Gêneros da dança: de espetáculo, folclórica, de salão, indústria cultural

Gêneros da dança

As danças podem ser classificadas a partir de muitos critérios. Dependendo de quem faz a dança e para quem a faz, entre outros aspectos, podemos classificá-la nos seguintes gêneros: de espetáculo, étnicas, folclóricas, salão e criadas pela indústria cultural. (TAVARES, 2004) 

Dança de espetáculo

As danças de espetáculo são aquelas executadas por profissionais, na qual muitas pessoas vão apreciar os dançarinos e sua performance.

Na dança artística ou de espetáculo é possível utilizar vários recursos que enriquecem ainda mais a apresentação, tais como, trapézios, cenários e efeitos especiais. Um exemplo de uma dança de espetáculo é o Jazz, que surgiu nos Estados Unidos, possui raízes populares e é considerada uma forma de expressão pessoal criada e sustentada pelo improviso, que enfatiza o sentido rítmico do movimento e é acessível ao público.

Outro estilo de dança de espetáculo é o balé que, em termos gerais, é uma dança que conta uma história. Com seus movimentos, os bailarinos vão narrando os acontecimentos desta história, tendo como base a música, que normalmente é composta para reforçar as ideias do enredo ou argumento. Ao observarmos os bailarinos, ficamos fascinados com a leveza de seus movimentos. A maioria dos balés constitui-se no conjunto de várias artes: dança, música, arte visual (cenografia, figurino) e também o Teatro.

Degas foi um pintor que produziu muitas obras retratando bailarinas e cenas do balé clássico. Chamamos de balé clássico um espetáculo que teve suas origens no Renascimento, nas cortes francesas, no qual o público contemplava o que se desenvolvia no palco, que deveria ser um espaço grande, porque era executado por muitos dançarinos.

No balé clássico, em geral, evita-se que o público perceba o esforço corporal realizado pelos bailarinos, assim a figura do dançarino torna-se etérea e idealizada, parecendo imaginária ou irreal. Os gestos que, por necessidade do argumento, precisem ser manifestados com grande energia ou força, realizam-se, de forma geral, com os braços, já que na dança acadêmica os braços possuem maior liberdade expressiva do que as pernas. (OSSONA, 1988)

Observe o quadro de Degas, “O Ensaio”, no qual o artista oportuniza ao espectador a observação dos ensaios de uma dança clássica, mostrando aspectos como a graciosidade, flexibilidade e beleza dos movimentos das bailarinas, típicos da dança clássica.

Dança folclórica

Por ele eu ponho minha mão no fogo

Você já ouviu esse ditado popular? E o pé no fogo, você colocaria? Todos os países têm algum tipo de dança folclórica, que faz parte da tradição de cada povo e é transmitida de geração para geração, sem que se saiba quem a inventou. Podemos citar, como exemplo, a dança italiana da tarantela, que é muito conhecida no mundo todo. Você já viu alguma apresentação dessa dança? 

A riqueza da dança existente nas várias regiões do Brasil tem origem na própria história do país, devido à contribuição das diversas culturas dos povos que migraram para cá: portugueses, africanos, espanhóis, alemães, poloneses, japoneses entre outros, além dos povos indígenas que já habitavam a terra. As danças folclóricas realizadas nas diferentes regiões do Brasil originaram-se da miscigenação étnica dos povos que compõem o nosso país, possibilitam como fator a integração cultural em celebrações e eventos, geralmente associados a ocasiões específicas e a determinados grupos de pessoas. “Danças Folclóricas propriamente ditas têm sua origem em cerimônias de ritos tradicionais pertencentes a um estado popular”. (OSSONA, 1988) Portanto, podemos dizer, que muitas das danças folclóricas se originaram de danças étnicas.

O Brasil possui um repertório variado de danças folclóricas, que acontecem em todas regiões do Brasil, porém com maior incidência em lugares do interior ou do litoral, nas festas, colheitas, datas importantes e comemorações religiosas. O frevo e o maracatu são danças folclóricas do nordeste brasileiro. Têm origem nas festas religiosas e populares, nas quais as músicas eram tocadas por bandas militares e fanfarras nas ruas. No frevo, a sombrinha é um dos adereços da dança, ajudando ainda mais o movimento dos dançarinos.

