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1. (Unesp 2022) Texto 1

A crítica não se opõe ao procedimento dogmático da razão no seu conhecimento puro […], mas sim ao dogmatismo […], apoiado em princípios, como os que a razão desde há muito aplica, sem se informar como e com que direito os alcançou. O dogmatismo é, pois, o procedimento dogmático da razão sem uma crítica prévia da sua própria capacidade.

(Immanuel Kant. Crítica da razão pura, 2018.)

Texto 2

Os questionamentos céticos de Hume abalaram profundamente Kant, que visava empreender uma defesa do racionalismo contra o empirismo cético e acabou por elaborar uma filosofia que caracterizou como racionalismo crítico, pretendendo precisamente superar a dicotomia entre racionalismo e empirismo.

(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2010. Adaptado.)

Os textos explicitam a noção de “crítica”, que corresponde, na filosofia kantiana,

a) à defesa da dúvida metódica.   

b) à impossibilidade do conhecimento científico.   

c) ao exame dos limites da compreensão.   

d) à recusa de elementos transcendentais.   

e) ao estabelecimento das bases da experimentação.   

2. (Pucpr Medicina 2022) “Ser caritativo quando se pode sê-lo é um dever, e há além disso muitas almas de disposição tão compassiva que, mesmo sem nenhum outro motivo de vaidade ou interesse, acham íntimo prazer em espalhar alegria à sua volta e se podem alegrar com o contentamento dos outros, enquanto este é obra sua.”

(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 28.)

Segundo a Fundamentação da metafísica dos costumes, a ação descrita acima seria uma ação praticada por dever, isto é, ela teria um autêntico valor moral? De acordo com o texto acima e com seus conhecimentos, assinale a alternativa que responde e justifica CORRETAMENTE à pergunta.

a) Não, pois, por mais amável que seja, ela se põe ao lado de outras inclinações, como o amor das honras e dos louvores.   

b) Sim, pois o valor da ação moral se encontra no propósito que se quer atingir, sendo a ação moral determinada por seu objetivo.   

c) Não, pois esta ação é praticada sem qualquer inclinação, simplesmente por dever, de maneira que ela não tem valor moral.   

d) Sim, pois conforme àquilo que é de interesse geral e conforme ao dever, esta ação merece estima, e possui assim valor moral.   

e) Não, pois o filantropo não está movido pela compaixão à sorte alheia e pelo desejo de fazer o bem aos mal afortunados.   

3. (Upe-ssa 3 2022) Leia a notícia abaixo, bem como o trecho da obra de Kant.

Xuxa sugere usar presos para testes de remédios: 'Que sirvam para alguma coisa'.

São Paulo, 26 de março de 2021.

Xuxa Meneghel, 58, causou polêmica nesta sexta-feira (26) ao defender em uma live da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que remédios e vacinas sejam testados em presidiários. Segundo a apresentadora, assim "pelo menos eles serviriam para alguma coisa antes".

(Fonte: Portal da Folha de São Paulo)

"Dever e obrigação são as únicas denominações que temos de dar à nossa relação com a lei moral. De fato, somos membros legislantes de um reino da moral possível pela liberdade, representado pela razão prática para o nosso respeito, mas ao mesmo tempo seus súditos, não o seu soberano, e o desconhecimento de nossa posição inferior como criaturas, bem como a negação, por presunção, de respeito à lei santa, é já, segundo o espírito, uma deserção dela, mesmo que sua letra fosse observada".

(Kant, Crítica da Razão Prática)

Assinale a alternativa CORRETA.

a) A submissão do homem à lei moral não pode lhe retirar sua dignidade, pois esta é fundamento de sua autonomia.   

b) A dignidade humana deve ser preservada somente na medida em que ocorre um respeito soberano à lei moral.   

c) A relação do homem com a lei moral tem a forma da autonomia, desse modo, a dignidade humana está restrita a determinadas circunstâncias.   

d) Não há relações dadas a priori entre lei moral e dignidade humana, pois as circunstâncias garantem a autonomia dos homens.   

e) A autonomia moral dos homens ocorre somente enquanto se submetem à vontade de um soberano.   

