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1. (Fuvest-Ete 2022) Mas, enfim, quanto à gênese do fenômeno da Expansão Portuguesa, pensamos que, ao nível dos objetivos vitais-estruturais, foi decisiva a satisfação da coesão nacional e da independência face à ameaça de Castela. [...] Dificilmente poderia ter encontrado outra forma de crescimento e desenvolvimento e, só crescendo, se poderia opor à anexação ou à iberização plena.

SANTOS, João Marinho dos. A expansão pela espada e pela cruz. In: NOVAES, Adauto (org.) A descoberta do homem e do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 147.

Segundo o texto,

a) as navegações portuguesas foram impulsionadas tanto pelo propósito de encontrar um caminho exclusivamente marítimo para as índias como pelo objetivo de selar alianças políticas e anexar Portugal a Castela.   

b) o reino de Castela lutava para se tornar independente de Portugal, que monopolizou o comércio marítimo no Mediterrâneo no século XVI.   

c) a disputa entre Portugal e Castela iniciou-se com a expedição de Cabral, em 1500, e resultou na assinatura do Tratado de Tordesilhas.   

d) as descobertas portuguesas no além-mar guardam relação direta com as disputas políticas envolvendo os reinos ibéricos entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna.   

e) a expansão marítima portuguesa só foi possível devido à União Ibérica entre 1580 e 1640, resultado de uma crise sucessória no trono português.   

2. (Pucpr Medicina 2022) Leia o trecho abaixo, extraído do poema Os Lusíadas, de Luiz de Camões, e assinale a alternativa CORRETA.

"E por mandado seu, buscando andamos / A terra Oriental que o Indo rega; / Por ele, o mar remoto navegamos, / Que só dos feios focas se navega. / Mas já razão parece que saibamos, /Se entre vós a verdade não se nega, / Quem sois, que terra é esta que habitais, / Ou se tendes da Índia alguns sinais?"

CAMÕES, L., Os Lusíadas, Canto Primeiro, Estrofe 52. Disponível em https://www.gutenberg.org/files/3333/3333-h/3333-h.htm. Acesso em 11/09/2021.

O poema épico de Luiz de Camões retrata as viagens

a) à procura do caminho marítimo para as Índias pela esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral.   

b) para a comprovação da possibilidade de circunavegação do globo terrestre pela esquadra liderada por Fernão de Magalhães.   

c) à procura do caminho marítimo para as Índias por parte da esquadra comandada por Vasco da Gama.   

d) à procura do caminho marítimo para as Índias na expedição liderada por Américo Vespúcio.   

e) em busca pela esquadra de Dom Sebastião I, desaparecida após a Batalha de Alcácer-Quibir, e a reconquista do caminho marítimo para as Índias.   

3. (Unesp 2022) Depois do estabelecimento do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama em 1499, a Coroa portuguesa logo preparou nova expedição, tendo como base as informações recolhidas pelo navegante. E essa era mesmo a melhor saída para o pequenino reino português, que ficava justamente na boca do Atlântico.

(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018.)

Além do motivo apresentado no excerto, contribuíram para que Portugal se lançasse à expansão marítima

a) o interesse por colonizar o litoral africano e a disposição militar para a reconquista ibérica.   

b) a aliança política e comercial com a Coroa de Castela e a posição geográfica do país.   

c) a busca pelas especiarias da América e o desenvolvimento de uma indústria bélica.   

d) o desenvolvimento de instrumentos náuticos e a articulação entre interesses comerciais e religiosos.   

e) a precoce unificação política e a necessidade de insumos para a nascente indústria têxtil.   

4. (Fuvest-Ete 2022) O advento da Modernidade nos séculos XV e XVI associa-se

a) à expansão ultramarina europeia e ao Renascimento.   

b) à revolução científica e ao declínio do catolicismo.   

c) ao Humanismo e ao Darwinismo Social.   

d) ao nascimento do capitalismo e à industrialização.   

e) à conquista da América e ao movimento indigenista   

5. (Famerp 2022) Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos por contrato de compra foram trazidos ao reino, onde em grande número se converteram à fé católica, o que esperamos progrida até a conversão do povo ou ao menos de muitos mais. [...] Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação, por outras cartas nossas concedemos ao dito rei Afonso [de Portugal] a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar, subjugar quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo aplicar em utilidade própria e dos seus descendentes.

(Apud: Ynaê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017.) 

O excerto, extraído de uma bula emitida pelo Papa Nicolau V em 1454, revela

a) o interesse econômico da Igreja católica nos negócios do tráfico atlântico de africanos escravizados.   

b) o repúdio da máxima autoridade da Igreja católica às formas de trabalho servil e assalariado.   

c) a aliança político-militar entre o Papado e o reino de Portugal na defesa da conquista europeia da África.   

d) o endosso oficial da Igreja católica à escravização de africanos, com a finalidade de catequizá-los.   

e) a tentativa de impedir a escravização dos nativos das colônias por meio do estímulo à escravização de africanos.   

6. (Fmj 2022) Os membros dum domínio senhorial podiam ter carne todos os dias [...], a esposa [de um] próspero burguês podia usar açúcar da Sicília não como medicamento, sua utilização normal, mas como substituto do mel para adoçar. [...] De todos os produtos alimentares descobertos nas Américas antes da introdução da batata, mais tardia, o milho foi o de maior procura; com a sua introdução, [por volta] de 1500, começou a espalhar-se da Espanha para a França, Itália, até aos Balcãs.

(John R. Hale. A Europa durante o Renascimento: 1480-1520, 1983.)

O excerto descreve

a) o desinteresse dos colonizadores pelos territórios coloniais desprovidos de ouro.   

b) a impossibilidade do cultivo de espécies coloniais nos solos europeus.   

c) o estabelecimento de um sistema econômico de conexão intercontinental.   

d) o vínculo das economias industrializadas com os mercados de produtos primários.   

e) a aplicação de políticas econômicas favoráveis ao capitalismo europeu.   

