O encontro entre o novo e o velho mundo - União Ibérica

O genovês Cristóvão Colombo chegou a América, em 1492, a serviço da Coroa espanhola. Um “Novo Mundo” era “descoberto” pelos espanhóis, enquanto os portugueses conquistavam o Oriente. Mas, Portugal, para garantir uma parte desse “Novo Mundo”, recorreu ao Tratado de Toledo, acordo firmado com a Espanha em 1488. Como resultado, os dois países ibéricos firmaram o Tratado de Tordesilhas, em 1492, no qual eles dividiam a América. Em 1498, o português Duarte Pacheco Pereira navega o litoral brasileiro rumo ao norte e chega a navegar o rio Amazonas, ainda nesse mesmo ano.

Em janeiro de 1500, Vicente Iañes Pinzon visitou o estuário do Amazonas, entrando em contato com as “drogas do sertão”. Pinzon batizou o rio de Santa Maria De La Mar Dulce.

As expedições à Amazônia

O capitalismo vivido na naquela época, no dizer de Eduardo Hoornaert, era um mito grandioso de descobertas, pois essa era a prática do mercantilismo. E foi assim que as notícias sobre o enriquecimento fácil no “Novo Mundo” chegavam à Europa. Várias expedições saíram do “Velho” para o “Novo Mundo” na iminência de encontrar riqueza fácil na América. Dessas expedições, muitas se voltaram para a conquista da Amazônia, em busca do El Dorado e do País da Canela.

Pedro de Candia e Pedro de Anzurey de Camporrendondo tentaram explorar, em 1533, respectivamente, o Madre de Dios e o Beni. Em abril de 1539, Allonso de Alvarado fundou o que hoje é o Chachapoyos, no vale do Marañon.

A Expedição de Gonzalo Pizarro e Francisco de Orellana (1541–1542)

A primeira expedição que navegou todo o rio Amazonas foi organizada por Gonzalo Pizarro, governador de Quito e irmão de Francisco Pizarro. Intentava conquistar o El Dorado e o País da Canela. Essa expedição foi composta por índios dos Andes, espanhóis de origens sociais diversas: nobres, militares e degredados.

A expedição partiu de Quito e, após uma árdua luta contra o meio ambiente e com o tempo, devido a chuvas constantes, chegou ao povoado de Zimaco, nas proximidades do rio Coca, onde encontraram o País da Canela. A região era farta de canela, mas as árvores eram dispersas, não compensando a atividade de exploração para o mercado. Passado um período de três meses, faltaram alimentos e, em função da insalubridade da região, muitos morreram. Comeram cães, cavalos, ervas desconhecidas e algumas venenosas.

O comandante Gonzalo Pizarro era implacável, quando chegava às aldeias e perguntava sobre o El Dorado e os índios não lhe sabiam responder, não poupava uma só vida. Mandava queimar os aborígines vivos ou os jogavam aos cães, que dilaceravam-lhes as carnes. Pizarro mandou construir um bergantim e colocou Francisco de Orellana como comandante e frei Gaspar de Carvajal como relator. A partir desse momento, a viagem ganhou nova dimensão: foram descobertos os caudais que engrossam o rio Amazonas, batizado de o rio de Orellana, tanto pela direita quanto pela esquerda.

Orellana batizou o rio Negro, após entrar em contato com esse rio, em 3 de junho, e o rio Madeira, em 10 de junho. Em 22 de junho de 1541, quase na foz do Nhamundá, aproximou-se da margem do rio para abastecer a expedição e foi violentamente atacado pelas lendárias Amazonas. Segundo o relator Gaspar de Carvajal, as mulheres eram brancas e altas, com abundantes cabeleiras e de membros desenvolvidos; vestiam-se com pequenas tangas. Na realidade, a expedição foi atacada pelos índios tapajós. Após essa luta, a expedição chegou ao Atlântico; Orellana partiu para a Espanha.

A Expedição de Pedro de Úrsua e Lopo de Aguirre (1560-1561).

A presença de desocupados, saqueadores, assassinos e outras escórias era muito grande na América. Eles eram enviados da Espanha. Para resolver esse problema social e político, o governador e vice-rei Andrés Hurtado de Mendonza decidiu utilizar-se dessa gente na jornada de conquista do El Dorado e dos omáguas.

O governador passou a responsabilidade da empreitada a Pedro de Úrsua, que partiu de Lima, no Peru, rumo ao Atlântico. Pedro de Úrsua trouxe em sua companhia a mestiça Ignez Atienza para lhe dar auxílio. Viúva, D.Ignez despertava paixões entre os tripulantes.

Os descontentes acusavam-na de absoluta ascendência sobre o chefe. Esse foi o estopim do conflito no interior da expedição, resultando na morte do comandante Pedro de Úrsua. Em outubro 1560, a expedição alcançou o Marañon; em seguida, entrou em contato com as províncias de Machifaro e Iurimágua, no Solimões.

