1. (Fuvest 2019) E grita a piranha cor de palha, irritadíssima:
– Tenho dentes de navalha, e com um pulo de idaevolta resolvo a questão!...
– Exagero... – diz a arraia – eu durmo na areia, de ferrão a prumo, e sempre há um descuidoso que vem se espetar.
– Pois, amigas, – murmura o gimnoto*, mole, carregando a bateria – nem quero pensar no assunto: se eu soltar três pensamentos elétricos, batepoço, poço em volta, até vocês duas boiarão mortas...

*peixe elétrico.

Esse texto, extraído de Sagarana, de Guimarães Rosa,
a) antecipa o destino funesto do exmilitar Cassiano Gomes e do marido traído Turíbio Todo, em “Duelo”, ao qual serve como epígrafe.    
b) assemelhase ao caráter existencial da disputa entre Brilhante, Dansador e Rodapião na novela “Conversa de Bois”.    
c) reúne as três figurações do protagonista da novela “A hora e vez de Augusto Matraga”, assim denominados: Augusto Estêves, Nhô Augusto e Augusto Matraga.    
d) representa o misticismo e a atmosfera de feitiçaria que envolve o preto velho João Mangalô e sua desavença com o narradorpersonagem José, em “São Marcos”.    
e) constitui uma das cantigas de “O burrinho Pedrês”, em que a sagacidade da boiada se sobressai à ignorância do burrinho.    
  
2. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) Mas... Houve um pequeno engano, um
contratempo de última hora, que veio
pôr dois bons sujeitos, pacatíssimos e
pacíficos, num jogo dos demônios, numa
comprida complicação.

O trecho acima faz parte do conto “Duelo”, uma das narrativas de Sagarana, de João Guimarães Rosa. Essa narrativa, como um todo, apresenta
a) duas histórias de vingança que se entrelaçam, ou seja, um marido buscando o amante da esposa e um homem buscando o assassino do irmão.   
b) uma trama protagonizada por uma mulher de olhos bonitos, sempre grandes, de cabra tonta, que se envolve com um pistoleiro que acaba sendo morto por ela.   
c) as peripécias vividas por um capiau que se torna o agente de um crime contra seu compadre e amigo, Cassiano Gomes, por desavenças de traição amorosa.   
d) cenas de adultério praticadas por dona Silivânia, no mais doce, dado e descuidoso dos idílios fraudulentos, com o amante Turíbio Todo, o que provoca tragédia entre seus pretendentes.   
  
3. (Unioeste 2018) Tendo por base Esses Lopes, de João Guimarães Rosa, conto do qual foi extraído o texto abaixo, assinale a alternativa INCORRETA.

“Quero falar alto. [...] A maior prenda, que há, é ser virgem. [...] Me valia ter pai e mãe, sendo órfã de dinheiro? [...] Eu queria me chamar Maria Miss, reprovo o meu nome, de Flausina. [...] E veio aquele, Lopes, chapéu grandão, aba desabada. [...] Aguentei aquele caso corporal. [...] Varri casa, joguei o cisco para a rua, depois do enterro. [...] E os Lopes me davam sossego? Dois deles, tesos, me requerendo, o primo e o irmão do falecido. [...] Mas um, mais, porém, ainda me sobrou, Sorocabano Lopes, velhoco, o das fortes propriedades. [...] De hoje por diante, só muito casada! [...] Quero o bom-bocado que não fiz, quero gente sensível. [...] Lopes, não! – desses me arrenego.”
a) Flausina, a personagem narradora, apesar do abuso machista e de ter filhos de pais diferentes, revela-se mãe exemplar.   
b) A protagonista consegue livrar-se dos Lopes e garantir sua sobrevivência mediante intriga, astúcia e ações mortais planejadas.    
c) O domínio da escrita e da leitura é um dos instrumentos de que se vale Flausina para corroborar sua vingança.    
d) Instantâneos da vida sertaneja, costumes, ambiente e personagens do sertão são representados a partir de uma técnica estética inovadora.    
e) Subjacente ao discurso da mulher que se vinga das humilhações sofridas, está o discurso do prazer pelas desmedidas vinganças praticadas.    
  
4. (Enem 2018) – Famigerado? [...]
– Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável” ...
– Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?
– Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos ...
– Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?
– Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito ...
ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao
a) local de origem dos interlocutores.    
b) estado emocional dos interlocutores.    
c) grau de coloquialidade da comunicação.    
d) nível de intimidade entre os interlocutores.    
e) conhecimento compartilhado na comunicação.    
  
5. (Enem 2018) A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Na representação gráfica, a inter-relação de diferentes linguagens caracteriza-se por
 
a) romper com a linearidade das ações da narrativa literária.    
b) ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da história.    
c) articular a tensão do romance à desproporcionalidade das formas.    
d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das artes visuais.    
e) desconstruir a diagramação do texto literário pelo desequilíbrio da composição.    
  
