República Velha - República Oligárquica - Questões de Vestibulares


1. (Pucrj 2016)  Sobre o período da Primeira República (1889-1930), é CORRETO afirmar que:
a) os temas da nação e da cidadania ganharam centralidade na Constituição de 1891, havendo atenção aos problemas sociais e à participação política, com leis trabalhistas e extensão significativa do direito ao voto.   
b) a violência e o risco de fraude nas eleições eram reduzidos - assim como a barganha política, a venda de votos e a dependência a chefes locais, havendo combate dos expedientes ilícitos pelo Estado.   
c) havia um Estado forte e centralizador que limitava a autonomia do poder estadual e garantia o controle sobre a produção e comercialização dos principais produtos agrícolas brasileiros.   
d) havia uma ordem liberal e uma organização federativa, o domínio político das oligarquias estaduais e a força dos coronéis nos municípios, além de uma participação eleitoral restrita.   
e) houve a rejeição do capital externo na promoção da urbanização das cidades brasileiras e também o incentivo estatal à industrialização, que superou a fragilidade de uma economia outrora dependente da agroexportação.   
  
2. (Uece 2016)  Atente ao seguinte excerto: “Em 1912, o governador do Estado de Santa Catarina, Vidal Ramos, advertia: ‘Nossos caboclos do mato são fáceis de se fanatizar, e se for exato o que se ouve, é necessária a ação enérgica’. Ele considerava perigoso para o poder local o ajuntamento de sertanejos pobres em torno do Curandeiro José Maria”.
MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado: a formação e atuação de chefias caboclas (1912-1916). Campinas: Editora da Unicamp, 2004.

Sobre o excerto acima, é correto afirmar que
a) se refere à Guerra do Contestado, que, para a imprensa e autoridades militares, era uma reedição do fanatismo de Canudos.   
b) faz menção ao Movimento do Contestado, que foi um movimento religioso, com características messiânicas, no qual só ingressavam meninas virgens e meninos puros, para a construção de uma Nova Jerusalém.   
c) trata do Movimento do Contestado, cujo líder foi José Maria, um missionário franciscano alemão que atuou no Planalto Catarinense entre 1890 e 1930.   
d) faz referência à Guerra do Contestado, cuja população envolvida era muito religiosa, louvava a monarquia e o retorno da Casa Real de Bragança ao trono brasileiro.   
  
3. (Pucrs 2016)  A década de 1920 foi um período importante de transição na história política do Brasil Republicano, sendo caracterizada
a) pela exclusão de boa parte das oligarquias regionais no poder central do país, na medida em que os Estados mais importantes economicamente controlavam a Presidência da República.   
b) por uma grande renovação nacional, com a alternância de partidos e de projetos políticos no controle do país, apesar da baixa participação popular nas decisões coletivas.   
c) por uma forte presença dos militares no comando da nação, especialmente dos chamados “tenentes”, cujas revoltas permitiram a ascensão do Exército aos cargos máximos do país.   
d) pela descentralização política, com o federalismo, mas, ao mesmo tempo, por forte concentração administrativa, devido ao controle do Executivo sobre os demais poderes de Estado.   
e) por uma forte ausência de mobilização política das classes trabalhadoras, em virtude da falta de uma agremiação partidária própria, como um Partido Comunista, o qual só será fundado por Luis Carlos Prestes depois de 1930.   
  
4. (Unesp 2016)  Entre os mecanismos que sustentavam o regime político da Primeira República brasileira, pode-se citar
a) a Constituição, que restringia aos chamados homens bons o acesso aos principais postos dos poderes executivo e legislativo.   
b) a política de compromissos, que vinculava os sindicatos de trabalhadores urbanos ao Ministério do Trabalho.   
c) a política do café com leite, que proibia as candidaturas eleitorais de representantes dos estados do Sul e Nordeste.   
d) a política dos governadores, que articulava a ação do governo federal aos interesses das oligarquias locais.   
e) a reforma política, que eliminou o voto censitário e instituiu o sufrágio universal nas eleições parlamentares.   
  
