1. (Enem 2016) TEXTO I

TEXTO II
Os santos tornaram-se grandes aliados da Igreja para atrair novos devotos, pois eram obedientes a Deus e ao poder clerical. Contando e estimulando o conhecimento sobre a vida dos santos, a Igreja transmitia aos fiéis os ensinamentos que julgava corretos e que deviam ser imitados por escravos que, em geral, traziam outras crenças de suas terras de origem, muito diferentes das que preconizava a fé católica.
OLIVEIRA; A. J. Negra devoção. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado).

Posteriormente ressignificados no interior de certas irmandades e no contato com outra matriz religiosa, o ícone e a prática mencionada no texto estiveram desde o século XVII relacionados a um esforço da Igreja Católica para
a) reduzir o poder das confrarias.   
b) cristianizar a população afro-brasileira.   
c) espoliar recursos materiais dos cativos.   
d) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico.   
e) atender a demanda popular por padroeiros locais.   
  
2. (Ufpr 2018) Leia o texto abaixo:

[...] O quilombo aparecia onde quer que a escravidão surgisse. Não era simples manifestação tópica. Muitas vezes, surpreende pela capacidade de organização, pela resistência que oferece; destruído parcialmente dezenas de vezes e novamente aparecendo, em outros locais, plantando a sua roça, constituindo suas casas, reorganizando a sua vida social e estabelecendo novos sistemas de defesa. O quilombo não foi, portanto, apenas um fenômeno esporádico. Constituía-se em fato normal dentro da sociedade escravista. Era reação organizada de combate a uma forma de trabalho contra a qual se voltava o próprio sujeito que a sustentava.
(MOURA, Clóvis. Rebeliões da Senzala. Editora Conquista, Rio de Janeiro, 1972, p. 87.)

A respeito da história dos quilombos no Brasil, considere as seguintes afirmativas:

1. Foi uma forma de organização dos escravos libertos, que não encontraram lugar na sociedade brasileira pós-abolição.
2. O quilombo marcou sua presença durante todo o período escravista, existindo praticamente em toda a extensão do território nacional.
3. Sua estrutura social respondia a uma lógica particularmente militar, que visava desestabilizar a estrutura social dos senhores de escravos.
4. A quilombolagem se constituiu na unidade básica de resistência, fruto das contradições estruturais do sistema escravista, e sua dinâmica refletia a negação desse sistema.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.   
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.    
c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.   
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.   
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.   
  
3. (Unicamp 2019) Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de colonos.
(Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.)

Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. 
a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico.    
b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período pombalino e no século XIX.    
c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades.    
d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua portuguesa.    
  
4. (Ufjf-pism 2 2018) Leia o trecho a seguir e em seguida responda à questão solicitada:

“O Valongo está aí para lembrar que o número de africanos escravizados chegados entre 1550 e 1850 (4,9 milhões) é 6,4 vezes maior do que o número de portugueses (750 mil), entrados no mesmo período, e quase igual ao número de imigrantes de vários continentes chegados entre 1850 e 1950 (5 milhões). Na era inaugurada pela incorporação do Cais do Valongo ao Patrimônio da Humanidade, o que deve ser dito é o seguinte, "nós somos um país formado por milhões de deportados africanos, índios e outros milhões de imigrantes geralmente pobres, que criaram uma nação, um Estado independente”
(ALENCASTRO, Luiz Felipe. “Inclusão de Valongo como patrimônio”.
Fonte: https://tinyurl.com/yblon5bx).

Sobre a formação e a composição demográfica da população brasileira no decorrer do século XIX, é CORRETO afirmar que:
a) apesar da diversidade da população brasileira, houve historicamente no país um processo homogêneo e igualitário de inclusão social dos descendentes de índios, africanos e imigrantes.    
b) a composição demográfica brasileira foi formada a partir de processos históricos pacíficos, nos quais a violência desempenhou papel secundário.    
c) a imigração europeia se destacou como principal origem da composição demográfica do país, comprovada pelo grande número de descendentes de imigrantes na população brasileira.    
d) a sociedade brasileira deve ser pensada a partir da compreensão quanto à importância estrutural da escravidão africana para a formação da população do país.    
e) o maior contingente populacional que imigrou para o Brasil de países europeus era formado por segmentos da elite que estavam sendo perseguidos por sua origem étnica.    
  
