujo pelo telefone.
Podem cortar o telefone
Eu pulo dentro de um livro.”
Fonte: CUNHA, Léo.

Identifique qual das afirmativas abaixo NÃO corresponde às informações sugeridas pelo texto:
a) Há a intenção de alguém em capturar, aprisionar o eu lírico. De forma criativa, elementos como “janela”, “telefone” e “livro” são indicados como rotas de fuga desse eu lírico para garantir sua liberdade.
b) O poema não nos revela a identidade daquele que tem por objetivo tirar a liberdade de ir e vir do eu lírico porque tal informação não é relevante.
c) Algumas estratégias são citadas para impedir o eu lírico de fugir. Desse modo, o texto pode sugerir que esse eu lírico representaria uma ameaça, que, a qualquer custo, deveria ser mantida em confinamento.
d) No contexto de um texto que se utiliza de linguagem poética, “janela”, “telefone” e “livro” são elementos da linguagem figurada que indicam meios de alcançar a liberdade; afinal, por eles, pode-se escapar para o mundo.
e) No contexto de um texto que se utiliza de linguagem poética, “janela” e “telefone” indicam meios que levam à liberdade; mas esse não é o caso do “livro”, que não permite o “escapar” para o mundo.

18. Veja o que disseram alguns escritores brasileiros sobre o futebol nacional:

- “O conhecimento do Brasil passa pelo futebol.” (José Lins do Rego)

- “O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como o Pelé. É fazer um gol como o Pelé.” (Carlos Drummond de Andrade)

- “O futebol é uma moda fugaz. Vai haver por aí uma excitação, um furor dos demônios, um entusiasmo de fogo de palha que não durará um mês.” (Graciliano Ramos)
Fonte: Revista Língua Portuguesa. Especial. Abril de 2006.

Para Carlos Drummond de Andrade:
I- Nenhum jogador, jamais, fará tantos gols quanto Pelé.
II- É possível que algum jogador se iguale a Pelé em número de gols.
III- Dificilmente haverá jogador que se iguale a Pelé em número de gols e no modo de fazê-los.
IV- A maneira como Pelé fazia gols é mais surpreendente que a quantidade de gols feita por ele.

A(s) opção(ões) CORRETA(S) é (são):
a) apenas I
b) apenas II
c) I, II e III
d) II, III e IV
e) III e IV

19. A turma

Eu também já tive uma turma, ou melhor, fiz parte de turma e sei como é importante em certa idade essa entidade, a turma. A gente é um ser racional, menos quando em turma. Existe, por exemplo, alguma razão para um grupo de pessoas sentar todo o dia numa escadaria ou meio-fio e passar horas conversando? Você pode falar a um filho, por exemplo, que refrigerantes engordam e chocolates dão mais espinhas em quem já está na idade das espinhas. Ele nem ouvirá. Mas, se um dia a turma resolver, ele passará a tomar só água com limão e pegará nojo de chocolate. Você pode falar que cabelo tão comprido é incômodo, calorento, atrapalha, mas que nada, ele te pedirá dinheiro para comprar mais xampu. Agora, se a turma resolver cortar careca, ele aparecerá de repente careca no café da manhã e nem quererá falar do assunto – qual o problema em cortar careca? Você pode dizer que bossa-nova é bom, e mostrar jornais e revistas, provar que só “Garota de Ipanema” já recebeu centenas de gravações em todo o mundo, mas ele aumentará o volume do rock pauleira ou tecno-bost. Até o dia em que alguém da turma aparece com um CD de bossa-nova e ele troca Axel Rose por Tom Jobim de um dia pro outro. A turma tem modas, como quando resolvem todos arregaçar as barras das calças, que usavam arrastando pelo chão. A turma tem traumas, como quando o namoradinho de uma se apaixona pela namoradinha do outro e... A turma tem linguagem própria, uma variante local de um ramal regional da vertente adolescente da língua. A turma adora sentar na calçada e na praça e falar sobre o que viram em casa e na televisão. Ninguém da turma dança até que alguém da turma começa a dançar, aí dançam todos trocando de par até acabarem dançando todos juntos como turma que são. Um da turma se tatua, todos da turma querem se tatuar. Uma bota uma argola no nariz, os outros, para variar, botam no lábio, na sobrancelha e na orelha e... A turma é isso aí, cara, uma reunião diária de espinhas e inquietações, habilidades e temperamentos, o baralho das personalidades se misturando, o jogo das informações e dos sentimentos rolando nas conversas sem fim, nas andanças sem cansaço, nas músicas compartilhadas, no refri com três canudos e uma empadinha pra quatro. Na turma pouco dá pra todos, todo mundo divide, cada um contribui, a turma se une partilhando e repartindo. A turma ri como só na turma se ri. A turma julga quando erramos. A turma castiga com silêncios e ironias. A turma te chama, te reprime, te liberta, te revela, te rebela, te maltrata, te orgulha, te ama e te envolve, te afasta e te atrai, mas a turma é assim porque a turma é a turma. Até o dia em que – disse a todos os meus filhos – cansamos de ter turma e passamos a ser gente. Mas, aqui entre nós, como dá saudade!

