Expressionismo: a emoção à flor da pele!

Essa forma de pintar era a marca registrada dos pintores expressionistas, que se inspiraram nas obras de Vincent Van Gogh (1853–1890). Munch  foi  um  dos  fundadores  do  movimento  expressionista. Todos eles tinham em comum a preocupação com a vida humana. Mas, afinal, o que é Expressionismo?

Ouvimos falar a todo momento em liberdade de expressão. E você,  sente-se  livre  para  expressar seus  sentimentos?  Pois  esse  foi  um dos pontos fortes do Movimento Expressionista: manifestar o mundo interior, ou seja, a dor, o sofrimento, a solidão, a angústia, a morte, o sufoco. De acordo com Gombrich (1993, p. 449), “o Movimento Expressionista surgiu na Alemanha em 1910, aproximadamente, e seus artistas alimentavam sentimentos tão fortes em relação ao sofrimento humano, à pobreza, à violência e à paixão, que eram propensos a pensar que a insistência na harmonia e beleza em arte nascera exatamente de uma recusa em ser sincero. Não desejavam criar cópias idealizadas do real e sim uma representação dos sentimentos humanos”. 

Aliás, os sentimentos humanos e as deformações próprias da vida humana também são retratados na foto abaixo. Não é impressionante a semelhança entre a expressão facial do feto morto e O Grito de Munch?
Observe com atenção:
O Gritode Munch data, como já vimos antes, de 1895 e o feto, morto por contaminação radioativa, uma vítima da explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, no ano de 1986. O acidente nuclear de Chernobyl foi um dos piores de todos os tempos. Ocasionado por um dos reatores  da usina  que  lançou,  no  meio  ambiente,  uma imensa quantidade  de  radiação,  deixando  um  rastro  de destruição até mesmo em países distantes, como a Itália e a França. Esse desastre matou cerca de 14 mil pessoas só na Rússia e na Ucrânia. 

No Brasil tivemos um desastre semelhante: o acidente nuclear de Goiânia, em outubro de 1987, quando muitas pessoas também morreram. Na verdade, tudo começou  como  uma  brincadeira.  Dois  homens,  à  procura de sucata, entraram numa clínica de radioterapia, desativada, encontraram um aparelho de radioterapia (utilizado para tratamento de câncer), levaram-no e venderam-no a um ferro-velho.

Durante a desmontagem do aparelho, cerca de 20g de cloreto de Césio 137 (137CsCI), que estavam numa cápsula que foi quebrada, foram expostos.

O Césio 137 é um elemento químico radioativo, artificial, semelhante a um sal de cozinha que brilha no escuro. A radioatividade é um fenômeno que alguns elementos  químicos  apresentam  e  se  caracteriza  pela  emissão espontânea de radiações ALFA (α ), BETA (β) e GAMA (γ), que interagem com as partículas do ar produzindo efeitos luminosos. A luminosidade do Césio atraiu muitas pessoas que o manipularam e o distribuíram entre parentes e amigos. Foi colocado no bolso, esfregado no corpo e levado para as casas de muitos moradores da região; o césio acabou contaminando muitas pessoas.

O Expressionismo das Linhas

Será que uma simples linha pode passar uma mensagem ou uma sensação? Mas, o que é uma linha? Ou melhor, o que pode expressar uma linha?

Analisando  as  linhas  podemos  perceber  que  são  carregadas  de emoção  e  portadoras  de  sentido.  Cada  artista  pode  estruturá-las  e expressá-las, em uma obra, de modo diferente. 

É o caso de Munch que, embora tão expressivo quanto Van Gogh, é muito diferente, pois cada artista possui uma maneira própria de traçar essas linhas e usar as cores, tornando-as únicas e marcantes em razão do estilo de cada um.

“Vejamos a qualidade expressiva das linhas de Van Gogh: os traços são curtos, ele usa pequenas “vírgulas” e curvas, em breves momentos de  espaço  e  tempo,  justapostas  numa  repetição  enfática.  As  sequências, também repetidas, adensam-se rapidamente e param, criando em nossa percepção o equivalente a obstáculos físicos a serem transpostos, dramaticidades e tensões altamente emotivas”. (OSTROWER 1983, p. 32)

O Expressionismo das Cores

Vermelhos, azuis, verdes, laranja, violeta... São tantas as cores!

Umas fazem rir, outras chorar; algumas são sombrias, outras luminosas; algumas são puras, contrastantes, loucas, vibrantes, densas, fluídas ou transparentes; outras fazem pensar. O que seria da vida sem as 
cores? 

Muitos artistas foram apaixonados pelas cores, mas, um artista usouas como poucos: Vincent Van Gogh. Esse artista exagerava no uso dessas cores. Aliás, para Van Gogh, as cores, as linhas e as formas de um desenho eram apenas um pretexto para expressar emoção:

“Eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores representem as emoções” (Vincent Van Gogh).

Podemos ver que não é a sua vida que explica a sua obra e sim a sua obra que transcende as barreiras de sua própria vida, dando sentido  a  ela.  Van  Gogh  mesmo  sendo  considerado  louco  reformulou  a pintura, teve a capacidade e a sensibilidade para ver o mundo de uma maneira completamente diferente. 

Que valor tem a arte ao pensarmos em Van Gogh? Quais são esses valores? São os mesmos valores de Munch?

Observe com atenção esta obra de Van Gogh:

Essa foi a última obra que Van Gogh pintou. Os trigais são turbulentos e inquietos, podemos ver que o céu apresenta-se escuro e carregado com corvos em revoada.

Assim como as linhas, também as cores expressam muito do que somos e do que sentimos. Por exemplo, o céu em um dia claro, não nos transmite uma sensação diferente de um céu com nuvens carregadas? O que sentimos quando vemos o verde das árvores em um dia de sol e em um dia chuvoso no inverno? Pois é, somos envoltos pelas cores e o mundo, quanto mais iluminado, mais parece colorido. 

Van Gogh sabia disso e, em suas obras, usou e abusou das cores retratando, por meio delas, além de sua alma, as suas emoções.

O Expressionismo das Formas

Na sua opinião existem formas diferentes de representar uma mesma idéia ou uma mesma emoção? Como você representaria, por exemplo, a dor e o sofrimento humano?

Mas, e o que é forma?

“Podemos dizer que a forma é a configuração ou o aspecto dos objetos quando representados em uma obra de arte”. (MARCONDES, 1998, p.121)

Além disso, a forma é figurativa quando representa figuras e objetos e abstrata quando não tem intenção figurativa. Quando usamos a forma abstrata em uma obra, não representamos pessoas ou objetos, mas, mesmo assim podemos “dizer” muita coisa, ou seja, representar algo, pois as formas podem evocar alegria, tristeza, beleza, tranqüilidade, agitação, dinamicidade, conflitos, soluções, representar a vida humana.

Fonte: SEED
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