5. (IFBA 2016) Política e cultura andaram muito próximas nos anos 20. Cada uma a seu modo trazia ventos de mudança. (...). Na cultura, o grande evento, sem dúvida, foi a realização da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, (...) que ajudou a projetar uma geração de importantes escritores e artistas, como Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Heitor Villa-Lobos e Guiomar Novais, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Vitor Brecheret.
(Fonte: TEIXEIRA, Francisco M. P. Brasil: História e Sociedade. São Paulo: Ática, 2002. p. 255. Adaptado.)

 No contexto de efervescência político, cultural e ideológico, que marcou o Brasil a partir dos anos de 1920, a Semana de Arte Moderna cumpre o importante papel de:
a) identificar influências artísticas e culturais europeias que estivessem compatíveis com os interesses da burguesia cafeeira brasileira, descontente com as velhas tradições culturais.   
b) buscar uma arte moderna de raízes brasileiras e de compromisso com a nacionalidade, promovendo uma revisão de valores artístico-culturais, de linguagem e conceitos.   
c) estabelecer fóruns de discussões intelectuais, no sentido de garantir o respeito à tradição artística e cultural do país e impedir a adesão às novas tendências das artes que vigoravam na Europa.   
d) substituir os velhos valores artísticos e culturais brasileiros de base nacionalista por outros mais modernos e identificados com o capitalismo dos Estados Unidos, fonte de inspiração para a arte mundial.   
e) romper com a liberdade criadora que ameaçava a tradição artística brasileira, impondo uma unidade na produção artístico-cultural com base na valorização da linguagem e dos velhos conceitos artísticos.   

 
6. (CFTMG 2014) Analise a reprodução do quadro Café, pintado por Cândido Portinari, em 1935.
Nesse quadro, o artista
a) apresenta a força do trabalho coletivo para a produção da riqueza agrícola.
b) evidencia a necessidade do feitor para a fiscalização dos trabalhadores.
c) expõe a imagem idílica do campo para a identificação da mão de obra rural.
d) demonstra a fragilidade humana para a realização de tarefas na colheita.

7. (Fuvest 2014)
A charge satiriza uma prática eleitoral presente no Brasil da chamada “Primeira República”. Tal prática revelava a
a) ignorância, por parte dos eleitores, dos rumos políticos do país, tornando esses eleitores adeptos de ideologias políticas nazifascistas.
b) ausência de autonomia dos eleitores e sua fidelidade forçada a alguns políticos, as quais limitavam o direito de escolha e demonstravam a fragilidade das instituições republicanas.
c) restrição provocada pelo voto censitário, que limitava o direito de participação política àqueles que possuíam um certo número de animais.
d) facilidade de acesso à informação e propaganda política, permitindo, aos eleitores, a rápida identificação dos candidatos que defendiam a soberania nacional frente às ameaças estrangeiras.
e) ampliação do direito de voto trazida pela República, que passou a incluir os analfabetos e facilitou sua manipulação por políticos inescrupulosos.

8. (Unesp 2012) Nunca se viu uma campanha como esta, em que ambas as partes sustentaram ferozmente as suas aspirações opostas. Vencidos os inimigos, vós lhes ordenáveis que levantassem um viva à República e eles o levantavam à Monarquia e, ato contínuo, atiravam-se às fogueiras que incendiavam a cidade, convencidos de que tinham cumprido o seu dever de fiéis defensores da Monarquia.
(Gazeta de Notícias, 28.10.1897 apud Maria de Lourdes Monaco Janotti. Sociedade e política na Primeira República.)

O texto é parte da ordem do dia, 06.10.1897, do general Artur Oscar e trata dos momentos finais de Canudos. Para o militar, o principal motivo da luta dos canudenses era a
a) restauração monárquica, embora hoje saibamos que a rejeição à República era apenas uma das razões da rebeldia.
b) valorização dos senhores rurais, ligados ao monarca, cujo poder era ameaçado pelo crescimento e enriquecimento das cidades.
c) restauração monárquica, que, hoje sabemos, era de fato a única razão da longa resistência dos sertanejos.
d) valorização do meio rural, embora hoje saibamos que Antônio Conselheiro não apoiava os incêndios provocados por monarquistas nas cidades republicanas.
e) restauração monárquica, o que fez com que a luta de Antônio Conselheiro recebesse amplo apoio dos monarquistas do sul do Brasil.

