Interpretação de texto: Músicas - Questões de Vestibulares


1. (IFAL 2017) Leia o texto abaixo e assinale a opção correta.

Farinha (Djavan)

A farinha é feita
de uma planta da família das euforbiáceas
de nome Manihot utilissima,
Que um tio meu
Apelidou de macaxeira
E foi aí que todo mundo achou melhor!...

A farinha tá
No sangue do nordestino
eu já sei desde menino
o que ela pode dar

E tem da grossa, tem da fina
Se não tem da quebradinha
Vou na vizinha pegar;

Pra fazer pirão ou mingau;
Farinha com feijão
É animal!

O cabra que não tem eira nem beira
Lá no fundo do quintal
Tem um pé de macaxeira.

A macaxeira é popular,
É macaxeira pr’ali, macaxeira pra cá
E em tudo que é farinhada
A macaxeira tá.

Você não sabe o que é farinha boa
Farinha é a que a mãe me manda lá de Alagoas!

De acordo com o texto,
a) macaxeira e Manihot utilissima são duas coisas distintas.   
b) a macaxeira é um alimento de ricos.   
c) macaxeira e Manihot utilissima são a mesma coisa.
d) só existe farinha em Alagoas.   
e) toda farinha é boa.   
  
2. (IFBA 2017) Super-homem, a canção
(Gilberto Gil)
1Um dia,
Vivi a ilusão de que ser homem bastaria,
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter.

2Que nada!
Minha porção mulher, que até então se resguardara,
É a porção melhor que trago em mim agora.
É que me faz viver.

3Quem dera?
Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, quem dera?
Ser o verão o apogeu da primavera
E só por ela ser.

4Quem sabe?
O Super-homem venha nos restituir a glória,
Mudando como um deus o curso da história,
Por causa da mulher!

A respeito das expressões que iniciam cada estrofe da canção, é possível afirmar:
a) “Um dia” (ref. 1) dá a ideia de um futuro garantido.   
b) “Que nada” (ref. 2) introduz uma afirmação do poder masculino.   
c) “Quem sabe” (ref. 4) expressa uma certeza de futuro.   
d) “Quem dera” (ref. 3) faz apologia a algo que será dado ao homem.   
e) “Quem dera” (ref. 3) expressa um desejo.
  
3. (CPS 2017) Leia a letra da música “O Sal da Terra”, escrita por Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar

Tempo quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra

És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que é a nave nossa irmã

Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que é do homem a maçã

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão

Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois

Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
(O sal da terra)
<http://tinyurl.com/jxqu5yq> Acesso em: 26.08.2016.


A letra da música transmite a ideia de que é possível construir um mundo melhor.

A partir de elementos do texto, é correto afirmar que, para isso, é necessário
a) investir na automação industrial, que substitui a mão de obra humana pelas máquinas e acaba com a destruição do meio ambiente.   
b) diminuir o consumo de bens materiais e buscar formas de conciliar o progresso econômico com a preservação dos recursos ambientais.
c) realizar reformas urbanas que permitam desmatar áreas de florestas nativas e construir cidades cada vez mais tecnológicas, democráticas e limpas.   
d) eliminar o consumo de bens não duráveis e aumentar a retirada de matérias-primas da natureza, para trazer de volta o equilíbrio natural do planeta Terra.   
e) explorar mais as reservas de sal, pois a natureza não tem fornecido matérias-primas adequadas para a produção de alimentos, encarecendo os produtos agrícolas.   

4. (Epcar (Afa) 2017) ENVELHECER 
Arnaldo Antunes/Ortinho/Marcelo Jeneci

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer
Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver para ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer
(...)
Pois ser eternamente adolescente nada é mais *démodé com os ralos fios de cabelo sobre a
[testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr.
(...) 
 www.arnaldoantunes.com.br/new/sec_discografia_sel.php?id=679
  
*démodé: fora de moda.

Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta.
a) A expressão “vira a cara para o presente”, no verso 8, foi utilizada no sentido de encarar fixamente o presente.   
b) O eu lírico destaca, nos versos de 2 a 4, apenas as perdas físicas que caracterizam a chegada da velhice.   
c) Conservar os cabelos longos, quando já estão ralos devido à calvície, é uma atitude fora de moda.   
d) No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento da expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer tornou-se comum.   

5. (Epcar (Cpcar) 2017) O Sal da Terra

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra 
GUEDES, Beto. www.mundojovem.com.br/musicas/o-sal-da-terra-beto-guedestransito. Acesso em 18/04/2016.

Leia as afirmativas abaixo acerca do texto “O Sal da Terra”.

I. O locutor esboça sua preocupação com as gerações futuras e considera fundamental pautar suas ações no sentido de construir-lhes um lugar melhor para viver.
II. A “paz na terra” depende tanto do cuidado com a natureza quanto do fim da ganância e das desigualdades sociais.
III. O emissor da mensagem em “Quero não ferir meu semelhante/Nem por isso quero me ferir” argumenta que pensar no bem-estar alheio é prejudicial ao indivíduo.
IV. A necessidade de mudanças na preservação do planeta não é uma novidade, mas o locutor exorta todos a realizá-las o mais rápido possível.

As inferências corretas são apenas
a) I, II e IV.
b) II, III e IV.   
c) I e IV.   
d) II e III.   
  
6. (Upe-ssa 1 2016)  A relação entre textos sempre existiu como retomada de um texto mais novo de outro que o antecede, contudo o termo intertextualidade foi usado pela primeira vez por Julia Kristeva, que, baseando-se nos estudos de Bakhtin sobre o discurso, concluiu: “todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto”.
(Fonte: KRISTEVA, Julia. Introdução à Semanálise. São Paulo: Perspectiva, 1974. p.72.)
  
