Questão Indígena e Étnica no Brasil - Questões de Vestibulares

1. (Ufu 2015)  A questão da demarcação de terras indígenas tem ao longo do tempo suscitado diversos conflitos. Mais recentemente, observou-se a possibilidade de modificar os critérios de demarcação, pois, conforme seus críticos, os regulamentos vigentes possibilitariam a ação de “indígenas civilizados”, ou seja, aqueles que supostamente teriam perdido sua identidade indígena, e que agora a reivindicavam com o intuito de obter terras. No centro deste debate, encontra-se a definição do que é ser indígena, enfim, a definição dos critérios definidores de uma etnia.

Para os estudos antropológicos atuais, define-se uma etnia por meio da
a) identificação da presença de traços fenotípicos comuns a uma população, atrelados ao cultivo de uma tradição cultural.   
b) ocupação territorial de um país específico e pela persistência de traços culturais tradicionais.   
c) identificação de uma concepção, partilhada por uma população, da existência de uma trajetória histórica comum que funda uma identidade.   
d) identificação de traços raciais comuns a uma população, aliados a elementos culturais específicos.   

2. (Uem 2014) “[...] Protegidos por sua retirada para regiões de difícil acesso, os Jê do Sul do Brasil sobreviveram por alguns séculos aos Tupi, logo liquidados pelos colonizadores. Nas florestas dos estados meridionais, Paraná e Santa Catarina, pequenos bandos selvagens mantiveram-se até o século XX; talvez ainda subsistissem alguns em 1935, tão ferozmente perseguidos nos últimos cem anos que se mantinham invisíveis; porém, a maioria fora aldeada e assentada pelo governo brasileiro, por volta de 1914, em vários centros” 
(LÉVI-STRAUSS, C. Tristes Trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 144).

A partir dos significados da cultura segundo a antropologia, da história dos conflitos entre populações indígenas e outros grupos humanos e do texto de Lévi- Strauss, é correto afirmar que 
01) a inferioridade cultural dos índios Jê frente a outros grupos humanos foi o principal fator que contribuiu para o seu desaparecimento. 
02) a perseguição feroz a grupos étnicos distintos do grupo socialmente dominante pode levar à invisibilidade social dos grupos perseguidos. 
04) a perseguição e o massacre dos índios Jê no Sul do Brasil foram fortemente motivados por pontos de vista etnocêntricos, interesses de Estado e ação de grupos sociais diversos. 
08) já não existiam grupos indígenas no Sul do Brasil no início do século XX. 
16) o etnocentrismo, o preconceito, os interesses econômicos e as relações de poder influenciaram a maioria dos estados modernos no desrespeito aos direitos e às culturas das populações nativas que habitam seus territórios. 

3. (Unicentro 2012) A suposição de que havia um consenso absoluto sobre a organização social e a vida cultural de cada tribo só era possível através da ideia que os administradores e cientistas europeus tinham da “tradição”. As sociedades “tribais” (ou “primitivas”) seriam, para eles, “sociedades tradicionais” — não só as regras de conduta eram pautadas rigidamente pelo costume, como esse costume era transmitido, oralmente e de forma imutável, de geração a geração, desde o princípio dos tempos. Os europeus não admitiam que os africanos pudessem refletir criticamente sobre a sua própria cultura”. 
FIGUEIREDO, Fábio Baqueiro. História da África. Brasília: Ministério da Educação/Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais, 2010. 144. Disponível em: <http://www.ceao.ufba.br/2007/livrosvideos.php>. Acesso em: 2 jul. 2011.

O texto pontua a construção do olhar europeu sobre a África, no período colonial.
A partir dos debates atuais sobre as relações étnicas no Brasil, identifique com V ou F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o texto.
( ) O resultado sociopolítico dessa visão estereotipada ainda hoje pode ser observado em relação à população afro-brasileira.
( ) Os conflitos raciais resultam de estereótipos sociais, e não de fatos científicos.
( ) Um indivíduo etnocêntrico não tem capacidade de observar outras culturas nas próprias condições em que elas se mostram.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
a) V V V 
b) F V V 
c) V F F 
d) F V F 
e) V V F 

4. (Uem-pas 2012) Segundo a autora Valéria Pilão, “Há um grupo no estado de São Paulo chamado ‘Carecas do ABC’, cuja atividade coletiva chegou ao extremo de jogarem um garoto pela janela do trem, pois o mesmo era punk. As manifestações homofóbicas também estão presentes, o preconceito contra o negro é outra característica que permeia estes movimentos. Na cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná, recentemente (set/2005) um grupo pregando ‘o orgulho branco’ agrediu um negro na região denominada setor histórico. Suas atitudes não pararam por aí, panfletos cujo conteúdo propunha o preconceito ao homossexual e ao negro foram afixados nos postes do local.” 
(PILÃO, V. Movimentos sociais. In: LORENSETTI, E. et al. Sociologia. Curitiba: SEED-PR, 2006, p. 241-242).