4. (Ufgd 2022) No curta-metragem Meu Amigo Nietzsche, dirigido por Fáuston da Silva, o estudante Lucas, personagem principal da trama, experimenta o dilema de não ter um bom desempenho em leitura. De acordo com sua professora, caso não se esforce o suficiente, poderá “repetir o ano”. Sua trajetória de “fracasso” é interrompida após encontrar por acaso em um lixão um dos livros do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, Assim falou Zaratustra (1883). Do mesmo modo que o personagem central da obra nietzscheana, Lucas vive a desconfiança daqueles que estão em seu entorno. Levando em consideração o curta, bem como os pressupostos da filosofia de Nietzsche e o título do livro, assinale a alternativa que expressa o sentido da principal descoberta de Lucas.

a) O reconhecimento do valor da leitura.   

b) O questionamento dos valores socialmente instituídos.   

c) A escola e os problemas de ensino-aprendizagem.   

d) A importância dos valores familiares.   

e) A relevância de ser reconhecido por seus professores e colegas de escola.   

5. (Uel 2022) Teremos ganho muito a favor da ciência estética se chegarmos não apenas à intelecção lógica mas à certeza imediata da introvisão [Anschauung] de que o contínuo desenvolvimento da arte está ligado à duplicidade do apolíneo e do dionisíaco, da mesma maneira como a procriação depende da dualidade dos sexos, em que a luta é incessante e onde intervêm periódicas reconciliações.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O nascimento da tragédia, ou Helenismo e pessimismo. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 27.

A compreensão do processo de criação a partir da analogia com a procriação, da valorização da intuição e da crítica ao conceito renovou profundamente a estética filosófica.

A respeito da teoria nietzscheana da criação, manifesta na sua interpretação do apolíneo e do dionisíaco, assinale a alternativa correta.

a) O dionisíaco, elogiado por Nietzsche como símbolo de um acordo superior entre o humano e a natureza, tem como marca característica a dissolução do humano.   

b) O apolíneo representa o âmbito da dissolução das formas, da embriaguez; enquanto o dionisíaco diz respeito ao âmbito figurativo do sonho.   

c) O procedimento dialético socrático, discutido por Nietzsche, mantém a tensão característica da tragédia, sendo a lógica uma criação resultante do equilíbrio entre a forma e o informe.   

d) A cultura da ópera representa o renascimento da tragédia, pois reconstitui os vínculos entre arte, religião e sociedade a partir da oposição entre o apolíneo e o dionisíaco.   

e) A relação entre o apolíneo e o dionisíaco permite pensar a criação a partir de elementos negligenciados pela filosofia, como o corpo, as pulsões e o feminino.   

6. (Uema 2021) O século XVIII da história humana foi marcado por grandes revoluções, entre elas a francesa. Foi um século de muitas dúvidas e novas conquistas para o conhecimento humano. Nesse período, duas correntes de pensamento sobre o conhecimento, denominadas racionalismo e empirismo, se colocavam como detentoras da verdade sobre o conhecimento, o que levou os pensadores a refletirem sobre o problema.

Essa teoria do século XVIII que juntou racionalismo e empirismo é conhecida como

a) Ceticismo.   

b) Dogmatismo.   

c) Idealismo.   

d) Criticismo.   

e) Iluminismo.   