7. (Ufpr 2022) Considere o seguinte trecho de uma carta enviada pelo rei do Congo ao rei de Portugal em 1526:

Os comerciantes estão sequestrando o nosso povo dia após dia – filhos deste país, filhos de nossos nobres e vassalos, mesmo as pessoas de nossa própria família [...]. Essa corrupção e depravação estão tão generalizadas que a nossa terra é inteiramente despovoada. [...] Precisamos neste reino só de sacerdotes e professores, e nenhuma mercadoria, a menos que seja vinho e farinha para o santo sacramento [...]. É nosso desejo que este reino não seja um lugar para o comércio ou transporte de escravos.

(MEREDITH, Martin. O Destino da África: cinco mil anos de riquezas, ganância e desafios. Tradução Marlene Suano. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 122.)

Com base no texto acima e nos conhecimentos acerca dos contatos entre sociedades africanas e europeias no início da Idade Moderna, é correto afirmar que:

a) o tráfico de pessoas escravizadas por parte de Portugal visava o despovoamento do Reino do Congo como estratégia para uma futura colonização.   

b) a cristianização do Reino do Congo se deu através da presença militar e da construção de feitorias portuguesas na costa africana.   

c) o Reino do Congo buscava, através da diplomacia, estabelecer suas próprias leis para a regulação do tráfico de pessoas escravizadas.   

d) as influências políticas e culturais de Portugal eram recebidas com hostilidade pelo Reino do Congo porque entravam em conflito com tradições locais.   

e) as tensões decorrentes do tráfico de pessoas escravizadas ocasionaram a Primeira Guerra Luso-Portuguesa.   

8. (Espcex (Aman) 2022) A participação portuguesa no comércio europeu ganhou impulso no início do século XV, no contexto das grandes navegações que se iniciaram nesse período. A primeira ação imperialista dos portugueses, a partir da qual os súditos do rei Dom João I sentiram-se seguros para iniciar seu avanço por “mares nunca dantes navegados” foi

a) o descobrimento do Brasil.   

b) a ultrapassagem do Cabo da Boa Esperança.   

c) a chegada a Calcutá, nas Índias.   

d) a descoberta da América.   

e) a tomada de Ceuta.   

9. (Pucgo Medicina 2022) Em março de 2019, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, solicitou ao rei Felipe VI, da Espanha, que pedisse desculpas pelos abusos que as autoridades mexicanas consideraram terem ocorrido na época da conquista espanhola. Com essa ação, segundo López Obrador, pretendia-se “superar definitivamente as desavenças, os rancores, as culpas e as censuras que a história colocou entre os povos da Espanha e do México, sem ignorar nem omitir as ilegalidades e os crimes que os provocaram”. O rei simplesmente lamentou e rejeitou o pedido.

(Disponível em: https:// https://brasil.elpais.com/internacional/2021-09-30/ex-presidente-espanhol-ridicularizapedido-de-perdao-de-lopez-obrador-por-genocidio-indigena-como-ele-se-chama.html. Acesso em: 29 out. 2021. Adaptado.)

Acerca da conquista espanhola na região onde hoje localiza-se o território mexicano, assinale a única alternativa correta:

a) A conquista espanhola do Império Asteca foi rápida e violenta, matando milhares de indígenas, devido à superioridade numérica dos conquistadores, à boa estratégia militar e por meio das ameaças dos missionários aos povos que se rebelassem contra Montezuma.   

b) A conquista espanhola do Império Mexicano foi violenta e eficaz porque encontraram uma monarquia em rápida decadência, que sacrificava os povos submetidos em suntuosas cerimônias religiosas e deixava os campos agrícolas vazios.   

c) A conquista espanhola dos povos que habitavam o continente e as ilhas do Caribe foi rápida e violenta devido às doenças trazidas da Europa, o que levou as populações indígenas a aceitarem a escravização, ao invés de falecerem nas selvas.   

d) A conquista dos povos da Mesoamérica foi rápida e violenta, especialmente pela indução de medo nos povos nativos, pela boa estratégia de alianças e pela utilização eficiente da tecnologia militar.   

10. (Unicamp 2022) A rainha Nzinga (1624-1663), governante seiscentista do Ndongo, um reino da África Central situado na atual Angola, chegou ao poder graças à sua competência militar, à diplomacia bem sucedida, à manipulação da religião e de conflitos entre potências europeias. Ela criou as condições para a primeira sublevação popular mbundu contra a exploração portuguesa ao atrair para sua causa os chefes que estavam sob influência europeia. Depois conquistou o reino vizinho de Matamba e o governou por três décadas junto com o que restou do poderoso reino Ndongo; desafiou treze governadores portugueses que regeram Angola entre 1622 e 1633. Apesar de seus feitos e o longo reinado, comparável ao de Elizabeth I (1503-1603) da Inglaterra, ela foi desacreditada pelos contemporâneos europeus e por autores posteriores.

(Adaptado de Linda Heywood, Nzinga de Angola: a rainha guerreira de África. Lisboa: Casa das Letras, 2017. p. 10-12; 82.)

Com base no excerto e em seus conhecimentos, é correto afirmar que a rainha Nzinga:

a) Utilizou, como estratégias políticas para conter o avanço português em seus territórios, a formação de alianças com reinos vizinhos (como Congo), a exploração dos conflitos entre Portugal e Holanda e a interferência nas redes do tráfico.   

b) Expulsou os portugueses de Angola e reconstruiu o reino do Ndongo em sua extensão original através da política de distribuição de terras aos sobas que aceitaram a sua legitimidade no trono.   

c) Aboliu o tráfico atlântico de escravizados, apesar da oposição de missionários e comerciantes portugueses que viviam em Luanda, e perseguiu os sobas envolvidos com o comércio.   

d) Enfrentou um mundo onde o imaginário monárquico e o ideário político eram hegemonicamente masculinos e, assim como a Rainha Elizabeth I, não teve sucesso político e militar.   

11. (Enem PPL 2021) Alguns escravos morreram em consequência da violência essencial à sua captura na África, muitos outros nas jornadas entre os lugares que habitavam no interior e os portos dos oceanos Atlântico e Índico, ou enquanto aguardavam o embarque, muito mais ainda no mar, outros nos mercados de escravos brasileiros, e mais ainda durante o processo de ajustamento físico e mental ao sistema escravista no Brasil.

CONRAD, R. E. Tumbeiros: o tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1985.

