1. A música relata a história de um rapaz que teve que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar sua família. Sociologicamente, a música ilustra uma situação de

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro
Era um grande coração
Ganhava a vida com muito suor
E mesmo assim não podia ser pior
Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar
[...]

Meu pai disse: “Boa sorte”
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
“Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer”
[...]

Trabalhava feito um burro nos campos
Só via carne se roubasse um frango
Meu pai cuidava de toda a família
Sem perceber segui a mesma trilha
E toda noite minha mãe orava
“Deus, era em nome da fome que eu roubava.
[...]”
Marvin”, Titãs. 

a) deserção social.
b) anomia social.
c) reprodução social.
d) fato social.
e) efervescência social.

2. O texto 1 apresenta a divisão do trabalho em uma sociedade indígena. Em contrapartida, o texto 2 faz referência à divisão do trabalho em um contexto de globalização.
Texto 1
      Para o sistema econômico Guarani, assim como para muitas outras variantes da Modalidade Doméstica de Produção, o fato de se definir a família como unidade básica de trabalho e de produção não exclui reconhecer a ocorrência de casos variantes, em que existiam outras formas organizativas institucionalizadas. [...] Entretanto, esta organização mais abrangente do trabalho não ocasionava nenhuma modificação drástica no sistema doméstico, conforme se pode inferir pelas informações arqueológicas e etno-históricas disponíveis.
SOUZA, José Otávio Catafesto de. O sistema econômico nas sociedades indígenas Guarani pré-coloniais. Horizontes antropológicos. v. 8, n. 18, 2002, p. 230. Disponível em: <http:// http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832002000200010&script=sci_arttext>.

Texto 2
    Os efeitos da globalização, complexos e contraditórios, afetaram desigualmente o emprego masculino e feminino nos anos noventa. Se o emprego masculino regrediu ou se estagnou, a liberalização do comércio e a intensificação da concorrência internacional tiveram, por consequência, um aumento do emprego e do trabalho remunerado das mulheres a nível mundial, com a exceção da África subsaariana.
HIRATA, Helena. Globalização e divisão sexual do trabalho. Cadernos Pagu, n.17-18, 2002, p. 143.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=
S010483332002000100006&Ing=en&nrm=iso>.

Tomando como base as ideias de Émile Durkheim, podemos inferir que
a) o texto 1 apresenta uma sociedade em estado de anomia.
b) o texto 2 apresenta uma sociedade que possui solidariedade orgânica.
c) o texto 1 apresenta uma sociedade simples e não sujeita aos fatos sociais.
d) o texto 2 apresenta uma sociedade mais propensa ao suicídio altruísta.
e) os dois textos apresentam sociedades com baixo nível de coesão social.

3. Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: “O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou.” Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas. 

           Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe ou à esposa. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida.
DUVIVIER, Gregorio. Xingamento. Folha de S.Paulo. 6 jan. 2013. Disponível em: <http://www.folha.uol.com.br>. (adaptado)
A leitura do texto permite inferir que
a) homens e mulheres sofrem igualmente pressões sociais para que seus corpos estejam adequados aos padrões estéticos vigentes.
b) na sociedade contemporânea, as mulheres sofrem uma violência simbólica que tem como principal alvo o seu corpo.
c) a herança cultural judaico-cristã reserva à mulher um papel autônomo diante da família e da sociedade como um todo.
d) os valores patriarcais foram superados pelos avanços do movimento feminista e pelo desenvolvimento da noção de direitos humanos.
e) o preconceito sobre a figura feminina recai principalmente sobre sua suposta inferioridade cognitiva em relação aos homens.

4. “O primeiro beijo é sempre o último”. Assim um informante define, com certa nostalgia, o surgimento de uma nova rotina na prática de “ficar” entre os jovens ao longo da night. “Ficar” é essencialmente beijar, beijar em série, beijar muito. O primeiro beijo, marcado por algo absolutamente fugaz, registro imediato do tátil, desliga-se do que outrora era ritual do enamoramento, prelúdio de uma trajetória sentimental. [...] No campo do afeto e do exercício da sociabilidade, essa mesma noite propicia comportamentos que revelam a transitoriedade, a seriação e o deslocamento afetivo como um novo mecanismo de agrupamento dos jovens. 
ALMEIDA, M. I. M. de. Guerreiros da noite - cultura jovem e nomadismo urbano. In: Ciência Hoje, v. 34, n. 202, p. 28.

A prática abordada no texto nos sugere que, em algumas formas de sociabilidade atuais,
a) prevalece a noção de interagir sem criar vínculos profundos.
b) existe a falta de coesão social entre segmentos etários mais jovens.
c) desenvolve-se uma continuidade de padrões afetivos das gerações anteriores.
d) continua marcada pela influência de padrões morais religiosos e dogmáticos.
e) não constrói rituais e nem valores culturais e sociais próprios.