7. (Unioeste 2021) Em primeiro lugar, se encontrarmos uma proposição que apenas se possa pensar como necessária, estamos em presença de um juízo a priori; se, além disso, essa proposição não for derivada de nenhuma outra, que por seu turno tenha o valor de uma proposição necessária, então é absolutamente a priori. Em segundo lugar, a experiência não concede nunca aos seus juízos uma universalidade verdadeira e rigorosa, apenas universalidade suposta e comparativa (por indução), de tal modo que, em verdade, antes se deveria dizer: tanto quanto até agora nos foi dado verificar, não se encontram exceções a esta ou àquela regra. Portanto, se um juízo é pensado com rigorosa universalidade, quer dizer, de tal modo que, nenhuma exceção se admite como possível, não é derivado da experiência, mas é absolutamente válido a priori.

KANT, E. Crítica da razão pura. 2ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

Considere o trecho acima, retirado à Introdução da obra kantiana, e assinale a alternativa INCORRETA.

a) Para Kant, a universalidade de um juízo, se tomada à experiência, é apenas pressuposta ou encontrada por indução.   

b) Juízos rigorosamente universais e necessários, que não admitem exceções, são válidos a priori.   

c) Juízos a priori podem admitir exceções apenas no caso de, sendo puros, derivarem da experiência.   

d) Juízos rigorosamente universais e necessários não podem derivar da experiência e são válidos a priori.   

e) Proposições podem ser pensadas como não necessárias.   

8. (Ufu 2021) Podemos dizer que o objetivo de Kant, ao escrever a Crítica da Razão Prática, era demonstrar que a lei moral provém da ideia de liberdade, por isso a razão pura é também prática no sentido de que a ideia racional de liberdade determina por si mesma a vida moral e com isso demonstra sua própria liberdade.

De acordo com trecho acima, conclui-se que, para Kant, o agir moral deve fundar-se

a) na noção de felicidade.   

b) nos ditames da razão.   

c) nas sensações físicas.   

d) na natureza humana.   

9. (Unesp 2021) Pode acontecer que, para a educação do verdadeiro filósofo, seja preciso que ele percorra todas as gradações nas quais os “trabalhadores da filosofia” estão instalados e devem permanecer firmes: ele deve ter sido crítico, cético, dogmático e histórico e, ademais, poeta, viajante, moralista e vidente e “espírito livre”, tudo enfim para poder percorrer o círculo dos valores humanos, dos sentimentos de valor, e poder lançar um olhar de múltiplos olhos e múltiplas consciências, da mais sublime altitude aos abismos, dos baixios para o alto. Mas tudo isso é apenas uma condição preliminar da sua incumbência. Seu destino exige outra coisa: a criação de valores.

(Friedrich Nietzsche. Além do bem e do mal, 2001. Adaptado.)

No texto, Nietzsche propõe que a formação do filósofo deve

a) assegurar e manter os poderes políticos do governante.   

b) conhecer e extrapolar as práticas de vida, os sentimentos e os valores presentes na sociedade.   

c) privilegiar e fortalecer o papel da religião nas atitudes críticas perante a vida e os humanos.   

d) restringir-se ao terreno da reflexão na busca por uma verdade absoluta.   

e) retomar a origem una e indivisível dos humanos, na busca de sua liberdade de natureza.   

10. (Enem digital 2020) Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural.

KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, 2008.

A concepção ética presente no texto defende a

a) universalidade do dever.   

b) maximização da utilidade.   

c) aprovação pelo sentimento.   

d) identificação da justa medida.   

e) obediência à determinação divina.   

11. (Uece 2020) Leia com atenção a passagem a seguir que expõe parte da crítica feita por Friedrich Nietzsche ao edifício moral construído no ocidente:

"Mas que quer ainda você com ideais mais nobres! Sujeitemo-nos aos fatos: o povo venceu – ou 'os escravos', ou 'a plebe', ou 'o rebanho', ou como quiser chamá-lo se isto aconteceu graças aos judeus, muito bem! Jamais um povo teve missão maior na história universal. 'Os senhores' foram abolidos; a moral do homem comum venceu. A 'redenção' do gênero humano (do jugo dos 'senhores') está bem encaminhada; tudo se judaíza, cristianiza, plebeíza visivelmente (que importam as palavras!)”.