5. (Unioeste 2018) Leia o fragmento da carta elaborada por um trabalhador e enviada ao redator do jornal do Ceará, no séc. XVIII:

[...] Ignorante do modo de viver, e a negociar-se n’estas águas, comecei a informar-me dos diversos cearenses que nas barracas ia encontrando, sobre o estado de riquezas em que se achavam? Então todos em uma só voz diziam-me: ah! meu pobre velho, em que desgraça veio você cair no seu último quartel de vida! Aqui o nome de riqueza e liberdade já está riscado das nossas imaginações; aqui nem sequer vive-se; morre-se em tormentos! Esses pérfidos patrões, que você por aí vê, são o refugo da sociedade humana, são os usurários mais desalmados do mundo; eles próprios vendidos não pagariam a centésima parte que devem no Pará, e, entretanto, vendem-nos aqui os objetos de primeira necessidade por 100 vezes mais do custo d’eles no Ceará; exemplo: lá na sua Meruoca custa uma terça da melhor farinha 50 réis, aqui, igual porção e podre, custa 5000 réis! E o mais tudo é n’este gosto. Agora enquanto você vai de viagem não nos acreditará, porém breve achará ser ainda mais do que dizemos; aqui, por mais que se trabalhe, e se economize, nunca se salda contas com o patrão, pelo contrário, a dívida cresce espantosamente e sempre!
2ª carta do “Caboclo Velho” ao redactor do Jornal Cearense, Hyutananhan, 28 de junho de 1873 apud CARDOSO, Antônio A. I. Ecos de blasphemias e ranger de dentes: trajetórias de migrantes Ceará-Amazônia e o ofício dos paroaras. (1852-1877). Embornal, Fortaleza, v. 1, n. 1, p. 19-20, 2010. [Adaptado]

A partir das indicações sugeridas na fonte, é CORRETO afirmar sobre as relações de trabalho no Brasil.
a) A contratação de trabalhadores por endividamento antecipado faz com que, muitas vezes, suas dívidas não sejam quitadas e, ainda, sejam ampliadas. Historicamente, essa prática favorece o abuso de relações de trabalho e a manutenção de péssimas condições de vida aos trabalhadores nas regiões em que são alojados.    
b) A ocupação da Amazônia pelos cearenses, a partir de meados do séc. XIX, permitiu a exploração extrativista da região, além de garantir o retorno financeiro esperado pelos trabalhadores, que muitas vezes enviavam parte desses recursos para as famílias que ficaram nas cidades do Ceará.    
c) A facilidade de acesso a postos de trabalho no País permitia que intermediadores (gatos) se dirigissem para cidades com grande número de trabalhadores empregados promovendo frentes de trabalho, propondo postos de trabalho concorrentes, sem prejuízos à saúde e afastando-os de endividamentos irregulares.    
d) A conservação ambiental como temos hoje na Amazônia foi promovida graças as ações desenvolvidas desde o séc. XVIII, pois em primeiro lugar estavam os cuidados com a natureza e a qualidade de vida do trabalhador.    
e) A condição descrita na carta foi vivenciada apenas nessa circunstância, uma vez que essas relações de trabalho não foram experimentadas no País em outros momentos históricos, pois se tornou um crime contra os trabalhadores.    
  
6. (Uece 2017) Leia atentamente os excertos a seguir:

“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”;
André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas.
Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p. 89.
  
“A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas”.
Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro.
José Olímpio editora, 1984. p. 119.

Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente que os dois trechos acima tratam
a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e privilégios das classes dominantes.   
b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica que tornou iguais todos os brasileiros.   
c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da população brasileira em razão dos interesses das elites.   
d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil.   

7. (Ufrgs 2018) Observe o mapa abaixo. 

Considere as seguintes afirmações sobre a origem dos grupos étnicos africanos escravizados, trazidos para o Brasil entre os séculos XV e XIX.