5.
Texto 1
            A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados conseguiu aprovar nesta terça-feira [18.06.2013] o projeto de decreto legislativo que trata da “cura gay”. O deputado Anderson Ferreira, relator da matéria na CDH, alegou que a suspensão da resolução terá efeito somente até que haja uma decisão judicial que determine se psicólogos devem ou não ajudar pacientes a “deixarem” a homossexualidade. Em resposta, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) afirmou que os psicólogos estão proibidos de tratar a homossexualidade como doença. A proposta altera uma resolução do CFP e suspende a vigência desse documento, que proíbe psicólogos de atuar para mudar a orientação sexual de pacientes e de considerar a homossexualidade como doença. Há quase 30 anos a homossexualidade foi excluída da Classificação Internacional das Doenças.
COBUCCI, Luciana. Com poucos manifestantes, CDH aprova projeto da "cura Gay”.
Disponível em: <http://noticias.terra.com.br>. (adaptado)​
​​
Texto 2
          Comportamento homossexual tem sido descrito em répteis, pássaros e mamíferos, animais que na evolução divergiram há mais de 100 milhões de anos. Uma parte dos machos e fêmeas de todas as espécies de aves estudadas tem relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo. Em muitas ocasiões, essas práticas terminam em orgasmo de apenas um ou dois dos parceiros.
                Certamente, já existiam hominídeos homo e bissexuais 5 a 7 milhões de anos atrás, quando nossos ancestrais resolveram descer das árvores nas savanas da África. Sempre houve e haverá mulheres e homens que desejam pessoas do mesmo sexo, porque essa é uma característica inerente à condição humana.
VARELLA, Drauzio. Gays e heterossexuais incuráveis. Folha de S.Paulo, 29 jun. 2013. (adaptado)

A abordagem da homossexualidade nos textos permite inferir que
a) o projeto legislativo aborda a temática embasada em pressupostos científicos.
b) os dois textos defendem pontos de vista laicos.
c) o segundo texto aponta para o caráter normal das práticas homossexuais.
d) o debate sobre o tema não está sujeito a questões ideológicas.
e) os dois textos têm forte conotação religiosa.

6. “Por mais que o tema da ética esteja banalizado e beire a ingenuidade, o problema parece estar na vinculação da política à ética; afinal, se não fosse assim, por que uma política corrompida causaria desconforto e indignação? É verdade que estamos saturados de discursos como ‘ética na política, na comunicação, nas empresas, na medicina’, pois essas instâncias se mostram sempre habitadas pelo monstro da corrupção. Chegamos ao absurdo de criar ‘comitês de ética’ como se os membros das instituições não devessem já ser éticos por atitude própria.”
Juvenal Sanvian, Uma reflexão sobre o “jeito”. Revista Carta na Escola. p. 52, ed. n˚ 67.

Nas relações de poder que envolvem a construção da sociedade, o problema das instituições que a compõem está
a) na ingenuidade da população, que acredita que a corrupção é impossível de ser combatida.
b) nos discursos que mencionam a ética em todas as instituições representativas de poder, mas, de fato, a aplicação é inócua.
c) na ausência de comitês de ética que verdadeiramente funcionem a serviço dos cidadãos mais humildes.
d) na relação filosófica de compreender moral e ética, que só podem se desenvolver no campo das ideias.
e) na ausência da moral no exercício político de parte de nossos representantes e a fiscalização da sociedade civil.

7. No século XIX, surgiu um novo modo de explicar as diferenças entre os povos: o racismo. No entanto, os argumentos raciais encontravam muitas dificuldades: se os arianos originaram tanto os povos da Índia quanto os da Europa, o que poderia justificar o domínio dos ingleses sobre a Índia, ou a sua superioridade em relação aos indianos? A única resposta possível parecia ser a miscigenação. Em algum momento de sua história, os arianos da Índia teriam se enfraquecido ao se misturarem às raças aborígenes consideradas inferiores. Mas ninguém podia explicar realmente por que essa ideia não foi aplicada nos dois sentidos, ou seja, por que os arianos da Índia não aperfeiçoaram aquelas raças em vez de se enfraquecerem?
Adaptado de: PAGDEN, Anthony. Povos e impérios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p. 188-94.

