Acentuação - Questões de Vestibulares

1. (Utfpr 2016) Chuva fora de época dá só 18 dias de alívio às represas da Grande SP

As primeiras duas semanas de setembro trouxeram chuvas acima da média e ampliaram em 50 bilhões de litros as reservas das principais represas da Grande São Paulo.
Todo esse volume, porém, representa apenas um ligeiro alívio nos agonizantes mananciais e deverá ser todo consumido num intervalo de apenas três semanas de estiagem como aconteceu nos últimos 18 dias do mês de agosto.
E é justamente essa a previsão dos climatologistas para a próxima semana. Segundo essas previsões, a região metropolitana e seu entorno, onde estão os seis principais reservatórios, terá bastante calor e quase nenhuma chuva.
Setembro é o último mês da estação seca, iniciada em abril. A expectativa do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é que as chuvas em grande volume voltem a partir de outubro – na última estação chuvosa, porém, elas só vieram em fevereiro e março.
A Grande SP vive hoje a mais grave seca já registrada. 
Fabrício Lobel (Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano. Acesso em 15.09.2015)

Sobre o texto, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
(     ) A conjunção porém, no segundo parágrafo, introduz uma ideia de oposição às informações do primeiro parágrafo.
(     ) No segundo parágrafo, o travessão ( – ) foi empregado para introduzir um esclarecimento à informação anterior.
(     ) No terceiro parágrafo, o pronome indefinido onde foi empregado para retomar o lugar, citado anteriormente .
(     ) No título da notícia, a palavra alívio recebe acento por ser uma paroxítona terminada em - a.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
a) F – V – F – V.   
b) F – F – V – V.   
c) F – V – V – F.    
d) V – V – F – F.   
e) V – F – F – V.   

2. (IFSC 2015)  Com base na leitura dos textos a seguir, responda a questão:

TEXTO 1: Livro

Eu me livro daquele garoto chato
Com um livro enfiado no meu nariz
Fingindo achar a história feliz. 
Fonte: MARIA, Selma. Isso isso. São Paulo: Peirópolis, 2010. s/p.


TEXTO 2
  
Considerando a posição da sílaba tônica e as regras de acentuação das palavras, assinale a alternativa CORRETA:
a) As palavras “garoto”, “história”, “feliz” e “nariz”, do texto 1, são palavras proparoxítonas, e “livro”, “dicionário”, “terminar” e “nunca”, do texto 2, são palavras oxítonas.   
b) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do texto 2, não deveriam estar acentuadas, porque os acentos agudos não fazem mais parte do português brasileiro.   
c) A palavra “história”, do texto 1, é uma palavra paroxítona e está corretamente acentuada; e “você”, do texto 2, é uma palavra oxítona e deve ser acentuada da mesma forma que “café”, “dendê”.   
d) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do texto 2, foram acentuadas corretamente, mas possuem regras de acentuação diferentes, porque a primeira é considerada paroxítona e, a segunda, proparoxítona.   
e) As palavras “nariz” e “feliz”, do texto 1, deveriam estar acentuadas assim como as palavras “terminar”, “ler”, “grosso” e “nunca”, do texto 2, que deveriam receber acento circunflexo.   


3. (Unifesp 2014) 
 
Mantida a norma-padrão da língua portuguesa, a frase que preenche corretamente o segundo balão é:
a) Todos os dragões o tem.   
b) Todos os dragões têm isso.   
c) Os dragões todos lhe tem.   
d) Sempre se encontra dragões com isso.   
e) Sofre disso todos os dragões.   
  
4. (UTFPR 2013)  Em qual alternativa todas as palavras em negrito devem ser acentuadas graficamente?
a) Atraves de uma lei municipal, varias pessoas recebem ingressos gratis para o cinema.
b) É dificil correr atras do prejuizo sozinho.   
c) Aqui, em Foz do Iguaçu, a dengue esta sendo um grande problema de saude publica.  
d) O bisneto riscou os papeizinhos com o lapis.   
e) O padrão economico do juiz é elevado.   
  
5. (IFSC 2012)  Quanto à ortografia e à acentuação, assinale a alternativa CORRETA.
a) Após um gesto de comando, os que ainda estão de pé sentão-se e fazem silencio para houvir o diretor. 
b) Mesmo que sofresse-mos uma repreenção por queixa de algum professor mais cioso de suas obrigações, a oférta parecia-nos irrecusável. 
c) Marta nunca deicha o filho sózinho na cosinha, temerosa de que ele venha a puchar uma panela sobre sí. 
d) À excessão de meu primo, que se mostrava um tanto pretencioso, todos os garotos eram bastante humildes. 
e) A perícia analisaria a flecha, em busca de vestígios que pudessem fornecer indícios sobre sua trajetória.

