República Velha - República da Espada (1889-1894) - Questões de Vestibulares

1. (Puccamp) É interessante notar como, em Machado de Assis, se aliavam e se irmanavam a superioridade de espírito, a maior liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois termos que se repelem, pensador e burocrata, são os que melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, a vida nacional passara pelas profundas modificações da Abolição e da República.
− Que pensa de tudo isso Machado de Assis? Indagava Eça de Queirós.
À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete de burocrata, diante da conveniência de tirar da parede o retrato do imperador:
− Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra portaria.
Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com esse acatamento ao ato de um regime findo.
Adaptado de: PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis. 6. ed. rev., Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1988, p. 208

O republicanismo no Brasil, sobretudo a linha defendida pelos militares, sofreu forte influência do positivismo – forma de pensamento característico do século XIX −, filosofia de Auguste Comte. Os republicanos positivistas
a) pretendiam chegar ao regime republicano por meio de mudanças decorrentes de movimentos de luta entre os monarquistas e os positivistas.    
b) concebiam o Estado como uma entidade voltada ao aprimoramento positivo da sociedade, independentemente do regime de governo.   
c) consideravam que só seria possível a criação de uma sociedade igualitária através do republicanismo e de “reformas positivas do trabalho”.   
d) defendiam que a monarquia seria superada pelo “estágio positivo da história da humanidade”, representado de modo especial pela república.   
e) acreditavam que a queda da monarquia ocorreria por meio de uma “revolução baseada nos princípios do positivismo e do republicanismo”.    
  
2. (Col. naval) Leia o texto a seguir.

A administração da Fazenda Pública com a mais severa economia e a maior fiscalização no emprego da renda do Estado será uma das minhas preocupações. Povos novos e onerados de dívidas nunca foram povos felizes, e nada aumenta mais as dívidas dos estados do que as despesas sem proporção com os recursos econômicos da nação, com as forças vivas do trabalho, das indústrias e do comércio, o que produz o desequilíbrio dos orçamentos, o mal-estar social, a miséria. Espero que, fiscalizada e economizada a Fazenda Pública, mantida a ordem no País, a paz com as nações estrangeiras sem quebra da nossa honra e dos nossos direitos, animado o trabalho agrícola e industrial e reorganizado o regime bancário, os abundantes recursos do nosso solo vaporizarão progressivamente o nosso meio circulante, depreciado para as permutas internacionais, e fortificarão o nosso crédito do interior e no exterior.
Trecho do discurso de posse de Floriano Peixoto
Fonte: http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/91988

Em um trecho de seu discurso de posse, apresentado acima, Floriano Peixoto demonstrou grande preocupação com a economia brasileira que vivia a chamada “Crise do Encilhamento”. É correto afirmar que entre as características da crise estavam:
a) o decréscimo das reservas cambiais e a escassez de papel-moeda no país.   
b) a queda do preço do minério de ferro no mercado internacional e a baixa movimentação financeira da bolsa de valores.   
c) as falências de indústrias e a inflação que elevou o custo de vida.   
d) a liberação das barreiras fiscais para a importação de produtos ingleses, levando à falência indústrias e grupos comerciais.   
e) o excesso de gastos públicos com políticas assistencialistas e o endividamento com credores no exterior.   
   
3. (PROF. JARLISON SILVA 2017) No dia 15 de novembro, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente. Na noite deste mesmo dia, o marechal assinou o manifesto instalando um governo provisório.

O fragmento de texto acima retrata
a) A chegada de Vargas ao poder, com a A “Revolução” de 1930.   
b) A deposição de João Goulart e a chagada dos militares ao poder   
c) A Revolução Constitucionalista de 1932, que exigia a instauração de uma Constituição.   
d) O fim da monarquia e a Proclamação da República de 1889.   
e) O Estado Novo de 1937, ditadura pessoal de Getúlio Vargas.     