O trecho em que o narrador dialoga diretamente com o leitor é:
a) “A turma é isso aí, cara, uma reunião diária de espinhas e inquietações, habilidades e temperamentos [...]”
b) “Um da turma se tatua, todos da turma querem se tatuar.”
c) “Eu também já tive uma turma, ou melhor, fiz parte de turma [...]”
d) “A gente é um ser racional, menos quando em turma.”
e) “Até o dia em que – disse a todos os meus filhos – cansamos de ter turma [...]”

20. Leia o texto “Por que devemos ter cuidado ao andar descalços na areia?”, publicado na Revista Ciência Hoje, e depois responda ao que se pede.

Por que devemos ter cuidado ao andar descalços na areia?

Caminhar pela praia e fazer belos castelos de areia... Brincar descalço no parquinho, livre, leve e solto... O que pode ser melhor? Qualquer que seja a sua preferência, vale a pena registrar que: onde a areia é quente e úmida pode haver seres microscópicos causadores de doenças, os geo-helmintos.

Geo significa terra e helmintos, vermes. Logo, estamos falando de vermes que passam parte da vida na terra. Alguns contaminam cachorros, gatos, aves e outros, bichos. Já outros pegam carona, em nós, humanos. A fase adulta dos geo-helmintos é sempre dentro do corpo do hospedeiro.

Acontece que o verme precisa do solo para a eclosão de seus ovos e para passar a primeira fase de suas vidas, a fase de larvas. Mas como esses ovos vão parar no solo? Pelas fezes dos animais contaminados. Um cachorro, por exemplo, contaminado por geo-helmintos, ao liberar suas fezes na areia, libera junto com elas os ovos do verme.

A tese desse texto é:
a) a areia é perigosa somente para os animais.
b) a areia representa perigo para as crianças, portanto, deve ser evitada na hora das brincadeiras.
c) brincar na areia é sempre bom, mas é preciso tomar cuidado com os lugares onde a areia é quente e úmida.
d) deve-se andar descalço na areia, porque ela só oferece perigo para os animais.

21. Em Dobro

Sabe aquele mendigo bem mendigo? Ele era assim. Um mendigo grisalho. Daqueles que só têm cobertores esfarrapados e falas desconexas. Ou tão conexas, que a gente não entende. Encostado numa parede, perto do Mercado Central de Belo Horizonte, ele via o vaivém. Na mesma calçada que era varrida pela gari. Baganas de cigarro, pedaços de papel, folhas, poeira. Uniforme e cabelo preso. Os turistas e os locais passando de lá para cá na correria da sexta-feira de Copa do Mundo.

O mendigo a mendigar. A gari a varrer. O mendigo ali, vendo a gari. Ficou olhando para ela, olhando o movimento rápido e ensaiado da vassoura. Foi quando tirou do bolso uma nota amassada de cinco reais e estendeu ao ar. "Pegue, pegue.", foi o que ele disse. A gari sorriu e, com educação, recusou. "Vá lá. Dê uma paradinha e tome um guaraná”. O mendigo insistiu. A gari encolheu os ombros como quem diz "fazer o quê?" e pegou a nota. Agradeceu rindo, meio constrangida.