Segundo o texto anterior, podemos concluir que o pensamento racista do século XIX
a) era incoerente, pois os britânicos se consideravam superiores aos indianos, porém ambos possuíam a mesma origem racial; além disso, o racismo não explicava por que a miscigenação enfraqueceu as raças superiores e não fortaleceu as inferiores.
b) era um modo de explicar as diferenças entre os povos a partir de sua origem racial e da miscigenação, a qual poderia levar tanto ao fortalecimento dos povos considerados inferiores quanto ao enfraquecimento dos considerados superiores.
c) era incoerente porque explicava a superioridade e o domínio dos ingleses sobre os indianos pelo fato de ambos terem a mesma origem em povos arianos; porém não explicava por que a miscigenação não fortaleceu as raças consideradas superiores.
d) era uma forma de legitimar o domínio dos ingleses sobre os indianos a partir de suas diferentes origens raciais; porém não explicava por que a miscigenação entre ingleses e indianos não levara ao aperfeiçoamento das raças consideradas inferiores.
e) o arianismo foi empregado como sistema de adequação de povos a suas vidas primitivas e não os englobou à modernidade.

8. Leia o texto do filósofo Baruch Von Espinoza.

O preço da honra
     As coisas que mais ocorrem na vida e são tidas pelos homens como o supremo bem resumem-se, ao que se pode depreender das suas obras, nestas três: as riquezas, as honras e a luxúria. Por elas, a mente se vê tão distraída que de modo algum poderá pensar em qualquer outro bem. Realmente, no que tange a luxúria, o espírito fica por ela de tal maneira possuído como se repousasse num bem, tornando-se de todo impossibilitado de pensar em outra coisa; mas, após a sua fruição, segue-se a maior das tristezas, a qual, se não suspende a mente, pelo menos a perturba e a embota. Também procurando as honras e a riqueza, não pouco a mente se distrai, mormente quando são buscadas apenas por si mesmas, porque então serão tidas como o sumo bem. Pela honra, porém, muito mais ainda fica distraída a mente, pois sempre se supõe ser um bem por si e como que o fim último, ao qual tudo se dirige.
     Além do mais, nestas últimas coisas não aparece, como na luxúria, o arrependimento. Pelo contrário, quanto mais qualquer delas se possuir, mais aumentará a alegria e consequentemente sempre mais somos incitados a aumentá-las. Se, porém, nos virmos frustrados alguma vez nessa esperança, surge uma extrema tristeza. Por último, a honra representa um grande impedimento pelo fato de precisarmos, para consegui-la, de adaptar a nossa vida à opinião dos outros, a saber, fugindo do que os homens em geral fogem e buscando o que vulgarmente procuram.

Sobre o texto podemos inferir que, para o filósofo,
a) a luxúria é profundamente necessária para que o homem atinja a razão e senso moral.
b) a honra é um bem por si e o fim último que todos devem buscar atingir.
c) a luxúria por dar vazão ao prazer não traz arrependimento.
d) a honra encerra-se em si e, portanto, pode ser vivida sem preocupação com a opinião alheia.
e) a luxúria está a um passo de nos dar a alegria, mas também de produzir a tristeza.

9. A vida na cidade, diz Simmel, bombardeia a mente com imagens e impressões, sensações e atividades. Esse é “um profundo contraste com o ritmo mais habitual e mais fluente” da cidadela ou aldeia. Nesse contexto, os indivíduos não podem responder a cada estímulo ou atividade com que se deparam; como lidam, então, com tal bombardeio?
GIDDENS, A. Sociologia. 6. ed. Porto Alegre: Penso, 2012, p. 158.

De acordo com a argumentação de Simmel, assinale a resposta mais correta à pergunta do texto.
a) Os indivíduos se protegem desse bombardeio, tornando-se indiferentes e desinteressados e distanciando-se emocionalmente uns dos outros.
b) Os indivíduos se esforçam para manter as relações afetivas e para evitarem o estado de anomia social.
c) Há um desejo coletivo pela apropriação de bens de consumo, que faz com que as pessoas se tornem mais interessadas no espaço privado.
d) As relações se tornam mais fluidas, de acordo com a noção de individualidade líquida, criada por Simmel.
e) Os indivíduos se inserem em uma multidão metropolitana, lutando pelo espaço público como local de convivência pacífica.

10.


A charge de Quino com Mafalda faz uma ironia sobre a troca de valores que objetos e pessoas tiveram com o advento da tecnologia. Sobre tal tema é correto afirmar que
a) ao longo da história os objetos mantêm a qualidade de serem apenas elementos sem vida e, portanto, descartáveis por não gerarem apego.
b) muitos objetos extrapolam o limite de “elementos sem vida” e passam a dominar as pessoas determinando inclusive as relações que as mesmas passam a ter no futuro.
c) ao amar mais um objeto do que o ser humano que está próximo, o homem evolui apenas materialmente, mas esquece de acompanhar tal evolução espiritualmente.
d) o amor não pode ser algo identificado com objetos, pois os mesmos não têm vida para gerar tal sentimento.
e) a tecnologia desponta como algo dominadora a ponto de inverter valores humanos, mas incapaz de mudar o amor das pessoas.


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