I. A maior parte dos grupos étnicos são oriundos do norte da África.
II. As principais áreas de saída de africanos foram os atuais territórios de Moçambique e Angola.
III. Os grupos étnicos africanos escravizados, levados ao nordeste, vêm do leste da África, e aqueles levados para o sudeste e o sul são oriundos da África ocidental.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.   
b) Apenas II.   
c) Apenas III.    
d) Apenas II e III.   
e) I, II e III.   

8. (Fgv 2014) Feitas as contas, a historiografia tradicional do bandeirantismo errou na proposição secundária (as bandeiras caçavam índios para vendê-los no Norte), mas acertou na principal (as bandeiras foram originadas pela quebra do tráfico atlântico): os anos 1625-50 configuram, incontestavelmente, um período de “fome de cativos”.
(Luiz Felipe de Alencastro, O trato do viventes. p. 198-9)

Esse “período de ‘fome de cativos’” relacionou-se
a) aos conflitos entre os holandeses e os portugueses no controle sobre o tráfico negreiro africano.   
b) às inúmeras guerras internas na África, que diminuíram drasticamente a oferta de homens para o tráfico intercontinental.   
c) à ascensão da marinha de guerra inglesa que, interessada na exploração da África, conteve a retirada de homens do continente.   
d) à ação militar e diplomática da França, que obteve o monopólio virtual do tráfico de escravos para a América.   
e) a importantes restrições de escravização dos africanos impostas pela Igreja Católica.   
  
9. (FMP 2014) Em meados do século XVIII, o [...] Marquês de Pombal elaborou uma série de medidas visando a integrar as populações indígenas da América à sociedade colonial portuguesa, buscando não apenas o fim das discriminações sobre esses, mas a extinção das diferenças entre índios e brancos. [...] Como um dos elementos viabilizadores deste futuro, em que não seria possível distinguir brancos de índios, [...] enfatizava a necessidade da realização de casamentos mistos, assim como ordenava que os filhos gerados nestas uniões fossem considerados mais capacitados que os colonos brancos para ocupar cargos administrativos nas antigas aldeias indígenas transformadas em vilas e lugares portugueses. 
GARCIA, Elisa Fruhauf. “O projeto pombalino de imposição da língua portuguesa aos índios e sua aplicação na América meridional”. Tempo – Revista do Departamento de História da UFF, v. 12, n. 23, p. 13-38, 2007. p. 24-25. Adpatado.

O projeto pombalino de integrar os índios da América Portuguesa à sociedade colonial promoveu mudanças profundas no relacionamento entre as populações indígenas e a Coroa lusa.

Na região amazônica, por exemplo, tratar os indígenas como súditos do Império Português era uma das estratégias adotadas pelo Estado lusitano com o intuito de
a) garantir a posse do território.   
b) estimular a escravização dos índios.   
c) promover a colaboração com os jesuítas.   
d) deslocar a população nativa para o Nordeste.   
e) recrutar efetivos militares para a guerra na fronteira oeste.   
  
10. (Unicamp 2014) A história de São Paulo no século XVII se confunde com a história dos povos indígenas. Os índios não se limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou vítimas passivas dos colonizadores. Foram participantes ativos e conscientes de uma história que foi pouco generosa com eles.
(Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.)

Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, pode-se afirmar que:
a) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa de sua proibição pela Coroa portuguesa, por pressão dos jesuítas.   
b) Sua participação nos aldeamentos fez parte da integração entre os projetos religioso e bélico de domínio português, executados por jesuítas e bandeirantes.   
c) A existência de alianças entre indígenas e portugueses não exclui as rivalidades entre grupos indígenas e entre os nativos e os europeus.   
d) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta com as práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco.   

11. (Unesp 2012) Leia o texto a seguir. 
Nas primeiras três décadas que se seguiram à passagem da armada de Cabral, além das precárias guarnições das feitorias [...], apenas alguns náufragos [...] e “lançados” atestavam a soberania do rei de Portugal no litoral americano do Atlântico Sul. 
(Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação,  2008.)