As formas de violência relacionadas ao tráfico negreiro no Brasil colonial destacadas no texto derivam da

a) intensificação do expansionismo ultramarino.   

b) exploração das atividades indígenas.   

c) supressão da catequese jesuítica.   

d) extinção dos contratos comerciais.   

e) contração da economia ibérica.   

12. (Unicamp 2021) Segundos os historiadores, pela primeira vez, uma potência europeia desenvolveu um projeto planetário que abrangia quatro continentes, a fim de assentar as pretensões universais da monarquia. Para isso, os juristas espanhóis invocaram a noção de extensão geográfica sem precedentes de suas possessões. Com a monarquia católica surgiram a primeira economia mundial e um regime capitalista e comercial intercontinental.

(Adaptado de Serge Gruzinski, “Babel no século XVI. A mundialização e Globalização das Línguas”, em Eddy Stols, Iris Kantor, Werner Thomas e Júnia Furtado (orgs.), Um Mundo sobre Papel. São Paulo/Belo Horizonte: EDUSP/Editora UFMG, 2014, p. 385.)

Com base no texto do historiador Serge Gruzinski sobre as monarquias católicas, assinale a alternativa correta.

a) A noção de monarquia católica inclui Portugal, Espanha e Inglaterra, que colocaram em marcha um processo de expansão marítima planetário, calcado no trabalho assalariado dos indígenas.   

b) O projeto planetário da monarquia católica calcava-se na memória do Império Romano, sendo que Roma ambicionou estabelecer seu aparato burocrático ágil e repressivo nos quatro continentes.   

c) O projeto planetário da monarquia católica fundava-se em um corpo jurídico criado com argumentos teológicos, em uma burocracia exercida a distância e no trabalho compulsório.   

d) A monarquia católica expandiu seu projeto comercial baseado em estamentos feudais nos moldes das capitanias hereditárias implementadas na América, na África e na Ásia.   

13. (Fuvest 2020) A representação cartográfica a seguir referese à viagem de circunavegação, iniciada em Sanlúcar de Barrameda, na Andaluzia, em 20 de setembro de 1519, e comandada pelo português Fernão de Magalhães, a serviço da monarquia da Espanha. A despeito da repercussão da viagem para o desenvolvimento dos conhecimentos náuticos e para a exploração do Oceano Pacífico, Battista Agnese foi um dos poucos cartógrafos a registrar a empreitada de Magalhães.

 


A representação cartográfica de Battista Agnese

a) revelava a permanência das técnicas e sentidos simbólicos da cosmografia medieval, que orientaram os navegadores ibéricos na época da expansão ultramarina.    

b) estava vinculada aos dogmas cristãos e procurava conciliar o registro da viagem de Fernão de Magalhães com a perspectiva de Terra Plana ainda presente entre letrados cristãos.    

c) estava baseada nos relatos dos navegadores, no acúmulo de conhecimentos acerca das rotas marítimas e em estimativas de distâncias a partir de cálculos matemáticos e da planificação do globo terrestre.    

d) apresentava o Oceano Pacífico em suas reais dimensões de acordo com o entendimento de Fernão de Magalhães e de Cristóvão Colombo e em desacordo com as perspectivas cristãs.    

e) estava assentada nos conhecimentos e detalhamentos geográficos bíblicos e nas formulações cosmológicas de Ptolomeu, fundamentais para o sucesso da viagem de Fernão de Magalhães.    

14. (Fmp 2020) Em 1514, o rei português D. Manuel seguiu com uma grandiosa embaixada rumo ao Vaticano para encontrar-se com o Papa Leão X.

Músicos abriam a segunda parte do desfile, preparando a multidão para as grandes sensações: um elefante (animal que Roma não via desde os tempos do império romano) coberto por um grande tapete oriental, sobre o qual repousava um cofre artisticamente trabalhado, contendo o pontifical que D. Manuel oferecia a Leão X; uma onça domesticada, deitada sobre um cavalo da Pérsia; e dois leopardos, carregados em gaiolas douradas. Não fora possível apresentar o rinoceronte, morto durante a viagem (mas depois empalhado), assim como os carregamentos de pimenta malagueta, cravo, canela e gengibre, caras especiarias transportadas em uma nau que naufragara.

AMADO, J. e FIGUEIREDO, L. C. O Brasil no Império Português. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001, p. 8.

A descrição da comitiva de D. Manuel confirma a consolidação dos domínios portugueses sobre o(a)

a) comércio da região mediterrânica   

b) percurso africano para a Ásia   

c) exploração do leste asiático   

d) tráfico de produtos norte-americanos   

e) rota comercial das Antilhas   

15. (Enem 2019) A ocasião fez o ladrão: Francis Drake travava sua guerra de pirataria contra a Espanha papista quando roubou as tropas de mulas que levavam o ouro do Peru para o Panamá. Graças à cumplicidade da rainha Elizabeth I, ele reincide e saqueia as costas do Chile e do Peru antes de regressar pelo Oceano Pacífico, e depois pelo Índico. Ora, em Ternate ele oferece sua proteção a um sultão revoltado com os portugueses; assim nasce o primeiro entreposto inglês ultramarino.

FERRO, M. História das colonizações. Das colonizações às independências. Séculos XIII a XX. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.

A tática adotada pela Inglaterra do século XVI, conforme citada no texto, foi o meio encontrado para

a) restabelecer o crescimento da economia mercantil.    

b) conquistar as riquezas dos territórios americanos.    

c) legalizar a ocupação de possessões ibéricas.    

d) ganhar a adesão das potências europeias.    

e) fortalecer as rotas do comércio marítimo.   

16. (Upf 2019) No final do século XV, Espanha e Portugal foram os primeiros países europeus a promoverem a expansão marítima europeia, chamada também de as Grandes Navegações. As razões desse pioneirismo estão relacionadas

a) à enorme quantidade de capitais acumulados nesses dois países através do renascimento comercial no século XIV.   

b) ao processo de fortalecimento da burguesia comercial que estava ocupando o poder tanto na Espanha quanto em Portugal.    

c) ao desenvolvimento industrial dos dois países, que os forçou a buscar novos mercados consumidores e fornecedores de matéria-prima.   

d) ao espírito aventureiro de portugueses e espanhóis desenvolvido durante a Guerra de Reconquista contra os mouros.    

e) à centralização monárquica e ao fato de a nobreza desses dois países estar fortalecida, ao contrário de outras nobrezas europeias, conseguindo, assim, financiar o projeto de expansão marítima.    