Nietzsche, Friedrich. Para a genealogia da moral - Prólogo. Primeira dissertação §9.

Considerando a compreensão de Nietzsche acerca do fundamento moral do ocidente, assinale a afirmação verdadeira.

a) Segundo Nietzsche, a verdade e a moral propostas pelos gregos e pelo cristianismo são instrumentos que os fracos inventaram para submeter e controlar os fortes e instaurar uma moral do rebanho.   

b) Em Nietzsche, encontra-se uma defesa ferrenha dos princípios morais elaborados pela filosofia grega clássica platônica e aristotélica que tem a razão como elemento condutor da ação moral.   

c) Para Nietzsche, a moralidade instaurada pelo cristianismo foi fundamental na instituição de uma cultura forte, moralmente ancorada na figura poderosa e altiva de Cristo, modelo para o líder.   

d) Na perspectiva Nietzschiana, a moral dos senhores e da aristocracia que sempre prevaleceu entre os povos da antiguidade, reforçada pela religião cristã, enfraqueceu o homem tornando-o submisso.   

12. (Uece 2020) A refilmagem, deste ano, do clássico personagem “Coringa” provocou discussões sobre seus significados no plano sociopolítico. Analisando as várias versões inspiradas no HQ da DC Comics, Fabrício Moraes descreve o Coringa como o id, o impulso destrutivo e caótico, mas também criativo e artístico. Batman seria o superego, o juiz punitivo e ordenador da cidade, o arquétipo do guardião que afronta e interpõe limites a um território. O Coringa seria a face da comédia, Batman não se livra da face da tragédia. Neste sentido, o filme Coringa nos mostraria que o aspecto lúdico só tem pleno sentido se coexiste com a vida da sobriedade. Coringa e Batman são indissociáveis.

Ver: MORAES, Fabrício. ‘Coringa’: A raiva de Caliban por se ver no espelho. In Revista Amálgama. Disponível em: https://www.revistaamalgama.com.br 

Considerando a análise acima, é correto dizer que está amparada teoricamente

a) na noção estético-moral de Nietzsche em O nascimento da tragédia, onde ordem e caos se equilibram e fazem nascer o humano: Coringa e Batman são indissociáveis como Dionísio (loucura) e Apolo (razão).   

b) na teoria política marxista, que concebe as relações sociais mascaradas pela ideologia de classe, o que necessariamente provoca o conflito social: Coringa e Batman são representações da luta de classes.   

c) na definição de arte dos filósofos gregos como Aristóteles, cuja ideia fundamental era a de mímesis, ou seja, de imitação ou representação da realidade: Coringa e Batman são representações do ser e do não ser.   

d) na concepção moral agostiniana, na qual o bem e o mal, o pecado e a graça, a cidade dos homens e a cidade de Deus coabitam no interior de cada indivíduo: Coringa e Batman são representações dessa contradição.    

13. (Unesp 2015) A fonte do conceito de autonomia da arte é o pensamento estético de Kant. Praticamente tudo o que fazemos na vida é o oposto da apreciação estética, pois praticamente tudo o que fazemos serve para alguma coisa, ainda que apenas para satisfazer um desejo. Enquanto objeto de apreciação estética, uma coisa não obedece a essa razão instrumental: enquanto tal, ela não serve para nada, ela vale por si. As hierarquias que entram em jogo nas coisas que obedecem à razão instrumental, isto é, nas coisas de que nos servimos, não entram em jogo nas obras de arte tomadas enquanto tais. Sendo assim, a luta contra a autonomia da arte tem por fim submeter também a arte à razão instrumental, isto é, tem por fim recusar também à arte a dimensão em virtude da qual, sem servir para nada, ela vale por si. Trata-se, em suma, da luta pelo empobrecimento do mundo. 

(Antônio Cícero. “A autonomia da arte”. Folha de São Paulo, 13.12.2008. Adaptado.)