Uma turista passava por ali. Viu e ouviu. Se comoveu com a bondade do mendigo, com seu desapego pelo que não tem. O mendigo viu a gari suando no sol da tarde. Quis fazê-la um pouco feliz. Não havia segundas intenções que pudessem macular a pureza da cena. A bondade verdadeira não quer nada em troca. A bondade não é esmola. É doação.
Fonte: MILMAN, Tulio. Em dobro. Jornal Zero Hora, edição de 30/06/14, p.2.

Considerando o ponto de vista do autor e as interações entre os personagens, infere-se que
a) o mendigo criticou o desempenho profissional da gari.
b) a gari se resignou com a insistência do mendigo.
c) a turista ficou indiferente à cena presenciada por ela.
d) o mendigo deu uma esmola para a gari espontaneamente.
e) a turista reprovou os comportamentos do mendigo e da gari.

22. Leia o texto:

A cor da nossa pele é determinada pela melanina. É essa substância que colore o maior órgão do nosso corpo.

A melanina existe para proteger a pele dos raios ultravioleta do sol. Quanto mais morena a pele, mais protegida ela é contra esses raios, que podem causar queimaduras e câncer.

Pessoas negras produzem muita melanina. Um dia, todos fomos assim; de pele bem escura. Evidências arqueológicas indicam que o homem moderno surgiu na África, região de muito sol. Por lá, os indivíduos com pele mais escura tiveram mais vantagem na luta pela sobrevivência.

Mas, quando começaram a migrar para regiões menos ensolaradas, como a Europa, nossos antepassados se depararam com um novo problema: a falta de sol. É que, apesar de poderem causar danos à pele, os raios ultravioleta são importantes para a síntese de vitamina D no organismo, uma substância que, entre outras coisas, fortalece as nossas defesas e ajuda a absorver o cálcio, que deixa os ossos resistentes. Em regiões com pouco sol, conseguir absorver o máximo possível de raios UV era uma vantagem e tanto.

Foi assim que o mundo se coloriu: em terras quentes, quem tinha mais melanina estava mais preparado para enfrentar o ambiente; em terras frias, aqueles com menos melanina eram mais aptos a sobreviver.
Fonte: OLIVEIRA, Fábio de. Por que tem gente que é preta e tem gente que é branca?. <https://super.abril.com.br>, 22.09.2017. Adaptado.

Segundo o autor, um dia todos os humanos tiveram pele escura. Essa informação é confirmada
a) pelo relato de pessoas com pele mais escura.
b) por descobertas feitas por arqueólogos.
c) pela medição de melanina no organismo.
d) pela comparação entre negros e brancos.

23. Leia.

Educação e desigualdade - A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis das demais lutas sociais e econômicas.

Uma das características mais perversas da sociedade brasileira é a desigualdade de renda. Nas últimas décadas, chegamos a ocupar a pior posição entre todos os países. Mesmo considerando certa melhoria mais recentemente, ainda estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo, juntamente com a África do Sul, o Chile, o Paraguai, o Haiti, Honduras, entre outros. [...]

Essa má distribuição de renda faz com que tenhamos em nosso território uma pequena elite que se beneficia de todos os privilégios que o dinheiro pode oferecer, como escolas de altíssima qualidade, moradias excessivamente bonitas, grandes e bem decoradas, refeições caríssimas e uma vida confortável e luxuosa, ao passo que uma grande parcela da população convive com a miséria, fome, falta de saneamento básico, más condições de higiene e saúde, desnutrição e outras mazelas.

Muitos fatores estão na origem dessa situação, entre eles o sistema econômico, a ausência de uma reforma agrária real e efetiva, as heranças do período da escravidão, a repressão aos movimentos sociais organizados, o monopólio dos meios de comunicação usados para propaganda das “verdades” que interessam às elites e, por fim, as políticas educacionais excludentes.

De fato, as políticas educacionais têm sido um importante instrumento para a reprodução das desigualdades. Vejamos alguns dados que ilustram como e com que intensidade isso ocorre.

Atualmente, três em cada dez crianças abandonam a escola, em definitivo, antes de completar o ensino fundamental e praticamente a totalidade delas vem dos setores economicamente mais desfavorecidos. Como o investimento anual na educação dessas crianças está na casa dos dois ou três mil reais, todo o investimento ao longo da vida pode não exceder os dez ou vinte mil reais. No outro extremo, onde estão os mais ricos, o investimento por criança e por ano pode exceder – e em muito, se considerarmos as escolas de elite e incluirmos cursos de línguas, aulas particulares, material didático, viagens culturais etc. – os trinta mil reais por ano. Ao longo de toda a vida escolar esse investimento pode chegar a meio milhão de reais, ou ainda muito mais que isso. [..]

