Globalização - uma explicação histórica

A globalização acaba divulgando por todo o mundo o modo de vida e de consumo que atende aos interesses do modo capitalista de produção. Como sabemos, o padrão de consumo nos Estados Unidos, nos países da Europa Ocidental, no Japão e na Austrália são bastante elevados.

Mas, quando começou a globalização. Não existe consenso quanto à origem deste fenômeno. Para muitos pensadores, a origem desse processo se encontra na expansão marítima europeia a partir do século XV, também chamada de Grandes Navegações, a qual seria motivada principalmente pela crise do feudalismo e pelo surgimento do capitalismo, cujos interesses obrigaram alguns povos europeus a intensificarem a atividade comercial com outras regiões do globo fora da Europa. 

Outros pensadores afirmam que somente a partir da consolidação do capitalismo como sistema socioeconômico, com seus avanços técnicos na produção e circulação das mercadorias é que as condições para a mundialização da economia teriam se efetivado. Para estes, a globalização iniciou no século XIX, e não no século XV. E para você, quando iniciou a globalização? Qual é a sua opinião?

O fato é que foi com o capitalismo que se estabeleceram as bases para o processo de mundialização da economia. Esse processo se intensificou a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, principalmente com o surgimento das empresas multinacionais, cujas matrizes estavam em paí­ses desenvolvidos e as filiais espalhavam-se por outros lugares do planeta. A partir da década de 70, esse fenômeno acelerou-se com a introdução das novas tecnologias da informação e da produção.

As novas tecnologias contribuíram para a rapidez da produção e da circulação de mercadorias por todo o mundo, característica atual da globalização. No entanto, isso não seria plenamente possível se não fosse pela ação dos países desenvolvidos que, através da ideologia neoliberal, propagam a abertura da economia como solução para o desenvolvimento econômico dos países pobres e, com ela, a melhoria do bem-estar social das populações de todo o mundo. Mas será que isso é verdade?

As polí­ticas neoliberais adotadas em vários países do Sul, sob a orientação ou imposição do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), não se traduziram em bem-estar social de suas populações, pelo contrário, aumentou-se o desemprego, houve perdas salariais e problemas sociais de toda ordem.

Embora a abertura da economia, no caso do Brasil, tenha proporcionado uma modernização tecnológica em alguns setores da economia, tornando-os parte do mercado internacional, isso não se traduziu em melhoria para a população, pois os índices de desemprego continuam altos, e a situação social também não foi alterada.

A modernização tecnológica não é o único fator da concorrência global, as empresas que não se modernizarem para enfrentar a concorrência mundial poderão ter sérios prejuízos ou ir falência. 

A competição entre os trabalhadores torna-se mais acirrada, exigindo maior qualificação e atualização constante para se manter no mercado de trabalho. O desemprego é um dos principais problemas da economia globalizada, atingindo milhares de trabalhadores em todo o mundo e não apenas nos países pobres ou do sul. 

Não só as empresas buscaram novas estratégias para viverem e vencerem no mundo globalizado, mas os países e seus governos também tiveram que buscá-las.

Observa-se que há¡ um esforço em ampliar ainda mais o processo de globalização através de acordos internacionais que buscam eliminar tarifas sobre importação e exportação e outros entraves econômicos para a livre circulação de mercadorias e capitais por todo o mundo; aliado a isto, verifica-se uma tendência de regionalização do espaço geográfico mundial. Essa regionalização se dá¡ através da formação de blocos econômicos, o que se constitui numa estratégia dos Estados Nacionais para enfrentar a dinâmica de uma economia mundializada.

Atualmente existem blocos econômicos organizados e alguns em formação, destacando, em termos de poder econômico e político, três grandes mercados regionais: União Europeia, Nafta (North American Free Trade Agreement) e a Bacia do Pacífico.

A nova ordem internacional que se configura na existência dos grandes blocos de poder emerge após o fim da Guerra Fria, em 1989; entretanto o embrião da União Europeia é bem anterior.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945, o equilíbrio multipolar que existia entre os países europeus (França, Inglaterra, Áustria-Hungria e Itália) cedeu lugar a uma nova configuração geopolítica mundial baseada no confronto bipolar entre Estados Unidos da América (EUA) e a União das Republicas Socialistas Soviéticas (URSS). 

A ordem que emerge do pós-guerra é a de um mundo dividido em dois blocos rivais: o bloco capitalista, formado pelos Estados Unidos e pelos países que se submeteram a sua liderança, tornando-se assim área de influência americana e o bloco dos países socialistas, liderado pela URSS e sob sua influência. O conflito político e econômico entre os dois blocos deu origem a Guerra Fria.

A Europa Ocidental, neste contexto, tornou-se área de influência dos EUA e um dos territórios onde mais se tencionava o conflito Leste-Oeste, entre socialismo e capitalismo. Recebeu dos EUA vultosos recursos (Plano Marshal) para sua reconstrução e recuperação econômica, com o objetivo de evitar uma conversão ao socialismo estatizante como solução para os problemas econômicos e sociais do pós-guerra.

Foi no contexto de Guerra Fria que surgiu a ideia da formação de um bloco econômico europeu a partir da criação da Comunidade do Carvão e do Aço (CECA), tratado assinado em 1951, que tinha como objetivo principal evitar futuras rivalidades entre França e Alemanha.

A ideia de uma exploração conjunta dos minérios situados em territórios da Alemanha e da França poderia evitar novos confrontos bélicos entre as duas potências. Deste acordo inicial, envolvendo França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos, surgiram outros tratados, como o Tratado de Roma, em 1957, que deu origem à Comunidade Econômica Europeia. Muitos outros tratados e acordos foram concebidos e adotados até o tratado de Maastricht, em 1992, que criou a figura jurídica da União Europeia. 
Disponí­vel em SEED
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