 

17. (Pucrj 2016) Sobre a conquista espanhola da América nos séculos XV e XVI, assinale a afirmativa CORRETA.

a) Da conquista participaram soldados, clérigos, cronistas, marinheiros, artesãos e aventureiros, motivados pelo desejo de encontrar riquezas como o ouro e a prata e também de expandir a fé católica expulsando os muçulmanos da América.   

b) O ano de 1492 foi crucial não só pela chegada de Colombo à América, como também pela conclusão da unidade da monarquia espanhola levada adiante pelos reis católicos com a conquista de Granada, último reduto muçulmano na península.   

c) Hernán Cortés conquistou facilmente o império Asteca, na região do alto Peru, à época governado por Montezuma, com quem se aliou para derrotar outros povos indígenas que resistiram à dominação espanhola.   

d) Desde o início da conquista, os indígenas contaram com a proteção da Igreja católica que os reconhecia como seres humanos que possuíam alma e, portanto, não deveriam ser subjugados.   

e) O Império Inca, no México, foi conquistado por Francisco Pizarro, que enfrentou uma longa resistência dos exércitos indígenas, militarmente superiores e profundos conhecedores do território em que viviam.   

18. (Upf 2016) Luís Vaz de Camões, um dos maiores nomes do Renascimento Cultural português, imortalizou, em sua principal obra, a viagem de Vasco da Gama às Índias.

“Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas.”

(CAMÕES. Os Lusíadas. Verso 19)

Assinale a alternativa que apresenta corretamente elementos relativos à participação de Portugal na expansão marítima europeia nos séculos XV e XVI.

a) O total apoio da Igreja Católica, desde a aclamação do primeiro rei português, visando à expansão econômica e religiosa que a expansão marítima iria concretizar.   

b) Para o grupo mercantil, a expansão marítima era comercial e aumentava os negócios, superando a crise do século XV; para o Estado, trazia maiores rendas; para a nobreza, trazia cargos e pensões; e, para a Igreja Católica, representava maior cristianização dos "povos bárbaros".   

c) O pioneirismo português se deveu mais ao atraso dos seus rivais, envolvidos em disputas dinásticas, do que a fatores próprios do processo histórico, econômico, político e social de Portugal.   

d) A expansão marítima, embora contasse com o apoio entusiasmado do grupo mercantil, recebeu o combate dos proprietários agrícolas, para quem os dispêndios com o comércio eram perdulários.   

e) A burguesia, ao liderar a arraia-miúda na Revolução de Avis, conseguiu manter a independência de Portugal, centralizou o poder e impôs ao Estado o seu interesse específico na expansão.   

19. (Puccamp 2016) Para responder à questão a seguir, considere o texto abaixo.

(...) os mitos e o imaginário fantástico medieval não foram subitamente subtraídos da mentalidade coletiva europeia durante o século XVI. (...) Conforme Laura de Mello e Sousa, “parece lícito considerar que, conhecido o Índico e desmitificado o seu universo fantástico, o Atlântico passará a ocupar papel análogo no imaginário do europeu quatrocentista”. 

(VILARDAGA, José Carlos. Lastros de viagem: expectativas, projeções e descobertas portuguesas no Índico (1498-1554). São Paulo: Annablume, 2010, p. 197)

imaginário que povoou as crenças dos viajantes no contexto da expansão marítima europeia pressupunha a

a) presença de perigos mortais advindos de forças sobrenaturais no então denominado Mar Sangrento ou Vermelho em função do número de tragédias que ocorriam durante sua travessia.   

b) certeza de que o chamado Mar Oceano se conectava ao Pacífico, por meio de uma passagem que posteriormente seria nomeada como Estreito de Gibraltar.   

c) existência de monstros marinhos, ondas gigantescas e outros tipos de ameaça no chamado Mar Tenebroso, como era conhecido o Atlântico.   

d) dúvida em relação à possibilidade de circunavegação da terra, pois a primeira volta completa ao mundo só ocorreu no final do século XVI, quando Colombo prosseguiu em sua busca de uma rota para as Índias.   

e) necessidade de que em toda expedição houvesse um padre e um grande crucifixo, artifícios que impediriam qualquer ameaça durante a travessia, inclusive epidemias como o escorbuto, causadas pela falta de higiene.   

20. (Ifsul 2015) Gutenberg inventou a imprensa de tipos móveis em 1438. A tecnologia já era conhecida na China, mas os tipos móveis chineses não suportavam o uso por longo tempo e mal retinham a tinta de impressão. Gutenberg aperfeiçoou os blocos de impressão e desenvolveu novos modelos feitos de metal.

(Baseado em texto da revista Aventuras na História Grandes Guerras – A Era Medieval, novembro de 2005, p. 53).

Ao inventar a imprensa de tipos móveis, uma revolução cultural foi possibilitada por Gutenberg. Com ela, a cultura pôde se difundir de forma inovadora numa Europa encantada com as transformações que ocorriam no campo político, econômico e cultural. Sobre essas transformações, é correto afirmar que

a) a burguesia estava tomando o poder político através do ideário iluminista e de diversas revoluções, entre as quais se destaca a francesa e usando o Estado, então burguês, para apoiar o início do processo de industrialização europeia.   

b) o espírito contestador e individualista passou a marcar a mentalidade europeia, estimulado pela incerteza de uma sociedade que via as grandes navegações colocarem abaixo verdades construídas e, em muitos casos, impostas pela Igreja Católica.   

c) a imprensa de Gutenberg, ao imprimir a Bíblia de Lutero, impulsionou um processo de renovação da Igreja Católica que, no Concílio de Trento, tratou de confirmar as transformações religiosas propostas pelos protestantes e estimular a cultura laica que ganhava adeptos mesmo entre os membros do clero europeu.   

d) os reis absolutistas da época, preocupados com o teor crítico de pensadores como Thomas Hobbes e Maquiavel, trataram de reformular a sua forma de governo, mantendo o autoritarismo, mas disfarçando-o com medidas iluministas no que ficou conhecido como despotismo esclarecido.   