De acordo com a análise do autor, 

a) a racionalidade instrumental, sob o ponto de vista da filosofia de Kant, fornece os fundamentos para a apreciação estética. 

b) um mundo empobrecido seria aquele em que ocorre o esvaziamento do campo estético de suas qualidades intrínsecas. 

c) a transformação da arte em espetáculo da indústria cultural é um critério adequado para a avaliação de sua condição autônoma. 

d) o critério mais adequado para a apreciação estética consiste em sua validação pelo gosto médio do público consumidor. 

e) a autonomia dos diversos tipos de obra de arte está prioritariamente subordinada à sua valorização como produto no mercado. 

14. (Ufsm 2015) A necessidade de conviver em grupo fez o homem desenvolver estratégias adaptativas diversas. Darwin, num estudo sobre a evolução e as emoções, mostrou que o reconhecimento de emoções primárias, como raiva e medo, teve um papel central na sobrevivência. Estudos antigos e recentes têm mostrado que a moralidade ou comportamento moral está associado a outros tipos de emoções, como a vergonha, a culpa, a compaixão e a empatia. Há, no entanto, teorias éticas que afirmam que as ações boas devem ser motivadas exclusivamente pelo dever e não por impulsos ou emoções. Essa teoria é a ética 

a) deontológica ou kantiana.
b) das virtudes.
c) utilitarista.
d) contratualista.
e) teológica.

15. (Uel 2015) As leis morais juntamente com seus princípios não só se distinguem essencialmente, em todo o conhecimento prático, de tudo o mais onde haja um elemento empírico qualquer, mas toda a Filosofia moral repousa inteiramente sobre a sua parte pura e, aplicada ao homem, não toma emprestado o mínimo que seja ao conhecimento do mesmo (Antropologia).

KANT, I. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Trad. de Guido A. de Almeida. São Paulo: Discurso Editorial, 2009. p.73.

Com base no texto e na questão da liberdade e autonomia em Immanuel Kant, assinale a alternativa correta. 

a) A fonte das ações morais pode ser encontrada através da análise psicológica da consciência moral, na qual se pesquisa mais o que o homem é, do que o que ele deveria ser. 

b) O elemento determinante do caráter moral de uma ação está na inclinação da qual se origina, sendo as inclinações serenas moralmente mais perfeitas do que as passionais. 

c) O sentimento é o elemento determinante para a ação moral, e a razão, por sua vez, somente pode dar uma direção à presente inclinação, na medida em que fornece o meio para alcançar o que é desejado. 

d) O ponto de partida dos juízos morais encontra-se nos “propulsores” humanos naturais, os quais se direcionam ao bem próprio e ao bem do outro. 

e) O princípio supremo da moralidade deve assentar-se na razão prática pura, e as leis morais devem ser independentes de qualquer condição subjetiva da natureza humana. 

16. (Uema 2015) Fraqueza e covardia são as causas pelas quais a maioria das pessoas permanece infantil mesmo tendo condição de libertar-se da tutela mental alheia. Por isso, fica fácil para alguns exercer o papel de tutores, pois muitas pessoas, por comodismo, não desejam se tornar adultas. Se tenho um livro que pensa por mim; um sacerdote que dirige minha consciência moral; um médico que me prescreve receitas e, assim por diante, não necessito preocupar-me com minha vida. Se posso adquirir orientações, não necessito pensar pela minha cabeça: transfiro ao outro esta penosa tarefa de pensar. 

Fonte: I. Kant, O que é a ilustração. In: F. Weffort (org). Os clássicos da política, v. 2, 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. 


Esse fragmento compõe o livro de Kant que trata da importância da(o)
a) juízo.
b) razão.
c) cultura.
d) costume.
e) experiência.