Os lançados citados no texto eram 
a) funcionários que recebiam, da Coroa, a atribuição oficial de gerenciar a exploração comercial do pau-brasil e das especiarias encontradas na colônia portuguesa. 
b) militares portugueses encarregados da proteção armada do litoral brasileiro, para impedir o atracamento de navios de outros países, interessados nas riquezas naturais da colônia. 
c) comerciantes portugueses encarregados do tráfico de escravos, que atuavam no litoral atlântico da África e do Brasil e asseguravam o suprimento de mão de obra para as colônias portuguesas. 
d) donatários das primeiras capitanias hereditárias, que assumiram formalmente a posse das novas terras coloniais na América e implantaram as primeiras lavouras para o cultivo da cana-de-açúcar. 
e) súditos portugueses enviados para o litoral do Brasil ou para a costa da África, geralmente como degredados, que acabaram por se tornar precursores da colonização. 

12. (Unicamp simulado 2011) Os ventos e as correntes marítimas constituíam um entrave considerável ao tráfico de escravos índios pela costa do Atlântico Sul. Ao contrário, nas travessias entre Brasil e Angola, zarpava-se com facilidade de Pernambuco, da Bahia e do Rio de Janeiro, até Luanda ou a Costa da Mina. 
(Adaptado de Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul (séculos XVI e XVII). São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 61-63.) 

Podemos relacionar as condições geográficas brasileiras ao sistema de exploração colonial na medida em que 
a) a dificuldade de fazer o tráfico de escravos índios do norte para o sul da colônia pela navegação litorânea levou os habitantes do sul a penetrarem o interior por terra, a fim de buscar uma outra via para a captura de nativos. 
b) a facilidade da travessia entre Brasil e Angola levou ao desenvolvimento do tráfico de escravos africanos, forma encontrada pelas capitanias do sul da colônia para compensar a falta de escravos índios para suas lavouras de café. 
c) o tráfico de escravos índios do norte para o sul era feito parcialmente por terra, expandindo o território além da linha de Tordesilhas, o que levou ao povoamento e desenvolvimento do interior da colônia em detrimento do litoral. 
d) a dificuldade da navegação litorânea para o tráfico de escravos índios e o alto custo da navegação atlântica para o tráfico de escravos africanos fizeram com que a lavoura paulista se desenvolvesse com a mão de obra livre. 

13. (Unesp 2010) Sobre o emprego da mão de obra escrava no Brasil colonial, é possível afirmar que 
a) apenas africanos foram escravizados, porque a Igreja Católica impedia a escravização dos índios. 
b) as chamadas “guerras justas” dos portugueses contra tribos rebeldes legitimavam a escravização de índios. 
c) interesses ligados ao tráfico negreiro controlado pelos holandeses forçavam a escravização do africano. 
d) os engenhos de açúcar do Nordeste brasileiro empregavam exclusivamente indígenas escravizados. 
e) apenas indígenas eram escravizados nas áreas em que a pecuária e o extrativismo predominavam. 

14. (Ufc 2010) Por aproximadamente três séculos, as relações de produção escravistas predominaram no Brasil, em especial nas áreas de plantation e de mineração. Sobre este sistema escravista, é correto afirmar que: 
a) impediu as negociações entre escravos e senhores, daí o grande número de fugas. 
b) favoreceu ao longo dos anos a acumulação de capital em razão do tráfico negreiro 
c) possibilitou a cristianização dos escravos, fazendo desaparecer as culturas africanas. 
d) foi combatido por inúmeras revoltas escravas, como a dos Malês e a do Contestado. 
e) foi alimentado pelo fluxo contínuo de mão de obra africana até o momento de sua extinção em 1822. 

15. (Pucrs 2010) Entre 1500 e 1530, os interesses da coroa portuguesa, no Brasil, focavam o pau-brasil, madeira abundante na Mata Atlântica e existente em quase todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. A extração era feita de maneira predatória e assistemática, com o objetivo de abastecer o mercado europeu, especialmente as manufaturas de tecido, pois a tinta avermelhada da seiva dessa madeira era utilizada para tingir tecidos. A aquisição dessa matéria-prima brasileira era feita por meio da 
a) exploração escravocrata dos europeus em relação aos índios brasileiros. 
b) criação de núcleos povoadores, com utilização de trabalho servil. 
c) utilização de escravos africanos, que trabalhavam nas feitorias. 
d) exploração da mão de obra livre dos imigrantes portugueses, franceses e holandeses. 
e) exploração do trabalho indígena, no estabelecimento de uma relação de troca, o conhecido escambo. 