21. (Col. Naval 2014) A União Ibérica foi um importante estímulo à expansão territorial portuguesa sobre o território que legalmente pertencia à Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas. Com isso, aconteceram vários conflitos entre os dois países e foram necessários alguns tratados de limites para que as novas fronteiras se definissem. Sobre os tratados de limites que definiram o território brasileiro, pode-se afirmar que: 

a) o Tratado de Lisboa foi assinado entre Portugal e Espanha e restabeleceu os limites territoriais existentes à época do Tratado de Tordesilhas.    

b) o Tratado de Madri, assinado entre Portugal e Espanha, usando o princípio da restauração, restabeleceu as fronteiras existentes antes da União ibérica.    

c) com o Tratado do Santo Ildefonso, Portugal recebeu o domínio dos Sete Povos das Missões, o que provocou a chamada Guerra Guaranítica.    

d) o Tratado de Methuen, assinado entre Portugal e Inglaterra, definiu as fronteiras ao norte do Brasil, e a Guiana ficou sob domínio inglês.    

e) o Tratado de Badajoz foi o último a ser assinado e praticamente definiu os limites territoriais brasileiros. A única alteração, desde aquela época, foi a anexação do Acre.      

22. (Uepa 2014) As crenças de navegadores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, inspiradas na teologia medieval, de que o Paraíso estava ao alcance dos homens, embora em lugar ainda desconhecido, estimularam as viagens de “descobertas” que incorporaram o Novo Mundo ao espaço geográfico das terras conhecidas pelos europeus. As pistas desta mentalidade estão em obras filosóficas e literárias da Antiguidade Greco-Romana e de autores humanistas, além de novelas de cavalaria. O conteúdo destas obras fazia parte do patrimônio intelectual europeu de fins da Idade Média e forneceu o quadro mental a partir do qual foram escritas as obras de viajantes europeus que vieram à América no século XVI. A busca do paraíso terrestre, quando da expansão marítima europeia voltada para a descoberta de novas rotas de comércio com o Oriente, significou:

a) a ruptura entre a mentalidade medieval e aquela do Renascimento.   

b) a permanência de elementos da mentalidade medieval no período inicial do Renascimento.   

c) a confirmação dos relatos bíblicos, que podiam ser constatados com as navegações.   

d) a correspondência entre as crenças europeias e os mitos indígenas do Novo Mundo.   

e) o uso da justificativa religiosa para o financiamento das navegações pelas Coroas Ibéricas.     

23. (Uepa 2014) A assim chamada "Diáspora Africana", em direção a vários pontos do continente americano, ocorreu a partir do século XV, com o estabelecimento de entrepostos comerciais europeus, inicialmente ao longo da costa ocidental africana. As trocas comerciais ocorriam, nestes entrepostos, entre europeus, chefes tribais e representantes de reinos do interior do continente. Entre os “produtos” comercializados, como ouro, tecidos, armas de fogo, dentre outros, estavam homens e mulheres escravizados em guerras tribais ou em conquistas militares de reinos africanos. A motivação econômica europeia pelo comércio de seres humanos reduzidos à escravidão se baseava principalmente no(a):

a) dinamização econômica das colônias americanas, condição básica para o desenvolvimento industrial das metrópoles.   

b) abastecimento de mão de obra aos proprietários de grandes propriedades rurais monocultoras nas colônias americanas.   

c) necessidade de produzir a acumulação primitiva de capital que alimentasse a engrenagem econômica mercantilista.   

d) crença da supremacia racial europeia frente aos povos de outros continentes, que poderiam ser reduzidos à mera condição de mão de obra.   

e) inserção da população escravizada, trazida para o Novo Mundo, no mercado consumidor colonial, abastecido pelos manufaturados metropolitanos.     

24. (Unesp 2014) Ó mar salgado, quanto do teu sal


São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa. Mar Português. Obra poética, 1960. Adaptado.)

Entre outros aspectos da expansão marítima portuguesa a partir do século XV, o poema menciona

a) o sucesso da empreitada, que transformou Portugal na principal potência europeia por quatro séculos.   

b) o reconhecimento do papel determinante da Coroa no estímulo às navegações e no apoio financeiro aos familiares dos navegadores.   

c) a crença religiosa como principal motor das navegações, o que justifica o reconhecimento da grandeza da alma dos portugueses.   

d) a percepção das perdas e dos ganhos individuais e coletivos provocados pelas navegações e pelos riscos que elas comportavam.   

e) a dificuldade dos navegadores de reconhecer as diferenças entre os oceanos, que os levou a confundir a América com as Índias.     

25. (Uea 2014) Tendo saído do Quito em 1541, Francisco de Orellana e seus companheiros foram avisados de que, águas abaixo, no grande rio, se achavam amazonas. Foi aparentemente depois de atravessar a foz do Madeira, que deram em cheio com a “boa terra e senhorio das amazonas”, assim chamada pelo cronista da viagem, o dominicano Frei Gaspar de Carvajal. Essa bondade da terra não impediu que uma tremenda refrega saudasse ali aos homens de Orellana. A fúria com que se viram acometidos, explica-a o frade, de algumas mulheres a pelejar diante de todos os índios, como se foram seus capitães. Ao descrever aquelas mulheres, diz o dominicano que eram membrudas, de grande estatura e brancas; andavam nuas com as vergonhas tapadas. 

(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do Paraíso, 1977. Adaptado.) 

A expedição comandada por Francisco de Orellana alcançou a foz do rio Amazonas. Na descrição da viagem feita pelo frade Gaspar de Carvajal percebe-se

a) uma conquista das tribos da floresta pelos guerreiros espanhóis, que evitavam, a qualquer custo, o uso de armas de fogo.   

b) uma rejeição dos mitos das sociedades indígenas do Novo Mundo, considerados, pelos conquistadores, meras superstições.   

c) uma propagação de imagens extraordinárias da floresta, fato que ampliava a expectativa europeia de encontrar riquezas fabulosas na região.   

d) uma visão negativa do grande rio e da floresta, considerados locais sombrios e temerários, de que os europeus deviam se afastar.   

e) uma aceitação, pelos sacerdotes cristãos, do paganismo que caracterizava a religiosidade nas sociedades indígenas da grande floresta.   


