Antropologia Filosófica - Questões de Vestibulares


1. (Ufsm 2015) A antropologia empírica e social faz, dentre outras coisas, uma descrição da visão de mundo de outros povos, povos isolados, com outras línguas e concepções da realidade. A antropologia filosófica é a atividade reflexiva que busca tornar transparentes os conceitos fundamentais associados à nossa própria visão de mundo. Esses conceitos são, posteriormente, utilizados por outras partes da filosofia, como a filosofia política, ética e a filosofia do direito.
Qual par de conceitos a seguir se ajusta à antropologia filosófica e à filosofia política? 
a) Ato e potência. 
b) Adaptação e reprodução. 
c) Pessoa e corporeidade. 
d) Causa e efeito. 
e) Classe social e estamento. 

2. (Uel 2013) Leia o texto a seguir.

Tudo isso ela [Diotima] me ensinava, quando sobre as questões de amor [eros] discorria, e uma vez ela me perguntou: – que pensas, ó Sócrates, ser o motivo desse amor e desse desejo? A natureza mortal procura, na medida do possível, ser sempre e ficar imortal. E ela só pode assim, através da geração, porque sempre deixa um outro ser novo em lugar do velho; pois é nisso que se diz que cada espécie animal vive e é a mesma. É em virtude da imortalidade que a todo ser esse zelo e esse amor acompanham. 
(Adaptado de: PLATÃO. O Banquete. 4.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p.38-39. Coleção Os Pensadores.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o amor em Platão, assinale a alternativa correta. 
a) A aspiração humana de procriação, inspirada por Eros, restringe-se ao corpo e à busca da beleza física. 
b) O eros limita-se a provocar os instintos irrefletidos e vulgares, uma vez que atende à mera satisfação dos apetites sensuais. 
c) O eros físico representa a vontade de conservação da espécie, e o espiritual, a ânsia de eternização por obras que perdurarão na memória. 
d) O ser humano é idêntico e constante nas diversas fases da vida, por isso sua identidade iguala-se à dos deuses. 
e) Os seres humanos, como criação dos deuses, seguem a lei dos seres infinitos, o que lhes permite eternidade. 

3. (Uem 2013) Na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma: “Então, quando a amizade é por prazer ou por interesse mesmo, duas pessoas más podem ser amigas, ou então uma pessoa boa e outra má, ou uma pessoa que não é nem boa nem má pode ser amiga de outra qualquer espécie; mas pelo que são em si mesmas é óbvio que somente pessoas boas podem ser amigas. Na verdade, pessoas más não gostam uma da outra a não ser que obtenham algum proveito recíproco” (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Filosofia. Vários autores. Curitiba: SEED-PR, 2006, p. 123). A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
01) A amizade comporta uma esfera de interesses particulares. 
02) A amizade, em alguns casos, é consequência de condicionantes pessoais dos amigos. 
04) As amizades desinteressadas não existem, visto que alguém sempre tem a ganhar na relação. 
08) A amizade interessada entre pessoas más também é amizade. 
16) A amizade é falsa quando não há interesse ou prazer na relação. 

4. (Ufu 2013) Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. 
HOBBES, Thomas. Leviatã. Cap. XVII. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 103. 

Em relação ao papel do Estado, Hobbes considera que: 
a) O seu poder deve ser parcial. O soberano que nasce com o advento do contrato social deve assiná-lo, para submeter-se aos compromissos ali firmados. 
b) A condição natural do homem é de guerra de todos contra todos. Resolver tal condição é possível apenas com um poder estatal pleno. 
c) Os homens são, por natureza, desiguais. Por isso, a criação do Estado deve servir como instrumento de realização da isonomia entre tais homens. 
d) A guerra de todos contra todos surge com o Estado repressor. O homem não deve se submeter de bom grado à violência estatal. 

