Filosofia Medieval - São Tomás de Aquino - Santo Agostinho - Escolástica - Questões de Vestibulares


1. (Enem 2015) Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim.
AQUINO. T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de 
a) refrear os movimentos religiosos contestatórios. 
b) promover a atuação da sociedade civil na vida política. 
c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum. 
d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística. 
e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual. 

2. (Espm 2014) Seu principal objetivo era demonstrar, por um raciocínio lógico formal, a autenticidade dos dogmas cristãos. A filosofia devia desempenhar um papel auxiliar na realização deste objetivo. Por isso a tese de que a filosofia está a serviço da teologia. 
(Antonio Carlos Wolkmer – Introdução à História do Pensamento Político)

O texto deve ser relacionado com: 
a) a filosofia epicurista. 
b) a filosofia escolástica. 
c) a filosofia iluminista. 
d) o socialismo. 
e) o positivismo. 

3. (Ufu 2013) Com efeito, existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc.
AQUINO, Tomás de. Súmula contra os Gentios. Capítulo Terceiro: A possibilidade de descobrir a verdade divina. Tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 61. 

Para São Tomás de Aquino, a existência de Deus se prova 
a) por meios metafísicos, resultantes de investigação intelectual. 
b) por meio do movimento que existe no Universo, na medida em que todo movimento deve ter causa exterior ao ser que está em movimento.
c) apenas pela fé, a razão é mero instrumento acessório e dispensável.
d) apenas como exercício retórico. 

4. (Uncisal 2012) A filosofia de Santo Agostinho é essencialmente uma fusão das concepções cristãs com o pensamento platônico. Subordinando a razão à fé, Agostinho de Hipona afirma existirem verdades superiores e inferiores, sendo as primeiras compreendidas a partir da ação de Deus. Como se chama a teoria agostiniana que afirma ser a ação de Deus que leva o homem a atingir as verdades superiores? 
a) Teoria da Predestinação. 
b) Teoria da Providência. 
c) Teoria Dualista. 
d) Teoria da Emanação. 
e) Teoria da Iluminação. 

5. (Uem 2012) Tomás de Aquino (1225-1274), no seu livro A Realeza, afirma:

“Comecemos apresentando o que se deve entender pela palavra rei. Com efeito, em todas as coisas que se ordenam a um fim que pode ser alcançado de diversos modos, faz-se necessário algum dirigente para que se possa alcançar o fim do modo mais direto. Por exemplo, um navio, que se move em diversas direções pelo impulso de ventos opostos, não chegará ao seu fim de destino se não for dirigido ao porto pela habilidade do comandante”.
(AQUINO, T. de. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 667.)

Conforme esse trecho, é correto afirmar que 
01) o rei, como um dirigente, não tem um poder opressor ou dominador sobre os súditos. 
02) o rei é aquele que realiza as coisas sem intermediários. 
04) o rei não é necessário em todas as decisões, mas somente naquelas que envolvem interesses coletivos. 
08) as ações do rei não precisam levar em conta os desejos dos súditos, mas considerar aquilo que é melhor para o reino. 
16) o rei ou o comandante tem a função de dirigir, orientar, o que não implica uma imposição de sua vontade aos súditos. 

6. (Ufu 2012) A teologia natural, segundo Tomás de Aquino (1225-1274), é uma parte da filosofia, é a parte que ele elaborou mais profundamente em sua obra e na qual ele se manifesta como um gênio verdadeiramente original. Se se trata de física, de fisiologia ou dos meteoros, Tomás é simplesmente aluno de Aristóteles, mas se se trata de Deus, da origem das coisas e de seu retorno ao Criador, Tomás é ele mesmo. Ele sabe, pela fé, para que limite se dirige, contudo, só progride graças aos recursos da razão. 
GILSON, Etienne. A Filosofia na Idade Média, São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 657. 