17. (Ueg 2015) Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que naturaliza o que deveria ser explicado como resultado da ação histórico-social dos homens, e universaliza os interesses de uma classe como interesse de todos. A partir de tal concepção de ideologia, constata-se que 

a) a sociedade capitalista transforma todas as formas de consciência em representações ilusórias da realidade conforme os interesses da classe dominante. 

b) ao mesmo tempo que Marx critica a ideologia ele a considera um elemento fundamental no processo de emancipação da classe trabalhadora. 

c) a superação da cegueira coletiva imposta pela ideologia é um produto do esforço individual principalmente dos indivíduos da classe dominante. 

d) a frase “o trabalho dignifica o homem” parte de uma noção genérica e abstrata de trabalho, mascarando as reais condições do trabalho alienado no modo de produção capitalista. 

18. (Ufsj 2012) Na perspectiva nietzscheana, o livre-arbítrio é um erro porque 

a) ao declarar que os homens são livres, as forças coercitivas, como o poder da Igreja, agem com o claro intuito de castigá-los, julgá-los e declará-los culpados. 

b) os homens, indignos como são, jamais alcançarão a dimensão da ideia implícita no livre-arbítrio. 

c) o cristianismo, apesar de seus esforços candentes, não conseguiu tirar a culpa do ser humano. 

d) a fatalidade impressa no ser humano está na sua historicidade, no seu livre-arbítrio, e por isso mesmo o Homem está condenado à culpa. 

19. (Ufsj 2012) Nietzsche identificou os deuses gregos Apolo e Dionísio, respectivamente, como 

a) complexidade e ingenuidade: extremos de um mesmo segmento moral, no qual se inserem as paixões humanas. 

b) movimento e niilismo: polos de tensão na existência humana. 

c) alteridade e virtu: expressões dinâmicas de intervenção e subversão de toda moral humana. 

d) razão e desordem: dimensões complementares da realidade. 

20. (Ufsj 2012) Ao afirmar que “uma explicação qualquer é preferível à falta de explicação”, Nietzsche quer 

a) fundamentar a ideia de que a sensação se prolonga como um eco, o que é imprescindível para se compreender a causa de um fato qualquer. 

b) dizer que a imaginação antecede a qualquer impressão sobre o fato e, portanto, ela deve ser instrumentalizada. 

c) dar uma explicação psicológica para o erro das causas imaginárias. 

d) reafirmar a noção de causalidade apregoada no século XVIII. 

21. (Ufsj 2012) “O homem projetou em torno de si seus três dados interiores, nos quais cria firmemente: a vontade, o espírito e o eu. Primeiramente, deduzo a noção do ser da noção do eu, representando-se as coisas como existentes a sua imagem e semelhança, de acordo com sua noção do eu enquanto causa. Que tem de estranho que depois tenha encontrado nas coisas apenas aquilo que eu mesmo tinha colocado nelas?” 

O fragmento acima representa uma 

a) descrição da máxima nietzscheana fundada na ideia da vontade de poder, em que “o poder nos leva a acreditar num mundo objetivamente construído”, o que se constitui no erro da causalidade. 

b) crítica ferrenha de Nietzsche a toda manifestação apolínea fundada na subjetividade ou na construção do eu a partir de uma vontade imanente declarada no erro da confusão entre a causa e o efeito. 

c) posição nietzscheana sobre as causas imaginárias, que revela o fracasso da existência humana a partir da crença que nutrimos em relação ao eu e ao ser e ao ordenamento que insistimos em dar para as coisas reafirmadas num logos. 

d) consideração na qual Nietzsche aprofunda as suas convicções acerca do erro como causalidade falsa e repercute a ideia da crença que temos num mundo interior repleto de fantasmas e de reflexos enganosos. 

22. (Enem 2012) Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida. 

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado). 

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa 

a) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade. 

b) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas. 

c) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma. 

d) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento. 

e) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão. 