9. (Uerj 2012) Cheio de apreensões e receios despontou o dia de ontem, 14 de novembro de 1904. Muito cedo tiveram início os tumultos e depredações. Foi grande o tiroteio que se travou. Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes barricadas feitas de montões de pedras, sacos de areia, bondes virados, postes e pedaços de madeira arrancados às casas e às obras da avenida Passos.
Jornal do Comércio, 15/11/1904 . Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

O progresso envaidecera a cidade vestida de novo, principalmente inundada de claridade, com jornais nervosos que a convenciam de ser a mais bela do mundo. Era a transição da cidade doente para a maravilhosa.
PEDRO CALMON (historiador / 1902-1985). Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais. A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à:
a) restrição ao comércio popular
b) devastação de áreas florestais
c) demolição de moradias coletivas
d) elevação das tarifas de transporte

10. (Unesp 2012) A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República.
b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas.
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas.
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira.

11. (Uff 2012) A chamada República Velha, no Brasil, também conhecida como “República Oligárquica”, é normalmente caracterizada como um período de amplo acordo entre os grupos dominantes regionais, quase sem fissuras entre os poderosos do país. Um olhar mais cuidadoso, porém, demonstra que, desde o início, as disputas entre esses grupos se fizeram presentes. No início da década de 1920, as frações de classe que dominavam os estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul se aliaram, na disputa pela Presidência da República, para enfrentar o acordo entre São Paulo e Minas Gerais – a política do café com leite. Esse movimento ficou conhecido como
a) Reação Republicana.
b) Convênio de Taubaté.
c) Frente Ampla.

d) União Democrática Nacional.
e) Campanha Civilista.

12. (Ufpa 2012) Acerca da natureza e dinâmica da economia exportadora brasileira durante o Império (1822-1889) e a Primeira República (1889-1930), é correto dizer que
a) a borracha se tornou não somente o principal produto de exportação da região amazônica, mas o segundo produto brasileiro da pauta de exportações, apenas atrás do café, sendo a exportação da borracha uma importante atividade no cenário econômico brasileiro.
b) houve a hegemonia da produção açucareira; o açúcar de cana brasileiro foi beneficiado pela expansão de mercados consumidores europeu e norte-americano, face ao aumento do consumo de cafés, chás e chocolates nos países desenvolvidos. O açúcar de beterraba de origem russa, entretanto, ocupava uma posição cada vez mais secundária.
c) houve o declínio da economia lastreada na cafeicultura por conta do fim da escravidão, uma vez que o trabalho escravo havia sido o suporte da produção do café, tanto que era comum se dizer que “O Brasil era o café, o café era o escravo”; consequentemente o Brasil passou à condição de importador do café de origem africana.
d) não houve qualquer vínculo entre o processo de industrialização brasileiro e a economia agroexportadora, uma vez que a indústria no Brasil surgiu do trabalho e de investimentos de imigrantes europeus recém-chegados e instalados em centros urbanos. Os brasileiros vinculados à economia agroexportadora mantiveram-se, assim, afastados.
e) a economia da borracha, apesar de sua importância na geração de riquezas na região amazônica, teve tal importância restrita ao norte do Brasil, uma vez que entre os principais produtos brasileiros exportados a borracha ficava entre os últimos, por isso mesmo tornou-se incapaz de gerar recursos para a nação como um todo.