De acordo com o texto acima, é correto afirmar que 
a) a obra de Tomás de Aquino é uma mera repetição da obra de Aristóteles. 
b) Tomás parte da revelação divina (Bíblia) para entender a natureza das coisas. 
c) as verdades reveladas não podem de forma alguma ser compreendidas pela razão humana. 
d) é necessário procurar a concordância entre razão e fé, apesar da distinção entre ambas. 

7. (Enem 2012) 
TEXTO I 

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha”. 
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que 
a) eram baseadas nas ciências da natureza. 
b) refutavam as teorias de filósofos da religião. 
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas. 
d) postulavam um princípio originário para o mundo. 
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas. 

8. (Ufu 2012) Na medida em que o Cristianismo se consolidava, a partir do século II, vários pensadores, convertidos à nova fé e, aproveitando-se de elementos da filosofia greco-romana que eles conheciam bem, começaram a elaborar textos sobre a fé e a revelação cristãs, tentando uma síntese com elementos da filosofia grega ou utilizando-se de técnicas e conceitos da filosofia grega para melhor expor as verdades reveladas do Cristianismo. Esses pensadores ficaram conhecidos como os Padres da Igreja, dos quais o mais importante a escrever na língua latina foi santo Agostinho. 

COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia: Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 128. (Adaptado) 

Esse primeiro período da filosofia medieval, que durou do século II ao século X, ficou conhecido como 
a) Escolástica. 
b) Neoplatonismo. 
c) Antiguidade tardia. 
d) Patrística. 

9. (Ufu 2011) Considere o seguinte texto sobre Tomás de Aquino (1226-1274). 

Fique claro que Tomás não aristoteliza o cristianismo, mas cristianiza Aristóteles. Fique claro que ele nunca pensou que, com a razão se pudesse entender tudo; não, ele continuou acreditando que tudo se compreende pela fé: só quis dizer que a fé não estava em desacordo com a razão, e que, portanto, era possível dar-se ao luxo de raciocinar, saindo do universo da alucinação.
Eco, Umberto. “Elogio de santo Tomás de Aquino”. In: Viagem na irrealidade cotidiana, p.339.

É correto afirmar, segundo esse texto, que: 
a) Tomás de Aquino, com a ajuda da filosofia de Aristóteles, conseguiu uma prova científica para as certezas da fé, por exemplo, a existência de Deus. 
b) Tomás de Aquino se empenha em mostrar os erros da filosofia de Aristóteles para mostrar que esta filosofia é incompatível com a doutrina cristã. 
c) o estudo da filosofia de Aristóteles levou Tomás de Aquino a rejeitar as verdades da fé cristã que não fossem compatíveis com a razão natural. 
d) a atitude de Tomás de Aquino diante da filosofia de Aristóteles é de conciliação desta filosofia com as certezas da fé cristã. 

10. (Ufu 2011) Segundo o texto abaixo, de Agostinho de Hipona (354-430 d. C.), Deus cria todas as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões seminais, como também são chamadas, não existem em um mundo à parte, independentes de Deus, mas residem na própria mente do Criador, 

[...] a mesma sabedoria divina, por quem foram criadas todas as coisas, conhecia aquelas primeiras, divinas, imutáveis e eternas razões de todas as coisas, antes de serem criadas [...]. 
Sobre o Gênese, V 

Considerando as informações acima, é correto afirmar que se pode perceber: 
a) que Agostinho modifica certas ideias do cristianismo a fim de que este seja concordante com a filosofia de Platão, que ele considerava a verdadeira. 
b) uma crítica radical à filosofia platônica, pois esta é contraditória com a fé cristã. 
c) a influência da filosofia platônica sobre Agostinho, mas esta é modificada a fim de concordar com a doutrina cristã. 
d) uma crítica violenta de Agostinho contra a filosofia em geral. 