Levando em consideração o texto acima, é correto afirmar que
a) a discriminação contra os grupos sociais considerados minoritários, como aparece no texto citado, respeita o ordenamento jurídico brasileiro. 
b) as situações de violência descritas no texto expressam a persistência de preconceitos contra homossexuais e negros na sociedade brasileira. 
c) no Brasil, após a promulgação da Constituição de 1988, o preconceito e a discriminação contra grupos minoritários deixaram de existir. 
d) o preconceito e a discriminação contra homossexuais e negros contribuem para tornar a sociedade brasileira homogênea, saudável e pacífica. 

5. (Uem 2012) Leia o texto a seguir e assinale o que for correto sobre o tema da diversidade étnica. 
“[...] Na verdade, raça, no Brasil jamais foi um termo neutro; ao contrário, associou-se com frequência a uma imagem particular do país. Muitas vezes, na vertente mais negativa de finais do século XIX, a mestiçagem existente no país parecia atestar a falência da nação [...]” 
(SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In: NOVAIS, Fernando & SCHWARCZ, Lilia Moritz (orgs.) História da Vida Privada no Brasil. Contrastes da intimidade contemporânea,. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 177).
a) Os termos raça e etnia se equivalem. Ambos fazem referência à composição de grupos de pessoas com características fisiológicas e biológicas comuns. 
b) Os estudos centrados na noção de raça classificam a humanidade por meio da seleção natural e da organização genética. 
c) Por ser o Brasil o país com o maior número de negros e afrodescendentes depois do continente africano, não é pertinente discutir no Brasil o racismo. 
d) Nas décadas seguintes à abolição da escravatura, a integração dos negros à sociedade brasileira foi marcada pela adoção de mecanismos de inclusão que resultaram, recentemente, na implantação das chamadas políticas de ação afirmativa. 

6. (Unisc 2012) 
“Em um contexto nacional em que o desenvolvimento econômico é institucionalmente defendido como a solução para todos os males sociais, se faz necessário refletir sobre a forma como os indígenas são representados nos meios de mídia de massa na atualidade. A evidente emergência de discursos anti-indigenistas nestes meios tem consequência direta na vida destas coletividades, na forma como são tratadas cotidianamente pelas populações não índias, com as quais, inevitavelmente, convivem e compartilham espaços.
Assim como nos séculos passados, não são poucos os episódios de perseguição a minorias autóctones e quilombolas no Brasil do século XXI. Há uma recorrência de manifestações anti-indigenistas, estas não se dão de forma regular, estável, mas oscilam, surgem entre extremos situados entre o esquecimento/apagamento e o revisionismo/memória de uma construção de nação que destina um lugar aos indígenas apenas e tão somente no seu passado.” 

Fonte: PRADELLA, L. G.; ELTZ, D. Mídia de massa e anti-indigenismo no sul do Brasil do século XXI. In: RIO GRANDE DO SUL. Coletivos guaranis no Rio Grande do Sul. Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul/Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, 2010, p. 50). 
I. O texto defende o fenômeno da aculturação para resolução e integração dos povos indígenas na sociedade nacional.
II. Segundo os autores, os meios de comunicação de massa são responsáveis pela fiscalização de políticas indigenistas, representando todos os pontos de vista em seus discursos midiáticos.
III. Conforme o texto, a mídia, de forma recorrente, nega a atualidade dos direitos indígenas na nação brasileira.
IV. Para os autores, discursos anti-indigenistas baseiam-se na defesa do valor histórico das populações indígenas.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa I está correta. 
b) Somente a afirmativa III está correta. 
c) Somente as afirmativas I e IV estão corretas. 
d) Somente as afirmativas III e IV estão corretas. 
e) Somente as afirmativas I e II estão corretas. 

7. (Unioeste 2011) “Na segunda metade do século XX, a tendência à superação das ideias racistas permitiu que diferentes povos e culturas fossem percebidos a partir de suas especificidades. Grupos de negros pressionaram pela adoção de medidas legais que garantissem a eles igualdade de condições e combatessem a segregação racial. Chegamos então ao ponto em que nos encontramos, tendo que tirar o atraso de décadas de descaso por assuntos referentes à África”. 
Marina de Mello e Souza. A descoberta da África. RHBN, ano 4, n. 38, novembro de 2008, p.72-75.

A partir deste texto e do conhecimento da sociologia a respeito da questão racial em nosso país, é possível afirma que
a) autores como Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, entre outros tantos autores, são importantes por chamarem a atenção do país para o papel dos negros na construção do Brasil e da brasilidade, e as formas de exclusão explícitas e implícitas que sofreram. 
b) apesar de relevante a luta contra o preconceito racial, o estudo da África só diria respeito ao conhecimento do passado, do período do Descobrimento do Brasil até a abolição da escravidão entre nós. 
c) estudar a África só nos indicaria a captura e a escravidão de diferentes povos africanos, tendo em vista que raça e o racismo são categorias ideológicas as quais servem para encobrir as fortes tensões sociais existentes entre a imensa classe de pobres e o seu oposto a dos ricos. 
d) a autora quer dizer que devemos hoje operar cada vez mais com categorias tais como a especificidade da raça negra, da raça branca, da raça amarela e outras mais. 