Sobre intertextualidade, analise os textos 1 e 2.

Texto 1

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
[...] 
(Renato Russo, Monte Castelo)

Texto 2

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
(Camões)

Assinale a alternativa CORRETA.
a) Em Monte Castelo, Renato Russo dialoga com dois textos distintos: o poema de Camões Amor é fogo que arde sem se ver; e a Bíblia, no Capítulo 13 da 2ª Carta de Paulo aos Coríntios, quando fala do Amor como um bem supremo, além de o título aludir a uma batalha da Segunda Guerra Mundial, da qual participaram soldados brasileiros.   
b) Partindo do conceito de intertextualidade, expresso por Julia Kristeva, pode-se afirmar que Renato Russo não devia ter lançado mão de partes da Bíblia Sagrada para montar a letra de uma música profana.   
c) O diálogo entre textos conduz indiscutivelmente ao plágio; dessa maneira, a montagem, como paródia de três diferentes textos, realizada por Renato Russo, não o isenta da responsabilidade de ter usado indevidamente a produção de autores que o antecederam.   
d) Monte Castelo não foi uma montagem de dois textos, pois não houve intencionalidade do poeta em realizar tal façanha. A semelhança entre os textos é mera coincidência.   
e) O trabalho artístico do compositor brasileiro não pode ser considerado arte, porque não apresenta originalidade e ineditismo; trata-se de uma mera paráfrase de textos anteriores a ele. Inadmissível de acordo com as concepções dos dois autores: Bakhtin e Kristeva.   

7. (Ufjf-pism 1 2017) A televisão
(Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Belloto)

A televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oh! Oh! Oh!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oh! Oh! Oh!

O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida

Oh! Cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!

Oh! Cride, fala pra mãe!
A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oh! Oh! Oh!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oh! Oh! Oh!

É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais

Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe! 
Titãs. Televisão. Lp. Gravadora WEA, 1985.
  
As estrofes 1 e 5 do texto acima permitem afirmar que a inteligência do sujeito está, respectivamente, relacionada:
a) ao discernimento e à liberdade.   
b) à liberdade e à emoção.   
c) à memória e à informação.   
d) à cognição e à leitura.   
e) à violência e à ordem.   
  
8. (Enem 2ª aplicação 2016)  Texto I

Mama África

Mama África (a minha mãe)
é mãe solteira
e tem que fazer
mamadeira todo dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia
Mama África tem tanto o que fazer
além de cuidar neném
além de fazer denguim
filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
mas não se afasta de você
quando Mama sai de casa
seus filhos se olodunzam
rola o maior jazz
Mama tem calos nos pés
Mama precisa de paz
Mama não quer brincar mais
filhinho dá um tempo
é tanto contratempo
no ritmo de vida de Mama 
CHICO CÉSAR. Mama África. São Paulo: MZA Music, 1995.
  
Texto II
A pesquisa, realizada pelo IBGE, evidencia características das famílias brasileiras, também tematizadas pela canção Mama África. Ambos os textos destacam o(a)
a) preocupação das mulheres com o mercado de trabalho.   
b) responsabilidade das mulheres no sustento das famílias.
c) comprometimento das mulheres na reconstituição do casamento.   
d) dedicação das mulheres no cuidado com os filhos.   
e) importância das mulheres nas tarefas diárias.   
  
9. (Ufrgs 2016)  Leia abaixo a letra da canção Mamãe Coragem – composição de Caetano Veloso e Torquato Neto, interpretação de Gal Costa – que integra o álbum Tropicália ou Panis et Circencis.

Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe, mamãe, não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe, não chore
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Veja as contas do mercado
Pague as prestações
Ser mãe
É desdobrar fibra por fibra
Os corações dos filhos
Seja feliz
Seja feliz

Mamãe, mamãe, não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz
Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe, não chore
Não chore nunca mais, não adianta
Eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta
(Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora do peito
Mamãe, não chore
Não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Leia “Alzira morta virgem”
“O grande industrial”

Eu por aqui vou indo muito bem
De vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade
Na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim
Não tem mais fim
Não tem mais fim

Considere as seguintes afirmações sobre a canção.

I. A inversão apresentada na canção – é o/a filho/a jovem que consola a mãe e não o contrário – manifesta-se nas expressões comumente relacionadas ao vocabulário materno como “A vida é assim mesmo” e “Não chore nunca mais, não adianta”.
II. A sirene ouvida na abertura da canção é uma provável referência às fábricas da cidade, para onde o sujeito cancional se desloca em busca de oportunidades que superem o trabalho doméstico, a rotina e os passatempos provincianos.
III. O uso de “beijo” em vez de “grito”, no verso “Eu tenho um beijo preso na garganta”, expõe a ternura, apesar da rebeldia, que caracteriza o sujeito cancional.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.   
b) Apenas II.    
c) Apenas III.   
d) Apenas I e II.   
e) I, II e III.

10. (Fuvest 2013) São Paulo gigante, torrão adorado
Estou abraçado com meu violão
Feito de pinheiro da mata selvagem
Que enfeita a paisagem lá do meu sertão 
Tonico e Tinoco, São Paulo Gigante.

Nos versos da canção dos paulistas Tonico e Tinoco, o termo “sertão” deve ser compreendido como
a) descritivo da paisagem e da vegetação típicas do sertão existente na região Nordeste do país.   
b) contraposição ao litoral, na concepção dada pelos caiçaras, que identificam o sertão com a presença dos pinheiros.   
c) analogia à paisagem predominante no Centro-Oeste brasileiro, tal como foi encontrada pelos bandeirantes no século XVII.   
d) metáfora da cidade-metrópole, referindo-se à aridez do concreto e das construções.   
e) generalização do ambiente rural, independentemente das características de sua vegetação.   
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