Sociologia Brasileira - Questões de Vestibulares

1. (Upe-ssa 1 2017)  Leia o texto a seguir:


A Sociologia de Florestan Fernandes inaugura uma nova época na história da Sociologia brasileira. Não só descortina novos horizontes para a reflexão teórica e a interpretação da realidade social como permite reler criticamente muito do que tem sido a Sociologia brasileira passada e recente. (...) Florestan Fernandes é o fundador da sociologia crítica no Brasil. Toda a sua produção intelectual está impregnada de um estilo de reflexão, que questiona a realidade social e o pensamento. As suas contribuições sobre as relações raciais entre negros e brancos, por exemplo, estão atravessadas pelo empenho de interrogar a dinâmica da realidade social, (...). 
IANNI, Otávio. A Sociologia de Florestan Fernandes. Estudos Avançados, v. 10, n. 26, pp. 25-26, 1996.

Florestan Fernandes pertenceu a uma geração de sociólogos brasileiros, que consolidou a Sociologia como disciplina acadêmica.

Tendo como base as informações contidas no texto e esse período da história da Sociologia no país, é INCORRETO afirmar que
a) a disciplina se tornou uma tradição científica obrigatória nos cursos de Ciências Sociais, independente de outros cursos.   
b) os estudos sociológicos desse período estavam voltados às questões nacionais, às relações raciais, à mobilidade social dos diferentes grupos étnicos e ao mundo rural brasileiro.   
c) a Sociologia se institucionalizou desde a criação do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1933.   
d) a criação da Escola Livre de Sociologia e Política em São Paulo representa um marco importante para a consolidação do ensino da Sociologia nas universidades brasileiras.   
e) a Sociologia tinha como principal objetivo formar profissionais capacitados a produzir estudos baseados na ciência que explicassem os problemas sociais do país.   
  
2. (Enem PPL 2014)  Canto dos lavradores de Goiás 


Tem fazenda e fazenda 
Que é grande perfeitamente 
Sobe serra desce serra 
Salta muita água corrente 
Sem lavoura e sem ninguém 
O dono mora ausente. 
Lá só tem caçambeiro 
Tira onda de valente 
Isso é que é grande barreira 
Que está em nossa frente 
Tem muita gente sem terra 
Tem muita terra sem gente. 

MARTINS, J. S. Cativeiro da terra. São Paulo: Ciências Humanas, 1979. 

No canto registrado pela cultura popular, a característica do mundo rural brasileiro no século XX destacada é a
a) atuação da bancada ruralista.   
b) expansão da fronteira agrícola.   
c) valorização da agricultura familiar.   
d) manutenção da concentração fundiária.   
e) implementação da modernização conservadora.   
  
3. (Uel 2008)  Analise a tabela a seguir:

Número e Percentual de Pobres - Indigentes por cor, 1992 e 1999

Número
Percentual
1992
1999
Variação %
1992
1999
Total
84.459.000
75.195.000
-11,00
100,0
100,0
Brancos
31.075.000
25.869.000
-16,75
37,0
34,4
Afrodescendentes
53.191.000
49.012.000
-7,85
63,0
65,6
(IPEA, 2001. OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R.R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007. p. 144.

Os dados sobre a pobreza e a indigência segundo a cor ilustram os argumentos dos estudos
a) de Gilberto Freyre sobre a natural integração dos negros na sociedade brasileira, que desenvolveu a democracia racial.    
b) de Caio Prado Junior sobre a formação igualitária da sociedade brasileira, que desenvolveu o liberalismo racial.    
c) de Sérgio Buarque de Holanda sobre a cordialidade entre as raças que formam a nação brasileira: os negros, os índios e os brancos.    
d) de Euclides da Cunha sobre a passividade do povo brasileiro, ordeiro e disciplinado, que desenvolveu a igualdade de oportunidades para todas as raças.    
e) de Florestan Fernandes sobre a não integração dos negros no mercado de trabalho cem anos após a abolição da escravidão.   
  