11. (Uem 2011) Sobre a relação entre filosofia, Igreja e Estado na Idade Média, assinale o que for correto. 
01) Na Idade Média, os mosteiros representam uma importante fonte do saber. Nesses locais, a cultura greco-latina manteve-se preservada, graças à atividade dos copistas e à conservação dos manuscritos dos autores clássicos. 
02) Na Alta Idade Média, a Igreja começou a libertar-se da dominação política do Império Carolíngio e iniciou-se um período de supremacia do poder espiritual sobre o poder político. 
04) Boécio (séc. VI) propõe a reabertura aos temas clássicos através de uma corrente espiritual e gnóstica denominada “nova sofística”, apresentada em sua obra máxima, a Suma Teológica. 
08) Por ser um período de obscuridade, a filosofia medieval não se dedicou aos grandes temas da filosofia, como a questão do conhecimento, o papel da linguagem e a teleologia da práxis humana, que aparecem depois, com a modernidade. 
16) O relacionamento entre a Igreja e o Estado começou no fim do Império Romano, quando o cristianismo foi transformado em religião oficial do Estado. Enquanto o paganismo perdia sua posição de religião oficial, o cristianismo era protegido pelo Império, o que permitiu sua difusão. 

12. (Ueg 2011) “A casa de Deus, que cremos ser uma, está, pois, dividida em três: uns oram, outros combatem, e outros, enfim, trabalham.” 
BISPO ADALBERON DE LAON, século XI, apud LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Editorial Estampa, 1984. p. 45-46. 

A sociedade do período medievo possuía como uma de suas características a estrutura social extremamente rígida e segmentada. A sociedade dos homens era um reflexo da sociedade divina. Essa estrutura é uma herança da filosofia 
a) patrística, de Santo Agostinho. 
b) escolástica, de Abelardo. 
c) racionalista, de Platão. 
d) dialética, de Hegel. 

13. (Uff 2011) Na Idade Média, se considerava que o ser humano podia alcançar a verdade por meio da fé e também por meio da razão. Ao mesmo tempo, o poder religioso (Igreja) e o poder secular (Estado) mantinham relacionamento político tenso e difícil. O filósofo Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção destinada a conciliar FÉ e RAZÃO, bem como IGREJA e ESTADO. 

De acordo com as ideias desse filósofo, 
a) o Estado deve subordinar-se à Igreja. 
b) a Igreja e o Estado são mutuamente incompatíveis. 
c) a Igreja e o Estado devem fundir-se numa só entidade. 
d) a Igreja e o Estado são, em certa medida, conciliáveis. 
e) a Igreja deve subordinar-se ao Estado. 

14. (Uncisal 2011) Uma das preocupações de certa escola filosófica consistiu em provar que as ideias platônicas ou os gêneros e espécies aristotélicos são substâncias reais, criadas pelo intelecto e vontade de Deus, existindo na mente divina. Reflexões dessa natureza foram realizadas majoritariamente no período da história da filosofia: 
a) pré-socrático. 
b) antigo. 
c) medieval. 
d) moderno. 
e) contemporâneo. 

15. (Uff 2010) A importância do filósofo medieval Tomás de Aquino reside principalmente em seu esforço de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão. Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz: 

“As verdades que professamos acerca de Deus revestem uma dupla modalidade. Com efeito, existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc. Estas últimas verdades, os próprios filósofos as provaram por meio de demonstração, guiados pela luz da razão natural”. 

A partir dessa citação, identifique a opção que melhor expressa esse pensamento de Tomás de Aquino. 
a) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. 
b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. 
c) A fé é o único meio de o ser humano chegar à verdade. 
d) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar por seus meios naturais certas verdades. 
e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. 

16. (Ufu 2010) Para responder a questão, leia o seguinte texto. 

O universal é o conceito, a ideia, a essência comum a todas as coisas (por exemplo, o conceito de ser humano). Em outras palavras, pergunta-se se os gêneros e as espécies têm existência separada dos objetos sensíveis: as espécies (por exemplo, o cão) ou os gêneros (por exemplo, o animal) teriam existência real? Ou seriam apenas ideias na mente ou apenas palavras?
(ARANHA, M. L. A. & MARTINS, M. H. Filosofando. 3ª edição. São Paulo: Moderna, 2003, p. 126.)

