Artigos por "Atualidades"
Mostrando postagens com marcador Atualidades. Mostrar todas as postagens
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!
Montserrat Martins

A sua opinião é mais importante do que você imagina. Ela influencia nos discursos e nas ações das autoridades, dos políticos, desde um vereador até o Presidente da República. A sua opinião sobre a Amazônia é fundamental para o que vai acontecer com ela, o quanto dela vai sobreviver.
A Amazônia está em chamas, alvo de queimadas que acabam com a floresta. Os incendiários se apossam dessas terras, depois de devastar a floresta. Além do combate às chamas, cabe ao governo mobilizar as polícias e o exército para prender estes criminosos.
Não sei se você percebeu, mas saiu no noticiário da semana passada que nuvens escuras, carregadas de fuligem das queimadas, chegaram até São Paulo, a milhares de quilômetros dos incêndios no Mato Grosso e em Rondônia. Em condições saudáveis, as nuvens que vem da Amazônia são os “rios flutuantes” que irrigam as plantações e abastecem os rios e reservatórios do país de água – fenômenos naturais que, com a diminuição da floresta, ameaçam os nossos rios também.
O clamor popular é importante para que sejam identificados esses bandidos incendiários, pois está evidente a impunidade, por omissão das autoridades responsáveis. Não adianta o Presidente dizer que desconfia “de ONGs interessadas em prejudicar o governo”, quando a obrigação do governo é identificar e prender os criminosos. O Presidente é responsável por zelar pelo nosso patrimônio nacional e não é um ato responsável acusar pessoas de quem ele não gosta, ao invés de tomar as providências legais para inibir o crime.
Se você gosta das praias de Florianópolis, deve ter notado que a faixa de areia está diminuindo ao longo dos anos, pois o nível do mar subiu em relação a décadas passadas. O derretimento do gelo das calotas polares é outro efeito da destruição da Amazônia, que Lutzemberger chamou de “o ar condicionado do planeta”, por ser o maior fator de proteção do clima contra o aquecimento global.
Nem você, nem eu, temos o poder de determinar que as forças de segurança nacional atuem com todo rigor contra a destruição da Amazônia. Mas temos o poder de cobrar isso de quem tem essa responsabilidade.
As obrigações legais não dependem de “gostar” ou “não gostar” de alguém. Não faz diferença de quem o Presidente gosta, ou quem gosta dele. Alguém ser nosso amigo, ou nosso desafeto, não muda os seus direitos nem os seus deveres, perante as leis.
É obrigação do Presidente – deste e de todos os outros, antes e depois dele – de usar todos os meios para deter as chamas na Amazônia e prender os responsáveis.
Montserrat Martins, Colunista do EcoDebate, é Psiquiatra, autor de “Em busca da alma do Brasil”.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/08/2019

Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!

Estudo inédito foi publicado em revista internacional



O estudo foi realizado na região central da Bolívia, em uma das maiores savanas tropicais da América do Sul, "Llanos de Mojos", com cerca de 200 mil km².


No meio da savana Llanos de Mojos, na porção amazônica da Bolívia, um grupo de arqueólogos conseguiu identificar resquícios de uma grande rede de drenagem, de cerca de 2 km de extensão, usada para a criação de peixes pela população indígena que habitou o local por quase 1000 anos, no período de 500 a 1.400 d.C. A pesquisa foi publicada na revista internacional Plos One, conceituada com Qualis A1, o mais alto nível conferido pela Capes. Traz resultados do esforço de um time de pesquisadores da Alemanha, França e Bolívia, liderado pela professora Gabriela Prestes Carneiro e com participação da professora Myrtle Pearl Shock, ambas do curso de Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Segundo o estudo, possivelmente, a rede tinha a função de fornecer água e alimento durante o ano inteiro em uma região que passa oito meses no período da seca e que estava muito longe de fontes de água corrente. O rio mais próximo passa a 20 km e o lago, a 7 km de distância. O sistema funcionaria como um funil, drenando a água da chuva em direção aos poços e canais e possibilitando a reserva de água. A rede recém-descoberta é formada por canais com 2 km de extensão e poços artificiais de 30 metros de diâmetro, 2,5 metros de profundidade e capacidade de armazenar 1.410 metros cúbicos de água.
“Essas populações eram sedentárias e, através do conhecimento do regime de chuvas, das particularidades do território, manejaram o ambiente e elaboraram essas tecnologias que lhes permitiam viver o ano inteiro. Provavelmente os poços eram estruturas multifuncionais, serviam para consumo de água, criação de peixes e, provavelmente, também puderam abastecer cultivos de amendoim, abóbora, pimenta, algodão, mandioca, cará e milho, que foram encontrados no sítio arqueológico”.
O estudo, realizado entre 2015 e 2018, é o primeiro a trazer uma extensa lista de peixes consumidos por populações pré-coloniais, com mais de 35 espécies identificadas. Os mais de 17.000 fragmentos analisados apontam que as principais espécies consumidas eram muçum, tamoatá, piramboia, traíra e acari.
Carneiro conta que a enorme quantidade de ossos encontrados no local foi o ponto de partida da descoberta dos tanques. A pesquisadora montou as ossadas e comparou os ossos com os esqueletos de peixes amazônicos disponíveis na coleção científica do Museu Nacional de História Natural de Paris. Assim, conseguiu identificar as espécies e percebeu que se tratava de peixes que possuem adaptações fisiológicas para resistir a águas extremamente rasas e com baixo oxigênio, os chamados “peixes de lama”, como o muçum, o tamoatá e a pirambóia. A grande sacada foi relacionar essa característica das espécies encontradas às áreas escavadas, de modo que os pesquisadores foram percebendo que se tratava de canais e poços.
“Eu fui vendo o conjunto de espécies que tinha descoberto e ligando aos tanques. E aí começamos o processo de documentar melhor esses tanques, entender como que era o abastecimento de água. E percebemos que as plataformas artificiais, que eram os locais de moradia deles, estão numa área mais elevada e que os canais vão para áreas mais baixas. Isso indica que os indígenas conheciam muito bem o regime de cheia e vazante da água e a topografia para fazer esse manejo da água”, explica Carneiro.
Cultura alimentar – Segundo a professora, o estudo demonstra a riqueza alimentar das populações da época. “A dieta deles era muito mais diversa do que a gente imaginava. Eles consumiam uma diversidade enorme de plantas e animais – e que hoje nós perdemos. É importante focarmos em como nós podemos aprender com essas lições do passado e também das comunidades tradicionais e populações indígenas, de como enriquecer e variar os componentes da nossa dieta”.

Na Bolívia, as espécies de peixes encontradas, como muçum e tamoatá, são consumidas até hoje, mas pelas populações mais pobres. “Hoje nos centros urbanos da Amazônia se consome muito surubim, tucunaré, pescada, e esquecemos dessas espécies de pequeno porte que são  extremamente nutritivas. Há hoje um fluxo de resgate, junto aos restaurantes, de receitas antigas amazônicas e de tentar reintegrar esses sabores à nossa dieta”, afirma a professora.
Indícios no Oeste do Pará – “Esse tipo de construção, em plataformas (ou montículos), é bastante comum em toda Amazônia. Durante muito tempo, na arqueologia amazônica, estudamos as plataformas sem olhar as outras obras de terra associadas a elas. Na Bolívia encontramos esses canais que provavelmente ajudavam a escoar a água para os tanques, mas há muitas outras obras de terra para serem estudadas na Amazônia”, destaca Carneiro.
Outros exemplos de tanques pré-coloniais na Amazônia já foram documentados, na Venezuela e arquipélago do Marajó, no Nordeste paraense e também no Oeste do Pará. Nos municípios de Santarém e Belterra, pesquisadores encontraram indícios de poços de grande porte, com tamanhos que variam de 5 metros a impressionantes 50 metros de diâmetro. São estruturas que ainda precisam ser documentadas e que podem contribuir para melhor compreender como os indígenas pré-coloniais manejavam as águas e as áreas de savana.
O artigo é de acesso livre e está disponível (em inglês) na página https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0214638.
Luena Barros - Comunicação/Ufopa

27/6/2019
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!



