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Questão Palestina de Portal do Vestibulando
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1. (CPS 2016) A mineração é o ato de extrair minerais existentes nas rochas e/ou nos solos. É uma atividade econômica que tem importância significativa para muitos países. O principal minério exportado pelo Brasil é o de ferro. A formação desse minério esta relacionada com as lentas transformações geológicas da Terra e ele é encontrado na natureza na forma de rochas, misturado com outros compostos. Por meio de diversos processos, esse minério é beneficiado para poder ser comercializado.


No Brasil, a extração do minério de ferro ocorre principalmente em
a) bacias sedimentares recentes.   
b) dobramentos modernos.   
c) depressões absolutas.   
d) escudos cristalinos.   
e) planícies costeiras.   
  
2. (Ufsm 2015) Observe as figuras:
 
Marque verdadeira (V) ou falsa (F) nas sentenças. 
(  ) Quanto maior a variação da maré, maior será a quantidade de sal decantado nos concentradores após o processo de evaporação.
(    ) O sal, cujas áreas de extração localizam-se à grandes distâncias dos locais de consumo desse mineral pela população, torna-se, devido aos custos com transporte, um produto muito caro para a maioria da população.
(   ) O sal in natura não é distribuído ao mercado consumidor, pois passa por processo de refino até chegar à mesa da população.

A sequência correta é
a) V − F − F.   
b) F − F − V.   
c) V − F − V.   
d) F − V − V.   
e) F − V − F.   

3. (Mackenzie 2014) “EUA descobrem reservas minerais de R$ 1 trilhão no Afeganistão, diz NYT”.

CABUL - O Afeganistão tem aproximadamente US$ 1 trilhão em reservas minerais, de acordo com uma pesquisa dos Estados Unidos, mas os analistas duvidam que o país destruído pela guerra possa gerenciar as potenciais reservas. O States Geological Survey (USGS) disse, em um relatório final, que encontrou reservas de lítio, ferro, ouro, nióbio, cobalto e outros minerais no país, relatou o jornal New York Times. O ministério de Minas e Indústrias do Afeganistão afirmou que os recursos naturais representarão um “papel magnífico” no crescimento econômico do país.
“As últimas cinco décadas mostraram que toda vez que ocorre uma nova pesquisa, ela mostra que as nossas reservas naturais são muito maiores do que tinha sido previsto anteriormente”, declarou Jawad Omar, porta-voz do ministério. 
Clarissa Mangueira, Agência Estado, 14/06/2010

Com base no texto e no cenário atual do Afeganistão, considere as afirmações a seguir.

I. O país tem se beneficiado pouco de suas jazidas minerais por seu envolvimento em conflitos por três décadas. Hoje enfrenta uma insurgência islâmica liderada pelo Taliban.
II. Estima-se que os depósitos potenciais de lítio encontrados no país são tão grandes quanto os da Bolívia, que atualmente detêm a maior reserva conhecida no mundo do metal leve.
III. O nióbio é um metal macio e possui variadas aplicações como em soldas elétricas, fabricação de tubos condutores de água e petróleo para longas distâncias, resistente à corrosão e à temperaturas elevadas.

Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a afirmação I está correta.   
b) Apenas as afirmações I e II estão corretas.   
c) Apenas as afirmações I e III estão corretas.   
d) Apenas as afirmações II e III estão corretas.   
e) As afirmações I, II e III estão corretas.   
  
4. (Fgv 2014) Analise a figura a seguir.
Os fluxos na figura identificam a circulação de um produto entre as áreas vendedoras e as compradoras.
Assinale a alternativa que identifica corretamente um dos fluxos numerados.
a) 1 – O carvão mineral da Rússia e dos países da CEI, principais produtores mundiais, é vendido para a Europa e a Ásia.   
b) 2 – A água virtual, commodity valorizada no mercado mundial, é comercializada da América do Sul para os Estados Unidos.   
c) 3 – O petróleo é vendido por um grande número de fornecedores de vários continentes para os Estados Unidos, grande consumidor mundial.   
d) 4 – Os minérios radioativos são vendidos pelos países do Sul para as centrais nucleares de países desenvolvidos.   
e) 5 – O xisto betuminoso e o gás natural são vendidos pelos países do norte da África para a Europa ocidental.   