4. (PROF. JARLISON SILVA 2017) Após um ano da abolição da escravidão, foi proclamada a República Brasileira, pelo então Marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889, apesar de se haver grande divergência quanto ao tipo de República que seria instaurada. O governo provisório convocou no ano de 1890 a Assembleia Nacional Constituinte, para que fosse institucionalizado o novo regime político. Deste modo, promulgou-se a Constituição Republicana em 24 de fevereiro de 1891, onde o regime político era de caráter presidencialista, com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O primeiro presidente da República foi o marechal Deodoro da Fonseca e o marechal Floriano Peixoto como vice, as escolhas tanto para presidente quanto para vice foram feitas pelos deputados constituintes.   

Após a leitura do texto sobre o início da República Brasileira e a charge que faz alusão ao fim da monarquia, analise as proposições a seguir e marque a correta.
a) Com a Constituição de 1891 ocorreu o estabelecimento de impostos e a separação entre a Igreja Católica e o Estado, pondo fim ao padroado régio.
b)  A eleição de que levou ao poder o Marechal Deodoro da Fonseca, contou com grande participação popular, já que o sufrágio era universal e irrestrito.
c)   A chegada de Floriano Peixoto ao poder significou a ascensão da Marinha como principal e mais prestigiada força militar do Brasil naquela época.
d)  A Constituição de 1891, por manter o poder moderador, foi concebida como um exemplo da influência do positivismo no Brasil.

e)   Marechal Deodoro era representante da oligarquia paulista, produtora de café, daí o motivo da sua tentativa de modernização econômica do Brasil, que levou ao Encilhamento. 

5. (Enem) Na imagem, o autor procura representar as diferentes gerações de uma família associada a uma noção consagrada pelas elites intelectuais da época, que era a de

a) defesa da democracia racial.   
b) idealização do universo rural.   
c) crise dos valores republicanos.   
d) constatação do atraso sertanejo.   
e) embranquecimento da população.     

6. (Unesp) A chamada crise do Encilhamento, no final do século XIX, foi provocada
a) pela moratória brasileira da dívida contraída junto a casas bancárias alemãs e italianas.   
b) pela crise da Bolsa de Valores, que não resistiu ao surto especulativo do pós-Primeira Guerra Mundial.   
c) pelo fim da política de proteção à produção e exportação de café, que enfrentava forte concorrência colombiana.   
d) pela emissão descontrolada de papel-moeda, que provocou especulação financeira e alta inflacionária.   
e) pelo encarecimento dos bens de primeira necessidade, que eram majoritariamente importados dos Estados Unidos.    

7. (Puccamp) O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pelos tipos sociais que se mesclavam na sociedade fluminense do século XIX: proprietários, rentistas, comerciantes, homens pobres mas livres e escravos. Cruzam seus interesses e medem-se em seus poderes ou em sua falta de poder. É essa a configuração das personagens das obras-primas Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A tragédia do negro escravizado está exposta em contos violentos, e o capricho dos senhores proprietários dá o tom a narradores como Brás Cubas e Bento Santiago, o Bentinho, que contam suas histórias de modo a apresentar com ar de naturalidade a prática das violências pessoais ou sociais mais profundas.
(TÁVOLA, Bernardim da. Inédito).

A tragédia do negro escravizado, no Brasil, deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Durante a primeira República a maioria absoluta da população negra continuou excluída da vida política, tendo colaborado para essa exclusão o fato de que
a) a legislação republicana oficializou medidas segregacionistas em nível nacional.   
b) a população negra livre não era contemplada pelo sistema clientelista.   
c) os negros optaram por permanecer no campo, não se inserindo nas cidades.   
d) os analfabetos, mendigos e soldados não podiam votar.   
e) as organizações políticas ou culturais que agregassem negros eram proibidas.   
   