Ansiedade, estresse e nervosismo pairam sobre os estudantes quando antecedem as épocas de testes. Não importa qual ele seja, escola, faculdade, vestibular, Enem, concursos e outros métodos de avaliação, a dúvida é: O que fazer no dia da prova e o anterior a ele?
Por mais que você tenha se preparado, sempre fica no ar aquela sensação que poderia ter feito melhor. É perfeitamente normal se sentir assim, entretanto, os especialistas afirmam que é necessário relaxar conforme o grande dia se aproxima.
Abaixo, confira algumas dicas importantes que podem ajudar otimizar o seu desempenho:

O que fazer no dia anterior de uma prova?
Quantas vezes você estudou muito sobre um determinado assunto e quando precisou usar os conhecimentos " DEU BRANCO". Saiba que isso é corriqueiro, sobretudo em pessoas que se estressam muito fácil.
O controle do emocional é extremamente importante para conseguir chegar no local da prova e a executar com louvor. De acordo com os especialistas, os seguintes truques podem acalmar a mente e controlar o nervosismo. Confira!

1- Tenha um dia tranquilo e saudável
Faça seu organismo a se habituar com o horário de levantar.  Faça refeições saudáveis o longo do dia.
Evite alimentos gordurosas e muito ricos em carboidratos e açúcar, além de deixar o corpo e a mente cansados, esses alimentos podem causar algum mal-estar.
Relaxe, assista um bom filme e fique de pernas para o ar. Exercícios físicos ao ar livre também são uma ótima pedida para oxigenar o cérebro e conferir uma sensação de bem-estar.
De preferência, não saia a noite, faça programas caseiros, evite festas e reuniões que possam tirar o seu foco, especialmente porque nesses eventos podem haver consumo de bebidas e excesso de comida.

2- Não reveja as matérias
Acredite, estudar agora não vai ajudar. Quando uma pessoa vai prestar algum tipo de prova, ela precisa ter um cronograma de estudos, isso não deve incluir a véspera.
O motivo é simples, as chances de entrar em pânico com matérias ou assuntos que não domina é grande, isso pode interferir e deixar a mente muito sobrecarregada e preocupada.

3- Programe como vai chegar no local da prova
Anote o endereço e avalie o tempo de chegada, portanto, já deixe organizado a hora que você precisa sair de casa (com folga) para chegar sem atrasos.
Prefira chegar de 30 minutos ou a 1 hora antes, é melhor ficar sossegado do que correr o risco de perder a prova.
Avalie se é melhor ir de carro, se tem lugar para estacionar ou de transporte público, caso optar pela segunda opção, confira os horários que ela passa para assegurar que não haverá atrasos.

4- Separe os materiais e documentos que precisa para o grande dia
Deixe tudo preparado, os documentos exigidos e o material necessário para realizar o teste. Se possível, separe as roupas e o calçado que vai usar no dia da prova.
Para as pessoas que vão realizar concursos, Enem ou vestibular é preciso se certificar dos materiais que podem ser usados, geralmente, os editais trazem essa informação.
Sempre conte com imprevistos, portanto, se puder levar material reserva, é sempre bem-vindo.

5- Durma bem
Não fique pensando muito no teste, tire o foco desse pensamento. Coloque o despertador algumas horas antes, afinal, você precisa se organizar antes de sair de casa e chegar cedo no local.
Leia um bom livro, veja um programa na TV, ouça música, faça meditação, oração e tome um banho quente, essas ações vão te ajudar a ir cedo para cama, agora é hora de relaxar, afinal, está tudo pronto para o dia da prova.
Lembre- se, você estudou, portanto, é só deixar acontecer.

O que fazer no dia da prova?
Saia da cama assim que o relógio despertar, tome um banho, se vista e consuma um café da manhã nutritivo, não importa a hora que sua prova seja.
Se você tiver tempo, antes do banho, faça uma atividade física, motive-se.
Faça uma preparação mental e se veja tranquilo na hora na prova, use estratégias de respiração para não perder o controle e ficar muito ansioso.
" Deixe o ar entrar no seu corpo enquanto você conta vagarosamente até 3".
" Depois, solte o ar bem devagar contando até 3".
Chegue no local da prova, procure a sua sala e aguarde ali próximo. A hora que sentar na cadeira, leia atentamente as questões, se preferir, comece por aquelas que achar mais fáceis.
Não pense no tempo, simplesmente, faça no seu ritmo. Se concentre na leitura, caso ficar ansioso, repita o exercício de respiração e continue, afinal, não há mais o que fazer no dia da prova. Confie no que você estudou!

Colaboração: Riberus

Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!


Você sabia que existem os "super leitores"?
São pessoas com um talento nato ou que possuem técnicas para ler mais rápido do que a normalidade.
O fato que chamou bastante atenção da mídia foi de uma bibliotecária americana que conseguia ler uma marca de seis livros por dia. Existem outras pessoas que conseguem ler um livro a cada dois dias. Nessa velocidade, muitos batem recordes que para a maioria das pessoas, seria impossível.
Será que existe algum segredo ou estratégia para conseguir atingir essas marcas impressionantes?
As pesquisas apontam que pessoas que possuem o hábito aguçado para leitura conseguem ler facilmente entre 200 a 400 palavras por minuto e compreendem absolutamente tudo.
Se você quer fazer parte desse grupo de pessoas, conheça a seguir algumas técnicas para ler mais rápido:

Tenha o hábito de ler muito
De acordo com os especialistas, as pessoas que conseguem ler rápido são aquelas que tem o hábito de ler sobre assuntos variados. É bem verdade que algumas já nasceram com essa facilidade do processamento da informação, entretanto, outras, treinam muito para se superar.
Basicamente, acelerar a forma como se lê precisa de prática, para isso é importante aprender mais sobre um determinado assunto, quanto mais souber, mais rápido conseguirá assimilar as palavras.
Além disso, é importante buscar assuntos com um grau de dificuldade mais elevado, onde aprenderá novas palavras para ampliar o vocabulário.

Melhorar a visão periférica
A maioria das pessoas que não possuem habilidades na leitura usam o foco central da visão, isso pode reduzir em até 50% a quantidade de palavras percebidas, pois os olhares estão focados em um só lugar.
O uso da visão periférica promove amplitude na quantidade de palavras lidas em cada fixação, é como se fosse um apanhado geral, os olhos andam entre as palavras rapidamente.

Faça menos movimentos com os olhos
Os olhos se movem de acordo com o comprimento e familiaridade nas próximas palavras, o responsável por isso é o cérebro.
Você precisa treinar o movimento dos olhos para que se movam em direção a outras partes da página. Essa técnica é usada quando o conteúdo é muito denso e não há muita relevância, acredite, isso acontece até em bons livros.
O objetivo é passar os olhos no texto para ver se encontra algo que lhe interessa, pode ser uma parte em destaque, negritada ou frases que chamem a atenção, quando achar, é ideal reduzir o ritmo da leitura para melhor compreensão.

Não fale enquanto lê
Emitir algum tipo de som enquanto lê é prejudicial ao entendimento do texto e a velocidade da leitura, isso ocorre porque a fala é mais lenta do que a visão, por isso, ela interfere na leitura rápida.
Se você não consegue ficar de boca fechada enquanto lê, é preciso treinar, pois a leitura fica mais rápida quando o cérebro não assimila a sonoridade das frases. Alguns leitores costumam mascar chicletes para manter a musculatura usada para subvocalizar ocupada.