26. (Pucrj 2010) “Para o progresso do armamento marítimo e da navegação, que sob a boa providência e proteção divina interessam tanto à prosperidade, à segurança e ao poderio deste reino [...], nenhuma mercadoria será importada ou exportada dos países, ilhas, plantações ou territórios pertencentes à Sua Majestade, ou em possessão de Sua Majestade, na Ásia, América e África, noutros navios senão nos que [...] pertencem a súditos ingleses [...] e que são comandados por um capitão inglês e tripulados por uma equipagem com três quartos de ingleses [...], nenhum estrangeiro [...] poderá exercer o ofício de mercador ou corretor num dos lugares supracitados, sob pena de confisco de todos os seus bens e mercadorias [...]”. 

Segundo Ato de Navegação de 1660. In: Pierre Deyon. O mercantilismo. São Paulo: Perspectiva, 1973, p. 94-95. 

Por meio do Ato de Navegação de 1660, o governo inglês: 

a) estabelecia que todas as mercadorias comercializadas por qualquer país europeu fossem transportadas por navios ingleses. 

b) monopolizava seu próprio comércio e impulsionava a indústria naval inglesa, aumentando ainda mais a presença da Inglaterra nos mares do mundo. 

c) enfrentava a poderosa França retirando-lhe a posição privilegiada de intermediária comercial em nível mundial. 

d) desenvolvia a sua marinha, incentivava a indústria, expandia o Império, abrindo novos mercados internacionais ao seu excedente agrícola. 

e) protegia os produtos ingleses, matérias-primas e manufaturados, que deveriam ter sua saída dificultada, de modo a gerar acúmulo de metais preciosos no Reino inglês. 

27. (Uemg 2010) Observe o mapa, a seguir: 

Esse mapa-múndi, produzido em 1512 pelo veneziano Jerônimo Marini, é a primeira carta onde aparece o nome Brasil para designar as terras até então conhecidas como Vera Cruz, Santa Cruz, ou Papagaios. Desenhado em pergaminho, é um dos poucos mapas manuscritos do início do século XVI, hoje existentes. 

Considerando o mapa apresentado e o contexto político, econômico e cultural em que foi produzido, assinale, a seguir, a alternativa CORRETA: 

a) O mapa apresenta uma visão de mundo veneziana orientada pelo sul, com possíveis influências árabes, valorizando a Ásia que atraía os europeus em função de suas especiarias. 

b) O mapa foi produzido a pedido dos portugueses, pois estes tinham pouco conhecimento do mar, diferentemente dos venezianos, que já haviam iniciado seu processo de expansão. 

c) O mapa tem a África como centro, já que, nesta época, os europeus passaram a conhecer melhor civilizações africanas, como a egípcia, a ashanti e a zulu, e passaram a valorizar mais o continente. 

d) A representação geográfica em questão é um famoso erro histórico, no qual Marini, como grande renascentista, quis inverter o mapa, buscando demonstrar a relatividade da ciência. 

 

28. (Ufmg 2009) 

A partir da análise e comparação desses mapas e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é correto afirmar que: 

a) A cartografia europeia, por razões religiosas, não assimilou o conhecimento dos povos indígenas acerca dos continentes recém-descobertos. 

b) A concepção de um mundo fechado, em oposição à ideia de um cosmos aberto, dominou a cartografia europeia até o século XVII. 

c) As navegações alteraram o conhecimento do mundo, à época, jogando por terra os mitos antigos sobre a inabitabilidade das zonas tórridas. 

d) Os descobrimentos, em fins do século XV, resultaram da expansão do conhecimento do mundo alcançado pelos geógrafos do Renascimento. 

29. (Fgv 2009) Leia atentamente o poema O Infante, do poeta português Fernando Pessoa. 


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi, de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou, criou-te português,
Do mar por nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

O poema permite pensar sobre dois relevantes acontecimentos históricos, que são, respectivamente: 

a) O protagonismo marítimo lusitano nos séculos XV e XVI e a redução do seu império colonial no século XIX. 

b) A descoberta do Brasil em 1500 e a perda de territórios no Nordeste e na África com a invasão holandesa no século XVII. 

c) A formação do Condado Portucalense, em 1142 e a União Ibérica (1580-1640), período de extinção do império português. 

d) A elaboração da ideia do Quinto Império Bíblico, relacionado ao destino de Portugal e, depois, o fortalecimento dos partidos socialistas que tomaram o poder em 1910. 

e) A invasão de Portugal por tropas napoleônicas em 1808, comandadas pelo general Junot, e a vinda da família real portuguesa para a América, no mesmo ano. 

30. (Uel 2009) Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o tema da Expansão Marítima dos séculos XV e XVI, é correto afirmar que as navegações: 


Mais vale estar na charneca com uma velha carroça do que no mar num navio novo.
(Provérbio holandês. In: SEBILLOT, P. Legendes, croyances et supertitions de la mer. Paris: 1886, p. 73.)

 Ó mar salgado, quanto do teu sal 

São lágrimas de Portugal? 

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 

quantos filhos em vão rezaram! 

Quantas noivas ficaram por casar para que 

fosses nosso, ó mar! 

(PESSOA, F. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguillar, 1969, p. 82.) 

 

a) Constituíram uma realização sem precedentes na história da humanidade, uma vez que foram muitos os obstáculos a serem superados nesse processo, tais como a ameaça que representava o desconhecido e o fracasso de grande parte das expedições, que desapareceram no mar. 

b) Propiciaram o fim do monopólio que espanhóis e italianos mantinham sobre o comércio das especiarias do oriente através do domínio do mar Mediterrâneo, uma vez que foram os franceses e os portugueses, a despeito das tentativas holandesas, que realizaram o périplo africano e encontraram o caminho para as Índias. 

c) Resultaram na hegemonia franco-britânica sobre os mares, o que, a longo prazo, permitiu a realização da acumulação originária de capital e, através desta, o financiamento do processo de implantação da indústria naval, o que prolongou esta hegemonia até o final da Primeira Guerra Mundial. 

d) Propiciaram o domínio da Holanda sobre os mares, fazendo com que a colonização das novas terras descobertas dependesse da marinha mercante daquele país para a manutenção das ligações comerciais entre os demais países europeus e suas colônias no restante do mundo. 

e) Representaram o triunfo da ciência e da tecnologia resultantes das concepções cartesianas e, consequentemente, a destruição de lendas e mitos sobre o Novo Mundo, uma vez que as expedições revelaram os limites do mundo e propiciaram rapidamente formas seguras de transposição oceânica. 

