Simbolismo - Questões de Vestibulares

1. (Upe-ssa 2 2017) Em relação ao Parnasianismo e ao Simbolismo, analise as proposições abaixo e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas.

(     ) O Parnasianismo é uma manifestação vigorosamente antirromantismo, por isso a presença do culto extremo da forma.
(     ) A origem do Parnasianismo é na Inglaterra, onde foi lançada, em 1866, uma coletânea chamada Parnasse Contemporain.
(     ) Sobre os poetas simbolistas, percebe-se que, na França, em Portugal e no Brasil, suas características são muito parecidas e bem próximas dos poetas parnasianos.
(     ) Os simbolistas preservaram a preocupação com a versificação dos parnasianos, mas, desejosos de manter um clima de mistério e fluidez, optaram por ritmos musicais e insinuantes.
(     ) Missal e Broquéis são as mais importantes obras de Alphonsus de Guimaraens, poeta que inicia o movimento simbolista no Brasil.

A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
a) V – V – V – F – V   
b) V – F – F – V – F   
c) F – F – V – F – V   
d) F – F – F – V – V   
e) V – V – V – V – F   
  
2. (Espcex (Aman) 2017)  Quanto ao Simbolismo, assinale a alternativa correta.
a) O objetivo declarado dos poetas desse movimento literário era um só: desenvolver a beleza formal à poesia, eliminando o que consideravam os excessos sentimentalistas românticos que comprometiam a qualidade artística dos poemas. Na base desse projeto estava a crença de que a função essencial da arte era produzir o belo. O lema adotado – a arte pela arte – traduz essa crença. 
b) A preocupação dos artistas desse período não é mais a análise da sociedade. O principal interesse é a sondagem do “eu”, a decifração dos caminhos que a intuição e a sensibilidade podem descortinar. A busca é do elemento místico, não consciente, espiritual, imaterial.   
c) O desejo de dar um caráter científico à obra literária define as condições de produção dos textos dessa estética. Os escritores acompanham com interesse as discussões feitas no campo da biologia e da medicina, acreditando na possibilidade de tornar esse conhecimento como base para a criação de seus romances.   
d) Essa estética substitui a exaltação da nobreza pela valorização do indivíduo e de seu caráter. Em lugar de louvar a beleza clássica, que exige uma natureza e um físico perfeito, o artista desse período literário elogia o esforço individual, a sinceridade, o trabalho. Pouco a pouco, os valores burgueses vão sendo apresentados como modelos de comportamento social nas obras de arte que começam a ser produzidas.   
e) O modelo de vida ideal adotado pelos autores do período envolve a representação idealizada da Natureza como um espaço acolhedor, primaveril, alegre. Os poemas apresentam cenários em que a vida rural é sinônimo de tranquilidade e harmonia.    

3. (Fatec 2017) Leia o poema de Camilo Pessanha para responder à questão a seguir.

INTERROGAÇÃO

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crês? nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito,
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo.
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente. 
(PESSANHA, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.)

No poema, o eu lírico demonstra que
a) apresenta uma atração explicitamente física e carnal pela pessoa citada.   
b) possui plena antipatia por versos românticos, pois a razão realista é o que o move.   
c) resiste à mudança que sua alma imagina, pois ele não dá espaço para sentimentos.   
d) procura abrigo quando já está curado, pensando em não ser um devedor à pessoa amada.   
e) possui várias dúvidas a respeito de seu sentimento, o qual apresenta uma série de contradições.   
  
4. (Unifesp 2016) O Simbolismo é, antes de tudo, antipositivista, antinaturalista e anticientificista. Com esse movimento, nota-se o despontar de uma poesia nova, que ressuscitava o culto do vago em substituição ao culto da forma e do descritivo.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1994. Adaptado.)