Reduzir a quantidade e duração de fixações por linha
Durante a leitura, nossos olhos realizam saltos, na verdade, uma sequência deles. Cada um termina com uma fixação, ou seja, um pedaço do texto cujo os olhos focam, o tempo estimado para cada parada é meio segundo em uma leitura normal.
Para conseguir ler mais rápido é necessário reduzir essa quantidade e duração dessas fixações.
É interessante aplicar as técnicas para ler mais rápido citadas acima, no entanto, o seu limite é o ponto até onde consegue compreender o que está lendo.
De nada adianta ler rápido se não consegue entender. Para medir sua velocidade de leitura, é feito o seguinte cálculo:
  • Coloque um cronômetro marcado em 1 minuto;
  • Leia uma página de um livro de forma rápida, mas é preciso compreender todo o conteúdo;
  • Quando o tempo acabar, multiplique o número de linhas lido pela média de palavras por linha que você já havia calculado antes de ler;
  • Essa é a sua nova marca no quesito " velocidade de leitura";

É importante ter em mente que o nosso cérebro é muito flexível, ele se adapta a novos estímulos, portanto, o segredo é praticar. De preferência, use livros físicos para conseguir melhores estímulos, quando dominar essas técnicas, pode usar computadores e tabletes.

Colaboração: WebTrends

Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!

Ela tinha 14 anos quando se juntou à resistência holandesa, embora com seus longos cabelos escuros em tranças ela parecesse pelo menos dois anos mais nova.


Quando ela andava de bicicleta pelas ruas de Haarlem, na Holanda do Norte, com armas de fogo escondidas em uma cesta, as autoridades nazistas raramente paravam para interrogá-la. Quando ela caminhava pela floresta, servindo como vigia ou levando seu alvo da SS para um lugar isolado, havia pouca indicação de que ela carregava uma arma e estava preparando uma execução.

Acreditava-se amplamente que a resistência holandesa era um esforço do homem na guerra de um homem. Se as mulheres estivessem envolvidas, segundo o raciocínio, elas provavelmente estavam fazendo pouco mais do que distribuir panfletos ou jornais anti-alemães.

No entanto, Freddie Oversteegen e sua irmã Truus, dois anos mais velha do que ela, eram raras exceções - duas mulheres adolescentes que pegaram em armas contra ocupantes nazistas e “traidores” holandeses nos arredores de Amsterdã.

Com Hannie Schaft, uma ex-estudante de direito com cabelos ruivos, sabotou pontes e ferrovias com dinamite, atirou nazistas enquanto andava de bicicleta e vestiu disfarces para contrabandear crianças judias pelo país e às vezes fora dos campos de concentração.

Em talvez seu ato mais ousado, eles atraíram seus alvos em tavernas ou bares, perguntaram se queriam “dar um passeio” na floresta - e “liquidá-los”, como disse Oversteegen, com um puxão do gatilho.

Oversteegen descreveu sua parte na resistência como fonte de orgulho e dor:

"Nós tivemos que fazer isso", disse ela a um entrevistador. “Foi um mal necessário, matar aqueles que traíram as pessoas boas.” Quando perguntada sobre quantas pessoas ela havia matado ou ajudado a matar, ela hesitou: “Não se deve pedir a um soldado nada disso”.

Freddie Oversteegen, o último membro remanescente da mais famosa célula de resistência feminina da Holanda, morreu um dia antes de seu 93º aniversário. Ela estava morando em um lar de idosos em Driehuis, a 8 km de Haarlem, e sofrera vários ataques cardíacos nos últimos anos, disse Jeroen Pliester, presidente da Fundação Nacional Hannie Schaft.

A organização foi fundada pela irmã de Oversteegen em 1996 para promover o legado de Schaft, que foi capturado e executado pelos nazistas semanas antes do fim da Segunda Guerra Mundial. "Schaft tornou-se o ícone nacional da resistência feminina", disse Pliester, um mártir cuja história foi ensinada a crianças de toda a Holanda e festejada em um filme de 1981, The Girl With the Red Hair , que tirou seu título de seu apelido.

Oversteegen serviu como membro do conselho na organização de sua irmã. Mas ela "decidiu estar um pouco fora dos holofotes", disse Pliester, e às vezes foi ofuscado por Schaft e Truus, o líder do grupo.

"Eu sempre tive um pouco de inveja dela porque ela recebeu muita atenção depois da guerra", disse Oversteegen à Vice Holanda em 2016, referindo-se a sua irmã. "Mas então eu apenas pensava: 'Eu também estava na resistência'".

Era, ela disse, uma fonte de orgulho e dor - uma experiência de cinco anos da qual ela nunca se arrependeu, mas que veio para assombrá-la em tempos de paz. Tarde da noite, incapaz de adormecer, ela às vezes lembrava as palavras de uma velha canção de batalha que servia de hino para ela e sua irmã: “Levamos o melhor para suas sepulturas / rasgadas e disparadas, espancadas até o sangue correr / cercado pelos carrascos no cadafalso e cadeia / mas a fúria do inimigo não nos assusta. ”

Freddie Nanda Oversteegen nasceu na aldeia de Schoten, agora parte de Haarlem, nos anos vinte. Seus pais se divorciaram quando ela era criança, e Freddie e Truus foram criados principalmente por sua mãe, uma comunista que incutiu um senso de responsabilidade social nas meninas; ela eventualmente se casou novamente e teve um filho.

Em entrevistas com o antropólogo Ellis Jonker, reunidos no livro 2014 Under Fire: Mulheres e II Guerra Mundial , Freddie Oversteegen lembrou que sua mãe incentivou-os a fazer bonecas para as crianças que sofrem na Guerra Civil Espanhola, e começando na década de 1930 ofereceu-se com a International Red Aid, uma espécie de Cruz Vermelha comunista para prisioneiros políticos em todo o mundo.

Apesar de viverem na pobreza, dormindo em colchões improvisados ​​cheios de palha, a família recebeu refugiados da Alemanha e de Amsterdã , incluindo um casal judeu e uma mãe e um filho que moravam no sótão. Depois que as forças alemãs invadiram a Holanda em maio de 1940, os casais foram transferidos para outro local; Líderes da comunidade judaica temiam uma possível invasão, por causa das conhecidas tendências políticas da família.

"Eles foram todos deportados e assassinados", disse Oversteegen a Jonker. “Nós nunca mais ouvimos falar deles. Ainda me emociona, sempre que falo sobre isso.

Oversteegen e sua irmã começaram suas carreiras de resistência distribuindo panfletos (“A Holanda precisa ser livre!”) E pendurando cartazes antinazistas (“Para todo holandês que trabalha na Alemanha, um alemão vai para a frente!”). Seus esforços aparentemente atraíram a atenção de Frans van der Wiel, comandante do Conselho de Resistência de Haarlem, que os convidou a se juntar à sua equipe - com a permissão de sua mãe.

"Só mais tarde ele nos disse o que realmente deveríamos fazer: sabotar pontes e ferrovias", disse Truus Oversteegen, segundo Jonker. “Nós dissemos a ele que gostaríamos de fazer isso. "E aprenda a atirar, atirar nazistas", acrescentou. Lembro-me da minha irmã dizendo: 'Bem, isso é algo que eu nunca fiz antes' ”.

Por conta de Truus, foi Freddie Oversteegen quem se tornou o primeiro a atirar e matar alguém. "Foi trágico e muito difícil e nós choramos sobre isso depois", disse Truus. “Nós não sentimos que nos convinha - nunca se adapta a ninguém, a menos que sejam criminosos de verdade ... Um perde tudo. Envenena as coisas belas da vida. ”

As irmãs Oversteegen eram oficialmente parte de uma célula de resistência de sete pessoas, que cresceu para incluir um oitavo membro, Schaft, depois que ela entrou em 1943. Mas as três meninas trabalharam principalmente como uma unidade autônoma, disse Pliester, seguindo instruções de o Conselho da Resistência.

