A mulher nas Artes Visuais

A representação da mulher nos movimentos ou períodos da história da arte

Quando se busca a representação da mulher no curso do tempo, percebe-se as implicações ideológicas de cada período. A mulher pode aparecer segundo idealizações neutras ou contraditórias, elaboradas segundo os valores de cada época. Pode ser na forma de criações e recriações artísticas que se sucedem e dialogam entre si, figurações plásticas e literárias, teatrais e cinematográficas.

Em todas as sociedades, há sempre algo de idealização na figura da mulher, como um arquétipo. Muitas vezes, conforme a imaginação masculina, com a qual também tem sido construída a autoimagem feminina.

A representação da mulher na arte surge como uma imagem, da qual fazem parte atributos diversos, como beleza física, conformação saudável, formas generosas e maternais.

São muitas as imagens femininas captadas pela arte ao longo da história. Sucedendo-se, por vezes se sobrepondo, essas imagens sempre espelharam o papel da mulher em nossa sociedade tal como ele se revelava a cada nova época.

Estudando os movimentos artísticos da pré-história à contemporaneidade, podemos compreender as transformações da figura feminina tão ricamente reveladas pela arte em períodos diversos da história.

A arte possui um papel significativo, no sentido em que mostra enquanto expressão, movimentos históricos e mudanças sociais.

A mulher na linha do tempo da história da arte:

1. Pré-História

Os humanos andam eretos há milhões de anos, mas só a 25 mil anos nossos ancestrais inventaram a arte. 

Os primeiros objetos artísticos não foram criados para adornar o corpo ou decorar cavernas, mas como tentativa de controlar ou aplacar as forças da natureza. Os símbolos de animais e de pessoas tinham significação sobrenatural e poderes mágicos.

Os mais antigos objetos que chegaram até nós são esculturas em ossos, marfim, pedra ou chifre. Esses objetos eram entalhados (delineando a figura com um instrumento afiado), gravados em relevos profundos, ou esculturas tridimensionais.

Vênus de Willendor, 25000-20000 a. C.
Estatueta de pedra de aproximadamente 11 cm. Museu de História Natural, Viena, Áustria(1908).


Escultura de uma mulher na pré-historia. Esta estatueta feminina é uma das mais antigas figuras humanas conhecidas, em pedra com formas bem avantajadas: os seios, quadris e ventre enormes, o que ressalta a importância da fertilidade. Provavelmente é um fetiche simbolizando abundância. As figuras femininas, sendo suficientemente pequenas para serem transportadas pelas tribos, parecem ter sido objetos de veneração, talvez usados em ritos. Essas esculturas são chamadas de Vênus.

2. Idade Antiga

2.1. Arte do Egito Antigo
As obras de arte possuíam um forte caráter religioso e funerário.Essas características podem ser explicadas em função da crença que os egípcios tinha na vida após a morte. Há representações artísticas de deuses, faraós e animais explicadas por textos em escrita hieroglífica. As pinturas eram feitas nas paredes das pirâmides ou em papiros. Representavam o cotidiano da nobreza ou tratava de assuntos do cotidiano. Uma das características principais da arte egípcia é o desenho chapado, de perfil e sem perspectiva artística ( lei da frontalidade).

2.2. Arte da Grécia Antiga
O homem era considerado o modelo, o padrão de beleza. Ele era retratado sem imperfeições, idealizado. Seus deuses eram uma glorificação do próprio homem e tinham emoções e características humanas. As esculturas gregas eram feitas de bronze ou de mármore, tinham uma função decorativa. A escultura devia representar uma ideal de harmonia, equilíbrio e racionalidade. Eram caracterizadas pelo movimento, a serenidade, e a expressividade. Os gregos davam uma grande importância à figura humana, à representação do nu e à escala humana nas estátuas. As estátuas tinham rigor técnico, ou seja, representavam a figura humana à proporção da realidade. Foi uma cultura que valorizou muito o masculino, as mulheres representadas eram sempre na figura de uma deusa, pois socialmente não ocupavam o mesmo status quo do homem.

2.3. Arte da Roma Antiga
Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, porém em relação à escultura, os artistas romanos eram mais realistas e retratavam as pessoas com muita fidelidade, ao contrário dos gregos, que retratavam com um ideal de beleza. A estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos. A mulher era retratada na forma de busto ou estátua quando tinha alguma importância histórica, no entanto, isto só acontecia quando ela estava de alguma maneira ligada a uma figura masculina.

