1. (Unicamp 2020) O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más notícias. 

(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em https://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/globo-adota-boa- noticia-e-que-para.html. Acessado em 01/03 /2019.)

Para se referir a matérias jornalísticas televisivas que informam e, ao mesmo tempo, entretêm os espectadores, o autor cria um neologismo por meio de

a) derivação prefixal.   

b) composição por justaposição.   

c) composição por aglutinação.   

d) derivação imprópria.   

2. (Unifesp 2020) Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.

Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.

Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem. Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins.

Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais obras de outras.

Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.

Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados.

O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma coisa.

 (O imaginário cotidiano, 2002.)

Expressam ideia de negação e ideia de repetição, respectivamente, os prefixos das palavras

a) “deformados” e “repulsivo”.    

b) “insuspeitados” e “repulsivo”.    

c) “deformados” e “recobertas”.    

d) “repulsivo” e “recobertas”.    

e) “insuspeitados” e “deformados”.    

3. (Cotuca 2020) O texto a seguir é um trecho de um slam transcrito a partir da performance de sua autora, Midria, em um programa de televisão da TV Cultura. Leia-o e responda.

Eu tenho um problema: meu ascendente é em Áries.

E eu tenho outro problema: é que eu sou a menina que nasceu sem cor.

Pra alguns eu sou "preta", para outras eu sou Preta, para muitos e muitos eu sou parda.

(...) Eu sou a menina que nasceu sem cor porque eu nasci num país sem memória, com amnésia,

que apaga da história todos os seus símbolos de resistência negra,

que embranquece a sua população e trajetória a cada brecha,

(...) E eu tenho outro problema... pô, eu não sei dar cambalhota

e não importa que pra alguns eu seja a menina que nasceu sem cor,

que falte melanina pra minha pele ser retinta, que os meus traços não sejam tão marcados.

O colorismo é uma política de embranquecimento do Estado

que por muito tempo fez com que eu odiasse meus traços genéticos do meu pai herdados.

Me odiasse, me mutilasse, meu cabelo alisasse.

Meninas pretas não brincam com bonecas pretas,

mas faço questão de botar no meu texto

que pretas e pretos estão se armando, se amando,

porque me chamam por aí de parda, morena,

moreninha, mestiça, mulata,

café com leite, marrom bombom...

Por muito tempo eu fui a menina que nasceu sem cor,

até que um dia gritaram-me: NEGRA.

E eu respondi. 

(MIDRIA, 2018)

Analise o processo de formação da palavra “embranquecimento”, avaliando se há prefixos e/ou sufixos adicionados a um ou mais radicais. Outra palavra formada por esse mesmo processo é: 

a) Folhagem   

b) Dança    

c) Impaciente    

d) Desfazer    

e) Camponês    

4. (Fuvest 2019) Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, 1reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.

A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto decair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos, 2"viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que 3"desincompatibilizar" sempre foi um palavrão.

FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.

Com base no texto, é correto afirmar:

a) A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por objetivo banir da língua portuguesa os verbos terminados em “ilizar”.   

b) O autor considera o emprego de verbos como “reinicializando” (ref. 1) e “viabilizar” (ref. 2) uma verdadeira “doença”.    

c) A maioria dos verbos terminados em “(i)lizar”, presentes no texto, foi incorporada à língua por influência estrangeira.    

d) O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando involuntariamente os verbos que ele condena.   

e) Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do verbo “desincompatibilizar” (ref. 3), têm sentido oposto, por isso o autor o considera um “palavrão”.   

5. (Enem PPL 2019) Eu gostaria de comentar brevemente as afinidades existentes entre comunidade, comunicação e comunhão. Essas afinidades começam no próprio radical das palavras em questão. Assim, se nosso alvo são os atos de interação comunicativa, temos que incluir em nosso objeto de estudo a ecologia dos atos de interação comunicativa, que se dão no contexto da ecologia da interação comunicativa. No entanto, não basta a proximidade espacial para que a comunicação se dê, é necessário que os potenciais interlocutores entrem em comunhão. Por fim, sem trocadilhos, a comunicação ideal se dá no interior de uma comunidade, entre indivíduos que entram em comunhão.

COUTO, H. H. O Tao da linguagem. Campinas: Pontes, 2012.

O trecho integra um livro sobre os aspectos ecológicos envolvidos na interação comunicativa. Para convencer o leitor das afinidades entre comunidade, comunicação e comunhão, o autor

a) nega a força das comunidades interioranas.   

b) joga com a ambiguidade das palavras.   

c) parte de uma informação gramatical.   

d) recorre a argumentos emotivos.   

e) apela para a religiosidade.   