Depois que a guerra terminou em 1945, Truus trabalhou como artista, fazendo pinturas e esculturas inspiradas em seus anos de resistência, e escreveu um livro de memórias popular, Not Then, Not Now, Not Ever . Ela morreu em 2016, dois anos depois que o primeiro-ministro Mark Rutte premiou as irmãs com a Mobilization War Cross, uma honra militar pelo serviço na Segunda Guerra Mundial.

De sua parte, Freddie Oversteegen disse ao vice que ela lidou com os traumas da guerra “ao se casar e ter filhos”. Ela se casou com Jan Dekker, adotando o nome Freddie Dekker-Oversteegen, e criou três filhos. Eles sobrevivem com ela, assim como seu meio irmão e quatro netos. Seu marido, que trabalhava na empresa siderúrgica Hoogovens, morreu.

Em entrevistas, Oversteegen frequentemente falava da física da morte - não da sensação do gatilho ou do chute da arma, mas do inevitável colapso que se seguiu, as vítimas caíram no chão.

"Sim", ela disse a um entrevistador, de acordo com o jornal holandês IJmuider Courant , "eu atirei em uma arma e os vi cair. E o que há dentro de nós nesse momento? Você quer ajudá-los a se levantar.

Freddie Oversteegen, holandês combatente da resistência, nascido em 6 de setembro de 1925, morreu em 5 de setembro de 2018.

Disponível em https://www.independent.co.uk/news/obituaries/freddie-oversteegen-dead-dutch-resistance-nazi-germany-netherlands-occupation-second-world-war-a8542941.html
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!

A controvérsia sobre a camada social que melhorou de vida está presente até no debate eleitoral. Classe C é classe média?

A redução da pobreza brasileira neste século fez da classe C a maior do País. Com base em critérios de renda, o grupo engloba atualmente algo como 110 milhões de pessoas, de uma população total estimada há pouco pelo IBGE em 202 milhões de habitantes. Esta numerosa classe costuma ser chamada por autoridades e analistas como “nova classe média”. Não existe, porém, consenso em torno da catalogação. É uma controvérsia inclusive com impacto na eleição presidencial.

Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o economista Marcio Pochmann é um dos questionadores do rótulo. Ele é autor de um livro lançado recentemente cujo título é explícito na contestação, O Mito da Grande Classe Média.

A tese da obra é simples. “Classe média” é uma expressão historicamente utilizada para definir a estrutura produtiva de uma sociedade. Abrange profissionais liberais, empreendedores, executivos de escalão intermediário das empresas. Deste ponto de vista, não houve mudança significativa no País na última década. Os 40 milhões que saíram a pobreza rumo à classe C são de outra natureza. Beneficiários do Bolsa Família e, mais do que tudo, trabalhadores: de fábricas, lojas, obras de construção civil. De 2003 para cá, foram abertas 20 milhões de vagas com carteira assinada, segundo dados oficiais.

A categorização dos brasileiros por nível de renda ajuda a afastar a hipótese de o País contar com uma “nova classe média” - ao menos, daquela noção comum sobre o que é ser “classe média”. Das pessoas com 15 anos ou mais e que têm rendimento, 68% vivem com até dois salários mínimos mensais, segundo Pochmann. Algo em torno de 1,5 mil reais. Não é uma renda a ser associada a usos e costumes da classe média típica, como jantar fora, trocar de carro com frequência ou passar as férias no exterior.

A discussão sobre a natureza da classe C ampliada não é um capricho acadêmico. Tem repercussão nos rumos do País, como se observa na campanha presidencial. Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) possuem programas liberais, a defender a menor participação do governo na economia. “Se o que há é uma nova classe média, o papel do Estado perde importância, pois a classe média tradicional não precisa do Estado”, diz Pochmann. “Mas se o que existe são mais trabalhadores, o Estado ganha importância, porque trabalhador precisa de serviços públicos.”

A autoimagem feita pelos novos integrantes da classe C também parece afastá-los da noção comum de “classe média”. É uma das constatações de outro livro lançado há pouco, Um País Chamado Favela, resultado de um mapeamento com dois mil moradores de 63 comunidades. Um dos autores é Renato Meirelles, diretor do Datapopular, instituto de pesquisas especializado nos brasileiros emergentes.

Os recém-chegados à classe C demonstram ter valores distintos dos professados pelas pessoas já nascidas na classe média. A identidade do grupo está ligada a certos bens materiais (roupas, bolsas, celulares) e comportamentos (gosto pelo funk ostentação), e não à partilha de uma mesma visão de mundo. E acreditam que têm e tiveram de “ralar” para subir na vida, ao contrário da classe média tradicional. “Eles valorizam a própria história, tem orgulho da origem. Querem ser ricos, mas não querem ser como os ricos”, afirma Meirelles.


Disponível em Carta Capital
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!

A invasão ofende os Direitos Humanos diante da indiferença cúmplice das potências ocidentais

Cidade de Gaza, quinta-feira 24. Ruas cobertas de cadáveres. Casas sem fachada, esburacadas ou destruídas. Mães, pais, crianças e idosos aos prantos e gritos. Alguns seguram nos braços crianças mortas, por vezes decapitadas. Tanques de guerra. O incessante barulho ensurdecedor das metralhadoras dos soldados do Tsahal, ou IDF, o exército israelense, ou de bombas lançadas de caças F-18. Ou pelos navios de guerra no Mediterrâneo. A toda essa tragédia se mescla o assobio de mísseis, vindo de todas as partes, inclusive dos teleguiados, a marcar presença no céu. “Eles atiram nas pessoas, nas vacas, em qualquer coisa que se mova”, grita uma septuagenária. Nos seus olhos, como nos de seus conterrâneos, estampam-se o medo, o desespero, o horror. Motivos não escasseiam.


Na quinta-feira 24, quando este artigo seria impresso, o número de baixas era de 700 palestinos, dos quais 150 crianças, e mais milhares de feridos. Segundo as autoridades israelenses, 32 soldados tinham perdido a vida, e mais três civis israelenses. Em Gaza falta água potável. As pessoas comem quando há comida, praticamente dia sim, dia não. Hospitais não têm condições de tratar todos os feridos. Ambulâncias, inclusive aquelas dos Médicins Sans Frontières, não circulam na probabilidade de ser atingidas. Ambas as fronteiras para escapar para o mundo, Erez, em Israel, e Rafah, no Egito, permanecem fechadas para os palestinos, mesmo para aqueles mais ameaçados. Apagões são frequentes, de resto como sempre. Porém, agora, mais amiúde.


Indago a Hussam, meu fixer em várias viagens a Gaza, aquele que traduz em perfeito inglês e me guia para evitar confrontos nessa minúscula Gaza em guerra, se posso falar com minhas ex-fontes do Hamas. Claro, as autoridades dos EUA e da União Europeia não tratam com “terroristas”, mas por que lidaram com o Exército Republicano Irlandês, entre outros? Gostaria de entrevistar novamente, como em 2013, digo a Hussam, Mahmoud al-Zahar, ex-ministro do Exterior e um dos fundadores do Hamas. Diga-se que Al-Zahar, de 69 anos, é o líder do Hamas, mas por questões de segurança contra ataques israelenses, ele faria parte apenas do conselho do Hamas. No entanto, esse médico, que já sofreu atentados e perdeu um filho quando um caça F-15 lançou uma bomba contra sua casa, está escondido em algum bunker, diz Hussam. O outro filho foi morto há anos em um confronto armado. Poucos meses atrás, aqui mesmo, indaguei a Al-Zahar se a única solução contra Israel é a luta armada. “Começamos a negociar em 1991, em Madri, mas nunca houve um processo de paz, e sim um apoio à ocupação israelense”, dizia então Al-Zahar. Fez uma pausa, e acrescentou: “A única solução é a luta armada”.