5. (Ufsm 2013) Sem leis e sem Estado, você poderia fazer o que quisesse. Os outros também poderiam fazer com você o que quisessem. Esse é o “estado de natureza” descrito por Thomas Hobbes, que, vivendo durante as guerras civis britânicas (1640-60), aprendeu em primeira mão como esse cenário poderia ser assustador. Sem uma autoridade soberana não pode haver nenhuma segurança, nenhuma paz. 
Fonte: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Considere as afirmações: 
I. A argumentação hobbesiana em favor de uma autoridade soberana, instituída por um pacto, representa inequivocamente a defesa de um regime político monarquista.
II. Dois dos grandes teóricos sobre o estado de natureza”, Hobbes e Rousseau, partilham a convicção de que o afeto predominante nesse “estado” é o medo.
III. Um traço comum da filosofia política moderna é a idealização de um pacto que estabeleceria a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade.

Está(ão) correta(s) 
a) apenas I. 
b) apenas II. 
c) apenas III. 
d) apenas I e II. 
e) apenas II e III. 

5. (Uem 2013) Assinale o que for correto. 
01) Como há uma separação clara entre o que é verdadeiro, portanto campo do juízo científico, e do que é belo, campo do juízo estético, poucos filósofos se dedicaram à investigação do juízo do gosto. 
02) Walter Benjamin ponderava, em uma visão otimista da sociedade industrial, que a reprodução técnica da obra de arte – em livros, nas artes gráficas, na fotografia, no rádio e no cinema – propiciaria um movimento de democratização da cultura e das artes. 
04) Kant, ao investigar os problemas da subjetividade do juízo do gosto, considerava a beleza como uma categoria universal da razão e, a partir da discussão sobre a beleza, propunha ser possível atingir um juízo estético possível de ser compartilhado por todos. 
08) Os iluministas consideravam que era na contemplação desinteressada da obra que se dava o sentimento estético, porém tal contemplação dependia do refinamento da sensibilidade, que deveria ser alcançado pela educação. 
16) A arte midiática, que atinge um número muito maior de indivíduos, proporciona uma maior concordância de opiniões no que se refere ao juízo do gosto. Tal fato prova que a arte de massa é mais verdadeira do que as manifestações individualizadas, que propiciam juízos de valor muito mais particulares. 

7. (Ufsj 2013) Na filosofia de Friedrich Nietzsche, é fundamental entender a crítica que ele faz à metafísica. Nesse sentido, é CORRETO afirmar que essa crítica 
a) tem o sentido, na tradição filosófica, de contentamento, plenitude. 
b) é a inauguração de uma nova forma de pensar sem metafísica através do método genealógico. 
c) é o discernimento proposto por Nietzsche para levar à supressão da tendência que o homem tem à individualidade radical. 
d) pressupõe que nenhum homem, de posse de sua razão, tem como conceber uma metafísica qualquer, que não tenha recebido a chancela da observação. 

8. (Ufsj 2013) “A Filosofia a golpes de martelo” é o subtítulo que Nietzsche dá à sua obra Crepúsculo dos ídolos. Tais golpes são dirigidos, em particular, ao(s) 
a) conceitos filosóficos e valores morais, pois eles são os instrumentos eficientes para a compreensão e o norteamento da humanidade. 
b) existencialismo, ao anticristo, ao realismo ante a sexualidade, ao materialismo, à abordagem psicológica de artistas e pensadores, bem como ao antigermanismo. 
c) compositores do século XIX, como, por exemplo, Wolfgang Amadeus Mozart, compositor de uma ópera de nome “Crepúsculo dos deuses”, parodiada no título. 
d) conceitos de razão e moralidade preponderantes nas doutrinas filosóficas dos vários pensadores que o antecederam e seus compatriotas e/ou contemporâneos Kant, Hegel e Schopenhauer. 

9. (Ufsj 2013) Ao declarar que “a moral e a religião pertencem inteiramente à psicologia do erro”, Nietzsche pretendeu 
a) destruir os caminhos que “a psicologia utiliza para negar ou afirmar a moral e a religião”. 
b) criticar essa necessidade humana de se vincular a valores e instituições herdados, já que “o Homem é forjado para um fim e como tal deve existir”. 
c) denunciar o erro que tanto a moral quanto a religião cometem ao confundir “causa com efeito, ou a verdade com o efeito do que se considera como verdade”. 
d) comprovar que “a moral e a religião estão no imaginário coletivo, mas para se instalarem enquanto verdade elas precisam ser avalizadas por uma ciência institucionalizada”. 