8. (Unioeste 2011) Quanto aos índios brasileiros, a partir dos estudos sociológicos já feitos e existentes hoje, está correto dizer que
a) estão em via de extinção posto serem culturas primitivas e atrasadas com relação à sociedade brasileira, daí se inviabilizarem como grupo social. 
b) não há mais índios no país, posto que só existiriam índios quando da descoberta do Brasil e no período Colonial, quando pelas guerras, doenças e outros fatores advindo do contato com os colonizadores, vieram a se extinguir. 
c) apesar das desigualdades sociais imensas que sofreram e sofrem, marginalizando-os, eles continuam presentes marcando, atualmente, muito melhor suas identidades e pertencimentos culturais específicos, abrindo e conquistando espaços políticos dentro da sociedade brasileira. 
d) não mais existem índios no Brasil, pois que todos eles já entraram na sociedade brasileira, adquirindo os bens e serviços desta, daí não haver mais nenhuma cultura indígena pura, verdadeira, a qual possamos nos referir como legitimamente indígena. 

9. (Uenp 2010) Do ponto de vista sociológico, no Brasil se constituiu sobre o mito da democracia racial principalmente depois da publicação de Casa grande e senzala de Gilberto Freyre (2003). De acordo com Florestan Fernandes (1965) o ideal de miscigenação fora difundido como mecanismo de absorção do mestiço não para a ascensão social do negro, mas para a hegemonia da classe dominante. O mito da democracia racial assentou-se sobre dois fundamentos: 1) o mito do bom senhor; 2) o mito do escravo submisso.

Analise as afirmações: 
I. A crença no bom senhor exalta a vulgaridade das elites modernas, como diria Contardo Calligaris, e juntamente com uma espécie de pseudocordialidade seriam responsáveis pela manutenção e o aprofundamento das diferenças sociais.
II. O mito do escravo submisso fez com que a sociedade de um modo geral não encarasse de frente a violência da escravidão, fez com que os ouvidos se ensurdecessem aos clamores do movimento negro, por direitos e por justiça.
III. As proposições legislativas sobre a inclusão de negros vão desde o Projeto de Lei que reserva aos negros um percentual fixo de cargos da administração publica, aos que instituem cotas para negros nas universidades publicas e nos meios de comunicação. 

Assinale a alternativa correta:
a) todas as afirmações são verdadeiras. 
b) apenas a afirmação II e verdadeira. 
c) as afirmações I e III são verdadeiras. 
d) as afirmações I e II são falsas. 
e) todas as afirmações são falsas. 

10. (Uenp 2010) Leia o trecho da música Haiti, de Caetano Veloso e Gilberto Gil: 
Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

Assinale a alternativa correta.
a) Não existe, na música, uma referência indireta ao haitianismo. 
b) A música faz referência a um processo de exclusão seletiva que atinge de forma mais gravosa a população negra. 
c) É possível afirmar que os processos de exclusão atingem, da mesma forma, brancos e negros. 
d) A alusão ao Haiti é para fazer contraposição à situação brasileira. 
e) O texto faz referência ao processo de miscigenação racial pela qual passa o Brasil. 

11. (Unesp 2013) Hoje, a melhor ciência informa que as etnias são variações cosméticas do núcleo genético humano, incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre outros. Segundo o médico Sérgio Pena, não somos todos iguais, somos igualmente diferentes. É uma beleza, do ponto de vista da antropologia genética, esperar que, um dia, ela ajude a desvendar o enigma clássico da condição humana que é a eterna desconfiança do outro, do diferente, do estrangeiro. O DNA nada sabe desse sentimento. No seu coração genético, a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta. 
(Fábio Altman. Unidos pelo futebol … e pelo DNA. Veja, 09.06.2010. Adaptado.) 

Esta reportagem aborda o tema das diferenças entre as etnias humanas sob um ponto de vista contrastante em relação a outras abordagens vigentes ao longo da história. Em termos éticos, trata-se de uma abordagem promissora, pois
a) opõe-se às teorias antropológicas que criticaram o etnocentrismo ocidental em seu papel de justificação ideológica do colonialismo. 
b) apresenta argumentos científicos que provam o caráter prejudicial da miscigenação para o progresso da humanidade. 
c) fornece uma fundamentação científica para justificar estereótipos racistas presentes no pensamento cotidiano e no senso comum. 
d) permite um questionamento radical dos ideais universalistas inspiradores de políticas de preservação dos direitos humanos. 
e) estabelece uma ruptura com teorias eugenistas que defenderam a purificação racial como meio de aperfeiçoamento da humanidade. 
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