5. (Fuvest 2011) Atualmente, grandes jazidas de diamantes, localizadas em diversos países africanos, abastecem o luxuoso mercado mundial de joias. O diamante é uma forma cristalina do carbono elementar constituída por uma estrutura tridimensional rígida e com ligações covalentes. É um mineral precioso devido a sua dureza, durabilidade, transparência, alto índice de refração e raridade. 
Analise as afirmações abaixo: 
I. O diamante e a grafite são formas alotrópicas de carbono com propriedades físicas e químicas muito similares. Apesar disso, o diamante é uma das pedras preciosas mais valiosas existentes e, a grafite, não. 
II. A partir do cartaz acima, é possível inferir a associação entre a extração de diamantes na África e o comércio internacional de armas, que abastece grupos rivais envolvidos nas guerras civis desse continente. 
III. O cartaz denuncia a vinculação dos países africanos islâmicos com o terrorismo internacional e o seu financiamento por meio do lucrativo comércio mundial de diamantes e pedras preciosas. 

Está correto o que se afirma apenas em 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) II. 
d) II e III. 
e) III. 

6. (FGV) Dentre os países do Oriente Médio assinalados no mapa, indique os nomes e a localização correta somente dos países não exportadores de petróleo e não pertencentes à OPEP.

a) I. Líbano, II. Israel e III. Síria.
b) I. Israel, III. Jordânia e IV. Iraque.
c) II. Síria, III. Jordânia e IV. Kuwait.
d) III. Líbano, IV. Iraque e V. Kuwait.
e) III. Síria, IV Iraque e V. Kuwait.

7. A área destacada no mapa da Itália corresponde:
a) ao chamado "mezzogiorno", porção menos desenvolvida.
b) à Planície do Pó, principal área agrícola.
c) à principal área produtora de azeitonas e pecuária ovina.
d) à principal zona produtora de carvão e petróleo.
e) à principal área industrial.

8. (Enem 2006) Em certas regiões litorâneas, o sal é obtido da água do mar pelo processo de cristalização por evaporação. Para o desenvolvimento dessa atividade, é mais adequado um local 
a) plano, com alta pluviosidade e pouco vento. 
b) plano, com baixa pluviosidade e muito vento. 
c) plano, com baixa pluviosidade e pouco vento. 
d) montanhoso, com alta pluviosidade e muito vento. 
e) montanhoso, com baixa pluviosidade e pouco vento. 

9. (Uff 2002) A África é um dos continentes mais afetados pela pobreza, guerras e conflitos étnicos. Acrescenta-se, ainda, à dramática realidade africana, a proliferação de doenças, entre elas, a AIDS, que já atinge cerca de 25 milhões de africanos (70% do total mundial dos soropositivos, segundo as informações da OMS). Para muitos autores a África representa uma "periferia abandonada" ou, até mesmo, "desconectada" do capitalismo globalizado. 
Entretanto, nesse continente, observa-se a presença de "periferias exploradas" que, em função dos seus recursos naturais estratégicos, atendem aos interesses das empresas globais; esse processo mantém, no século XXI, formas históricas de exploração do colonizado pelo colonizador. 
Dentre os recursos estratégicos das "periferias exploradas" da África, merecem destaque: 
a) os diamantes na África do Sul e o petróleo na Argélia e na Nigéria 
b) o urânio e o ferro em Uganda e Angola 
c) a bauxita e o alumínio na Somália e no Zaire 
d) o cobre na Líbia e o estanho na Tunísia e em Benin 
e) o carvão no Egito e o silício na Costa do Marfim 

10. (Fgv 2001) Observe com atenção o seguinte mapa: 
Assinale a alternativa que identifica corretamente o recurso mineral destacado no mapa e a explicação a ele relacionada. 
a) Carvão: na Primeira Revolução Industrial, a localização das indústrias era determinada pela presença das reservas carboníferas. 
b) Urânio: a maior desvantagem da energia obtida a partir dele é o risco de vazamento do material radioativo das usinas. 
c) Estanho: ainda hoje contribui positivamente na balança comercial da Rússia. 
d) Urânio: a nova tecnologia, que elimina os resíduos nucleares, evitou um grave acidente em Tokaimura (Japão). 
e) Carvão: apesar de ser um recurso natural não-renovável, suas reservas ainda suprem as usinas termelétricas dos países assinalados. 