10. (Uem 2013) No Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes (1588-1679) afirma: “Este poder soberano pode ser adquirido de duas maneiras. Uma delas é a força natural, como quando um homem obriga os seus filhos a submeterem-se e a submeterem os seus próprios filhos à sua autoridade, na medida em que é capaz de os destruir em caso de recusa. Ou como quando um homem sujeita através da guerra os seus inimigos à sua vontade, concedendo-lhes a vida com essa condição. A outra é quando os homens concordam entre si em se submeterem a um homem, ou a uma assembleia de homens, voluntariamente, confiando que serão protegidos por ele contra os outros. Esta última pode ser chamada uma república política, ou por instituição. À primeira pode chamar-se uma república por aquisição” 
(HOBBES, T. Leviatã, cap. XVII. In: MARÇAL, J. (org.). Antologia de Textos Filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 366). 

A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
01) República por aquisição é o poder soberano adquirido pela força natural, como o poder de destruir em caso de desobediência. 
02) República política é consequência dos acordos e pactos firmados entre os homens voluntariamente. 
04) Os vencedores de uma guerra criam uma república por instituição. 
08) Os homens livres, ao pactuarem em assembleia, adquirem uma república. 
16) Instituir e adquirir são formas dos processos políticos originários das repúblicas. 

11. (Ufsj 2013) “Os leitores de jornais dizem: este partido foi destruído devido a esta ou aquela falta que cometeu. Minha política superior contesta: um partido que comete esta ou aquela falta agoniza, não possui a segurança do instinto”.
Esse comentário é emblemático e foi propalado por 
a) Joaquim Barbosa, ao condenar cinco réus na sua primeira leitura no escândalo político do mensalão, que assombra o país desde 2005. 
b) Friedrich Nietzsche, ao buscar a explicação para o erro da confusão entre a causa e o efeito. 
c) Jean-Paul Sartre, referindo-se ao partido comunista do início do século XX. 
d) Thomas Hobbes, ao defender o unipartidarismo absoluto. 

12. (Upe 2012) Sobre a dimensão cultural do homem, atente ao texto a seguir:


O homem, dizia Schelling, tem, profundamente escondida em si, uma ‘cumplicidade com a criação’, pois que lhe assistiu as origens. Seja de onde for que tenhamos vindo, estamos aqui. Encontramo-nos no mundo, em meio a outros homens. A natureza é muda. Embora pareça estar expressando algo através de suas formas, suas paisagens, suas tempestades tumultuosas, suas erupções vulcânicas, sua brisa ligeira e seu silêncio – a natureza não responde. Os animais reagem de maneira que tem sentido, mas não falam. Só o homem fala. Só entre os homens, existe essa alternância de discurso e resposta continuamente compreendida. Só o homem, pelo pensamento, tem consciência de si. 
(JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico, São Paulo: Cultrix, 1999, p. 46)

Com relação a esse contexto, analise os itens a seguir: 
I. O ser humano é um agente transformador e não se submete inteiramente às forças da natureza, mas é capaz de ampliar os limites que ela lhe impõe.

II. A pessoa desenvolve a consciência de si mesma com base na integração entre o plano individual e o sociocultural, nas diferentes relações com a natureza, com os semelhantes, com o transcendente e consigo mesma.

III. A solidariedade do homem com o mundo não confunde o homem com o mundo. Graças à sua racionalidade, o homem se conhece distinto do mundo e, numa situação de alteridade com relação ao mundo, ele tem consciência de que é uma coisa e o mundo, que é sua casa, outra.

IV. O processo de humanização, realizado com base no conhecimento, na linguagem e na ação, produz um certo conhecimento que se situa nas condições materiais de produção da vida e dos valores como também no sentido que se atribui à existência.

Estão corretos 
a) apenas II, III e IV. 
b) apenas I, III e IV. 
c) I, II, III e IV. 
d) apenas III e IV. 
e) apenas I, II e III. 



Compartilhe no Google Plus

Sobre Portal do Vestibulando

O objetivo do site é fornecer material didático a todas as pessoas que buscam ampliar seus conhecimentos, vestibulandos ou não. Assim, caso você precise de algum material específico, entre em contato conosco para que possamos disponibilizar.