Verbos - conjugação, predicação, tempo e modo, vozes - Questões de Vestibulares


1. (Uerj 2014)  
A invasão dos blablablás 

O planeta é dividido entre as pessoas que falam no cinema − e as que não falam. É uma divisão recente. Por décadas, os falantes foram minoria. E uma minoria reprimida. Quando alguém abria a boca na sala escura, recebia logo um shhhhhhhhhhhhh. E voltava ao estado silencioso de onde nunca deveria ter saído. Todo pai ou mãe que honrava seu lugar de educador ensinava a seus filhos que o cinema era um lugar de reverência. Sentados na poltrona, as luzes se apagavam, uma música solene saía das caixas de som, as cortinas se abriam e um novo mundo começava. Sem sair do lugar, vivíamos outras vidas, viajávamos por lugares desconhecidos, chorávamos, ríamos, nos apaixonávamos. Sentados ao lado de desconhecidos, passávamos por todos os estados de alma de uma vida inteira sem trocar uma palavra. Comungávamos em silêncio do mesmo encantamento. (...)

Percebi na sexta-feira que não ia ao cinema havia três meses. Não por falta de tempo, porque trabalhar muito não é uma novidade para mim. Mas porque fui expulsa do cinema. Devagar, aos poucos, mas expulsa. Pertenço, desde sempre, às fileiras dos silenciosos. Anos atrás, nem imaginava que pudesse haver outro comportamento além do silêncio absoluto no cinema. Assim como não imagino alguém cochichando em qualquer lugar onde entramos com o compromisso de escutar.


Não é uma questão de estilo, de gosto. Pertence ao campo do respeito, da ética. Cinema é a experiência da escuta de uma vida outra, que fala à nossa, mas nós não falamos uns com os outros. 1No cinema, só quem fala são os atores do filme. Nós calamos para que eles possam falar. Nossa vida cala para que outra fale.


2Isso era cinema. Agora mudou. É estarrecedor, mas os blablablás venceram. Tomaram conta das salas de cinema. E, sem nenhuma repressão, vão expulsando a todos que entram no cinema para assistir ao filme sem importunar ninguém.
(...) 
Eliane Brum
revistaepoca.globo.com, 10/08/2009.


Isso era cinema.(ref. 2) 


O verbo assume, nesta frase, o sentido específico de indicar um estado de coisas que durava.No entanto, ele assume o sentido específico de indicar uma mudança sem retorno na seguinte reescritura:


a) Isso foi o cinema.  
b) Isso será o cinema.  
c) Isso tem sido o cinema.  
d) Isso teria sido o cinema.   


2. (Unesp 2014)  A questão a seguir focaliza uma passagem do romance Água-Mãe, de José Lins do Rego (1901-1957).


 Água-Mãe 


Jogava com toda a alma, não podia compreender como um jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola nos pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele back1, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o motorista lhe dizia sempre:


— Joca, você aqui não paga.


Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham logo meninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No clube tinha amigos. Havia porém o antigo center-forward2 que se sentiu roubado com a sua chegada. Não tinha razão. Ele fora chamado. Não se oferecera. E o homem se enfureceu com Joca. Era um jogador de fama, que fora grande nos campos da Europa e por isso pouco ligava aos que não tinham o seu cartaz. A entrada de Joca, o sucesso rápido, a maravilha de agilidade e de oportunismo, que caracterizava o jogo do novato, irritava-o até ao ódio. No dia em que tivera que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Viram-no chorando, e por isso concentrou em Joca toda a sua raiva. No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha sido a sua admiração, o seu herói. 


1 Beque, ou seja, o zagueiro de hoje.
2 Centroavante. 
(Água-Mãe, 1974.)
No primeiro parágrafo, predominam verbos empregados no
a) pretérito perfeito do modo indicativo.  
b) pretérito imperfeito do modo indicativo.  
c) presente do modo indicativo.  
d) presente do modo subjuntivo.  
e) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo.   