Com seu 1,8 milhão de habitantes espalhados por apenas 40 quilômetros de extensão e 10 de largura, a Faixa de Gaza, separada do mundo por um bloqueio imposto por Israel depois da vitória em escrutínio democrático da legenda islamita Hamas, em 2006, vive-se a enésima Nakba (catástrofe). Esse enredo de violência começa com a expulsão dos árabes palestinos quando Israel venceu sua luta de independência em 1948. Após a Guerra de Seis Dias, em 1967, mais alguns milhões de árabes palestinos foram expulsos pelo Oriente Médio.


A chamada Operação Margem Protetora, a atual, foi acionada pelo premier israelense Benjamin Netanyahu em 8 de julho com os ataques ditos “cirúrgicos” de caças F-18. Parecem tão cirúrgicos, que até o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, os questionou durante uma emissão da tevê estadunidense Fox News. Ao acreditar que os microfones estivessem desligados, comentou ironicamente: “Como são cirúrgicos os ataques dos israelenses”. Trata-se, porém, de um diplomata e logo corrigiu o “erro”.


Os motivos de Bibi, como é popularmente chamado Netanyahu, foram dois, ambos apoiados pela chamada “comunidade internacional”, isto é, por, entre outros, Barack Obama, Angela Merkel, François Hollande e Matteo Renzi. Primeiro, o sequestro e mortes de três adolescentes na Cisjordânia, a outra parte da Palestina sem contingência com Gaza, manobra das autoridades israelenses para dividir e conquistar o vizinho árabe. Segundo motivo: os inúmeros foguetes Qassam lançados pelo Hamas contra o território israelense. Mas a questão é mais complexa do que pensam, ou fingem pensar, os aliados de Netanyahu. Tudo indicaria que os adolescentes não foram assassinados com a autorização do Hamas. E os foguetes seriam lançados de Gaza por grupos radicais envolvidos na disputa do poder no território.


Magid Shihade, professor de Relações Internacionais da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, me diz: “Comunidade internacional, você concorda comigo, é um jargão inconcebível. Eles (Obama, Merkel, Hollande etc.) não alcunharão o que Netanyahu está a provocar em Gaza porque não pega bem para a dita comunidade internacional. Shihade emenda: “O sionismo é uma ideologia racista e colonial. Baseia-se na desapropriação, na deslocação e na separação das pessoas, na supremacia dos judeus sobre os árabes palestinos nativos”.


Em 17 de julho, uma incursão terrestre das Forças de Defesa Israelense elevou a dimensão da carnificina. O motivo da intervenção terrestre foram os incessantes foguetes oriundos de Gaza. Embora de forma proporcionalmente muito inferior àquela dos palestinos, o Tsahal sofreu com a incursão, em meados de julho, várias baixas, especialmente, parece, a do sargento Shaul Aaron. O Hamas diz que o capturou, mas Tel-Aviv sustenta que ele poder ter sido morto. Se, porém, foi capturado, algo que não estava ainda claro na quinta-feira da semana passada, o conflito poderia se ampliar. E da mesma forma como o bloqueio de Gaza teve início com a captura do soldado Gilad Shalit, a situação poderia piorar rapidamente. A prisão de um israelense pelos palestinos é algo passível de elevar brutalmente a tensão.


Para quem está em Gaza, a postura da diplomacia ocidental é de um cinismo abissal. Mesmo porque existe um evidente conluio entre o lobby judeu e a diplomacia internacional. Durante nove meses, o secretário de Estado Kerry cuidou de mostrar empenho a favor da paz, enquanto Israel continuava impunemente a colonizar a Cisjordânia. Kerry dizia ser possível para Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, ir adiante no plano de criação de um Estado palestino apesar dos assentamentos. Palavras ao vento em que tremulam as gravatas amarelas e laranja do secretário de Estado. Não é por acaso que ele não goza de credibilidade alguma nas terras em conflito, mesmo porque suas propostas carecem de qualquer substância. Gianni Vattimo, o filósofo italiano, disse que gostaria de “comprar mais foguetes para o Hamas”. Vattimo, que já entrevistei, disse: “Os europeus deveriam formar uma brigada internacional para lutar com o Hamas, assim como voluntários lutaram contra Franco durante a Guerra Civil Espanhola”.


O que faremos por esse povo?  Hussam, meu fixer, tem 45 anos. Nunca deixou Gaza. Aprendeu inglês, perfeito, na universidade. Vive em Camp Beach, na cidade. Tem mulher e seis filhos, durmo com estes em uma grande sala, todos vestidos. Hussam e a mulher recolhem-se em um quarto separado. Ele anuncia quando podemos tomar banho. À noite, coloca mesas de plástico no chão, visto que não há mobília, e deposita pratos de comida. No ano passado, havia certa fartura. Agora, é apenas pão sírio amanhecido e tabule.


Às 4 horas, a mesquita ao lado lança o apelo, “Alá, o maior”, e todos se levantam, colocam uma esteira no chão e rezam. Uma luz ilumina o nosso quarto. Sinto-me seguro, devo confessar. Depois durmo. E muito bem.  O Tsahal, contudo, atingiu um minarete da mesquita. Hussam lamenta. Indago: “Você faria parte do Hamas?” Responde: “Não, existem limites”.


Os Acordos de Oslo de 1993 estabeleceram que a Autoridade Palestina governaria Gaza e a Cisjordânia.  Não foi o que se deu. Em 2012, a Assembleia-Geral da ONU elevou a Palestina ao status de “Estado não integrante”. Vitorioso em 2006 em Gaza, o Hamas expulsou o Fatah em 2007. Sete anos mais tarde, Fatah e Hamas fizeram as pazes e se reuniram em abril de 2014. E eis o problema. Netanyahu não aceita a união. Dividir é o que se pretende. Divide et impera, diziam os imperadores romanos.


Disponível em Carta Capital
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!
Consumo Sustentável quer dizer saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades e aspirações das gerações futuras.


Inúmeras são as previsões relativas à escassez de água, em conseqüência da desconsideração da sua esgotabilidade. A água é um dos recursos naturais fundamentais para as diferentes atividades humanas e para a vida, de uma forma geral. Apesar de muitos entenderem que o ciclo natural da água promove a sua recuperação, na prática não é o que se observa, tendo em vista os inúmeros fatores que interferem neste ciclo hidrológico. A falta de água traz como efeito a seca, que possui diversas faces dependendo da ótica da observação. A mais comum é a seca climatológica, que desencadeia o processo, seguida da seca das terras e a conseqüente seca social, com os respectivos danos e mazelas causados. A seca hidrológica representa a falta de água nos reservatórios e mananciais.

O Brasil detém 13% das reservas de água doce do Planeta, que são de apenas 3%. Esta visão de abundância, aliada à grande dimensão continental do País, favoreceu o desenvolvimento de uma consciência de inesgotabilidade, isto é, um consumo distante dos princípios de sustentabilidade1 e sem preocupação com a escassez. A elevada taxa de desperdício de água no Brasil, 70%, comprova essa despreocupação. A oferta gratuita de recursos naturais pela natureza e a crença de sua capacidade ilimitada de recuperação frente às ações exploratórias, contribuiu para essa postura descomprometida com a proteção e o equilíbrio ecológico. Cotidianamente, diversos são os exemplos de desperdício e despreocupação, como escovar os dentes com a permanência da torneira aberta; lavagem de ruas e calçadas com jatos d’água (“vassoura hidráulica”), lavagem de veículos com água tratada, o uso de válvulas sob pressão nas descargas dos vasos sanitários; o despejo das águas servidas de banho e lavagens em geral, sem a preocupação com a racionalização de consumo e/ou reuso. Por outro lado, a indústria tem percebido, cada vez mais, a indissociabilidade entre a conservação dos recursos naturais e a ecoeficiência ambiental. É preciso que esta inter-relação seja, assimilada e internalizada na prática diária de cada cidadão. Mesmo em regiões brasileiras, onde as reservas hídricas geralmente atendem as necessidades de uso, em algumas épocas do ano são relativamente comuns os períodos de escassez, em atividades produtivas, devido às condições climáticas adversas e/ou aumento de demanda em atividades produtivas, como o caso da cultura do arroz, no verão, no Sul do Brasil. Buscando equilibrar as necessidades para o abastecimento das populações e para a atividade produtiva e, ainda, minimizar as conseqüências sociais da seca, estratégias de racionalização e de racionamento são estabelecidas. Esta situação gera um nítido conflito entre os usuários e os usos da água. A solução para este tipo de conflito está na gestão deste recurso, que inicia-se pela racionalização de consumo, acrescida do estabelecimento de estratégias de reuso, tanto nas práticas agrícolas quanto nas atividades cotidianas residenciais, comerciais e industriais.