Atualmente, algumas danças folclóricas são executadas no período do carnaval, e, com isso, são bastante divulgadas pelos meios de comunicação, tornando-se mais conhecidas por todo o Brasil.

Embora as danças folclóricas sejam preservadas pela repetição, ainda que mantenham os passos básicos e a música original, sofrem mudanças com o tempo e o lugar. Um exemplo, que mostra essa transformação decorrente do contexto no qual é dançada e que faz parte de uma das grandes manifestações folclóricas existentes em todas as regiões do Brasil é a quadrilha, apresentada em festas Juninas. 


As Festas Juninas têm sua origem em rituais pagãos de povos antigos que cultuavam a terra para a semeadura e a colheita ou em homenagem ao sol e à natureza. Várias transformações aconteceram nas Festas Juninas, criando características marcantes de cada região nas roupas, nas comidas, nas danças, nos costumes. Não é em todo lugar do Brasil que, por exemplo, costuma-se passar descalço na “brasa viva” das fogueiras! Como forma de expressar a fé no Brasil, as Festas Juninas são realizadas em homenagem aos santos: São Pedro, São Paulo, Santo Antônio e São João. O local da festa, em geral um espaço ao ar livre, é decorado com bandeirinhas de papel colorido, come-se pipoca, amendoim, doces de milho, batata-doce, etc. e, tradicionalmente, as músicas das quadrilhas são tocadas por uma sanfona.

Dança de salão

Concede-me essa dança?

Durante o reinado de Luís XIV, o entusiasmo dos dançarinos começou a esmorecer devido ao rígido cerimonial da corte e ao fastio em executar sempre as mesmas danças, gerando a necessidade de alguma mudança que trouxesse um novo interesse a esta atividade da vida dos palácios. (OSSONA, 1988).

Com o passar do tempo, a dança de salão vai se transformando e adquirindo características próprias. Os dançarinos organizam-se conforme sua posição social e a coreografa reflete o modo de vida da aristocracia da época, por meio de passos diferenciados, sequenciados e muita elegância.

No século XVIII, a dança de salão minueto era muito importante. O nome minueto vem do francês menu (pequeno), pois essa dança possui passos curtos. Era uma dança considerada difícil e a maioria das pessoas tinha medo de se arriscar a dançá-la sem ensaiar antes. Após sua execução, os dançarinos eram muito aplaudidos pelas pessoas que estavam no baile, por isso, o bom dançarino devia estar atento a certos procedimentos básicos, seguindo algumas regras.


A primeira regra básica é que os dançarinos entrem na pista com cuidado, respeitem quem já está dançando e procurem não esbarrar nem interromper a evolução de outros pares. O mesmo cuidado é importante quando for necessário atravessar o salão, o que, aliás, deve ser tão evitado quanto permanecer parado na área onde se dança.

As dançarinas devem sorrir constantemente, olhar com languidez e ficar sempre imponentes e os cavalheiros de vem ter um cuidado especial com suas damas, sendo atenciosos na forma de convidá-las para dançar e no modo como iniciam sua dança, devem procurar perceber se sua parceira tem condições de lhe acompanhar.

Finalmente, lembrar-se, que o principal motivo para se dançar num baile é o prazer.

Várias danças de salão foram popularizadas, como exemplo de danças de salão mais atuais temos o Tango, a Valsa, a Salsa, o Merengue, a Rumba, o Samba, o Bolero, etc.

O Tango é uma dança que teve origem nos bairros pobres da Argentina e durante mais de 100 anos foi considerada indecorosa para os salões de dança. (CARROL & BROWN, 1994)

Danças promovidas pela Indústria Cultural

Vários ritmos, vários estilos...

Como tudo na vida se transforma, a dança também passa por esse processo de transformação. As novas tecnologias fizeram com que as apresentações de dança e música ganhassem um espaço alternativo: o cinema, a televisão, o rádio, a internet, os aparelhos de som e vídeo.