6. (IFCE 2019) As palavras “aguardente” e “pontapé” formaram-se, respectivamente, por 

a) parassíntese e aglutinação.   

b) aglutinação e sufixação.    

c) justaposição e prefixação.    

d) parassíntese e justaposição.    

e) aglutinação e justaposição.    

7. (CPS 2019) Analise a charge para responder à(s) questão(ões).

 


O título da charge “democracinhas” é um neologismo composto pelo mesmo processo de formação presente no termo

a) desanuviar, derivação sufixal.   

b) inativo, derivação parassintética.   

c) girassol, composição por hibridismo.   

d) fidalgo, composição por aglutinação.   

e) televisão, derivação prefixal e sufixal.   

8. (IFPE 2019) Leia o texto para responder à questão.

Considerando o processo de formação da palavra “latifundiário”, ela poderia ser incluída em qual grupo de palavras abaixo? 

a) Inativo, antebraço, intravenoso e irrestrito.    

b) Aguardente, embora, passatempo e girassol.    

c) Moto, refri, foto e quilo.    

d) MST, ONU, UNE e IFPE.    

e) Chuvisco, boiada, folhagem e cafeína.    

9. (Enem PPL 2018) bom... o... eu tenho impressão que o rádio provocou uma revolução... no país na medida que:... ahn principalmente o rádio de pilha né? quer dizer o rádio de pilha representou a quebra de um isolamento do homem do campo principalmente quer dizer então o homem do campo que nunca teria condição de ouvir... falar... de outras coisas... de outros lugares... de outras pessoas, entende? através do rádio de pilha... ele pôde se ligar ao resto do mundo saber que existem outros lugares outras pessoas, que existe um governo, que existem atos do governo... de modo que... o rádio, eu acho que tem um papel até... numa certa medida... ele provocou pelo alcance que tem uma revolução até maior do que a televisão... o que significou a quebra do isolamento... entende? de certas pessoas... a gente vê hoje o operário de obra com o rádio de pilha debaixo do braço durante todo o tempo que ele está trabalhando... quer dizer... se esse canal que é o rádio fosse usado da mesma forma como eu mencionei a televisão... num sentido cultural educativo de boas músicas e de... numa linha realmente de crescimento do homem [...] Esses veículos... de telecomunicações se colocassem a serviço da cultura e da educação seria uma beleza, né?

CASTILHO, A. T.; PRETTI, D. (Org.). A linguagem falada na cidade de São Paulo: materiais para seu estudo. São Paulo: T. A. Queiroz; Fapesp, 1987.

A palavra comunicação origina-se do latim communicare e significa “tornar comum”, “repartir”. Nessa transcrição de entrevista, reafirma-se esse papel dos meios de comunicação de massa porque o rádio poderia

a) oferecer diversão para as massas, possibilitando um melhor ambiente de trabalho.    

b) atender as demandas de mercado, servindo de instrumento à indústria do consumo.    

c) difundir uma cultura homogênea, abolindo as marcas identitárias de toda uma coletividade.    

d) trazer oportunidades de aprimoramento intelectual, permitindo ao homem o acesso a informações e a bens culturais.    

e) inserir o indivíduo em sua classe social, fornecendo entretenimento de pouco aprofundamento crítico.    

10. (Unicamp 2018)  O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James Joyce são autores reverenciados pela inventividade de sua linguagem literária, em que abundam neologismos. Muitas vezes, por essa razão, Guimarães Rosa e Joyce são citados como exemplos de autores "praticamente intraduzíveis". Mesmo sem ter lido os autores, é possível identificar alguns dos seus neologismos, pois são baseados em processos de formação de palavras comuns ao português e ao inglês.

Entre os recursos comuns aos neologismos de Guimarães Rosa e de James Joyce, estão:

i. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma reprodução aproximada de um som natural, utilizando-se os recursos da língua); e

ii. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de prefixos ou sufixos a palavras já existentes na língua). 

Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram extraídos de obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce (JJ). Assinale a opção em que os processos (i) e (ii) estão presentes:

a) Quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém) e tattarrattat (JJ, Ulisses).    

b) Transtrazer (GR, Grande sertão: veredas) e monoideal (JJ, Ulisses).    

c) Rtststr (JJ, Ulisses) e quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém).    

d) Tattarrattat (JJ, Ulisses) e inesquecer-se (GR, Ave, Palavra).    








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