3. Idade Média
A autoridade da Igreja Católica predomina na Idade Média. O ideal impregnado nesta cultura, foi a valorização do divino e do sobrenatural. A pintura na Idade Média, desenvolve-se sobretudo nas grandes decorações murais, através da técnica do afresco (pintura feita em uma parede com o reboco ainda fresco). Esses murais tinham como modelo as ilustrações dos livros religiosos. Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e a escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. 

A arte na idade média possui duas vertentes: a românica e a gótica.

O românico prevaleceu por toda a alta idade média, mas na ultima fase do período medieval aparece o gótico, uma arte de raiz germânica. A pintura medieval desconhecia a perspectiva, as figuras humanas eram chapadas e rígidas, não seguindo nenhuma perspectiva ou volume. Os santos eram representados sempre com olhar fixo e halo (luz em forma de círculo ao redor da cabeça) e fundo em ouro.

Uma das principais características da pintura românica é a deformação. O artista interpretava de modo místico a realidade e retratava seus sentimentos religiosos nas figuras de forma desproporcional. As figuras religiosas apareciam com os olhos muito grandes e bem abertos para indicar intensa vida espiritual. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, pois não havia a menor intenção de imitar a natureza. 

Na pintura gótica, a arte medieval começa a ganhar novas características que prenunciam o renascimento. Procura o realismo na representação dos seres, entretanto, ainda não consegue realizar de forma plena a ilusão da profundidade do espaço. 

Assim como a escultura românica , também a gótica estava ligada à arquitetura e a religião, no entanto, as imagens desproporcionais do estilo românico foram substituídas por figuras mais realistas. Mais eretas acompanhavam a verticalidade da arquitetura gótica. 

Esta arte não registra assuntos profanos. A produção de esculturas e pinturas de figuras humanas se restringiu, na sua grande maioria, em estátuas de Jesus, dos Santos e Santas da igreja católica. Portanto, a representação da mulher aparecia tanto na pintura como na estatuária como imagens de vulto, nomeadamente de Virgens, por vezes sendo objetos de veneração, concebidas com materiais como metal precioso, madeira, gesso e pedra, servindo assim exclusivamente à igreja, para decorá-la e transmitir ensinamentos aos fiéis.


4. Idade Moderna

Renascimento 
Floresceu na Itália e difundiu-se por quase toda a Europa. Aqui o que importava era voltar às fontes da cultura clássica e fazer "renascer" (daí o nome Renascimento) o grande legado deixado pelos gregos e romanos à humanidade. Nesse período retomou-se a valorização do homem e a natureza. 

Os mestres italianos conseguiram atingir três grandes realizações: a da perspectiva, a do realismo e o uso do claro-escuro (técnica do sfumato), lembrando que os artistas da antiguidade já haviam dominado esses recursos nas artes, entretanto, os artistas dos períodos românicos e início do gótico abandonaram esses recursos que imitavam a realidade.

Agora, cada vez mais as pinturas e as esculturas procuravam estar de acordo com as proporções humanas, com rigor científico. Na maioria das representações persiste a intenção religiosa, mas agora o corpo e a beleza física ganham importância histórica. Os cânones da beleza feminina e o modelo ideal de mulher sofrem transformações. A silhueta e o rosto femininos foram correspondendo às diferentes condições de estatuto e de riqueza, dando origem a novos padrões de aparência e gosto. O ideal medieval da dama aristocrática graciosa, estreita de ancas e de seios pequenos, deu lugar nos finais do século XV e durante o século XVI, a um modelo de beleza feminina mais roliça, de ancas largas e seios generosos, que se iria manter até finais do século XVIII. Exemplo disso, é o retrato de Mona lisa de Leonardo da Vinci e as Madonas de Rafael Sanzio.

É nessa época que aparecem os mecenas, nobres comerciantes que protegiam os artistas e empregavam suas riquezas nas artes como forma de ostentar o poder. Os artistas eram muito bem pagos para retratar cidadãos ricos da Itália em grandes afrescos religiosos. Em um período de subida da burguesia e de valorização do homem, surgem os retratos ou mesmo cenas de família.

Mona Lisa
Leonardo da Vinci, 1503-1507, óleo sobre madeira de álamo, 77 × 53 cm.
Museu do Louvre, Paris

Em 1503, Francesco Del Giocondo, um rico florentino, encomendou a Leonardo – e pagou-lhe muito bem por isso – um retrato de sua mulher, Mona Lisa del Giocondo (hipótese mais aceita atualmente).

Disponível em: SEED
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