Estima-se que atualmente, no mundo, 1,7 milhão de pessoas sofrem com a escassez de água. Esta dificuldade também pode estar associada a fatores qualitativos, ocasionados, por exemplo, pela disposição inadequada de resíduos sólidos, comumente chamado lixo. O comprometimento da qualidade da água pode inviabilizar o uso ou tornar impraticável o tratamento, tanto em termos técnicos quanto financeiros. Diversas são as substâncias tóxicas geradas nas diferentes atividades humanas. Nas práticas agrícolas, por exemplo, o uso sem controle de defensivos químicos pode representar um grande perigo ao meio ambiente, aos ecossistemas e à saúde humana.

No nosso dia–a-dia também geramos toneladas de resíduos tóxicos, a partir de diversos produtos comprados livremente e descartados sem controle, como lâmpadas, pilhas, medicamentos, inseticidas, tintas, produtos de limpeza, combustíveis, equipamentos eletrônicos, dentre outros, que muitas vezes vão parar em lixões nos arredores das grandes cidades, sem a menor preocupação com os efeitos dessa poluição nos mananciais de água, solo e atmosfera.

O meio ambiente é formado, dentro de uma visão simplificada, pelo solo, água e ar. Estes meios interagem sinergicamente entre si, significando que o resíduo descartado no solo, por exemplo, mais dia menos dia irá contaminar as reservas de água e o ar. Assim como, a decomposição dos resíduos descartados nos rios, originando substâncias tóxicas, pode atingir outros locais distantes da fonte poluidora, ampliando assim os danos da contaminação para o meio ambiente.

A relação do homem com o meio ambiente, baseada no indesejável tripé do descomprometimento, inesgotabilidade e irresponsabilidade, poderá consumar as previsões mais catastróficas quanto a escassez dos recursos naturais, sobretudo da água, inviabilizando dentro de poucos anos, a vida na Terra. Portanto, é fundamental a substituição por uma visão fundamentada nos princípios da sustentabilidade, racionalização e responsabilidade, dentro da qual, somos parte integrante do meio ambiente e, responsáveis pela proteção e pela elevação da qualidade de vida no Planeta.

1 Consumo Sustentável quer dizer saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades e aspirações das gerações futuras.

Fonte: Marta Regina Lopes Tocchetto – Dra. em Engenharia – UFRGS , marta@tocchetto.com Lauro Charlet Pereira – Dr. em Planejamento Ambiental – UNICAMP, lauro@cnpma.embrapa.br

Disponível em http://ambientes.ambientebrasil.com.br
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!


Decisão de Trump de bombardear a Síria, com alertas a Rússia e Irã, mostra o emaranhado de interesses do conflito
A decisão do presidente americano, Donald Trump, de bombardear a Síria levou a temores de que a guerra, que já se estende por mais de sete anos, entre num novo patamar.
Os mísseis americanos tiveram como alvo o regime de Bashar al-Assad, que seria o responsável pelo ataque químico em Duma. Mas a guerra civil síria há muito tempo já não se trata mais apenas sobre o ditador, como deixou claro o próprio tuite de Trump.
Ao Irã e à Rússia, eu pergunto: que tipo de países querem estar associados ao assassinato em massa de homens, mulheres e crianças inocentes?”, disse Trump neste sábado.
O Pentágono tratou de aplacar os temores de uma ofensiva mais ampla – não há outros bombardeios programados – mas a decisão de Trump expõe dois desenvolvimentos importantes no conflito.
Um é que atores importantes estão sendo arrastados de forma cada vez mais intensa para o conflito, como mostra a ofensiva turca sobre Afrin e o bombardeio sobre a base aérea síria de Taifour, que seria responsabilidade de Israel.

Ao mesmo tempo, cresce a tensão no Oriente Médio. A guerra deixou um vácuo de poder na região, que as potências – não apenas regionais – tentam preencher de forma cada vez mais decisiva.

Nesta guerra, há muito tempo o mais importante deixou de ser os interesses da oposição ou Assad. Em jogo está algo de maior dimensão. Enquanto Rússia e Irã, aliados do regime sírio, tentam ampliar sua influência na região, seus adversários – sobretudo EUA e, cada vez mais, Israel – tentam evitar isso.
"A mais alta prioridade da política americana consiste em apoiar Israel", afirma Günter Meyer, diretor do centro de estudos do mundo árabe da Universidade de Mainz. E isso, lembra o especialista, Trump fez questão de destacar continuamente. "Por isso a luta contra o Irã tem prioridade alta – funciona como ameaça a Israel."
O mesmo vale para o movimento radical libanês Hisbolá. Segundo Meyer, o objetivo é minar o chamado "eixo xiita", que começa no Irã e passa por Iraque, Síria e Líbano até a fronteira de Israel. Por isso, continua o especialista, os americanos aumentaram significativamente sua presença no leste sírio.
"Já se fala atualmente numa 'meia-lua americana', que passa por todo o nordeste sírio e se estende até a Jordânia", diz Meyer. A meta: criar um arco de proteção a Israel.
Irã, curdos e Hisbolá
O jornal em árabe Al-Araby Al-Jadeed, publicado em Londres, coloca o conflito num contexto maior: a Síria virou cenário de numa guerra por procuração entre EUA e Rússia. Outros palcos para esse conflito seriam a Ucrânia, no sentido militar, e a Líbia, no sentido diplomático.
"As relações russo-americanas entraram numa fase delicada", diz o jornal. "Se Rússia e EUA se envolverem militarmente (num conflito) no Oriente Médio, não apenas a guerra na Síria se intensificaria: poderia haver consequências para toda a região."
Os EUA há tempos veem a Síria de Assad de forma crítica. Quando os americanos invadiram o Iraque, em 2003, Damasco permitiu que jihadistas sírios e estrangeiros cruzassem sem problemas a fronteira.
Ali, eles ajudaram a criar uma resistência às tropas americanas. A mensagem de Damasco para Washington era clara: nem pensem em invadir a Síria. Naquela altura, já estava claro que o regime de Assad estava perdendo simpatia em Washington.
Segundo Meyer, na crise atual, trata-se sobretudo de minar a Síria, de modo que o país não seja mais um adversário forte. "As partes desintegradas do país se deixam jogar umas contras as outras", comenta o analista político.
O cenário se complica também pelo fato de o Hisbolá, apoiado pelo Irã, se aproximar cada vez mais da fronteira com Israel através das Colinas do Golã. E o regime de Assad, aliada de ambos, costuma pôr a Síria à frente da resistência a Israel.
Um contraponto a essa política é levado pelos curdos no norte da Síria. Mas, no momento, eles estão tendo que lidar com uma ofensiva turca na região de Afrin. Os curdos querem uma região autônoma para si, o que vai ao encontro dos interesses de israelenses. "Israel já declarou que apoia um Estado independente curdo", diz Meyer. "Isso mostra também do que se trata essa guerra."
Disponível em Carta Capital
Quer ser aprovado no vestibular? Obter sucesso no ENEM? VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO! Venha conhecer o espaço virtual construído para você!
Por: Ederson Santos Lima

O “nascimento” do Oriente Médio e a dominação imperialista

Ao pensarmos no ideal pan-arábico ou nacionalismo árabe ou ainda arabismo, é importante deixar claro o que vem a ser a região que denominamos de Oriente Médio e que congrega grande parte dos países árabes e/ou islamizados.