6. (Ufrgs 2012)
No século XV, viu-se a Europa invadida por uma raça de homens que, vindos ninguém sabe de onde, se espalharam em bandos por todo o seu território. Gente inquieta e andarilha, deles afirmou Paul de Saint-Victor que era mais fácil predizer o 1........ das nuvens ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas da sua invasão. Uns risonhos despreocupados: passavam a vida esquecidos do passado e descuidados do futuro. Cada novo dia era uma nova aventura em busca do escasso alimento para os manter naquela jornada. Trajo? No mais completo 2........4: 3........ sujos e 7puídos cobriam-lhes os corpos queimados do sol. Nômades, aventureiros, despreocupados – eram os boêmios.


Assim nasceu a semântica da palavra 13boêmio. O nome gentílico de 9Boêmia passou a aplicar-se ao 8indivíduo despreocupado, de existência irregular, relaxado no vestuário, vivendo ao 11deus-dará, à toa, na vagabundagem alegre. 12Daí também o substantivo boêmia. Na definição de Antenor Nascentes5: vida despreocupada e alegre, vadiação, estúrdia, vagabundagem. 14Aplicou-se depois o termo, especializadamente, à vida desordenada e sem preocupações de artistas e escritores mais dados aos prazeres da noite que aos trabalhos do dia. Eis um exemplo clássico do que se chama degenerescência semântica. De limpo gentílico – natural ou habitante da Boêmia – boêmio acabou carregado de todas essas conotações desfavoráveis.


A respeito do substantivo 15boêmia, vale dizer que a forma de uso, ao menos no Brasil, é boemia, acento tônico em -mi-. E é natural que assim seja, considerando-se que -ia é sufixo que exprime condição, estado, ocupação. Conferir6: 16alegria, 18anarquia, barbaria, 17rebeldia, tropelia, 20pirataria... Penso que sobretudo palavras como folia e 19orgia devem ter influído na fixação da tonicidade de boemia. Notar também o par abstêmio/abstemia. Além do mais, a prosódia boêmia estava prejudicada na origem pelo nome 10próprio Boêmia: esses boêmios não são os que vivem na Boêmia...


Adaptado de: LUFT, Celso Pedro. Boêmios, Boêmia e boemia. In: O romance das palavras. São Paulo: Ática, 1996. p. 30-31.

Considere os pares de palavras abaixo.

1. puídos (ref. 7) e indivíduo (ref. 8)
2. Boêmia (ref. 9) e próprio (ref. 10)
3. deus-dará (ref. 11) e Daí (ref. 12)

Em quais pares as palavras respeitam a mesma regra de acentuação ortográfica?a) Apenas 1.
b) Apenas 2.
c) Apenas 3.
d) Apenas 1 e 2.
e) Apenas 1 e 3.