11. (Fatec 1998) A produção de aço nos países desenvolvidos depende da exploração de minérios de ferro do mundo inteiro. 
Isso ocorre porque 
a) os países desenvolvidos do hemisfério norte não possuem minério de ferro em seu subsolo. 
b) os países altamente industrializados consomem muito aço, sendo insuficiente sua produção de minério de ferro. 
c) a China, país comunista, é a mais rica em ferro, mas não mantém relações comerciais com os países do mundo ocidental. 
d) os países mais pobres do mundo apresentam rochas com maior teor de ferro do que os altamente industrializados. 
e) os países grandes produtores de aço importam de outras partes do Globo minério de alto teor de ferro mas de preço elevado. 

12. (Puccamp 1997) Esta questão está relacionada aos versos apresentados a seguir. 

"... Quando chegam de Nova York 
as vanguardas imperiais, 
engenheiros, calculistas, 
agrimensores, peritos, 
e medem terra conquistada, 
estanho, petróleo, bananas, 
nitrato, cobre, manganês, 
açúcar, ferro, borracha, terra, 
adianta-se um anão obscuro, 
com um sorriso amarelo, 
e aconselha com suavidade 
aos invasores recentes: 


Não é preciso pagar tanto 
a estes nativos, seria 
um crime, meus senhores, elevar 
estes salários. Nem convém. 
Estes pobres diabos, estes mestiços, 
iriam só embriagar-se 
com tanto dinheiro. Pelo amor de Deus!
São uns primitivos, quase umas feras, conheço esta cambada. 
Não paguem tanto dinheiro." 
(Pablo Neruda, IN "Canto Geral")

Os versos escritos, na década de 40, pelo poeta chileno demonstram 
a) o elevado grau de exploração a que foram submetidos os recursos naturais e a mão de obra latino-americanos. 
b) a forte associação entre os grupos nacionais e internacionais na pesquisa e exploração dos recursos naturais dos países latino-americanos. 
c) uma situação particular da América Latina que não pode ser transposta para outras áreas do mundo. 
d) uma realidade vivida pelos países andinos mas que não foi conhecida nem nos países Platinos, nem no Brasil. 
e) o início das desigualdades regionais na América Latina, pois os países que sofrem diretamente algum tipo de exploração estrangeira permanecem subdesenvolvidos. 

13. (Udesc 2012) A extração de minérios pesa na economia de vários países da América do Sul. Assinale a alternativa que apresenta os maiores produtores de ferro da América Latina. 
a) Bolívia e Argentina. 
b) Colômbia e Equador. 
c) Brasil e Venezuela. 
d) Argentina e Peru. 
e) Brasil e Uruguai 

14. (Fgv 2012) Sobre os minerais conhecidos como “terras raras” e a polêmica envolvendo o seu comércio internacional, assinale a alternativa correta: 
a) A China detém a totalidade das reservas mundiais de “terras raras”, o que explica o controle que o país exerce sobre os preços internacionais desses minerais. 
b) As “terras raras” são essenciais para a economia chinesa, já que são capazes de elevar a produtividade dos solos agrícolas. 
c) Para alavancar a venda de “terras raras” no mercado mundial, a China vem praticando preços artificialmente baixos, que desconsideram os enormes impactos ambientais da produção. 
d) A disponibilidade de “terras raras” e os entraves à sua exportação tendem a ampliar a vantagem competitiva da China em alguns setores produtivos. 
e) No estágio tecnológico atual, as “terras raras” não podem ser utilizadas nos processos industriais. 