O termo Oriente Médio foi cunhado pelos britânicos para designar uma região que ficava entre o Mar Mediterrâneo e as fronteiras da Índia, então colônia inglesa. A região hoje conta com, aproximadamente, 230 milhões de pessoas, que professam as três grandes religiões monoteístas além de outras crenças que possuem um número menor de adeptos. São falados na região pelo menos seis idiomas, além de diversos dialetos, entre as mais diferentes etnias.

Outra questão que, de certa forma, é relevante para compreendermos a região é a distinção entre árabe e islamizado. Inicialmente, eram considerados árabes apenas aqueles habitantes da península da Arábia. Hoje são enquadrados nesse termo todos aqueles povos que, ao serem dominados pela expansão árabe, adotaram a língua e a cultura desse povo originário da península, tais como a Argélia e o Marrocos, que se encontram no norte da África. Com relação ao termo islamizado, ele é utilizado para aqueles povos que adotaram a religião islâmica, porém mantiveram sua língua e seus costumes originais, como é o caso do Irã, que até hoje adota o persa, e a Turquia, que utiliza o turco. (Grinberg, p. 100).

Como destaca Grinberg, “de um modo geral, são árabes aqueles que se identificam com a língua, a cultura e os valores dos árabes, e são muçulmanos aqueles que seguem a religião do islã, fundada por Maomé.” (p.101)

A região foi dominada pelos turco-otomanos do século XVI até o fim da Primeira Grande Guerra (1914-1918), quando o Império Turco-otomano foi derrotado, extinto e redividido pelas potências europeias (França e Inglaterra). 

Durante essa fase, já no final do século XIX, período de decadência do Império Turco, surgiram as primeiras ideias que formariam o pensamento pan-arábico. Para alguns, a ideia pan-arábica teria surgido nos meios literários e intelectuais da cidade de Damasco. Um dos movimentos, que foi além da teoria, foi liderado por Hussein, que pretendia estruturar um Reino Árabe incluindo a Arábia, a Síria, o Iraque e a Palestina. Nessa luta pelo Reino Árabe e contra os turco-otomanos, Hussein teve a ajuda do famoso Lawrence da Arábia, um coronel britânico que apoiou e ganhou o respeito dos povos árabes.

Com o fim da Primeira Guerra, o território do Império Turco-Otomano foi dividido entre franceses e ingleses. A Turquia tornou-se uma república independente, a Síria ficou sob mandato francês; o Iraque e a Transjordânia (transformada em Jordânia em 1948) sob domínio britânico e dada aos filhos de Hussein, Faissal e Abdallah. A Arábia Saudita acabou sendo “fundada” por Ibn Saud, um líder religioso e político da região. (Grinberg, p. 104).

Portanto, o sentimento pan-arábico — que a princípio (final do XIX e início do XX) se voltava contra a dominação turca — passou a atacar o imperialismo europeu que dominou a região. Para completar o quadro, é importante destacar o movimento sionista que comprava muitas fazendas na região da Palestina e também era visto por muitos como um braço imperialista europeu na região. Formou-se, então, o quadro extremamente complexo para os defensores de um “nacionalismo árabe”.

Do Nasserismo ao regime dos petrodólares

Já durante a Segunda Guerra Mundial, os líderes árabes passaram a discutir a formação de uma instituição que congregasse as forças e os interesses das mais diferentes populações árabes. Assim, ao final da Segunda Guerra Mundial, foi criada a Liga Árabe, que tinha como característica primordial as gigantescas diferenças entre os objetivos de cada um de seus membros. Talvez essa seja a grande característica do movimento pan-arábico: as eternas diferenças de objetivos entre os países e seus líderes.

Dois fatores parecem ter contribuído para a consolidação de um movimento pan-arábico:

a criação de Israel em 1948 e a derrota dos países da Liga Árabe na tentativa de destruir o recém-criado país. A derrota até certo ponto uniu os árabes num sentimento de revanche contra Israel; 
a implantação da Guerra Fria entre soviéticos e norte-americanos levou os árabes a adotar um certo sentimento terceiro-mundista que preconizava independência de ação e de ideal para com EUA e URSS. 

Dentro desse contexto de Guerra Fria, em que o pan-arabismo passa a valorizar a independência do Terceiro Mundo bem como a luta anti-sionista (Israel) é que surge o mais importante líder do movimento: Gamal Abdel Nasser. Esse oficial egípcio havia liderado, em 1952, uma revolta contra o rei Faruk, que acabou abdicando do trono. Entre 1952 e 1954, governou o Egito como primeiro-ministro até ser eleito presidente em 1956. Nesse mesmo ano, ganhou notoriedade mundial ao nacionalizar o Canal de Suez , que até então estava sob domínio internacional (britânico) e utilizar os lucros oriundos da travessia para a construção da Barragem de Assuã. Essa decisão fez com que Nasser submergisse do conflito como o maior porta-voz do mundo árabe, tanto nas relações com os Estados Unidos, Europa e ONU quanto no conflito com Israel, e representasse o auge do movimento pan-arábico (década de 1960).

Uma das consequências dessa fase de auge do arabismo foi o interesse árabe em redefinir as cláusulas draconianas estabelecidas com as empresas estrangeiras de exploração de petróleo. Essa discussão acabou na criação na OPEP — Organização dos Países Exportadores de Petróleo em 1960 e da OPAEP — Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo em 1968, bem como na finalização do Acordo de Teerã em 1971. O conjunto dessas medidas redefiniu as relações entre produtores, exploradores e consumidores de petróleo.

Ao redefinir as relações entre produtores e consumidores do “ouro negro”, a década de 1970 também colocou mais países árabes na roda de poder, visto que o dinheiro do petróleo lhes dava mais força que tinham tido até então. Portanto, o fortalecimento dos países produtores de petróleo, uma vitória do arabismo, também foi uma das causas do seu declínio e de seu principal líder: Nasser. A ideia central do arabismo — qual seja “Só há uma Nação Árabe com direito a viver em um único Estado unido” — naufragou na medida em que aumentava a riqueza dos petrodólares e a dependência comercial, cultural e política em relação aos Estados Unidos. 

Com a morte de Nasser em 1970, desapareceu o principal líder, que nunca mais seria substituído à altura, nem mesmo no curto período em que Saddam Hussein governou o Iraque nos anos 90, com “aura” de grande líder do mundo árabe, contra as potências capitalistas e Israel. A ascensão de Saddam foi dificultada já na Guerra do Golfo, que não somente colocou Saddam como “grande inimigo” do Ocidente, como também fez com que o próprio mundo árabe acabasse por ficar na defensiva, fato este verificado pelos longos cinco anos em que os membros da Liga Árabe não se reuniram.

O Pan-arabismo na atualidade

Com a saída de Nasser do jogo político, houve a ascensão de Anuar Sadat que colocou o Egito numa trilha de aproximação com Israel e com o Ocidente, em especial os Estados Unidos. É importante lembrar que, na década de 70, como resultado dessa aproximação, foi assinado o Acordo de Camp David (1978) que selou a paz entre Israel e Egito, sob a batuta do governo norte-americano. Esse posicionamento egípcio acabou isolando o país africano dos demais países árabes que não aceitaram a política de aproximação com o Ocidente.

Atualmente, pouco restou das tentativas de unificação árabe. Percebe-se que há muito mais a intenção de cooperação do que propriamente integração ou união árabe. 