7. (Uespi 2012)  
A literatura nos ajuda a construir nossa identidade

(1) Ainda que nasça e morra só, o indivíduo tem a sua existência marcada pela coletividade de que faz parte e que funciona segundo “leis” e “regras” preestabelecidas. Um dos primeiros desafios a serem enfrentados pelo ser humano é compreender que leis e regras são essas, decidir quais delas deve seguir e quais precisam ser questionadas de modo a permitir que sua jornada individual tenha identidade própria.
(2) Nos textos literários, de certo modo, entramos em contato com a nossa história, o que nos dá a chance de compreender melhor nosso tempo, nossa trajetória. O interessante, porém, é que essa “história” coletiva é recriada por meio das histórias individuais, das inúmeras personagens presentes nos textos que lemos, ou pelos poemas que nos tocam de alguma maneira. Como leitores, interagimos com o que lemos. Somos tocados pelas experiências de leituras que, muitas vezes, evocam nossas vivências pessoais e nos ajudam a refletir sobre nossa identidade e também a construí-la.
(3) Como toda manifestação artística, a literatura acompanha a trajetória humana e, por meio de palavras, constrói mundos familiares – em que pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos – e mundos fantásticos, povoados por seres imaginários, cuja existência é garantida somente por meio das palavras que lhes dão vida. Também exprime, pela criação poética, reflexões e emoções que parecem ser tão nossas quanto de quem as registrou.
(4) Por meio da convivência com poemas e histórias que traçam tantos e diversos destinos, a literatura acaba por nos oferecer possibilidades de resposta a indagações comuns a todos os seres humanos.
(5) Além disso, em diferentes momentos da história humana, a literatura teve um papel fundamental: o de denunciar a realidade, sobretudo quando setores da sociedade tentam ocultá-la. Foi o que ocorreu, por exemplo, durante o período do regime militar no Brasil. Naquele momento, inúmeros escritores arriscaram a própria vida para denunciar, em suas obras, a violência que tornava a existência uma aventura arriscada. A leitura dessas obras, mesmo que vivamos em uma sociedade democrática e livre, nos ensina a valorizar nossos direitos individuais, nos ajuda a desenvolver uma melhor consciência política e social. Em resumo, a literatura permite também que olhemos para a nossa história e, conhecendo algumas de suas passagens, busquemos construir um futuro melhor. 
(Maria Luiza M. Abaurre; Marcela Pontara. Literatura Brasileira – tempos leitores e leituras. Ensino Médio. São Paulo: Moderna, 2005, pp., 10-11. Adaptado.).

Analise como se fez a regência dos verbos no seguinte trecho: “a literatura acompanha a trajetória humana e, por meio de palavras, constroi mundos familiares – em que pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos”. Também estaria correta a regência dos verbos na alternativa:
a) A literatura acompanha à trajetória humana e, por meio de palavras, constrói mundos familiares – a que pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos.   
b) A literatura acompanha a trajetória humana e, por meio de palavras, constrói aos mundos familiares – do qual pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos.   
c) A literatura acompanha a trajetória humana e, por meio de palavras, constroi mundos familiares – aos quais pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos.   
d) A literatura acompanha a trajetória humana e, por meio de palavras, constroi mundos familiares – nos quais pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos.   
e) A literatura acompanha à trajetória humana e, por meio de palavras, constrói mundos familiares – aonde pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos.   

8. (IFSC 2011)  
O padeiro

Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
“Então você não é ninguém?”
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”
E assobiava pelas escadas. 
BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de; SABINO, Fernando; CAMPOS, Paulo Mendes; BRAGA, Rubem. Para gostar de ler: v. 1. Crônicas. 12ª ed. São Paulo: Ática, 1982. p.63 - 64.

Considere as palavras abaixo, que aparecem acentuadas no texto, e assinale a única alternativa na qual a acentuação da palavra está corretamente justificada.
a) “ninguém”: paroxítona terminada em em.   
b) “detê-lo”: oxítona terminada em o.   
c) “máquina”: acento diferencial.   
d) “saía”: paroxítona terminada em ditongo.   
e) “lá”: monossílaba tônica terminada em a.   

9. (Ufscar 2008)  
            Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
            Houve um tempo em que minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz. [...]
            Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(Cecília Meireles, A arte de ser feliz. Em "Escolha seu sonho", p. 24.)

Assinale a alternativa em que as palavras estão acentuadas graficamente pelas mesmas regras por que estão acentuadas, respectivamente, em: "chalé", "céu", "existência".
a) atrás, joia, próprio.   
b) três, polo, evidência.   
c) Jaú, caráter, máscara.   
d) pré-requisitos, ruína, vários.   
e) fé, mídia, competência.   