Os soldados conjurados foram chefiados por Lopo de Aguirre, segundo os relatos de Francisco Vasquez, do capitão Altamirano e de Pedraria de Almesto, que participaram da expedição. A expedição atingiu o Atlântico, em julho de 1561.


A União Ibérica

Em 1578, o rei de Portugal, D. Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, travada contra os árabes, no norte da África. A morte do monarca português gerou um problema dinástico no país, pois o rei não possuía nenhum descendente para substituí-lo. Inicialmente, o trono foi ocupado pelo seu tio-avô, o cardeal D. Henrique. Mas, com a morte deste, em 1580, o problema continuou. Filipe II apresentou-se como candidato legítimo ao trono português, pois era neto do antigo rei português D. Manuel I, o Venturoso. A atitude de Filipe II provocou forte resistência dos nacionalistas portugueses, que não queriam a anexação de seu país à Espanha. As tropas espanholas invadiram Portugal, obtendo uma série de vitórias, e impuseram como rei Filipe II, cujo governo foi legalizado em 1581 nas Cortes de Tomar.

O Juramento de Tomar

Filipe II da Espanha, ou Filipe I de Portugal, assumiu vários compromissos pelo Juramento de Tomar com relação ao reino luso, entre eles:


- Autonomia do país;
- Funcionários portugueses nas Cortes;
- Comércio das colônias sob o monopólio Português;
- Língua e moeda portuguesas como oficiais.
Os Portugueses na Amazônia

A presença dos portugueses na Amazônia está vinculada ao processo de expansão do movimento bandeirante, que propiciou a expansão dos domínios lusos na América durante a União Ibérica. Os portugueses chegaram pelo nordeste, partiram de Pernambuco e, no Maranhão, chocaram-se com os franceses, já haviam fundado a cidade de São Luís, em 1612. Na Amazônia, os holandeses, os ingleses e os alemães já haviam fundado feitorias. O bandeirante Francisco Caldeira Castelo Branco, em 1616, após a expulsão dos franceses fundou o Forte do Presépio de Belém, iniciando o processo de ocupação da Amazônia.

Os missionários foram responsáveis pela catequização dos indígenas. Para essa tarefa, recebiam a côngrua. Os irmãos leigos Domingos de Brieba e André de Toledo, dedicados à tarefa de “docilizar” os “gentios”, partiram rumo ao território amazônico, em 17 de outubro de 1636, e chegaram a Belém em 5 de fevereiro de 1637.

A Administração Colonial


A anexação da Amazônia ao Estado português ocorreu num período em que se desenvolvia a colonização do Brasil. A distância entre a Amazônia e o Brasil criava dificuldades administrativas. Daí é que a organização administrativa da região foi concebida da seguinte forma:

Estado do Maranhão – Criado em 1621 por Filipe II, com capital em São Luís e ligado a Lisboa. A região administrada por essa unidade administrativa se estendia do Ceará ao atual Estado do Amazonas. Essa organização administrativa foi extinta em 1652.

Estado do Maranhão e Grão-Pará – Constituía a administração da mesma unidade territorial anterior. Em 1737, a sede dessa nova administração passou a ser Belém.

Estado do Grão-Pará e Maranhão (1751-1772) – Constituía uma organização administrativa cuja sede passou definitivamente para Belém. Em 1772, foi desmembrada em duas unidades: Maranhão e Piauí; Grão-Pará e Rio Negro. Em 1823, a Amazônia foi anexada ao Brasil, como região norte, pelas tropas do almirante inglês John Pascoe Greenfel, que estava a serviço de D. Pedro I.

A Expedição de Pedro Teixeira

A expedição de Pedro Teixeira foi organizada por Jácome de Noronha (1637-1638), após a expedição de Brieba e Toledo que lhe deram as informações necessárias. Em 27 de outubro de 1637, a expedição partiu de Cametá e subiu o rio Amazonas. Os relatos foram feitos pelos padres Cristóbal de Acuña e Alonso de Rojas.

O relato de Alonso de Rojas, intitulado “Descobrimento do Rio Amazonas”, junto com o relato do padre Cristóbal de Acuña, “Descobrimento Del Grand Rio de la Amazonas”, surpreendem pela precisão dos dados técnicos sobre a largura, a profundidade e o comprimento do rio; as sugestões de aproveitamento das terras que o margeiam, assim como a construção de fortalezas em pontos estratégicos. As crônicas enfatizam a densidade populacional às margens do grande rio e dos tributários, informa sobre a diversidade linguística, as habitações asseadas, a alimentação farta, os feiticeiros temidos e a inexistência de templos, ritos e cerimônias religiosas.

A expedição de Pedro Teixeira abriu as comunicações com Quito, provando-as exequíveis; tornou o trecho entre os Andes e o Atlântico conhecido, possibilitando, dessa forma, o domínio português. Do ponto de vista geopolítico, a expedição contribuiu para a reforma territorial, até então determinada pelo Tratado de Tordesilhas.
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