Considerando esta breve caracterização, assinale a alternativa em que se verifica o trecho de um poema simbolista.
a) “É um velho paredão, todo gretado,
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco de musgo em cada fenda.”   

b) “Erguido em negro mármor luzidio,
Portas fechadas, num mistério enorme,
Numa terra de reis, mudo e sombrio,
Sono de lendas um palácio dorme.”   

c) “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.”  

d) “Sobre um trono de mármore sombrio,
Num templo escuro e ermo e abandonado,
Triste como o silêncio e inda mais frio,
Um ídolo de gesso está sentado.”    

e) “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...”   
  
5. (Upe-ssa 2 2016) Enquadram-se os três sonetos em distintos Movimentos Literários. Leia-os e analise-os.

Poema 1

Já da morte o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!… já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive! 
(Álvares de Azevedo, Lira dos 20 anos)

Poema 2

A Morte

Oh! a jornada negra! A alma se despedaça...
Tremem as mãos... O olhar, molhado e ansioso, espia,
E vê fugir, fugir a ribanceira fria
Por onde a procissão dos dias mortos passa.

No céu gelado expira o derradeiro dia,
Na última região que o teu olhar devassa!
E só, trevoso e largo, o mar estardalhaça
No indizível horror de uma noite vazia...

Pobre! por que, a sofrer, a leste e a oeste, ao norte
E ao sul, desperdiçaste a força de tua alma?
Tinhas tão perto o Bem, tendo tão perto a Morte!

Paz à tua ambição! paz à tua loucura!
A conquista melhor é a conquista da Calma:
- Conquistaste o país do Sono e da Ventura! 
(Olavo Bilac)

Poema 3

A Morte

Oh! que doce tristeza e que ternura
No olhar ansioso, aflito dos que morrem…
De que âncoras profundas se socorrem
Os que penetram nessa noite escura!

Da vida aos frios véus da sepultura
Vagos momentos trêmulos decorrem…
E dos olhos as lágrimas escorrem
Como faróis da humana Desventura.

Descem então aos golfos congelados
Os que na terra vagam suspirando,
Com os velhos corações tantalizados.

Tudo negro e sinistro vai rolando
Báratro a baixo, aos ecos soluçados
Do vendaval da Morte ondeando, uivando… 
(Cruz e Sousa)
  
A leitura dos poemas comprova que o tema da morte tanto quanto o tema do amor estão presentes em textos de todos os movimentos literários e em produção de diferentes poetas. Nos três poemas, o tema da morte é ponto fundamental. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA.
a) Álvares de Azevedo, em diversos poemas, ao falar da morte, tema pelo qual tem certa obsessão, usa constantemente a palavra palor, cujo sentido cromático se refere à palidez mórbida da morte, característica da poesia desse autor.   
b) Olavo Bilac toma a morte muito poucas vezes como tema, ainda que, ao fazê-lo, cria um eu lírico despojado de tom confessional, próprio do Romantismo, mantendo assim imparcialidade e impessoalidade.   
c) O poema 3 apresenta elementos cromáticos e sinestésicos, tais como doce tristeza e noite escura. Contudo, embora seu tema seja a morte, o autor não utiliza esse vocábulo, substituindo-o por metáforas, o que é próprio daqueles que fazem parte do parnaso.   
d) Há, no poema 2, determinados elementos que revelam, à semelhança do 3, preocupação com os aspectos formais, aproximando-os do Classicismo e do Arcadismo.   
e) Existe uma ordem sequencial dos poemas que permite ao leitor relacioná-los ao Simbolismo, Romantismo e Parnasianismo. Dessa forma, pode-se afirmar que o poema 1 é simbolista, pois apresenta um discurso de cunho confessional, peculiar a esse Movimento Literário.   
  
6. (Puccamp 2016) A geometria das formas, em princípio uma possibilidade das artes plásticas, não deixou de ter relevância na constituição de poemas brasileiros de vanguarda, que chegaram a incorporar efeitos gráficos, design industrial e manipulação do espaço físico da página. É o que se observa na arte de poetas como
a) Manuel Bandeira e Cecília Meireles.   
b) Dante Milano e Olavo Bilac.   
c) Lêdo Ivo e Augusto dos Anjos.   
d) Oswald de Andrade e Alphonsus de Guimaraens.   
e) Décio Pignatari e Augusto de Campos.   