31. (Uel 2008) Analise o mapa a seguir 

Este mapa indica a fase da expansão europeia referente 

a) à colonização do Brasil e ao comércio triangular. 

b) aos domínios coloniais ibéricos e suas possessões além-mar. 

c) à expansão lusa denominada "Carreira das Índias". 

d) ao comércio triangular do Atlântico Norte. 

e) ao auge do comércio desencadeado pelo tráfico negreiro.  

32. (Ufpi 2008) Sobre a expansão marítima europeia nos séculos XV e XVI, podemos afirmar que: 

a) Teve, na Batalha de Poitiers, marco inicial da reconquista da Península Ibérica pelos europeus, o ponto de partida. 

b) Teve, na procura por mercados consumidores para os produtos manufatura
dos europeus, a principal motivação inicial. 

c) Foi iniciada por navegantes de origem holandesa, que desde o século XIII, trafegavam pelo Mar Mediterrâneo e por rotas atlânticas nas costas africanas. 

d) A constituição dos Estados de tipo moderno, aliada às necessidades de procura por metais preciosos, e de rotas alternativas para o intercâmbio comercial entre o Oriente e o Ocidente, foram fatores centrais para desencadear a expansão marítima. 

e) Teve, no acelerado crescimento demográfico dos séculos XIII, XIV e XV um fator motivador, pois a procura por novos territórios, para diminuir as pressões por terras cultiváveis na Europa, era urgente.  

33. (Fuvest 2008) "Os cosmógrafos e navegadores de Portugal e Espanha procuram situar estas costas e ilhas da maneira mais conveniente aos seus propósitos. Os espanhóis situam-nas mais para o Oriente, de forma a parecer que pertencem ao Imperador (Carlos V); os portugueses, por sua vez, situam-nas mais para o Ocidente, pois deste modo entrariam em sua jurisdição." 

Carta de Robert Thorne, comerciante inglês, ao rei Henrique VIII, em 1527. 

O texto remete diretamente 

a) à competição entre os países europeus retardatários na corrida pelos descobrimentos. 

b) aos esforços dos cartógrafos para mapear com precisão as novas descobertas. 

c) ao duplo papel da marinha da Inglaterra, ao mesmo tempo mercantil e corsária. 

d) às disputas entre países europeus, decorrentes do Tratado de Tordesilhas. 

e) à aliança das duas Coroas ibéricas na exploração marítima.  

34. (Ufg 2008) Colombo fala dos homens que vê unicamente porque estes, afinal, também fazem parte da paisagem. Suas menções aos habitantes das ilhas aparecem sempre no meio de anotações sobre a Natureza, em algum lugar entre os pássaros e as árvores. 

(TODOROV, Tzvetan. "A conquista da América: a questão do outro". São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 33.) 

A passagem acima ressalta que a atitude de Colombo decorre de seu olhar em relação ao outro. Essa posição, expressa nas crônicas da Conquista, pode ser traduzida pela 

a) interpretação positiva do outro, associando-a à preservação da Natureza. 

b) identificação com o outro, possibilitando uma atitude de reconhecimento e inclusão. 

c) universalização dos valores ocidentais, hierarquizando as formas de relação com o outro. 

d) compreensão do universo de significações do outro, permitindo suas manifestações religiosas.

e) desnaturalização da cultura do outro, valorizando seu código linguístico. 

35. (Ufpr 2008) Observe a imagem do mapa de Waldseemüller e leia o texto a seguir. 

" Este mapa é de fundamental significação na história da cartografia. Sintetizou a revolução dos vinte anos precedentes na geografia e ampliou a imagem contemporânea do mundo, proporcionando uma visão essencialmente nova do mesmo. [....] Seu histórico é conhecido indubitavelmente a partir do tratado geográfico 'Cosmographiae Introductio' que acompanhou sua publicação em 1507. [...] Este mapa tem uma importância histórica única. Nele o Novo Mundo recebe o nome de América pela primeira vez. Colombo aparentemente nunca abandonou sua convicção de que as ilhas das Índias Ocidentais que descobriu eram próximas à costa leste da Ásia. Vespúcio, entretanto, descobriu a verdade, ou seja, que era um novo mundo. Waldseemüller aceitou esta visão e propôs - para honrar Vespúcio - conceder seu nome à nova terra." 

(WHITIFIELD, Peter. "The image of the world: 20 centuries of World Maps". San Francisco: Pomegranate Artbooks & British Library, 1994, p. 48-49.)

Com base no mapa, no texto e nos conhecimentos sobre a epopeia dos descobrimentos na Época Moderna, é correto afirmar: 

a) O mapa de Waldseemüller foi elaborado para reforçar a concepção bastante difundida durante a Idade Média de que a Terra era plana, contribuindo assim para afirmar a tese da impossibilidade de atingir o Oriente navegando para o Ocidente. 

b) O uso da expressão "descoberta da América", para designar o ocorrido em 1492, revela uma construção "a posteriori" da historiografia, que assim estabelece uma representação simbólica da presença europeia no continente pela primeira vez na Era Moderna. 

c) Afirmar que Vespúcio foi o responsável pela "descoberta do Novo Mundo" significa evidenciar um traço da mentalidade greco-romana da Antiguidade, que prescrevia a experimentação científica como método para obter o conhecimento da verdade das coisas. 

d) A verificação empírica da verdade dos "descobrimentos" possibilitou, ao longo do século XVI, uma nova epistemologia para as ciências humanas, que passou a fundar-se no testemunho direto dos acontecimentos como critério para o estabelecimento dos fatos. 

e) Pelo relato sobre os "descobrimentos", explicitado no texto, fica evidente que havia, no período da publicação do mapa de Waldseemüller, uma nítida separação entre a perspectiva de análise geográfico-cartográfica e a abordagem histórica dos eventos da expansão marítima.