3. (Uece 2014)  


PORTÃO 
O portão fica bocejando, aberto
para os alunos retardatários.
Não há pressa em viver
nem nas ladeiras duras de subir,
1quanto mais para estudar a insípida cartilha.
Mas se o pai do menino é da oposição,
à 2ilustríssima autoridade municipal,
prima por sua vez da 3sacratíssima
autoridade nacional,
4ah, isso não: o vagabundo
ficará mofando lá fora
e leva no boletim uma galáxia de zeros.
A gente aprende muito no portão
fechado.
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Editora Nova Aguilar:1988. p. 506-507.  


Observe a metáfora que inicia o poema – “O portão fica bocejando” – e o que se diz sobre ela.
I. Essa metáfora empresta ao portão faculdades humanas, constituindo, também uma prosopopeia ou personificação. Por outro lado, essa expressão aceita, ainda, a seguinte leitura: o portão representa metonimicamente a escola, com seus valores criticáveis e seus preconceitos. 
II. O emprego da locução verbal de gerúndio “fica bocejando”, no lugar da forma simples boceja, dá à ação expressa pelo verbo bocejar um caráter de continuidade, de duração.
III. O gerúndio realça a própria semântica do verbo bocejar. 


Está correto o que se afirma em  
a) I, II e III.  
b) I e III apenas.    
c) II e III apenas.    
d) I e II apenas.    


4. (Uece 2014)  O texto a seguir é um excerto retirado do primeiro parágrafo do artigo de opinião “Com um braço só”, escrito por J. R. Guzzo, que trata da corrupção na política. 


1Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana é a tendência de muitas pessoas de só condenar os vícios que não praticam, ou pelos quais não se sentem atraídas. Um caloteiro que não fuma, não bebe e não joga, por exemplo, é frequentemente a voz que mais grita contra o cigarro, a bebida e os cassinos, mas fecha a boca, os ouvidos e os olhos, como 6os três prudentes macaquinhos orientais, quando o assunto é honestidade no pagamento de dívidas pessoais. É a velha história: 2o mal está 4sempre na alma dos outros. Pode até ser verdade, 5infelizmente, quando se trata da política brasileira, em que continua valendo, mais do que nunca, a máxima popular do 3“pega um, pega geral”. 
Extraído do artigo ”Com um braço só”, de J.R. Guzzo. VEJA. 21/08/2013.


Observe com atenção o que se diz sobre o excerto seguinte: 
“Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana é a tendência de muitas pessoas de só condenar os vícios que não praticam, ou pelos quais não se sentem atraídas” (ref.1). 
I. Tender é o verbo correlato de tendência. Indica ação-processo, o que sugere que esse movimento pode não chegar ao ponto previsto.
II. A tendência pode ser somente uma propensão, uma inclinação, uma vocação ou pendor.
III. Na introdução do texto de Guzzo, existe a sugestão de que a tendência mencionada pelo enunciador ultrapassa os limites da simples propensão ou vocação. Ela se realizaria concretamente. 


Está correto o que se diz em
a) I e II apenas.  
b) II e III apenas.  
c) I, II, e III.  
d) I e III apenas.   


5. (CPS 2014)  


Imagine que, após se hospedarem em uma pousada no Pantanal, pai e filho vencedores do concurso recebem as seguintes orientações:
De acordo com a gramática normativa, o texto deve ser preenchido, respectivamente, por
a) estejam ... meia ... levá-los.  
b) estejam ... meio ... levá-los.  
c) estejam ... meio ... levar-lhes.  
d) estejem ... meia ... levá-los.  
e) estejem ... meio ... levar-lhes.   