8. (Fuvest) Observe a tabela:

IMIGRAÇÃO: BRASIL, 1881-1930 (EM MILHARES)
Ano
Chegadas
1881-1885
133,4
1886-1890
391,6
1891-1895
659,7
1896-1900
470,3
1901-1905
279,7
1906-1910
391,6
1911-1915
611,4
1916-1920
186,4
1921-1925
368,6
1926-1930
453,6
Total
3.964,3
Leslie Bethell (ed.), The Cambridge History of Latin America, vol. IV. Adaptado.

Os dados apresentados na tabela se explicam, dentre outros fatores, 
a) pela industrialização significativa em estados do Nordeste do Brasil, sobretudo aquela ligada a bens de consumo.    
b) pela forte demanda por força de trabalho criada pela expansão cafeeira nos estados do Sudeste do Brasil.    
c) pela democracia racial brasileira, a favorecer a convivência pacífica entre culturas que, nos seus continentes de origem, poderiam até mesmo ser rivais.    
d) pelos expurgos em massa promovidos em países que viviam sob regimes fascistas, como Itália, Alemanha e Japão.    
e) pela supervalorização do trabalho assalariado nas cidades, já que no campo prevalecia a mão de obra de origem escrava, mais barata.     

9. (Cefet/MG) “Episódio que em princípio deveria ter marcado a memória popular foi a Proclamação da República. Mas não foi o que aconteceu [...]. A participação popular foi menor do que na proclamação da independência.”
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 17ª edição, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013, p. 80-81. (Adaptado)

Entre os principais grupos sociais, envolvidos na articulação do referido evento, destacam-se os
a) empresários e imigrantes.   
b) industriais e camponeses.   
c) operários e intelectuais.   
d) banqueiros e religiosos.   
e) fazendeiros e militares.     

10. (Enem) Em 1881, a Câmara dos Deputados aprovou uma reforma na lei eleitoral brasileira, a fim de introduzir o voto direto. A grande novidade, porém, ficou por conta da exigência de que os eleitores soubessem ler e escrever.
As consequências logo se refletiram nas estatísticas.
Em 1872, havia mais de 1 milhão de votantes, já em 1886, pouco mais de 100 mil cidadãos participaram das eleições parlamentares. Houve um corte de quase 90 por cento do eleitorado.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2006 (adaptado).

Nas últimas décadas do século XIX, o Império do Brasil passou por transformações como as descritas, que representaram a
a) ascensão dos “homens bons”.   
b) restrição dos direitos políticos.   
c) superação dos currais eleitorais.   
d) afirmação do eleitorado monarquista.   
e) ampliação da representação popular.     

11. (PROF. JARLISON SILVA 2017) No decorrer da história da humanidade surgiram diversos entendimentos de cidadania em diferentes momentos – Grécia e Roma da Idade Antiga e Europa da Idade Média. Contudo, o conceito de cidadania como conhecemos hoje, insere-se no contexto do surgimento da Modernidade e da estruturação do Estado-Nação.
A cidadania formal é, conforme o direito internacional, indicativo de nacionalidade, de pertencimento a um Estado-Nação, por exemplo, uma pessoa portadora da cidadania brasileira. Em segundo lugar, na ciência política e sociologia o termo adquire sentido mais amplo, a cidadania substantiva é definida como a posse de direitos civis, políticos e sociais. Essa última forma de cidadania é a que nos interessa.
Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/cidadania-ou-estadania.htm.

Assim, na chamada “República Velha”, no Brasil, o modelo de cidadania ficou marcado pela
a) exclusão dos analfabetos do processo eleitoral, além dos mendigos.   
b) mesmo sendo uma sociedade paternalista, houve grande participação das mulheres na política   
c) grande atuação do comunismo, inclusive em um curto período chegaram ao poder com Floriano Peixoto.
d) grande fragmentação política, com o poder distribuído pelas oligarquias regionais, como a da borracha na Amazônia.   
e) forte atuação dos cangaceiros no cenário político nacional, com grande destaque para o sul do Brasil.     