A resposta correta à pergunta formulada no texto acima, sobre os universais, é: 
a) Segundo os nominalistas, as espécies e gêneros universais são meras palavras que expressam um conteúdo mental, sem existência real. 
b) Segundo os nominalistas, os universais são conceitos, mas têm fundamento na realidade das coisas. 
c) Segundo os nominalistas, os universais (gêneros e espécies) são entidades realmente existentes no mundo das Ideias, sendo as coisas deste mundo meras cópias destas Ideias. 
d) Segundo os nominalistas, os gêneros e as espécies universais existem realmente, mas apenas na mente de Deus. 

17. (Ufu 2010) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é estreitamente devedora do platonismo cristão milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu os textos de Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo sermões de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho venceu suas últimas resistências (de tornar-se cristão). 
PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental. In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983, p. 77. 

Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de Platão, por meio dos escritos de Plotino, o pensamento de Agostinho apresenta muitas diferenças se comparado ao pensamento de Platão. 

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma dessas diferenças. 
a) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o conhecimento verdadeiro, enquanto, para Platão, a verdade a respeito do mundo é inacessível ao ser humano. 
b) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-se no mundo das Ideias, enquanto para Agostinho não existe nenhuma realidade além do mundo natural em que vivemos. 
c) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para Platão a alma não é imortal, já que é apenas a forma do corpo. 
d) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, reminiscência, a alma reconhece as Ideias que ela contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o conhecimento é resultado da Iluminação divina, a centelha de Deus que existe em cada um. 

18. (Ufu 2009) Santo Tomás de Aquino, nascido em 1224 e falecido em 1274, propôs as cinco vias para o conhecimento de Deus. Estas vias estão fundamentadas nas evidências sensíveis e racionais. A primeira via afirma que os corpos inanimados podem ter movimento por si mesmos. Assim, para que estes corpos tenham movimento é necessário que algo os mova. Esta concepção leva à necessidade de um primeiro motor imóvel, isto é, algo que mesmo não sendo movido por nada pode mover todas as coisas. 

Sobre a primeira via, que é a do movimento, marque a alternativa correta. 
a) Para que os objetos tenham movimento é necessário que algo os mova; dessa forma, entende-se que é necessário um primeiro motor. Logo, podemos entender que Deus não é necessário no sistema. 
b) Para Santo Tomás, os objetos inanimados movem-se por si mesmos e esse fenômeno demonstra a existência de Deus. 
c) A demonstração do primeiro motor não recorre à sensibilidade, dispensando toda e qualquer observação da natureza, uma vez que sua fundamentação é somente racional. 
d) Conforme o argumento da primeira via podemos concluir que Deus é o motor imóvel, o qual move todas as coisas, mas não é movido. 

19. (Uem 2009) A Filosofia Medieval a partir do século IX é chamada escolástica. Ensinada nas escolas ou nas universidades próximas das catedrais, a filosofia escolástica tinha por problema fundamental levar o homem a compreender a verdade revelada pelo exercício da razão, todavia apoiado na autoridade (Auctoritas), seja da Bíblia, seja de um padre da Igreja, seja de um sistema de filosofia pagã. 

Sobre a escolástica, assinale o que for correto. 
01) O pensamento platônico, ou mais exatamente o neoplatonismo de Plotino, porque mais facilmente conciliável com as doutrinas cristãs, foi a única filosofia pagã aceita durante toda a escolástica. 
02) A fermentação intelectual e o interesse pelo racional na escolástica evidenciam-se pela criação de universidades por toda a Europa; o método de exposição das ideias filosóficas nessas escolas era a disputa: uma tese era colocada e passava-se a refutá-la ou a defendê-la com argumentos retirados de alguma autoridade. 
04) Representante do pensamento político da escolástica, o cardeal Martin Heidegger trata, em sua obra Ser e Tempo, do problema da subordinação do poder temporal dos reis e dos nobres ao poder espiritual do Papa e da Igreja. 
08) Um tema recorrente na filosofia escolástica foi a demonstração racional da existência de Deus. Santo Anselmo (1034-1109) formula a prova tradicionalmente chamada argumento ontológico, no qual deduz a existência de Deus da própria ideia de perfeição de Deus. 
16) O apogeu da escolástica acontece no século XIII com Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que, retomando o pensamento de Aristóteles, fez a síntese mais fecunda da filosofia com o cristianismo na Filosofia Medieval. 