13. (Upf 2012) A República Velha (1889-1930) no Brasil teve na chamada “Política dos Governadores” um dos seus elementos mais caracterizadores. O objetivo desta política era:
a) Fortalecer o poder central diante do fortalecimento das oligarquias estaduais.
b) Dissolver as oligarquias rurais, concentrando o poder nos governos estaduais.
c) Promover o fortalecimento da Federação do Brasil, dividindo o poder entre Estados fortes e fracos no país.
d) Enfraquecer as alianças oligárquicas estaduais que comprometessem nas eleições a sucessão presidencial.
e) Harmonizar os interesses dos Estados mais ricos, ao mesmo tempo em que favorecia os objetivos do poder central em relação à política nacional.

14. (Unicamp simulado 2011) A reação popular conhecida como Revolta da Vacina se distinguiu pelo trágico desencontro de boas intenções: as de Oswaldo Cruz e as da população. Mas em nenhum momento podemos acusar o povo de falta de clareza sobre o que acontecia à sua volta. Ele tinha noção clara dos limites da ação do Estado.


(Adaptado de José Murilo de Carvalho, “Abaixo a vacina!”. Revista Nossa História, ano 2, nº 13, novembro de 2004, p. 74.)

A Revolta da Vacina pode ser considerada como uma reação popular contra a ação do Estado porque
a) o povo não se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação, mas contra os meios violentos pelos quais o Estado a executava, demolindo cortiços e expulsando os pobres para os morros.
b) o povo se revoltava contra certas medidas do governo, como a expulsão de moradores e a demolição de cortiços para a abertura de avenidas, e a vacinação obrigatória, realizada com intervenção violenta da polícia.
c) o povo se revoltava contra a ação do Estado, por considerá-la um desrespeito à moral das famílias, embora desejasse a vacinação gratuita e obrigatória.
d) o povo se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação porque essa medida era tomada por um governo ditatorial, que fechou o congresso nacional e ficou conhecido como “república da espada”.

15. (Uerj 2011) Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.
Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910.
In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela Constituição da época.

As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de:
a) hierarquias sociais herdadas do escravismo.
b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército.
c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo.
d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas.

16. (IF 2012) Leia.


O encontro de Rodolfo Cavalcante com Lampião
(Trecho de Cordel)



Foi Virgulino Ferreira
Pobre homem injustiçado
E por isto vingativo
Se tornou um acelerado,
Se a justiça fosse reta
Nem jornalista ou poeta,
O teria decantado.
(...)
Embora seja criança
Com meus 15 anos de idade
Pude ver em Lampião
Vítima da sociedade.
Talvez ele em outro meio
(Posso dizer sem receio)
Era útil à humanidade ! (...)
CAVALCANTE, Rodolfo Coelho. O encontro de Rodolfo Cavalcante com Lampião Virgulino. Salvador: [s.n.], 1973. In: CATELLI Jr, Roberto. História: texto e contexto. São Paulo: Scipione, 2006. p. 499.


Para o autor do Cordel Lampião é uma “vítima da sociedade”. Dentro desta perspectiva histórica, o cangaço é um fenômeno social resultante
a) das alianças firmadas entre jagunços e coronéis no sentido de perpetuar o poder oligárquico no sertão brasileiro.
b) das brigas entre os grandes coronéis, que incentivavam a formação de grupos de cangaceiros para se fortalecerem.
c) dos conflitos entre famílias poderosas, que levavam alguns de seus membros a entrarem no cangaço para eliminar os inimigos.
d) das poucas oportunidades oferecidas aos sertanejos em um contexto social marcado pela exploração oligárquica, pela miséria e pela fome.
e) das disputas políticas entre grupos de jovens sertanejos, que se armavam e lutavam entre si para garantir o domínio de algumas cidades ou região.

17. (Uerj 2012) Observe a foto do grupo de Lampião e Maria Bonita e o mapa que destaca a área do Nordeste brasileiro onde o cangaço se disseminou nas décadas de 1920 e 1930.




O cangaço representou uma manifestação popular favorecida, basicamente, pela seguinte característica da conjuntura social e política da época:
a) cidadania restringida pelo voto censitário
b) analfabetismo predominante nas áreas rurais
c) criminalidade oriunda das taxas de desemprego
d) hierarquização derivada da concentração fundiária


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