7. (Unesp 2016) Leia o poema do português Eugênio de Castro (1869-1944) para responder à questão a seguir.

MÃOS

Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa,
o vosso gesto é como um balouçar de palma;
o vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o vosso gesto canta!
Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa,
rolas à volta da negra torre da minh’alma.

Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes,
Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma,
O vosso gesto é como um balouçar de palma,
Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes...

Mãos afiladas, mãos de insigne formosura,
Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim,
Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim,
Duas velas à flor duma baía escura.

Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas,
Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos ninhos,
Divinas mãos que me heis coroado de espinhos,
Mas que depois me haveis coroado de rosas!

Afilhadas do luar, mãos de rainha,
Mãos que sois um perpétuo amanhecer,
Alegrai, como dois netinhos, o viver
Da minha alma, velha avó entrevadinha.
(Obras poéticas, 1968.)

Verifica-se certa liberdade métrica na construção do poema. Na primeira estrofe, tal liberdade comprova-se pela
a) construção do hendecassílabo fora dos rígidos modelos clássicos.   
b) variedade do verso decassílabo e do verso alexandrino.   
c) presença de um verso com número menor de sílabas que os alexandrinos.   
d) desobediência aos padrões de pontuação tradicionais do decassílabo.   
e) presença de dois versos com número maior de sílabas que os alexandrinos.   
  
8. (Unifesp 2015)  Leia o soneto de Cruz e Sousa.

Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos;

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, lágrima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

Ó Silêncios! Ó cândidos desmaios,
Vácuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais límpido cortejo...

Eu vos sinto os mistérios insondáveis
Como de estranhos anjos inefáveis
O glorioso esplendor de um grande beijo! 
(Cruz e Sousa. Broquéis, Faróis, Últimos Sonetos, 2008.)

A análise do soneto revela como tema e recursos poéticos, respectivamente:
a) a aura de mistério e de transcendentalidade suaviza o sofrimento do eu lírico; rimas alternadas e sinestesias se evidenciam nos versos de redondilha maior.   
b) o esforço de superação do sofrimento coexiste com o esgotamento das forças do eu lírico; assonâncias e metonímias reforçam os contrastes das rimas alternadas em versos livres.   
c) a religiosidade como forma de superação do sofrimento humano; metáforas e antíteses reforçam o negativismo da desagregação existencial nos versos livres.   
d) a apresentação da condição existencial do eu lírico, marcada pelo sofrimento, em uma abordagem transcendente; assonâncias e aliterações reforçam a sonoridade nos versos decassílabos.   
e) o apelo à subjetividade e à espiritualidade denota a conciliação entre o eu lírico e o mundo; metáforas e sinestesias reforçam o sentido de transcendentalidade nos versos de doze sílabas.   
  
9. (Espm 2014)  O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude cons­tante. A opção cujos versos confirmam o exposto é:  
a) Eras na vida a pomba predileta
(...) Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, - a inspiração, - a pátria,
O porvir de teu pai!
(Fagundes Varela)    

b) Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios
Das harpas da emoção tantos arpejos...
(Cruz e Sousa)    

c) Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
(Álvares de Azevedo)    

d) Em teu louvor, Senhora, estes meus versos
E a minha Alma aos teus pés para cantar-te,
E os meus olhos mortais, em dor imersos,
Para seguir-lhe o vulto em toda a parte.
(Alphonsus de Guimaraens)    

e) Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
(Manuel Bandeira)    
  
10. (Enem 2014) Vida obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
ó ser humilde entre os humildes seres,
embriagado, tonto de prazeres,
o mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
a vida presa a trágicos deveres
e chegaste ao saber de altos saberes
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
magoado, oculto e aterrador, secreto,
que o coração te apunhalou no mundo,

Mas eu que sempre te segui os passos
sei que cruz infernal prendeu-te os braços
e o teu suspiro como foi profundo! 
SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961.

Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Sousa transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz-se em
a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação.   
b) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social.   
c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes.   
d) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.   
e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã.   
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