Assistir a uma dança pela televisão é diferente de vê-la ao vivo no seu espaço real, pois, a falta de contato direto com os dançarinos altera nossas sensações, ações e reações diante do espetáculo.

As danças promovidas pela indústria cultural são aquelas conhecidas como danças de massa, aquelas que fazem parte das “paradas de sucesso” e são difundidas pela mídia e consumidas pela população.

Os meios de comunicação, ao veicular os diferentes tipos de dança, fazem com que possamos conhecer danças de várias partes do mundo: desde os desfiles de carnaval, com suas belas fantasias e coreografas até as tradicionais companhias de balé existentes no mundo.

Sendo assim, existe a possibilidade de que as músicas e danças sejam usadas tanto para o esclarecimento como para o bloqueio do senso crítico e consequente manipulação de seus espectadores. Podemos observar que muitas vezes algumas das danças criadas e divulgadas pela Indústria Cultural não possuem qualidade nas letras das músicas e fazem movimentos de grande apelo sexual, vulgarizando o corpo e, consequentemente, o(a) dançarino(a).

Existem algumas danças consideradas como “cultura de massa”, que surgem em decorrência do sucesso das músicas, que acabam sendo consideradas mais importantes. A dança é uma consequência natural tanto do ritmo da música como do seu sucesso, que acaba atraindo os jovens, sem levá-los à compreensão do que a letra da música diz ou o que significam os movimentos executados nas coreografas.
Essas danças vêm e vão embora, de acordo com os interesses comerciais das gravadoras e meios de comunicação, como é o caso, atualmente, de alguns grupos de funk, do rock pesado, da axé-music e das bandas de pagode.

É preciso que tenhamos contato com todo tipo de dança existente, porém temos que saber distinguir as danças que são promovidas pela Indústria Cultural, que tem por finalidade apenas o consumo e o lucro.

A população, muitas vezes, alienada pela Indústria Cultural, não consegue perceber que está consumindo um produto que desvaloriza nossa cultura. Também devemos estar atentos para não nos tornarmos vítimas do modismo, temos então que superar e transformar uma visão superficial da dança em uma visão mais crítica, ao invés de sermos “engolidos” por ela.

Dançando os Problemas Sociais

“Que aconteceria se, em vez de apenas construirmos nossa vida, tivéssemos a loucura ou sabedoria de dançá-la?” (GARAUDY, 1980)

No fim da década de 1970, na Alemanha, a dançarina e coreógrafa Pina Bausch, que nasceu no dia 27 de julho de 1940, em Solingen, introduziu uma nova visão de dança no mundo ocidental, na qual procurou mostrar a vida das pessoas, sua percepção corporal e os problemas do ser humano contemporâneo. Para ela, a dança possui conteúdos históricos, sociais e políticos que são expressos pelo movimento do corpo, ou seja, dançando podemos tratar, por exemplo, de problemas sociais do nosso país.

Com a dança, podemos manifestar nossa opinião, por meio de movimentos corporais, fazendo com que os espectadores “enxerguem” uma realidade aparentemente “invisível”.

Um bom exemplo são as músicas de Gabriel Pensador, (1974), cantor e compositor brasileiro que elabora letras de cunho social e político, com um grande senso de humor. Gabriel trabalha com uma vertente do rap, que faz parte, em sua origem, do movimento Hip hop, um movimento sociocultural criado em Nova Iorque nos finais dos anos 60 do século XX, que se espalhou depois pelo mundo inteiro. O Hip hop nasceu nas ruas como forma de manifestação e protesto pela desigualdade, discriminação racial, pobreza, preconceitos, violência, etc.

Leia um trecho de uma música de Gabriel:

Vimos que existem vários gêneros de dança, e que todos eles, além de possibilitar a expressão de nossas ideias, contribuem para adquirir consciência corporal, entender como o corpo se movimenta e se relaciona com o espaço.

 Disponível em SEED/PR
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