16. (Fgv 2009) "O primeiro grupo social utilizado pelos portugueses como escravo foi o das comunidades indígenas encontradas no Brasil. A lógica era simples: os índios estavam localizados junto ao litoral, e o custo inicial era pequeno, se comparado ao trabalhador originário de Portugal. (...) No entanto, rapidamente ocorreu um declínio no emprego do trabalhador indígena." 
(Rubim Santos Leão de Aquino et alii, "Sociedade brasileira: uma história através dos movimentos sociais") 

O declínio a que o texto se refere e o avanço da exploração do trabalhador escravo africano podem ser explicados: 
a) pelo prejuízo que a escravização indígena gerava para os senhores de engenho que tinham a obrigação da catequese; pela impossibilidade de a Coroa portuguesa cobrar tributos nos negócios envolvendo os nativos da colônia; pela presença de uma pequena comunidade indígena nas regiões produtoras de açúcar. 
b) pela forte oposição dos jesuítas à escravização indiscriminada dos índios; pelo lucro da Coroa portuguesa e dos traficantes com o comércio de africanos; pela necessidade de fornecimento regular de mão de obra para a atividade açucareira, em franca expansão na passagem do século XVI ao XVII. 
c) pela imposição de escravos do norte da África, por parte dos grandes traficantes holandeses; pela determinação da Igreja católica em proibir a escravização indígena em todo Império colonial português; pelo custo menor do escravo de algumas regiões da África, como Angola e Guiné. 
d) pelos preceitos das Ordenações Filipinas, que indicavam o caminho da catequese e não o do trabalho para os nativos americanos; pelo desconhecimento, por parte dos índios brasileiros, de uma economia de mercado; pelos acordos entre o colonizador português e parte das lideranças indígenas. 
e) pela extrema fragilidade física dos povos indígenas encontrados nas terras portuguesas na América; pelos preceitos religiosos da Contra-Reforma, que não aceitavam a escravização de povos primitivos; pela impossibilidade de encontrar e capturar índios no interior do espaço colonial. 

17. (Ufpa 2008) Sobre os padres jesuítas, a Lei de 28 de abril de 1688 determinava o seguinte: 
"serão obrigados a fazer os resgates não só nas missões ordinárias e suas residências, mas para este efeito entrarão todos os anos em diversos tempos pelos sertões com a gente que entenderem necessária e cabos de escolta a sua satisfação, que uma e outra coisa lhe mandara dar prontamente nas ditas ocasiões o meu governador e capitão-general".
"Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro", v. 66 (1948), p. 98. 

Essa Lei atribuía aos jesuítas a prática dos resgates, os quais consistiam em 
a) guerras contra os índios e a libertação de prisioneiros portugueses feitos por eles. 
b) lutas contra os muitos quilombos de africanos fugidos e o resgate desses escravos para devolução aos seus senhores. 
c) guerras contra os estrangeiros que invadiam os territórios da Amazônia portuguesa para escravizar os índios, e transformá-los em mão de obra nas propriedades agrícolas. 
d) expedições em direção ao sertão para a compra de prisioneiros índios cativados nas guerras entre as próprias nações indígenas, os quais eram considerados escravos pelos portugueses. 
e) capturas de índios do sertão pelos colonizadores, para a formação de núcleos próximos às grandes cidades a fim de evitar a formação de quilombos. 

18. (Fgv 2012) Analise o gráfico abaixo: 
O tráfico negreiro foi um dos mais importantes elementos do domínio colonial entre os séculos XVI e XVIII. A mão de obra escrava proveniente da África foi empregada nas principais atividades desenvolvidas nas colônias americanas, por iniciativa dos Estados europeus. Considerando os dados fornecidos pelo gráfico, é possível afirmar sobre a economia colonial nesse período: 
a) A utilização de escravos africanos na América espanhola cresceu em escala progressiva e acompanhou o aumento da extração de prata e ouro até o final do século XVIII. 
b) A introdução de escravos africanos nas Antilhas Francesas está associada à produção canavieira desenvolvida por holandeses após a sua expulsão de Pernambuco na metade do século XVII. 
c) Os governantes ingleses impediram o tráfico de escravos em suas colônias e estimularam, em contrapartida, o desenvolvimento do povoamento europeu nos territórios americanos sob o seu controle. 
d) A utilização de escravos africanos no Brasil ocorreu, apenas, com a descoberta de ouro e pedras preciosas na região das Minas Gerais, no século XVIII. 
e) O número de escravos africanos trazido ao Brasil foi sempre superior ao volume de escravos destinados às demais áreas coloniais referidas no gráfico. 

