A relação entre a televisão e o estabelecimento das regras no voleibol

Por Fabiano Antonio dos Santos, Neusa Maria Domingues

O que antes era inimaginável, atualmente tornou-se realidade. Conversar com pessoas do outro lado do mundo, ir ao espaço, ou até mesmo voar são conquistas humanas que necessitaram de um grande acúmulo de conhecimentos adquiridos ao longo da história. 

Quais seriam estas conquistas? Você poderia localizá-las na história? Quais destas conquistas tornaram-se amplamente divulgadas,  e  quais  permaneceram  inacessíveis  à  população em geral? De que forma este acúmulo de conhecimento  contribui  para  o  desenvolvimento  da  humanidade? E, em  que  ela  atravancou  o  desenvolvimento  social  do ser humano? Onde a televisão entra neste processo de inovações? Em que ela auxilia e influencia a conduta  cultural  humana  em  suas  práticas, especificamente, na do voleibol?

O “boom” tecnológico 

Não poderíamos deixar de comentar a importância que a tecnologia apresentou para as melhorias das condições de vida no último século. Hobsbawm (1995) traz uma importante visão das transformações tecnológicas  provindas  do  avanço  da  sociedade  capitalista.  Podemos enumerar algumas das vantagens que a tecnologia oferece para nós, que  vivemos  no  século  XXI:  facilidade na  comunicação,  possibilidade de dar a volta ao mundo em poucas horas, viver em conexão direta com o mundo, recebendo informações instantâneas, enfim, seriam inúmeras as questões que poderíamos citar aqui como vantagens para nossas vidas atualmente. 

O  autor  citado  continua  alertando  para  o  avanço  da  tecnologia, principalmente a partir da primeira metade do século XX.

“O mundo estava repleto de uma tecnologia revolucionária em avanço constante, baseada em triunfos da ciência natural previsíveis em 1914, mas que na época mal haviam começado e cuja conseqüência política mais impressionante talvez fosse a revolução nos transportes e nas comunicações, que praticamente anulou o tempo e a distância.”(HOBSBAWM, 1995, p. 22)

A  “Era  de  Ouro”  constitui  um  período  que,  segundo  Hobsbawm, significou um avanço ligado ao atraso. Isso mesmo, duas coisas juntas, porém com intensidade e intenções diferenciadas. Logo após a Segunda  Guerra  Mundial  (1945),  os  Estados  Unidos  atravessavam  um  momento fantástico em sua economia, tudo graças ao triunfo na guerra. Por outro lado, países europeus, muito arrasados, ou em franca decadência, tentavam se reerguer, principalmente, para se equiparar à economia  norte  americana.  Configurou-se  uma  disputa  intensificada  nos dois  anos  seguintes, ao fim  da  2ª  Guerra  Mundial,  que  apresentava duas potências confrontando-se em diferentes projetos de sociedade, antagônicos em suas finalidades sociais e políticas: Estados Unidos X União Soviética. 

Os Estados Unidos tentavam conter o avanço econômico, militar e territorial do regime comunista adotado pela União Soviética e países de sua área de influência. O período compreendido entre 1945 e 1947 serviu como preparação para a Guerra Fria, ou seja, movimentos políticos e militares e produção de tecnologia de guerra foram utilizados para a contenção da expansão das áreas de influências de cada superpotência. 

Uma  questão  importante,  e  que  nos  diz  respeito  mais  especificamente, refere-se às formas de “competição” estabelecidas entre as duas superpotências, e seus respectivos aliados. O esporte foi uma destas formas,  figurando  num  importante  elemento  de  disputa,  na  tentativa de superação de um país sobre o outro, principalmente nos jogos olímpicos. 

A constante batalha, entre os países capitalistas e os chamados comunistas, durou décadas, mas apesar de todas as conseqüências econômicas, sociais e políticas da Guerra Fria, algumas inovações tecnológicas ocorreram e foram aprimoradas. 

Com o fim da Guerra Fria e a expansão territorial do mundo capitalista, o comércio reativou atividades e tornou-se um fator decisivo na distribuição e divulgação dos novos bens de consumo.

PARA VOCÊ PENSAR: Se refletirmos sobre a tecnologia e suas possibilidades para o desenvolvimento da humanidade, você poderá verificar a existência de graves contradições, inerentes ao modelo de produção capitalista. Um exemplo desta contradição pode ser buscado na produção dos alimentos. Hoje, o homem produz para quase o dobro da população do globo terrestre, no entanto, o número de miseráveis cresce ainda mais, justamente com a fome. Identificar as causas destas contradições significa analisar, além da tecnologia, qual sua utilidade e objetivos.