36. (Uff 2012) Considerando o processo de expansão da Europa moderna a partir dos séculos XV e XVI, pode-se afirmar que Portugal e Espanha tiveram um papel predominante. Esse papel, entretanto, dependeu, em larga medida, de uma rede composta por interesses 

a) políticos, inerentes à continuidade dos interesses feudais em Portugal; intelectuais, associados ao desenvolvimento da imprensa, do hermetismo e da Astrologia no mundo ibérico; econômicos, vinculados aos interesses italianos na Espanha, nos quais a presença de Colombo é um exemplo; e sociais, vinculados ao poder do clero na Espanha. 

b) políticos, vinculados ao processo de fragmentação política das monarquias absolutas ibéricas; sociais, associados ao desenvolvimento de novos setores sociais, como a nobreza; coloniais, decorrentes da política da Igreja católica que via os habitantes do Novo Mundo como o homem primitivo criado por Deus; e econômicos, presos aos interesses mouros na Espanha. 

c) políticos, vinculados às práticas racistas que envolviam a atuação dos comerciantes ibéricos no Oriente; científicos, que viam na expansão a negação das teorias heliocêntricas; econômicos, ligados ao processo de aumento do tráfico de negros para a Europa através de alianças com os Países Baixos; e religiosos, marcados pela ação ampliada da Inquisição. 

d) políticos, associados ao modelo republicano desenvolvido no Renascimento italiano; religiosos, decorrentes da vitória católica nos processos da Reconquista ibérica; econômicos, ligados ao movimento geral de desenvolvimento do mercantilismo; e sociais, inerentes à vitória do campo sobre a cidade no mundo ibérico. 

e) políticos, vinculados ao fortalecimento da centralização dos estados ibéricos; econômicos, provenientes do avanço das atividades comerciais; religiosos, relacionados com a importância do Papado na Península Ibérica; e intelectuais, decorrentes dos avanços científicos da Renascença e que viram na expansão a realidade de suas teorias sobre Geografia e Astronomia. 

37. (Fuvest 2012) Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cruzadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava agora nas plagas africanas… 

Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2º Semestre de 2009, p.16-17. Adaptado.

Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento 

a) puramente religioso, bem diferente das cruzadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana. 

b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa. 

c) por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis. 

d) militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento apenas ocasional. 

e) que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental, a despeito de, oficialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a expansão da fé cristã. 

38. (Upe 2012) O processo da Expansão Ultramarina acabou por redefinir o mapa mundial nos séculos XV-XVI. Com a descoberta da América e a possibilidade de um melhor conhecimento da África e Ásia, por parte dos europeus, ocorreram várias mudanças na mentalidade europeia. Sobre essa realidade, é correto afirmar que 

a) várias narrativas sobre as terras distantes e exóticas e seus habitantes foram publicadas na Europa, como os escritos de Hans Staden. 

b) os espanhóis, logo de início, caracterizaram as descobertas de Colombo, como a chegada a um novo continente até então desconhecido. 

c) os portugueses optaram por colonizar a África central, evitando fixarem-se na América. 

d) a França e a Inglaterra colheram os lucros pela antecipação às nações ibéricas no processo das descobertas ultramarinas. 

e) a Espanha acabou por ocupar boa parte do território africano, dominando assim o tráfico negreiro até fins do século XVIII. 

39. (Unicamp simulado 2011) Segundo o historiador indiano K.M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias. 

(Adaptado de C.R. Boxer, O império marítimo português, 1415-1835. Lisboa: Ed. 70, 1972, p. 55.) 

 

Os domínios estabelecidos pelos portugueses na Índia e na América 

a) se diferenciavam, pois na Índia a presença dos portugueses visava o comércio, e para este fim eles estabeleciam feitorias, enquanto na América o território se tornaria uma possessão de Portugal, por meio de um empreendimento colonial destinado a produzir mercadorias para exportação. 

b) se diferenciavam, pois a colonização dos portugueses na Índia buscava promover o comércio de especiarias e de escravos, enquanto na América estabeleceu-se uma colônia de exploração, que visava apenas a extração de riquezas naturais que serviriam às manufaturas europeias. 

c) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque em ambas se estabeleceu um sistema colonial baseado na monocultura, no latifúndio e na escravidão, mas na América este sistema era voltado para a produção de açúcar, enquanto na Índia produziam-se especiarias. 

d) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque ambas sofreram exploração econômica, mas na Índia uma civilização mais desenvolvida apresentou resistência à dominação, levando à sua destruição, ao contrário do Brasil, onde a colonização foi mais pacífica, por meio da civilização dos índios. 

40. (Unicamp 2011) Referindo-se à expansão marítima dos séculos XV e XVI, o poeta português Fernando Pessoa escreveu, em 1922, no poema “Padrão”: 


“E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.”

(Fernando Pessoa, Mensagem – poemas esotéricos. Madri: ALLCA XX, 1997, p. 49.) 

Nestes versos identificamos uma comparação entre dois processos históricos. É válido afirmar que o poema compara 

a) o sistema de colonização da Idade Moderna aos sistemas de colonização da Antiguidade Clássica: a navegação oceânica tornou possível aos portugueses o tráfico de escravos para suas colônias, enquanto gregos e romanos utilizavam servos presos à terra. 

b) o alcance da expansão marítima portuguesa da Idade Moderna aos processos de colonização da Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o domínio português expandiu-se pelos oceanos Atlântico e Índico. 

c) a localização geográfica das possessões coloniais dos impérios antigos e modernos: as cidades-estado gregas e depois o Império Romano se limitaram a expandir seus domínios pela Europa, ao passo que Portugal fundou colônias na costa do norte da África. 

d) a duração dos impérios antigos e modernos: enquanto o domínio de gregos e romanos sobre os mares teve um fim com as guerras do Peloponeso e Púnicas, respectivamente, Portugal figurou como a maior potência marítima até a independência de suas colônias. 




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