6. (Insper 2013)  Troque o verbo ou feche a boca 


Rita Lee cantava uma música que dizia "o resto que se exploda, feito Bomba H". Será que na língua culta existe "exploda"? Explodir é verbo defectivo, ou seja, não tem conjugação completa. No presente do indicativo, deve-se conjugá-lo a partir da segunda pessoa do singular (tu explodes, ele explode etc.). Muita gente não sabe da existência dos defectivos e os "conjuga" em todas as pessoas.
(Pasquale Cipro Neto, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/10/10/fovest/8.html)


A alternativa que exemplifica o que foi expresso no último período é
a) Houveram dificuldades na resolução da questão.  
b) Ficaremos felizes se vocês mantiverem a calma.  
c) É preciso fazer contas para que a prestação caiba no orçamento.  
d) Empresário reavê judicialmente a posse de seu imóvel.  
e) Polícia deteu quase 60 torcedores nas imediações do Morumbi.     


7. (Enem 2013)  Novas tecnologias 

Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e “conexão total com o mundo” “fetichizam” novos produtos, transformando-os em objetos do desejo, de consumo obrigatório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado.

Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica de dependência mútua com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento.


Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão, somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados. 
SAMPAIO, A. S. “A microfísica do espetáculo”. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 1 mar. 2013 (adaptado). 


Ao escrever um artigo de opinião, o produtor precisa criar uma base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista defendido. Diante disso, nesse texto, a escolha das formas verbais em destaque objetiva
a) criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que ambos usam as novas tecnologias.  
b) enfatizar a probabilidade de que toda população brasileira esteja aprisionada às novas tecnologias. 
c) indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as pessoas são controladas pelas novas tecnologias.  
d) tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.  
e) demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.    


8. (Insper 2013)  Se, na frase 


“Quando a encontrar, dê o seguinte recado a ela: seu marido acreditou que se prendesse o animal, este não desejaria mais ficar com a família”, os verbos destacados fossem substituídos, respectivamente por “ver”, “crer”, “deter” e “querer”, mantendo o tempo verbal, teríamos:


a) Quando a ver, dê o seguinte recado a ela: seu marido crêu que se detesse o animal, este não quereria mais ficar com a família.
b) Quando a ver, dê o seguinte recado a ela: seu marido creu que se detivesse o animal, este não quereria mais ficar com a família.  
c) Quando a vir, dê o seguinte recado a ela: seu marido creu que se detivesse o animal, este não quereria mais ficar com a família.  
d) Quando a ver, dê o seguinte recado a ela: seu marido creou que se detesse o animal, este não queria mais ficar com a família. e) Quando a vir, dê o seguinte recado a ela: seu marido crêu que se detivesse o animal, este não queria mais ficar com a família.  


9. (Espcex (Aman) 2013)  Em “Embarcaremos amanhã, então, vimos dizer-lhe adeus, hoje”, a alternativa que classifica corretamente a conjugação modo-temporal do verbo destacado no fragmento é
a) Pretérito Perfeito do Indicativo  
b) Futuro do Presente do Indicativo  
c) Presente do Indicativo  
d) Imperativo Afirmativo  
e) Pretérito Imperfeito do Indicativo   


10. (Espcex (Aman) 2013)  Assinale a alternativa que contém a classificação do modo verbal, dos verbos grifados nas frases abaixo, respectivamente. 


— Esse seu lado perverso, eu o conheço faz tempo.
— Anda logo, senão chegarás só amanhã.
— Se você chegar na hora, ganharemos um tempo precioso.
— Acabaríamos a tarefa hoje, se todos ajudassem.  


a) indicativo – imperativo – subjuntivo – subjuntivo – indicativo – subjuntivo – indicativo  
b) subjuntivo – indicativo – indicativo – subjuntivo – indicativo – subjuntivo – indicativo  
c) subjuntivo – imperativo – indicativo – infinitivo – indicativo – subjuntivo – indicativo  
d) indicativo – imperativo – indicativo – subjuntivo – indicativo – indicativo – subjuntivo  
e) indicativo – subjuntivo – indicativo – subjuntivo – indicativo – subjuntivo – subjuntivo   



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