23. (Unioeste 2012) “Como toda lei prática representa uma ação possível como boa e por isso como necessária para um sujeito praticamente determinável pela razão, todos os imperativos são fórmulas da determinação da ação que é necessária segundo o princípio de uma vontade boa de qualquer maneira. No caso da ação ser apenas boa como meio para qualquer outra coisa, o imperativo é hipotético; se a ação é representada como boa em si, por conseguinte, como necessária numa vontade em si conforme à razão como princípio dessa vontade, então o imperativo é categórico”.

Kant 

Considerando o pensamento ético de Kant e o texto acima, é correto afirmar que 

a) o imperativo hipotético representa a necessidade prática de uma ação como subjetivamente necessária para um ser determinável pelas inclinações. 

b) o imperativo categórico representa a necessidade prática de uma ação como meio para se atingir um fim possível ou real. 

c) os imperativos (hipotético e categórico) são fórmulas de determinação necessária, segundo o princípio de uma vontade que é boa em si mesma. 

d) o imperativo categórico representa a ação como boa em si mesma e como necessária para uma vontade em si conforme a razão. 

e) o imperativo hipotético declara a ação como objetivamente necessária independentemente de qualquer intenção ou finalidade da ação. 

24. (Ufu 2012) O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si [...]. 

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 1988. 

Com base em seus conhecimentos e na leitura do texto acima, assinale a alternativa correta segundo a filosofia de Hegel. 

a) A essência do real é a contradição sem interrupção ou o choque permanente dos contrários. 

b) As contradições são momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários. 

c) O universo social é o dos conflitos e das guerras sem fim, não havendo, por isso, a possibilidade de uma vida ética. 

d) Hegel combateu a concepção cristã da história ao destituí-la de qualquer finalidade benevolente. 

25. (Ueg 2011) No século XIX, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche vislumbrou o advento do “super-homem” em reação ao que para ele era a crise cultural da época. Na década de 1930, foi criado nos Estados Unidos o Super-Homem, um dos mais conhecidos personagens das histórias em quadrinhos. A diferença entre os dois “super-homens” está no fato de Nietzsche defender que o super-homem 

a) agiria de modo coerente com os valores pacifistas, repudiando o uso da força física e da violência na consecução de seus objetivos. 

b) expressaria os princípios morais do protestantismo, em contraposição ao materialismo presente no herói dos quadrinhos. 

c) abdicar-se-ia das regras morais vigentes, desprezando as noções de “bem”, “mal”, “certo” e “errado”, típicas do cristianismo. 

d) representaria os valores políticos e morais alemães, e não o individualismo pequeno burguês norte-americano. 

26. (Uel 2011) Na Primeira Secção da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant analisa dois conceitos fundamentais de sua teoria moral: o conceito de vontade boa e o de imperativo categórico. Esses dois conceitos traduzem as duas condições básicas do dever: o seu aspecto objetivo, a lei moral, e o seu aspecto subjetivo, o acatamento da lei pela subjetividade livre, como condição necessária e suficiente da ação. 

(DUTRA, D. V. Kant e Habermas: a reformulação discursiva da moral kantiana. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. p. 29.) 

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria moral kantiana, é correto afirmar: 

a) A vontade boa, enquanto condição do dever, consiste em respeitar a lei moral, tendo como motivo da ação a simples conformidade à lei. 

b) O imperativo categórico incorre na contingência de um querer arbitrário cuja intencionalidade determina subjetivamente o valor moral da ação. 

c) Para que possa ser qualificada do ponto de vista moral, uma ação deve ter como condição necessária e suficiente uma vontade condicionada por interesses e inclinações sensíveis. 

d) A razão é capaz de guiar a vontade como meio para a satisfação de todas as necessidades e assim realizar seu verdadeiro destino prático: a felicidade. 

e) A razão, quando se torna livre das condições subjetivas que a coagem, é, em si, necessariamente conforme a vontade e somente por ela suficientemente determinada. 