Essa desigualdade se agrava quando consideramos que a renda de uma pessoa adulta está diretamente ligada ao seu grau de escolaridade. Assim, ao escolarizar mal as crianças e jovens mais desfavorecidos, nosso sistema educacional está contribuindo para preservar ou mesmo piorar nossas desigualdades econômicas, respondendo aos interesses das elites econômicas, que consideram inaceitável qualquer destinação de recursos públicos para fins sociais, inclusive para a educação pública. Programas sociais, ainda que sejam importantes instrumentos de distribuição de renda, têm efeitos apenas nos casos de pobreza e miséria extremas, pouco contribuindo para combater as raízes do problema da distribuição de renda. Para isso, seriam necessários instrumentos mais permanentes e mais sólidos, que tornassem possível a desconcentração de renda em longo prazo. E a educação é um deles.

A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis das demais lutas sociais e econômicas, como a reforma agrária, a luta por moradia, a defesa do setor público e a luta por salários dignos. Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos nossa desigualdade.
Adaptado de: <https://www.brasildefato.com.br/node/7045/> Último acesso em 06/09/2018.

De acordo com o texto lido, a forma como a educação é tratada no Brasil reproduz e agrava a desigualdade social porque:
a) os investimentos em educação são bem distribuídos, porém os alunos não fazem bom aproveitamento do conhecimento que recebem na escola
b) o investimento na formação escolar dos alunos mais pobres é radicalmente inferior àquele voltado para os estudantes das classes mais altas
c) a educação escolar não serve para transformar a realidade social e econômica dos alunos, uma vez que seu papel deve ser apenas reproduzir conteúdos
d) a escolarização não interfere na melhoria da distribuição de renda porque a quantidade de anos de estudo e a qualidade do ensino não refletem na renda do indivíduo

24. Ao ler o texto, fique atento às intencionalidades de sua produção.

Procurando Dory", na verdade, é um filme sobre deficiência intelectual - e isso é ótimo

Animação não é coisa só para criança, e a Pixar faz questão de deixar isso bem claro. A empresa vencedora de 8 Oscars, e consagrada como uma das apostas de Steve Jobs, adora mesclar temas sérios com desenhos bonitnhos. Wall-e, por exemplo, é uma forma lúdica de falar sobre poluição.Procurando Nemo, a história de um pai solteiro que atravessa o mundo atrás de seu filho que tem sequelas de um acidente, é uma grande trama sobre a superproteção e a aceitação da deficiência física. Procurando Dory não só continua essa tradição, como dá um passo à frente e trata de um assunto megacomplexo: a deficiência intelectual.
[...]
GERMANO, Felipe. “Procurando Dory”, na verdade, é um filme sobre deficiência intelectual. Superinteressante, 11 jul. 2016. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/procurando-dory-na-verdade-e-um-filme-sobre-deficiencia-mental-e-isso-e-otimo>. Acesso em: 30 maio 2016.

O texto, pelas informações nele postas, tem a finalidade de
a) revelar a parceria entre a Pixar e Steve Jobs, saudoso inventor,empresárioestadunidense no setor da informática.
b) exibir o número de vezes que a Pixar recebeu o Oscar, maior premiação do cinema mundial entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
c) promover as produções da Pixar, que dá um tratamento diferenciado às personagens cuja condição física ou emocional ganha um tom pejorativo.
d) levar o leitor a refletir, por meio das animações da Pixar, seja a atual, sejam as anteriores, sobre sérios problemas da sociedade, porém de forma leve e lúdica.

25. Na reprodução da capa de revista, observe a relação entre a matéria principal e a imagem.
VIDA SIMPLES, n. 171, jun. 2016.

Entende-se que a imagem da chaleira foi escolhida para ilustrar, de maneira simbólica,
a) a perda de controle causada pela irritação.
b) a resolução pacífica de problemas cotidianos.
c) uma forma inovadora de encarar os conflitos cotidianos.
d) o controle emocional, mesmo em situações de tensão.











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