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Montserrat Martins

A sua opinião é mais importante do que você imagina. Ela influencia nos discursos e nas ações das autoridades, dos políticos, desde um vereador até o Presidente da República. A sua opinião sobre a Amazônia é fundamental para o que vai acontecer com ela, o quanto dela vai sobreviver.
A Amazônia está em chamas, alvo de queimadas que acabam com a floresta. Os incendiários se apossam dessas terras, depois de devastar a floresta. Além do combate às chamas, cabe ao governo mobilizar as polícias e o exército para prender estes criminosos.
Não sei se você percebeu, mas saiu no noticiário da semana passada que nuvens escuras, carregadas de fuligem das queimadas, chegaram até São Paulo, a milhares de quilômetros dos incêndios no Mato Grosso e em Rondônia. Em condições saudáveis, as nuvens que vem da Amazônia são os “rios flutuantes” que irrigam as plantações e abastecem os rios e reservatórios do país de água – fenômenos naturais que, com a diminuição da floresta, ameaçam os nossos rios também.
O clamor popular é importante para que sejam identificados esses bandidos incendiários, pois está evidente a impunidade, por omissão das autoridades responsáveis. Não adianta o Presidente dizer que desconfia “de ONGs interessadas em prejudicar o governo”, quando a obrigação do governo é identificar e prender os criminosos. O Presidente é responsável por zelar pelo nosso patrimônio nacional e não é um ato responsável acusar pessoas de quem ele não gosta, ao invés de tomar as providências legais para inibir o crime.
Se você gosta das praias de Florianópolis, deve ter notado que a faixa de areia está diminuindo ao longo dos anos, pois o nível do mar subiu em relação a décadas passadas. O derretimento do gelo das calotas polares é outro efeito da destruição da Amazônia, que Lutzemberger chamou de “o ar condicionado do planeta”, por ser o maior fator de proteção do clima contra o aquecimento global.
Nem você, nem eu, temos o poder de determinar que as forças de segurança nacional atuem com todo rigor contra a destruição da Amazônia. Mas temos o poder de cobrar isso de quem tem essa responsabilidade.
As obrigações legais não dependem de “gostar” ou “não gostar” de alguém. Não faz diferença de quem o Presidente gosta, ou quem gosta dele. Alguém ser nosso amigo, ou nosso desafeto, não muda os seus direitos nem os seus deveres, perante as leis.
É obrigação do Presidente – deste e de todos os outros, antes e depois dele – de usar todos os meios para deter as chamas na Amazônia e prender os responsáveis.
Montserrat Martins, Colunista do EcoDebate, é Psiquiatra, autor de “Em busca da alma do Brasil”.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/08/2019

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Nos últimos anos, a água tem estado em pauta. Fala-se da falta de chuvas e das consequências disso: danos à agricultura, racionamento de energia elétrica, implementação de campanhas para economizar o recurso nos diversos setores; fala-se das possibilidades de irrigação e, no Brasil, da transposição do rio São Francisco. Fala-se das águas contaminadas por produtos agrícolas; fala-se da poluição das águas devido aos resíduos urbanos – residenciais e industriais; fala-se do derretimento das calotas polares e do consequente aumento do nível do mar; fala-se do futuro, sem água, que nos espera; fala-se do Aquífero Guarani.

Apesar de existir bastante água no planeta, sua distribuição é bastante desigual: há regiões onde a água é abundante, como a região amazônica; há outras extremamente secas, como o deserto do Atacama/Chile. 

Observe nos gráficos sobre a distribuição da água no planeta.



A água é um recurso renovável, isto é, ela autopurifica-se num processo chamado ciclo hidrológico ou ciclo das águas. Você já estudou isso; para lembrar-se do processo, pesquise e enumere as fases do ciclo d’água.

A quantidade de água no ciclo é sempre a mesma (cerca de 1.386 milhão de  Km3), este volume d’água é uma constante no planeta há, aproximadamente, 500 milhões de anos. As alterações percebidas por nós são relativas às regiões. Por exemplo, uma região apresenta períodos chuvosos e secos devido a diversos fatores – climáticos, topográficos – mas a água que não está em determinada região em períodos de seca, está em algum outro lugar. 

O consumo de água pela população é variável de acordo com hábitos, costumes, disponibilidade do recurso e desenvolvimento da região. O abastecimento de água para a população é um indicador de qualidade de vida. Pode-se classificar o consumo de água por setores: o setor doméstico é o que menos consome água, sendo responsável por 10% do total; seguido do setor industrial, que responde por 21% do consumo; e, o grande consumidor é o setor agrícola, com 69% do total consumido no planeta.

Segundo Borghetti (2004, p. 82), “quanto maior o nível de desenvolvimento do país, maior é o consumo de água no setor doméstico”. Você poderia explicar por que isto ocorre? Lembre-se que é considerado setor doméstico o consumo de água para alimentação, uso sanitário e os serviços urbanos municipais como hospitais e creches.