20. (Ufu 2009) Leia o texto a seguir sobre o problema dos universais. 

“Ockham adota o nominalismo, posição inaugurada em uma versão mais radical por Roscelino (séc. XII), [que] afirma serem os universais apenas palavras, flatus vocis, sons emitidos, não havendo nenhuma entidade real correspondentes a eles.” 
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2005. p. 132. 

Marque a alternativa correta. 
a) Segundo o texto acima, o termo “humanidade”, aplicável a uma multiplicidade de indivíduos, indica um modo de ser das realidades extramentais. 
b) Segundo o texto acima, o termo “humanidade”, aplicável a uma multiplicidade de indivíduos, é apenas um conceito pelo qual nos referimos a esse conjunto. 
c) Segundo o texto acima, o termo “humanidade”, aplicável a uma multiplicidade de indivíduos, determina entidades metafísicas subsistentes. 
d) Segundo o texto acima, o termo “humanidade”, aplicável a uma multiplicidade de indivíduos, determina formas de substância individual existentes. 

21. (Ufu 2004) Considere o trecho abaixo. 

“Quando, pois, se trata das coisas que percebemos pela mente (...). estamos falando ainda em coisas que vemos como presentes naquela luz interior da verdade, pela qual é iluminado e de que frui o homem interior. 
Santo Agostinho. Do Mestre. São Paulo: Abril Cultural. 1973. p. 320. (Os Pensadores) 

Segundo o pensamento de Santo Agostinho, as verdades contidas na filosofia pagã provêm de que fonte? Assinale a alternativa correta. 
a) De fonte diferente de onde emanam as verdades cristãs, pois há oposição entre as verdades pagãs e as verdades cristãs. 
b) Da mesma fonte de onde emanam as verdades cristãs, pois não há oposição entre as verdades pagãs e cristãs. 
c) De Platão, por ter chegado a conceber a ideia Suprema do Bem. 
d) De Aristóteles, por ter concebido o Ser Supremo corno primeiro motor imóvel. 

22. (Ufu 2003) “Com efeito, alguns tomam a coisa universal da seguinte maneira: eles colocam uma substância essencialmente a mesma em coisas que diferem umas das outras pelas formas; essa é a essência material das coisas singulares nas quais existe, e é uma só em si mesma, sendo diferente apenas pelas formas dos seus inferiores.” 
ABELARDO, Lógica para principiantes. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Coleção “Os Pensadores”. p. 218. 

Sobre o texto acima, é correto afirmar que 
a) trata-se de uma tese realista, pois demonstra que a coisa universal existe por si mesma e constitui a essência material das coisas singulares. 
b) defende a tese nominalista, segundo a qual os universais não podem existir fora dos sujeitos de que são atributos. 
c) os universais são termos significativos, pois não são uma única essência em si mesmos. 
d) distingue as coisas singulares pela quantidade de matéria que nelas se apresentam. 

23. (Ufu 2003) A teoria da iluminação divina, contribuição original de Agostinho à filosofia da cristandade, foi influenciada pela filosofia de Platão, porém, diferencia-se dela em seu aspecto central. 
Assinale a alternativa abaixo que explicita esta diferença. 
a) A filosofia agostiniana compartilha com a filosofia platônica do dualismo, tal como este foi definido por Agostinho na Cidade de Deus. Assim, a luz da teoria da iluminação está situada no plano suprassensível e só é alcançada na transcendência da existência terrena para a vida eterna. 
b) A teoria da Iluminação, tal como sugere o nome, está fundamentada na luz de Deus, luz interior dada ao homem interior na busca da verdade das coisas que não são conhecidas pelos sentidos; esta luz é Cristo, que ensina e habita no homem interior. 
c) Agostinho foi contemporâneo da Terceira Academia, recebendo os ensinamentos de Arcesilau e Carnéades, o que resultou na posição dogmática do filósofo cristão quanto à impossibilidade do conhecimento da verdade, sendo o conhecimento humano apenas verossímil. 
d) A alma é a morada da verdade, todo conhecimento nela repousa. Assim, a posição de Agostinho afasta-se da filosofia platônica, ao admitir que a alma possui uma existência anterior, na qual ela contemplou as ideias, de modo que o conhecimento de Deus é anterior à existência. 