4. (Enem PPL 2013)  Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos.
SETTI, A. Disponível em: http://colunas.revistaepoca.globo.com. Acesso em: 21 maio 2013 (fragmento).

A diferença entre os costumes assinalados no texto e os da classe média brasileira é consequência da ocorrência no Brasil de
a) automação do trabalho nas fábricas, relacionada à expansão tecnológica.   
b) ampliação da oferta de empregos, vinculada à concessão de direitos sociais.   
c) abertura do mercado nacional, associada à modernização conservadora.   
d) oferta de mão de obra barata, conjugada à herança patriarcal.   
e) consolidação da estabilidade econômica, ligada à industrialização acelerada.   

5. (Unimontes 2016)  No Brasil, o problema das desigualdades sociais ocupa a agenda de pesquisa e reflexão dos principais cientistas sociais do país. Jessé Souza, um dos mais destacados sociólogos da atualidade, enxerga, na fragmentação do conhecimento e na fragmentação da percepção da realidade, os principais obstáculos para o enfrentamento do problema.

Considerando esse ponto de vista do sociólogo, pode-se afirmar:
a) Desigualdade social é um problema exclusivamente de conjuntura econômica, podendo ser superado com o crescimento econômico.   
b) O aumento da renda e o acesso ao emprego resolvem o problema das desigualdades sociais no Brasil.   
c) No Brasil, com o surgimento de “uma nova classe média” (como se difunde em jornais e televisão), o problema das desigualdades sociais desaparece por causa, principalmente, do acesso generalizado aos bens de consumo.   
d) A reprodução de classes marginalizadas envolve a produção e a reprodução das condições morais, culturais e políticas da marginalidade, que vão para além do problema da renda per capita.   
  
6. (Uema 2016)  Nunca o Brasil recolheu tanto imposto. Creio que a corrupção nunca foi tão alta. Alguma relação? Claro que sim! Os impostos financiam a corrupção. Esmagamos o nosso corpo, retorcemos a nossa estrutura para financiar a mordomia de poucos sortudos.
Isso sempre existiu em toda parte do mundo. No Brasil, então, é condição essencial para o convívio entre os agentes sociais. Entretanto, somos obrigados a conviver com um elemento muito particular nosso: o respeito às autoridades.
Além de pagar imposto, o brasileiro sabe respeitar alguém que usa terno. Além do terno, tem a farda, a beca e o avental. O brasileiro sabe respeitar. Aí está o seu erro: a adulação às autoridades. Dizem que a autoridade só é autoridade para servir ao coletivo. Não existe autoridade sem função de serviçal. 
http:congressoemfoco.uol.com.br/autor/rodolfo.

Com relação ao significado do respeito às autoridades, conforme o texto afirma, identificamos que a formação do povo brasileiro foi-se construindo por meio de práticas silenciosas com base no respeito. Decorre dessas práticas a intenção de formar cidadãos, caracterizando-os como
a) críticos.   
b) atentos.   
c) atuantes.   
d) submissos.   
e) politizados.   
  
7. (Unioeste 2016)  Para Gilberto Freire, a família, não o indivíduo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhia de comércio, é, desde o século XVI, o grande fator colonizador no Brasil, a unidade produtiva, o capital que desbrava o solo, instala as fazendas, compra escravos, bois, ferramentas, a força social que se desdobra em política, constituindo-se na aristocracia colonial mais poderosa da América. Sobre ela, o rei de Portugal quase reina sem governar. Os senados de Câmara, expressões desse familismo político, cedo limitam o poder dos reis e mais tarde o próprio imperialismo ou, antes, parasitismo econômico, que procura estender do reino às colônias os seus tentáculos absorventes (Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala. Rio de Janeiro: José Olympio. 1994, p. 19).  

Assinale a afirmativa CORRETA.
a) Para Freire, o Estado Brasileiro foi o grande impulsionador do desenvolvimento brasileiro.   
b) Para Freire, o rei de Portugal mantinha o total controle sobre o processo de colonização no Brasil.   
c) Para Freire, a família não pode ser considerada o agente colonizador do Brasil.   
d) Para Freire, a família foi predominante no desenvolvimento da sociedade brasileira, sua existência relacionou-se, desde o início, ao domínio das grandes propriedades, tanto na zona rural como posteriormente no meio urbano.   
e) Para Freire, a família manteve-se longe da aristocracia colonial brasileira.   
  