A água é um recurso dotado de valor econômico e permite a produção de outros recursos e/ou bens. É utilizada para: produção de energia elétrica; abastecimento industrial; irrigação de plantações; transporte; pesca/piscicultura; turismo/lazer e, ainda tem uso terapêutico. Alguns autores diferenciam água de recurso hídrico. Chama-se água o elemento físico-químico, essencial à vida, e disponível na natureza; já, o recurso hídrico, é a água vista como bem econômico, dotado de valor financeiro.

Todos os usos da água provocam, também, efeitos negativos, que podem ser minimizados a partir de ações conscientes. Será que a desaceleração do modo de produção capitalista pode reverter estes efeitos?

Leia, a seguir, as diversas possibilidades de uso da água e alguns efeitos causados por cada um deles:
  • Abastecimento urbano: possibilita à produção de esgotos que, por sua vez, provocam poluição orgânica e química. “No Brasil, o lançamento de lixos domésticos e industriais sem tratamento nos cursos de água figura como a principal causa de degradação das águas” (Cláudio Langone, ministério do meio Ambiente, no IV Fórum mundial das Águas).
  • Processo industrial: gera resíduos que provocam poluição orgânica e química, muitas vezes com alto grau de toxidade; o desperdício também é um fator significativo nas atividades industriais, principalmente devido ao não reuso da água. 
  • Produção de energia elétrica: causa danos ambientais, sociais e econômicos, devido à formação do lago e a conseqüente necessidade de emigração das pessoas e fim da produção agrícola e pecuária ali existente.
  • Irrigação e criação de animais nas proximidades de rios: provocam perdas e poluição por agroquímicos utilizados nas lavouras e por dejetos orgânicos. 
  • Hidrovias: apesar de ser o meio de transporte de menor impacto ambiental, pode poluir por derrame de óleos combustíveis e/ou derramamento das cargas transportadas, principalmente se forem tóxicas.
  • Turismo/lazer e uso terapêutico (explorações econômicas em estâncias hidrominerais, águas termais, praias doces): aparentemente inofensivas, produzem grande quantidade de lixo.
Além de seu intenso uso, a água é, também, fonte de inspiração e aparece cantada em verso, prosa e notas musicais há muito tempo. Como exemplo, podemos citar diversas canções nas quais a água – ou sua forma de aparecer – é a personagem principal: a valsa “Danúbio Azul” (1867), de Johan Strauss II (1825-1899); a axé music, muito cantada no carnaval, “Água Mineral”, de Carlinhos Brown; a canção da  MPB “Águas de Março” (1972), de Tom Jobim (1927-1994); a MPB “Planeta Água” (1980), de Guilherme Arantes.

As canções citadas são de diversos gêneros, isto é, fazem parte de categorias dentro de um mesmo estilo ou têm alguns elementos em comum – melodia, harmonia, ritmo, timbre, forma, tessitura. Os gêneros podem ser definidos geograficamente (música indiana, por exemplo); cronologicamente (música renascentista); ou por apresentarem características técnicas em comum.

Isso não significa que não existam outros, pois os estilos musicais, ao entrarem em contato entre si, produzem novos estilos e as culturas se misturam para produzir novos gêneros. 

Alguns artistas utilizam os sons produzidos com a água em suas composições. É o caso de Hermeto Pascoal, músico alagoano que, além de tocar diversos instrumentos, produz sons harmoniosos a partir de objetos, entre outras coisas. Em entrevista concedida a Christiane Duarte, Daniel Lima e Oswaldo Schlickmann Filho, em 1999, e publicada no site construído por eles (disponível em: http://www.geocities.com/hermetopaschoal/index2.htm), ele declara: “Eu toco inclusive este aqui (mostra um copo com água) que é instrumento que eu toco muito no disco [...]”,&nb
sp;
referindo-se ao CD “Eu e Eles”, lançado naquele ano.

Por conta da essencialidade da água, ela atrai, onde quer que esteja, investimentos de muitos países. Apesar de a água ser um bem de uso comum do povo, muitas são as empresas a beneficiarem-se com seu manejo. Deste modo, países do mundo todo têm privatizado a exploração e distribuição de água para a população. No Brasil, diversas cidades privatizaram este serviço, a primeira delas foi Limeira, no interior de São Paulo, que, desde 1995, tem os serviços operados pela empresa francesa Lyonnaise des Eaux, uma das três empresas que controlam 40% do mercado mundial de água em cerca de 100 países. As outras empresas são: Veolia e Saur, também francesas. 