24. (Ufu 2002) Agostinho formula sua teoria do conhecimento a partir da máxima “creio tudo o que entendo, mas nem tudo que creio conheço”. A posição do autor não impede que cada um busque a sabedoria com suas próprias forças; o que ainda não é conhecido pode ser revelado mediante a consulta da verdade interior. Com base neste argumento, assinale a alternativa correta. 
a) É incorreto afirmar que a verdade interior que soa no íntimo das pessoas seja o Cristo; e o arbítrio humano é consultado sobre o que não se conhece. 
b) As coisas que ainda não conhecemos só podem ser percebidas pelos sentidos do corpo e podem ser comunicadas facilmente por intermédio das palavras. 
c) A verdade interior está à disposição de cada um e encontra-se armazenada na memória, de modo que o uso da memória dispensa a contemplação da luz interior. 
d) A verdade interior só pode ser percebida pelo homem interior, que é iluminado pela luz desta verdade interior, que é contemplada por cada um. 

25. (Ufu 2002) A Patrística, filosofia cristã dos primeiros séculos, poderia ser definida como 
a) retomada do pensamento de Platão, conforme os modelos teológicos da época, estabelecendo estreita relação entre filosofia e religião. 
b) configuração de um novo horizonte filosófico, proposto por Santo Agostinho, inspirado em Platão, de modo a resgatar a importância das coisas sensíveis, da materialidade. 
c) adaptação do pensamento aristotélico, conforme os moldes teológicos da época. 
d) criação de uma escola filosófica, que visava combater os ataques dos pagãos, rompendo com o dualismo grego. 

26. (Ufu 2000) "Assim até as coisas materiais emitem um juízo sobre as suas formas, comparando-as àquela Forma da eterna Verdade e que intuímos com o olhar de nossa mente." 
(Sto. Agostinho, A Trindade, Livro IX, Capítulo 6. São Paulo, Paulus, 1994. p. 299) 

Esta frase de Sto. Agostinho refere-se à 
a) teologia mística de Agostinho, que se funda na experiência imediata da alma humana com Deus; 
b) moral agostiniana que propõe ao homem regras para uma vida santa e ascética, apartada do mundo; 
c) doutrina da iluminação que afirma que o conhecimento humano é iluminado pela Verdade Eterna, isto é, Deus; 
d) estética intelectualista de Agostinho, que consiste num profundo desprezo pela sensibilidade humana. 

27. (Ufu 1999) Para Santo Tomás de Aquino, um dos princípios do conhecimento humano era o princípio da causa eficiente. Esse princípio da causa eficiente exigia que o ser contingente 
a) não exigisse causa alguma. 
b) fosse causado pelo intelecto humano. 
c) fosse causado pelo ser necessário. 
d) fosse causado por acidentes casuais. 
e) fosse causado pelo nada.

28. (Uff 2012) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de certas questões da religião. 

Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão humana não consegue alcançar, por exemplo, entender como é possível Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que a razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe. 

A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o pensamento de Tomás de Aquino. 
a) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade. 
b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. 
c) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades por seus meios naturais. 
d) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. 
e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. 


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4 comentários:

  1. Gostaria de parabenizar a organização desta página que muito contribui para o estudo e ensino da filosofia com um conteúdo excelente.

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    1. Ampliamos nossas atividades. Agora estamos com o conteúdo diversificado... mais disciplinas!

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  2. Só faltou o gabarito né!

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    1. Observe que no final da postagem tem um link com o gabarito!

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