10. (Fgv 2008)  
DUPLA DINÂMICA 

            No dicionário, a Sociologia está definida como uma ciência que pretende pesquisar e estudar a organização e funcionamento das sociedades humanas e as leis fundamentais que regem as relações sociais. Já a Economia se preocupa em estudar os fenômenos relacionados com a obtenção e a utilização dos recursos materiais necessários a uma população. Embora o campo de estudos de ambas as disciplinas seja parecido, na prática há um abismo separando as duas áreas. Filhas da mesma mãe, a Filosofia, as duas disciplinas vieram ao mundo praticamente na mesma época. Em razão de algumas diferenças, porém, estão sem dialogar entre si há quase três séculos.
(...)
            Em meados dos anos 1970, porém, uma leve brisa dissipou as nuvens que acobertavam esse cenário sombrio entre as áreas. Alguns temas, como a construção social do mercado, o papel das instituições e das redes sociais no funcionamento da vida econômica, revigoraram o debate entre a Sociologia e a Economia. Surgiram os primeiros vislumbres da chamada Nova Sociologia Econômica cujo precursor foi o sociólogo norte-americano Mark Granovetter. Em um de seus estudos mais célebres, o Getting a Job, de 1973, Granovetter demonstrou que as pessoas estão ligadas às outras por laços fortes (pais, filhos e amigos) e laços fracos (colegas de trabalho, professores e alunos).
(Sociologia, ciência & vida, 2007)
Assinale a alternativa correta quanto à acentuação e à grafia de palavras.
a) Temas comuns, como a construção social do mercado, permitem entrevêr as possibilidades de uma saudável relação entre Sociologia e Economia, que não pode se paralizar em virtude de algumas diferenças.   
b) Em um de seus estudos mais célebres, Mark Granovetter vêm demonstrar que as pessoas se ligam às outras por laços fortes e laços fracos. Por isso, é imprecindível que as pessoas consigam entender essas ligações.   
c) Alguns temas revigoraram o debate entre a Sociologia e a Economia, sendo responsáveis por compôr um novo cenário. O diálogo deve basear-se nos pontos positivos e comuns e não nas excessões.   
d) A falta de dialogo entre Sociologia e Economia perdurou pôr quase três séculos, mas é um quadro que parece estar mudando, sobretudo em função de fragrantes pontos em comum entre as disciplinas.   
e) Em meados dos anos 1970, parece que uma leve brisa intervém na falta de comunicação entre sociólogos e economistas, que não mais hesitam em pôr em discussão assuntos inerentes às duas disciplinas.   

11. (Fgv 2007)  
            Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
            William Blake* sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
            Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
            (Rubem Alves, "A complicada arte de ver". Folha de S. Paulo, 26.10.2004)

*William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador inglês. Autor dos livros de poemas Song of Innocence e Gates of Paradise. 

As palavras que são acentuadas graficamente pelas mesmas regras de "fácil", "científica" e "Moisés", respectivamente, são:
a) negócio, saída, já.   
b) espírito, atribuída, herói.   
c) cárter, lógica, atrás.   
d) incluído, século, dólar.   
e) benefício, para, cafés.   

12. (CFTCE 2007)  
QUEM É O CRIMINOSO?

            "Outro dia, durante uma conversa despretensiosa, um dos líderes da Central Única de Favela (Cufa), entidade surgida no Rio de Janeiro para representar os favelados do país, descrevia uma cena que presenciou durante anos a fio em sua vida: 'É o bacana da Zona Sul estacionar seu Mitsubishi no pé do morro e comprar cocaína de um garotinho de 12 anos'. Em seguida, fez uma pergunta perturbadora: 'Quem é o criminoso? O bacana da Zona Sul ou o garoto de 12 anos?'. E deu a resposta: 'Para vocês, o garoto de 12 anos tem de ser preso porque ele é um traficante de drogas. Para nós, tem de prender o bacana da Zona Sul porque ele está aliciando menores para o crime'. Não resta dúvida de que a situação retrata um dilema poderoso: de um lado, tem-se uma vítima do vício induzida ao crime de comprar drogas e, de outro, tem-se uma vítima da pobreza e da desigualdade 5induzida ao crime de vendê-las. Na cegueira legal em que vivemos, a solução é simples: prendem-se vendedor e comprador.
            (...)
            Começa agora a surgir uma alternativa mais realista com a intenção do governo federal de implantar a chamada 1'política de redução de danos'. Ou seja: em vez de punir os 3usuários, tratando-os como criminosos, passa-se a encará-los como doentes e atendê-los de modo a reduzir os riscos a que estão 4expostos - como a overdose, aids, hepatite e outras doenças. É mais realista porque 6a repressão do uso de drogas é uma política bem-intencionada, na qual se pretende a purificação pela via da punição, mas que tem se mostrado sistematicamente falha. A ideia brasileira - já em uso em outros países, e não apenas na Holanda - é um pedaço de bom senso e humildade. 2Encarar um viciado como doente é um enfoque justo e generoso."
André Petry. Revista VEJA, 24 de novembro de 2004, p. 50.

Acentuam-se pelo mesmo motivo de "usuários" (ref. 3) as palavras:
a) série, órgão, vatapá   
b) órgão, útil, vendê-los   
c) júbilo, série, têxtil   
d) vatapá, história, sério   
e) série, glória, história   
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