A privatização tem tornado os serviços mais caros e com qualidade duvidosa. Em diversos países têm ocorrido movimentos populares no sentido de tornar a água um recurso de manejo estatal. Na França, as privatizações municipais se deram na década de 80 do século XX; neste início de século, elas estão sendo revistas e muitas concessões estão sendo canceladas. No Uruguai, houve plebiscito que garantiu a água como bem de domínio público e, por isso, deve ser gerida pelo Estado (2004); na Bolívia, houve rescisão do contrato de prestação de serviços após protestos da população (2005). 

Muitas ações vêm acontecendo no sentido de garantir a gestão pública da água e sua distribuição a baixo custo. Entre elas está a realização do Fórum Mundial de Águas, que está na sua quarta versão. Segundo seus organizadores, o principal propósito do evento é definir caminhos adequados para que seja garantida a distribuição universal e sustentável do recurso. 

De acordo com diversas pesquisas, a água está tornando-se um recurso cada vez mais escasso e, justamente por isso, seu manejo vem sendo objeto de interesses econômicos e políticos. Em 2002, o documento da ONU denominado “Desafio Global, Oportunidade Global” apresenta informações como: 40% da população mundial tem dificuldade em conseguir água potável; 2,2 milhões de pessoas morrem, por ano, por beberem água contaminada; em 2025 serão 4 bilhões de pessoas sem acesso a água. Partindo dos números apresentados pela ONU, podemos afirmar que o controle do uso da água significa deter o poder?

Se voltarmos ao início deste texto, veremos que 22,4% da água disponível no planeta está abaixo da superfície. Ou seja, há mais água no sub-solo do que em rios e lagos. “Os terrenos ou formações geológicas que armazenam águas subterrâneas são chamados aquíferos” (ROCHA, 2002, p. 25). Segundo Scotti (2005), a Unesco apresenta registros a respeito do uso das águas subterrâneas e dos problemas decorrentes da má utilização destas reservas. Os aquíferos variam de tamanho e de profundidade. Entre os mais importantes do mundo está o Aquífero Guarani ou Sistema Aquífero Guarani (SAG), que ocupa 1,2 milhões de Km² nos territórios argentino, brasileiro, paraguaio e uruguaio. Da área total do aquífero, a maior parte está localizada em território brasileiro – cerca de 840.000 Km². Abrange parte das seguintes unidades da federação: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Veja na Figura 3 a localização do Aquífero Guarani. São 45 trilhões de m³ de água que, segundo Scotti (2005), necessitam de mais pesquisas a respeito de sua qualidade.

Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai vêm discutindo, na Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul (Mercado Comum do Sul), questões referentes ao aquífero e seu manejo. 

Em outubro de 2004 foi realizado o Seminário Internacional Aquífero Guarani “Gestão e Controle Social”, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná. Participaram do evento membros da Comissão Parlamentar Conjunta, representantes dos Governos dos quatro países, de movimentos populares e de ONG’s que lidam com a problemática do meio ambiente e da água, e de universidades e centros de pesquisa. Neste evento foi redigida a “Carta de Foz do Iguaçu sobre o Aquífero Guarani”, documento em que os participantes declararam:

Que a reserva de água subterrânea estocada no Aquífero Guarani, comprovadamente um dos maiores sistemas aquíferos do mundo, estendendo-se pelos territórios do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, indiscutivelmente uma das maiores riquezas naturais da Região do Cone Sul, seja declarado bem público do povo de cada Estado soberano onde a reserva se localiza, e que seja protegido pelos governos e populações para que possam, estratégica e racionalmente, auferir os benefícios comuns, indispensáveis para a sobrevivência futura. (Carta de Foz do Iguaçu, 2005.)

Lendo este trecho da Carta, você pode perceber preocupações com a proteção do aquífero bem como a explicitação de que os Estados-Nação onde ele se localiza são soberanos. Foi instituído em 2004, o Conselho Mercado Comum para “elaborar um projeto de Acordo dos Estados Partes do Mercosul relativo ao Aquífero Guarani que consagre os princípios e critérios que melhor garantam seus direitos sobre o recurso águas subterrâneas, como Estados e na sub-região”. O Conselho ainda não concluiu sua tarefa, mas, dentre os parâmetros que balizam a construção do projeto está o princípio da soberania dos Estados.