8. (Uema 2016)  A incivilidade gourmet

(...) Em entrevista à Folha de S. Paulo, o sociólogo espanhol Manuel Castells chegou a tempo de enfiar o dedo nas escancaradas escaras da sociedade brasileira. (...) “A imagem mítica do brasileiro simpático só existe no samba. Na relação entre pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, é uma sociedade que se mata”.
Continua a matéria, “para os leitores de Sergio Buarque de Holanda, o sociólogo espanhol apenas redescobre as raízes da sociedade brasileira plantadas nos terraços da escravidão, entre a casa-grande e suas senzalas. (...) Sob a capa do afeto, o cordialismo esconde as crueldades da discriminação e da desigualdade.” 
BELLUZZO, Luiz Gonzaga. A incivilidade gourmet. Carta Capital, Ano XXI, Nº 854.

A matéria retratada aponta como ilusória a ideia de que o brasileiro teria como característica a cordialidade, sendo, ao contrário, preconceituoso e agressivo. As frases expressivas da arrogância discriminativa presente no cotidiano da sociedade brasileira estão indicadas em
a) “Você não pode discutir comigo porque não fez faculdade.” “Quem poderia resolver essa situação?”   
b) “E você, quem é mesmo?” “Um momento enquanto verifico o seu processo.”   
c) “A culpa é da Princesa Isabel.” “Este é o número do seu protocolo, agora é só esperar”.   
d) “Eu sou o doutor Fulano de Tal.” “O senhor será o próximo a ser atendido.”   
e) “O senhor sabe com quem está falando?” “Coloque-se no seu lugar.”   
  
9. (Enem 2ª aplicação 2016)  A imagem da relação patrão-empregado geralmente veiculada pelas classes dominantes brasileiras na República Velha era de que esta relação se assemelhava em muitos aspectos à relação entre pais e filhos. O patrão era uma espécie de “juiz doméstico” que procurava guiar e aconselhar o trabalhador, que, em troca, devia realizar suas tarefas com dedicação e respeitar o seu patrão. 
CHALHOUB, S. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores do Rio de Janeiro da Belle Époque. Campinas: Unicamp, 2001.

No contexto da transição do trabalho escravo para o trabalho livre, a construção da imagem descrita no texto tinha por objetivo
a) esvaziar o conflito de uma relação baseada na desigualdade entre os indivíduos que dela participavam.   
b) driblar a lentidão da nascente Justiça do Trabalho, que não conseguia conter os conflitos cotidianos.   
c) separar os âmbitos público e privado na organização do trabalho para aumentar a eficiência dos funcionários.   
d) burlar a aplicação das leis trabalhistas conquistadas pelos operários nos primeiros governos civis do período republicano.   
e) compensar os prejuízos econômicos sofridos pelas elites em função da ausência de indenização pela libertação dos escravos.   
  
10. (Uema 2015)  Leia o fragmento abaixo.

“[...] Se a supressão do nexo colonial não se refletiu na condição de escravo nem afetou a natureza da escravidão mercantil, ela alterou a situação econômica do senhor que deixou de sofrer o peso da ‘espoliação colonial‘ e passou a contar, por conseguinte, com todas as vantagens da ‘espoliação escravista‘ que não fossem absorvidas diretamente pelos mecanismos secularizados do comércio internacional”. 
Fonte: FERNANDES, Florestan. Circuito Fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional”. São Paulo: Globo, 2010.

Baseando-se no fragmento de Florestan Fernandes, pode-se afirmar que a independência do Brasil
a) dificultou o fortalecimento da economia nacional.   
b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional.   
c) extinguiu o tráfico de pessoas escravizadas ao país.   
d) rompeu com a estrutura econômica baseada na escravidão.   
e) aumentou a dependência brasileira aos interesses portugueses.    
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