27. (Uel 2010) Nos Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, Newton afirmara que as leis do movimento, assim como a própria lei da gravitação universal, tomadas por ele como proposições particulares, haviam sido “inferidas dos fenômenos, e depois tornadas gerais pela indução”. Kant atribui a estas proposições particulares, enquanto juízos sintéticos, o caráter de leis a priori da natureza. Entretanto, ele recusa esta dedução exclusiva das leis da natureza e consequente generalização a partir dos fenômenos. Destarte, para enfrentar o problema sobre a impossibilidade de derivar da experiência juízos necessários e universais, um dos esforços mais significativos de Kant dirige-se ao esclarecimento das condições de possibilidade dos juízos sintéticos a priori. 

Com base no enunciado e nos conhecimentos acerca da teoria do conhecimento de Kant, é correto afirmar: 

a) A validade objetiva dos juízos sintéticos a priori depende da estrutura universal e necessária da razão e não da variabilidade individual das experiências. 

b) Os juízos sintéticos a priori enunciam as conexões universais e necessárias entre causas e efeitos dos fenômenos por meio de hábitos psíquicos associativos. 

c) O sujeito do conhecimento é capaz de enunciar objetivamente a realidade em si das coisas por meio dos juízos sintéticos a priori. 

d) Nos juízos sintéticos a priori, de natureza empírica, o predicado nada mais é do que a explicitação do que já esteja pensado realmente no conceito do sujeito. 

e) A possibilidade dos juízos sintéticos a priori nas proposições empíricas fundamenta-se na determinação da percepção imediata e espontânea do objeto sobre a razão. 

28. (Ueg 2010) Hegel, prosseguindo na árdua tarefa de unificar o dualismo de Kant, substituiu o eu de Fichte e o absoluto de Schelling por outra entidade: a ideia. A ideia, para Hegel, deve ser submetida necessariamente a um processo de evolução dialética, regido pela marcha triádica da 

a) experiência, juízo e raciocínio.
b) realidade, crítica e conclusão.
c) matéria, forma e reflexão.
d) tese, antítese e síntese.

29. (Ufpa 2009) No início do século dezenove, mais precisamente com Hegel, a arte é concebida no interior do domínio do absoluto, isto é, da verdade enquanto tal e dos elementos que a expõem. Tendo em vista essa concepção, é correto afirmar: 

a) O absoluto não se expressa, de uma vez por todas, no domínio artístico. 

b) Ao apresentar o absoluto sob forma sensível, isto é, concreta e singular, a obra de arte não efetiva a transfiguração da realidade. 

c) Na atividade artística, apenas alguns de seus traços essenciais estão ligados ao ser verdadeiro. 

d) A beleza é, enquanto produto da arte, manifestação sensível do absoluto. 

e) Na arte, a totalidade que se torna aparição cumpre suficientemente suas determinações. 

30. (Ufu 2007) Qual é a diferença entre o conceito de movimento histórico, em Hegel, e o de processo histórico, em Marx? 

a) Para Hegel, através do trabalho, os homens vão construindo o movimento da produção da vida material e, assim, o movimento histórico. Para Marx, a consciência determina cada época histórica, desenvolvendo o processo histórico. 

b) Para Hegel, a História pode sofrer rupturas e ter retrocessos, por isso utiliza-se do conceito de movimento da base econômica da sociedade. Marx acredita que o modo de produção encaminhe para um objetivo final, que é a concretização da Razão. 

c) Para Hegel, a História tem uma circularidade que não permite a continuidade. Para Marx, a História é construída pelo progresso da consciência dos homens que formam o processo histórico. 

d) Para Hegel, a História é teleológica, a Razão caminha para o conceito de si mesma, em si mesma. Marx não tem uma visão linear e progressiva da História, sendo que, para ele, ela é processo, depende da organização dos homens para a superação das contradições geradas na produção da vida material, para transformar ou retroceder historicamente. 





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1 comentários:

  1. Ma ajudou bastante para elaborar uma prova para o ensino medio da rede pública!Ótimas questões.AbraçoSara

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