30 dicas para a produção de um excelente texto na redação do ENEM

*Professora Clélia Precci


1.      Seja claro, preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases curtas e evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias. Não é justo exigir que o leitor faça complicados exercícios mentais para compreender o texto.
2.      Construa períodos com no máximo duas ou três linhas. Os parágrafos, para facilitar a leitura, deverão ter cinco linhas, em média, e no máximo oito.
3.      A simplicidade é condição essencial de um texto. Lembre-se de que você escreve para todos os tipos de leitor e todos, sem exceção, têm o direito de entender qualquer texto, seja ele político, econômico, internacional, urbanístico ou, até mesmo, sua redação do Enem.
4.      Adote como norma a ordem direta, por ser aquela que conduz mais facilmente o leitor à essência das informações. Dispense os detalhes irrelevantes e vá diretamente ao que interessa, sem rodeios.
5.      A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva (será iniciado, será realizado), pobreza vocabular etc. Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Nunca é demais insistir: fuja, isto sim, dos rebuscamentos, dos pedantismos vocabulares, dos termos técnicos evitáveis e da erudição.
6.      Não comece períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra, nem use repetidamente a mesma estrutura de frase.
7.      Evite tanto a retórica e o hermetismo como a gíria, o jargão e o coloquialismo.
8.      Tenha sempre presente: o espaço hoje é precioso; o tempo do leitor, também. Expresse seus argumentos no menor número possível de palavras.
9.      Em qualquer ocasião, prefira a palavra mais simples: votar é sempre melhor que sufragar; pretender é sempre melhor que objetivar, intentar ou tencionar; voltar é sempre melhor que regressar ou retornar; tribunal é sempre melhor que corte; passageiro é sempre melhor que usuário; eleição é sempre melhor que pleito; entrar é sempre melhor que ingressar.
10.  Procure banir do texto os modismos e os lugares-comuns. Você sempre pode encontrar uma forma elegante e criativa de dizer a mesma coisa sem incorrer nas fórmulas desgastadas pelo uso excessivo. Veja algumas: a nível de, deixar a desejar, chegar a um denominador comum, transparência, instigante, pano de fundo, estourar como uma bomba, encerrar com chave de ouro, segredo guardado a sete chaves, dar o último adeus. Acrescente as que puder a esta lista.
11.  Proceda da mesma forma com as palavras e formas empoladas ou rebuscadas, que tentam transmitir ao leitor mera ideia de erudição. O texto dissertativo-argumentativo não tem lugar para termos como tecnologizado, agudização, consubstanciação, execucional, operacionalização, mentalização, transfusional, paragonado, rentabilizar, paradigmático, programático, emblematizar, congressual, instrucional, embasamento, ressociabilização, dialogal, transacionar, parabenizar e outros do gênero.
12.  Não perca de vista o universo vocabular do leitor. Adote esta regra prática: nunca escreva o que você não diria. Assim, alguém rejeita (e não declina de) um convite, protela ou adia (e não procrastina) uma decisão, aproveita (e não usufrui) uma situação. Da mesma forma, prefira demora ou adiamento a delonga.
13.  Dificilmente os textos justificam a inclusão de palavras ou expressões de valor absoluto ou muito enfático, como certos adjetivos (magnífico, maravilhoso, sensacional, espetacular, admirável, esplêndido, genial), os superlativos (engraçadíssimo, deliciosíssimo, competentíssimo, celebérrimo) e verbos fortes como infernizar, enfurecer, maravilhar, assombrar, deslumbrar, dentre outros.
14.  Termos coloquiais ou de gíria deverão ser usados com extrema parcimônia e apenas em casos muito especiais, para não darem ao leitor a ideia de vulgaridade e principalmente para que não se tornem novos lugares-comuns. Como, por exemplo: a mil, barato, galera, detonar, deitar e rolar, flagrar, com a corda (ou a bola) toda, legal, grana, bacana etc.
15.  Seja rigoroso na escolha das palavras do texto. Desconfie dos sinônimos perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões. Em geral, há uma palavra para definir uma situação.
16.  Você pode ter familiaridade com determinados termos ou situações, mas o leitor, não. Por isso, seja explícito nas informações e não deixe nada subentendido.
17.  Nas redações dissertativo-argumentativas, o primeiro parágrafo deve fornecer resposta à pergunta básica: sobre o que é? Essa resposta será a tese.
18.  Não inicie a redação com declaração entre aspas e só o faça se esta tiver importância muito grande (o que é a exceção e não a norma).
19.  Procure dispor os argumentos em ordem decrescente de importância (princípio da pirâmide invertida), para que, no caso de qualquer necessidade de corte no texto, os últimos possam ser suprimidos, de preferência.
20.  Encadeie o texto de maneira suave e harmoniosa, para que os parágrafos dialoguem entre si. Nada pior do que um texto em que os parágrafos se sucedem uns aos outros como compartimentos estanques, sem nenhuma fluência: ele não apenas se torna difícil de acompanhar, como faz a atenção do leitor se dispersar no meio do texto. Isso dá ao leitor a sensação de que o assunto agora é outro e não parte de um todo.
21.  Por encadeamento de parágrafos não se entenda o cômodo uso de vícios linguísticos, como por outro lado, enquanto isso, ao mesmo tempo, não obstante e outros do gênero. Busque formas menos batidas ou simplesmente as dispense: se a sequência do texto estiver correta, esses recursos se tornarão absolutamente desnecessários.
22.  A falta de tempo do leitor exige que os textos sejam cada vez mais curtos (20 ou 30 linhas). Quando houver tempo, reescreva o texto: é o mais recomendável. Quando não, vá cortando as frases dispensáveis.
23.  Proceda como se o seu texto fosse o definitivo. Assim, depois de pronto, reveja e confira todo o texto, com cuidado. Afinal, é o seu texto e ele será avaliado.
24.  O recurso à primeira pessoa só se justifica, em geral, em textos narrativos e relatos.
25.  Não use argumentos não confirmados nem inclua neles informações sobre as quais você tenha dúvidas. Você poderá estar criando uma armadilha para si mesmo. Exemplo: “Os Estados Unidos começaram a criar centros para recolher as baterias de lítio desutilizadas.”; “A briga pelo mercado petrolífero continua sendo o maior dos problemas no continente Oriente Médio.”.
26.  Nas versões conflitantes, divergentes ou não confirmadas, mencione quais as fontes responsáveis pelas informações ou pelo menos os setores dos quais elas partem. Toda cautela é pouca e o máximo cuidado nesse sentido evitará que o argumento se torne uma mentira.
27.  Nunca deixe de ler até o fim o rascunho que vá ser refeito, mesmo que você tenha poucos minutos disponíveis. Ele poderá conter informações indispensáveis no fim e você corre o risco cortá-las.
28.  Trate de forma impessoal o personagem citado no texto, por mais popular que ele seja: a apresentadora Xuxa ou Xuxa, apenas (e nunca a Xuxa), Pelé (e não o Pelé), Piquet (e não o Piquet) etc.
29.  Um texto não deve admitir generalizações que possam atingir toda uma classe ou categoria, raças, credos, profissões, instituições etc. Muita ATENÇÃO a isso. Evite construções com: todos, nenhum, ninguém, jamais, sempre etc.
30.  Em caso de dúvida, não hesite em consultar dicionários, enciclopédias, almanaques e outros livros de referência. Ou recorrer aos especialistas, aos colegas mais experientes ou professores. Bem melhor perguntar antes de comprometer o texto.  

* Universidade Federal do Juiz de Fora - Cursinho Pré-universitário popular (CPU)
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