6. (Ufrgs 2018) No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos romances de Carolina Maria de Jesus e de Clarice Lispector; no inferior, trechos desses romances.

Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.

1.Quarto de despejo
2. A hora da estrela

(     ) Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. [...] Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente.
(     ) Achei um saco de fubá no lixo e trouxe para dar ao porco. Eu já estou tão habituada com as latas de lixo, que não sei passar por elas sem ver o que há dentro. [...] Ontem eu li aquela fábula da rã e a vaca. Tenho a impressão que sou rã. Queria crescer até ficar do tamanho da vaca.
(     ) A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.
(     ) “Una Furtiva Lacrima” fora a única coisa belíssima na sua vida. [...] Era a primeira vez que chorava, não sabia que tinha tanta água nos olhos. [...] Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de viver, aceitara que com ela era “assim”. Mas também creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) 1 – 2 – 2 – 1.   
b) 2 – 1 – 1 – 2.   
c) 2 – 1 – 2 – 1.   
d) 1 – 2 – 1 – 2.   
e) 1 – 1 – 2 – 2.   
  
7. (Ufrgs 2018) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas dos trechos abaixo, adaptados de A hora da estrela, de Clarice Lispector.

Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei, embora obrigado a usar as palavras que vos sustentam. A história – determino com falso livre-arbítrio – vai ter uns sete personagens e eu sou um dos mais importantes deles, é claro. Eu, __________. Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e “gran finale” seguido de silêncio e de chuva caindo. [...] __________ trabalhava de operário numa metalúrgica e ela nem notou que ele não se chamava de “operário” e sim de “metalúrgico”. ___________ ficava contente com a posição social dele porque também tinha orgulho de ser datilógrafa, embora ganhasse menos de um salário mínimo. Mas eles eram alguém no mundo. “Metalúrgico e datilógrafa” formavam um casal de classe.
a) Rodrigo S. M. – Olímpico de Jesus – Macabéa   
b) Raimundo Silveira – Rodrigo S. M. – Macabéa   
c) Clarice Lispector – Olímpico de Jesus – Macabéa   
d) Rodrigo S. M. – Olímpico de Jesus – Carlota   
e) Raimundo Silveira – Rodrigo S. M. – Glória   

8. (Ime 2018) Das vantagens de ser bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando.".
1Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos _____i_____ espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, 2o bobo é um Dostoievski.
_____ii_____ desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para _____iii_____ compra de um ar refrigerado de segunda mão: 3ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?".
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. 4Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. 5Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais _____iv_____ pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só 6o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
LISPECTOR, Clarice. Das vantagens de ser bobo. Disponível em: http://www.revistapazes.com/das-vantagens-de-ser-bobo/. Acesso em 10 de maio de 2017.
Originalmente publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro de 1970.

Considere as seguintes definições do “bobo” em comparação ao “esperto”, apontadas no texto:
I. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída (referência 1).
II. o bobo é um Dostoievski (referência 2).
III. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil (referência 4).
IV. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida (referência 5).
V. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie (referência 6).

Dentre os pares de adjetivos abaixo listados, qual está em acordo com as definições do “bobo” elencadas acima?
a) Sagaz - atento.    
b) Rápido – vigilante.   
c) Perspicaz - astuto.    
d) Ágil - enérgico.   
e) Sábio - engenhoso.   

9. (Fuvest 2018) Sarapalha

Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada!
É um instantinho e passa... É só ter paciência....
É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p’r’os infernos!...
Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de-ferro que levou...
Não foi no rio, eu sei... 1No rio ninguém não anda... 2Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?...
O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar...
Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez...
3O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... “Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de-domingo 4e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”...
Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa...
Prima Luísa...
Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver...
Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!
Não é mesmo não...
Pois então?!
Conta o resto da estória!...
...“Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, 5ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...”
Guimarães Rosa, Sarapalha.

No texto de Sarapalha, constitui exemplo de personificação o seguinte trecho:
a) “No rio ninguém não anda” (ref. 1).   
b) “só a maleita é quem sobe e desce” (ref. 2).   
c) “O senhor já sabe as palavras todas de cabeça” (ref. 3).    
d) “e com a viola enfeitada de fitas” (ref. 4).   
e) “ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa” (ref. 5).   

10. (Ueg 2018) Observe a imagem e leia o poema a seguir para responder à questão.
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que,
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
MELO NETO, João Cabral de. Tecendo a manhã. Disponível em: <http://www.jornaldepoesia.jor.br/joao02.html>. Acesso em: 24 ago. 2017.

O poema apresenta uma linguagem permeada de aliterações e assonâncias, o que lhe confere mais musicalidade, ao passo que a pintura apresenta traços de uma estética 
a) expressionista    
b) impressionista    
c) fauvista    
d) dadaísta    
e) cubista    
Axact

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