12. (Unifor) Acontecimentos importantes marcaram a História do Brasil na segunda metade do século XIX, dentre eles pode-se destacar imigração, a abolição da escravidão e a Proclamação da República. Sobre estes acontecimentos assinale a alternativa CORRETA:  
a) A imigração não foi importante para a generalização do trabalho assalariado, pois os colonos viviam praticamente como escravos.    
b) A República proclamada em 15 de Novembro de 1889 introduziu um amplo programa de adaptação do escravo liberto à vida na sociedade brasileira.    
c) A Proclamação da República visava, dentro outros objetivos, descentralizar o poder político, facilitando a ação dos estados em favor das economias locais.    
d) A imigração desenvolveu largamente as formas de trabalho assalariado dinamizando a industrialização do Nordeste do Brasil.    
e) A indústria brasileira desenvolveu-se no período, basicamente direcionada à exportação, dado o pouco dinamismo do mercado interno.     

13. (Enem) Passada a festa da abolição, os ex-escravos procuraram distanciar-se do passado de escravidão, negando-se a se comportar como antigos cativos. Em diversos engenhos do Nordeste, negaram-se a receber a ração diária e a trabalhar sem remuneração. Quando decidiram ficar, isso não significou que concordassem em se submeter às mesmas condições de trabalho do regime anterior.
FRAGA, W; ALBUQUERQUE, W. R. Uma história da cultura afro-brasileira. São Paulo: Moderna, 2009 (adaptado).

Segundo o texto, os primeiros anos após a abolição da escravidão no Brasil tiveram como característica o(a)
a) caráter organizativo do movimento negro.   
b) equiparação racial no mercado de trabalho.   
c) busca pelo reconhecimento do exercício da cidadania.   
d) estabelecimento do salário mínimo por projeto legislativo.   
e) entusiasmo com a extinção das péssimas condições de trabalho.     

14. (Unesp) A proclamação da República não é um ato fortuito, nem obra do acaso, como chegaram a insinuar os monarquistas; não é tampouco o fruto inesperado de uma parada militar. Os militares não foram meros instrumentos dos civis, nem foi um ato de indisciplina que os levou a liderar o movimento da manhã de 15 de novembro, como tem sido dito às vezes. Alguns deles tinham sólidas convicções republicanas e já vinham conspirando há algum tempo [...]. Imbuídos de ideias republicanas, estavam convencidos de que resolveriam os problemas brasileiros liquidando a Monarquia e instalando a República.
(Emília Viotti da Costa. Da monarquia à república, 1987.)

O texto identifica a proclamação da República como resultado
a) da unidade dos militares, que agiram de forma coerente e constante na luta contra o poder civil que prevalecia durante o Império.   
b) da fragilidade do comando exercido pelo Imperador frente às rebeliões republicanas que agitaram o país nas últimas décadas do Império.   
c) de um projeto militar de assumir o comando do Estado brasileiro e implantar uma ditadura armada, afastando os civis da vida política.   
d) da disseminação de ideais republicanos e salvacionistas nos meios militares, que articularam a ação de derrubada da Monarquia.   
e) de uma conspiração de civis, que recorreram aos militares para derrubar a Monarquia e assumir o controle do Estado brasileiro.     

15. (Upf) O Brasil foi um dos países receptores de milhões de europeus e asiáticos que vieram para as Américas em busca de oportunidade de trabalho e ascensão social. Aproximadamente 3 milhões de estrangeiros entraram no Brasil entre 1887 e 1914, 72% do total de imigrantes que vieram para o continente americano. É correto afirmar que essa concentração se explica, entre outros fatores, pela: 
a) forte demanda de força de trabalho para as lavouras de café.    
b) vinda de um forte contingente de japoneses fugidos da Primeira Guerra.    
c) necessidade de mão de obra altamente especializada para a indústria do sul do país.    
d) política de imigração altamente subsidiada pelos governos italiano e japonês.    
e) excelente recepção oferecida aos imigrantes pelos usineiros do nordeste.    
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