Como você já deve estar imaginando, em meio a todas essas inovações tecnológicas provenientes do período de disputas políticas e econômicas, os meios de comunicação tiveram papel decisivo, principalmente por cumprir a função de intermediários na divulgação de novos produtos, e na criação da ideia de consumo. Para que você tenha uma ideia da grandeza do boom tecnológico, veja o Folhas “Nós da rede”, no Livro Didático Público de Geografia.

Televisão: um meio de comunicação de massa

Ao nos referirmos aos meios de comunicação de massa, é importante saber que estamos tratando daquelas formas mais populares de divulgação das informações. A televisão, em especial, tornou-se um meio  de  comunicação  de  massa  a  partir  do  momento  que  o  domínio da nova tecnologia possibilitou à maioria das pessoas acesso aos aparelhos de TV. 

A televisão é uma destas formas de transmissão que atinge grande parte dos lares brasileiros, divulgando uma série de informações ideologicamente determinadas por seus programadores e/ou patrocinadores. Existe, por trás destas escolhas, uma série de critérios, que visam atingir às exigências de telespectadores e patrocinadores, além de interesses políticos e ideológicos como você pôde discutir, anteriormente, quanto à utilização do esporte para a disputa hegemônica entre Estados Unidos e União Soviética. 

Nessa adequação da programação a ser exibida, o esporte ocupa local central, por vários fatores que contribuem aos objetivos da televisão. Que objetivos seriam estes? Por que o voleibol ocupa local de destaque? O que teria de proximidades com tais objetivos? 

A mídia televisiva diversifica suas programações, objetivando adquirir sempre maior público. Para isso, cada emissora de televisão procura transformar as transmissões esportivas em atrações que beiram ao espetáculo. Um exemplo disso é a transmissão das Olimpíadas e da Copa do Mundo. 

Estes eventos esportivos apresentam o confronto de culturas, com atletas de diversas partes do universo, representando um momento especial marcado por cores, movimentos, músicas, enfim, um prato cheio para o espetáculo, não acha?

Essa forma moderna de transmissão tem feito o telespectador ter a impressão de estar acompanhando o espetáculo no local onde está sendo realizado, dada a gama de possibilidades de visualização dos lances, sendo que, às vezes, em melhores condições do que aqueles que estão no local.

A televisão destina, ao esporte, horários diversificados de transmissão, procurando atender, quase sempre, a lógica mercadológica imposta  às  transmissões.  Essas  transmissões  compõem  um quadro  de  programação,  em  que  existem  infinidades  de  atrações,  desde  filmes  até telenovelas. 

Se observar a qualidade dessas transmissões, você verá que a televisão tem como aspecto principal a informação já bastante simplificada. Isso significa reportagens curtas, de fácil entendimento, e que proporcionem ao público uma sensação de agradabilidade ao assistir. Mas o que essas características têm em comum com o esporte em geral e, especificamente, com o voleibol? 

Vejamos: a programação da televisão não deve ser maçante ou entediante. Deve proporcionar ao público novas emoções e sensações a todo instante. O voleibol, assim como qualquer esporte, não possui enredo  pré-definido,  ou  seja,  não  se  sabe  qual  será  o  desenvolvimento completo  do  jogo  (ainda  que  os  resultados  possam  ser  manipulados, mas  aí  só  se  saberia  a priori o  resultado  dos  acontecimentos  por  um pequeno grupo de “interessados”). Isso já atinge o objetivo voltado para a criação de novas sensações a todo momento, uma espécie de imprevisibilidade. 

Outra questão interessante, que você pode perceber no voleibol e atinge as perspectivas da televisão, é a previsibilidade de tempo do jogo. Perceba na programação da televisão, tudo tem tempo estipulado, devendo seguir as determinações. Neste sentido, esportes que possuam uma previsibilidade são interessantes para a televisão. Já imaginou uma partida de tênis? Chega a durar 4 horas, como ficariam os quadros de programação geral da emissora?

Aqui inserimos apenas alguns comentários, que levem você a pensar conosco sobre este mundo, complexo, dirigido por um forte jogo de interesses que chega a determinar as regras do esporte, sem que os torcedores possam opinar.

Você se lembra de como eram as antigas regras do voleibol? Faça a comparação com as regras atuais, e acompanhe os reais interesses por trás das modificações.

Disponível em SEED-PR
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