19. (Fuvest 2012) Os indígenas foram também utilizados em determinados momentos, e sobretudo na fase inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia colocar problema nenhum de maior ou melhor “aptidão” ao trabalho escravo (...). O que talvez tenha importado é a rarefação demográfica dos aborígines, e as dificuldades de seu apresamento, transporte, etc. Mas na “preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a engrenagem do sistema mercantilista de colonização; esta se processa num sistema de relações tendentes a promover a acumulação primitiva de capitais na metrópole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o abastecimento das colônias com escravos, abria um novo e importante setor do comércio colonial, enquanto o apresamento dos indígenas era um negócio interno da colônia. Assim, os ganhos comerciais resultantes da preação dos aborígines mantinham-se na colônia, com os colonos empenhados nesse “gênero de vida”; a acumulação gerada no comércio de africanos, entretanto, fluía para a metrópole; realizavam-na os mercadores metropolitanos, engajados no abastecimento dessa “mercadoria”. Esse talvez seja o segredo da melhor “adaptação” do negro à lavoura ... escravista. Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário.
Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adaptado.

Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa, 
a) os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do que os de origem africana, e por isso a metrópole optou pelo uso dos primeiros, já que eram mais produtivos e mais rentáveis. 
b) os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro dos canaviais do que os indígenas, o que justificava o empenho de comerciantes metropolitanos em gastar mais para a obtenção, na África, daqueles trabalhadores. 
c) o comércio negreiro só pôde prosperar porque alguns mercadores metropolitanos preocupavam-se com as condições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto que outros os consideravam uma “mercadoria”. 
d) a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de obra indígena contribuiu decisivamente para que, a partir de certo momento, também escravos africanos fossem empregados na lavoura, o que resultou em um lucrativo comércio de pessoas. 
e) o principal motivo da adoção da mão de obra de origem africana era o fato de que esta precisava ser transportada de outro continente, o que implicava a abertura de um rentável comércio para a metrópole, que se articulava perfeitamente às estruturas do sistema de colonização. 

20. (Unesp 2012) Os africanos não escravizavam africanos, nem se reconheciam então como africanos. Eles se viam como membros de uma aldeia, de um conjunto de aldeias, de um reino e de um grupo que falava a mesma língua, tinha os mesmos costumes e adorava os mesmos deuses. (...) Quando um chefe (...) entregava a um navio europeu um grupo de cativos, não estava vendendo africanos nem negros, mas (...) uma gente que, por ser considerada por ele inimiga e bárbara, podia ser escravizada. (...) O comércio transatlântico (...) fazia parte de um processo de integração econômica do Atlântico, que envolvia a produção e a comercialização, em grande escala, de açúcar, algodão, tabaco, café e outros bens tropicais, um processo no qual a Europa entrava com o capital, as Américas com a terra e a África com o trabalho, isto é, com a mão de obra cativa.
(Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos, 2008. Adaptado.) 

Ao caracterizar a escravidão na África e a venda de escravos por africanos para europeus nos séculos XVI a XIX, o texto
a) reconhece que a escravidão era uma instituição presente em todo o planeta e que a diferenciação entre homens livres e homens escravos era definida pelas características raciais dos indivíduos.
b) critica a interferência europeia nas disputas internas do continente africano e demonstra a rejeição do comércio escravagista pelos líderes dos reinos e aldeias então existentes na África.
c) diferencia a escravidão que havia na África da que existia na Europa ou nas colônias americanas, a partir da constatação da heterogeneidade do continente africano e dos povos que lá viviam.
d) afirma que a presença europeia na África e na América provocou profundas mudanças nas relações entre os povos nativos desses continentes e permitiu maior integração e colaboração interna.

e) considera que os únicos responsáveis pela escravização de africanos foram os próprios africanos, que aproveitaram as disputas tribais para obter ganhos financeiros.

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