Com relação ao restante do mundo, percebe-se que com a ausência de um país que tivesse condições de liderança na região do Oriente Médio, esta foi assumida por um país externo: os Estados Unidos. Segundo a professora Silvia Ferabolli, em artigo que analisa as relações internas e externas do mundo árabe, essa liderança externa mostra-se muito mais interessada no controle do sistema geopolítico do Oriente Médio visando a uma estabilização no fluxo petrolífero do que propriamente no mundo árabe. Além disso, a estratégia norte-americana parece apontar para a integração do sistema do Oriente Médio com a inclusão de Israel no centro, como única potência regional. A Europa também pouco se mostra interessada além de acordos bilaterais com objetivos comerciais.

Por outro lado, também não podemos demonizar as intromissões norte-americanas na região, visto que as petromonarquias pouco fizeram para obter uma independência política e econômica do Ocidente. Ao longo das últimas quatro décadas, com raras exceções, foram realizadas ações no sentido de melhor distribuir as riquezas do petróleo e reduzir as desigualdades sociais bem como inserir essas populações em um mundo cada vez mais globalizado e conectado.
Crédito: National Arquives Identifier: 181133 - NLC-WHSP-C-07301-26
Reunidos em Camp David, os líderes Jimmy Carter,
dos Estados Unidos (ao centro), Menahem Begin, de Israel 
(ao lado esquerdo), e Anwar Sadat (no lado direito)

As origens do Pan-africanismo

Apesar de elencar como uma de suas prioridades a união entre os diferentes países africanos, a ideia de união pan-africana não nasceu no continente negro. Aliás, teve sua origem muito longe: no continente americano. Um de seus principais líderes foi Sylvester Willians, um advogado de Trinidad que conseguiu organizar a Primeira Conferência Pan-Africana em 1900, na cidade de Londres. Essa conferência teve como objetivo primordial a criação de um movimento que gerasse um sentimento de solidariedade com relação às populações negras das colônias. Sylvester Willians era um dos vários intelectuais negros da região do Caribe e sul dos Estados Unidos que juntos buscavam uma condição mais digna para as populações negras das áreas colonizadas.

Uma das primeiras resoluções dessa conferência realizada em Londres foi em defesa dos negros da atual África do Sul que estavam sofrendo com o confisco de terras por parte de ingleses e de descendentes de holandeses (africânderes).

Outro líder importante nos primórdios do pan-africanismo foi Burghart Du Bois, que fundou a Associação Americana para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) e, em seguida, organizou o Primeiro Congresso Pan-Africano em Paris, no ano de 1919.

Já em 1945, outro líder de Trinidad organizou na cidade de Manchester o V Congresso Pan-Africano, no qual foi aprovado um lema que mostrava bem o objetivo do movimento: “Resolvemos ser livres; povos colonizados e subjugados do mundo inteiro, uni-vos”.

A partir desse congresso tais ideias já criavam raízes e eram adotadas por vários líderes que viviam em território africano, sejam eles políticos ou intelectuais, que as colocariam em prática, numa luta em geral sangrenta contra os até então poderosos impérios colonialistas europeus, em especial França e Inglaterra. Entre esses novos líderes, destacam-se: Jomo Kenyatta (Quênia), Peter Abrahams (África do Sul), Hailé Sellasié (Etiópia), Namdi Azikiwe (Nigéria), Julius Nyerere (Tanzânia), Kenneth Kaunda (Zâmbia) e Kwame Nkrumah (Gana).

Crédito: Corel Stock Photos
Memorial em homenagem a Kwame Nkrumah, Gana, África
Pan-africanismo e a realidade africana

Nos congressos e conferências pan-africanas, a ideia de união foi discutida e se encaixava perfeitamente nas necessidades de independência e de liberdade dos povos africanos subjugados pelos europeus. Porém, com o tempo e com as independências que passaram a ocorrer, outros interesses vieram à tona, dificultando as relações entre os próprios governos recém-independentes.

Nesse contexto, o VI e o VII Congresso Pan-Africano — realizados, respectivamente, nas cidades de Kumasi (1953) e Accra (1958) — foram reuniões nas quais as divergências fizeram surgir duas vertentes bem distintas do pan-africanismo: o Grupo Casablanca e o Grupo Monrovia. 

O primeiro (Casablanca), liderado por Kwame Nkrumah, de Gana, era composto por Egito, Marrocos, Tunísia, Etiópia, Líbia, Sudão, Guiné-Conacry, Mali e o Governo Provisório da República da Argélia. Defendeu a ideia de que no final deveria ser formada uma nova instituição política e nacional: os Estados Unidos da África, que superaria as divisões e fronteiras criadas artificialmente pela Conferência de Berlim de 1885. O sonho dessa vertente era fazer do continente negro um ator importante no cenário mundial, pois unindo a África política, econômica e militarmente esse objetivo seria certamente alcançado.

Já para o grupo Monrovia, que tinha como liderança principal o presidente da Costa do Marfim, Félix Houphouet Boigny, as fronteiras determinadas pela Conferência de Berlim eram intocáveis, pois cada país tinha o direito à autodeterminação e à soberania sobre seu próprio destino. Esse grupo também foi responsável pela fundação, em 1963, de uma das principais entidades de organização africana: a OUA — Organização da Unidade Africana.

Nenhum dos dois grupos atingiu seus objetivos, muito pelo contrário. O nacionalismo africano, assim como o pan-arabismo, praticamente se restringiu à retórica de seus líderes.

O Pan-africanismo hoje

Diante dos fracassos da OUA e da ideia de formação dos Estados Unidos da África, surgiu, em julho de 2001, a União Africana, cujas estruturas burocrático-administrativas e decisórias em muitos aspectos se assemelham às da União Europeia. 

Cabe aos países-membros da União superar as dificuldades de estruturação da nova entidade e tirá-la do papel e das meras intenções políticas, concretizando ferramentas que realmente possam contribuir para que a África supere suas dificuldades econômicas, políticas e sociais e avance para uma cooperação realmen
te coletiva entre seus países.

Entre essas questões, destacam-se algumas: que tipo de entidade/organização poderia intervir em situações de crimes humanitários ou guerras? Haverá um dispositivo militar à disposição diretamente da União Africana? Haverá instituições de fomento semelhantes ao FMI, BID ou outra forma de contribuir para o desenvolvimento dos países? 

Quando os africanos decidirem algumas dessas questões e outras que estão no caminho, certamente a trilha do pan-africanismo será mais facilmente percorrida e talvez chegue a condições até inimagináveis pelos pais do pan-africanismo do outro lado do Atlântico.

Bibliografia

DÖPCKE, Wolfgang. A vida longa das linhas retas: cinco mitos sobre as fronteiras na África Negra. Revista Brasileira de Política Internacional. Brasília, v.42. n.1. jan./jun. 1999.

FERABOLLI, Silvia. Relações internacionais do Mundo Árabe (1954-2004): os desafios para a realização da utopia pan-arabista. Contexto internacional. Rio de Janeiro, v. 29, n.1, p. 63-97, jan./jun. 2007.

GRINBERG, Keila. O mundo árabe e as guerras árabe-israelenses. In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste. O tempo das dúvidas: do declínio das utopias às globalizações. O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. p.100-131.

REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste. O tempo das dúvidas:do declínio das utopias às globalizações. O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. 

TSHIVEMBE, Mwavila. A difícil gestação da nova união. Disponível em: <http://diplo.uol.com.br> Acesso em: 15 jan. 2010.

WEDDERBURN, Carlos Moore. Abdias Nascimento e o surgimento de um Pan-africanismo contemporâneo global. Prefácio de NASCIMENTO, Abdias. O Brasil na mira do pan-africanismo. Salvador: CEAO/ EDUFBA, 2002. p. 17-32.