A maioria das pessoas acredita que, atualmente, não existem problemas de soberania; ou que, quando eles acontecem, são conflitos distantes de nós e não nos dizem respeito. Porém, diversas ações contemporâneas, por parte de diversas nações, ferem a soberania de outras e, tais ações têm conseqüências em todo o mundo.

A água sempre foi causadora de conflitos. Seja devido ao uso para navegação, seja para abastecimento da população, seja para a produção de energia.

No Brasil, por exemplo, parte da ocupação territorial deu-se por meio dos rios. Os conflitos de nosso país com os países vizinhos, hoje parceiros no Mercosul, deram-se devido à bacia do Prata, que engloba um dos principais sistemas hidroviários do mundo, do qual o rio Paraná é o principal formador. Lembre-se, também, de que o Paraguai não tem litoral e que o rio Paraná é seu acesso natural ao oceano.

Ainda em se tratando de acesso, o Canal do Panamá é outro exemplo de conflito. O Panamá fica no istmo que liga América do Norte à América do Sul, separa o Oceano Atlântico do Pacífico e, até o início do século XX, era território colombiano. O canal foi iniciado pelos franceses, em 1880, com o intuito de ligar os dois oceanos e, com isso, reduzir distâncias, o que favorecia a consolidação do capitalismo industrial, por meio da troca comercial entre países industrializados e países não-industrializados. Devido a diversos fatores, os franceses abandonaram o projeto. Os Estados Unidos, considerando que o domínio do canal seria de grande importância econômica, militar e política, fizeram contato com a Colômbia para terminar o projeto; como o acordo EUA-Colômbia não foi aprovado pelo parlamento colombiano, os EUA apoiaram o movimento panamenho de independência (1903), terminaram o canal e tiveram domínio sobre a Zona do Canal até 1999. 


As afirmações relativas à escassez de água potável num futuro próximo tornam este recurso natural objeto de cobiça. Evidentemente, possuir ou deter o poder sobre grandes mananciais é fator estratégico. Por isso, alguns pontos do planeta são zonas potenciais de conflito, por exemplo, EUA e Canadá – devido a região dos Grandes Lagos e rios compartilhados; e países da ex-Iugoslávia – devido ao compartilhamento da bacia do rio Danúbio (o mesmo da valsa citada anteriormente).

Desde junho de 2005, existem preocupações com a soberania dos países do ConeSul. Isso porque Paraguai e EUA fizeram, segundo o governo paraguaio, um acordo militar de treinamento. 

Em 27 de julho de 2005, a Folha de São Paulo publicou um artigo intitulado “Forças militares dos EUA podem intervir no Brasil, diz Fidel Castro”, o artigo refere-se a um discurso do ditador cubano onde demonstra preocupação com uma possível intervenção dos EUA na Bolívia e no Brasil. Tal preocupação deu-se devido ao desembarque de soldados norte-americanos no Paraguai.

Em 25 de setembro de 2005, o jornal argentino Clarín publicou uma matéria com título “Marines en Paraguay: se reaviva el temor sobre los recursos naturales” com sub-título: “Aumentan las sospechas de que la presencia militar está vinculada con el agua”, o texto trata da entrada dos militares estadunidenses no Paraguai, da imunidade total dada a eles e dos temores com relação ao Aquífero Guarani que esta ação provocou. 

O jornal O Globo, de 06 de janeiro de 2006, publicou artigo de Waldemar Zveiter (Ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça) intitulado “Os EUA e o Paraguai precisam se explicar”, no texto o autor trata da importância da água, da situação estratégica daqueles que a detêm e do desembarque dos soldados norte-americanos no Paraguai:

[...] dados geográficos tornam claríssima a importância estratégica do aquífero, tornando-se ainda mais relevante numa época em que cientistas sociais e geopolíticos alertam para a crescente importância da água no mundo. Bem acima do petróleo, para o qual já começam a ser encontradas alternativas, a água doce do planeta poderá se constituir, a partir dos próximos vinte anos, um motivo de disputas entre nações, levando-os até a guerra por seu domínio.

Cada um dos países do Mercosul que abrigam o Aquífero Guarani são Estados-Nação. São soberanos, isto é, independentes, têm autonomia sobre todo o seu território e tudo o que tem nele. Assim, cabe a estes países as decisões relativas à exploração e uso dos recursos naturais que possuem.

Fonte: SEED