Historiografia e Teoria da História - Questões de Vestibulares

1. (Ufrgs 2016) Leia o segmento abaixo.

Nossa história colonial não se confunde com a continuidade do nosso território colonial.
ALENCASTRO, L.F. O trato dos viventes; formação do Brasil no Atlântico sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 9.

Considerando a história brasileira, assinale a alternativa correta.
a) A realidade territorial do Brasil foi definida exclusivamente em tratados diplomáticos, estabelecidos durante os conflitos entre Portugal e Espanha.   
b) A compreensão da história brasileira exige o entendimento das relações sociais e econômicas, mantidas pelos colonos com a África e com a Europa.   
c) A história da formação do Brasil é independente da relação comercial entre as diversas regiões do território brasileiro.   
d) A ocupação da zona litorânea e a do interior do Brasil foram simultâneas.   
e) O território do Brasil colonial é desimportante para o estudo da história brasileira.   
  
2. (Pucsp 2016) “As fugidias confissões que os inquisidores tentavam arrancar dos acusados proporcionam ao pesquisador atual as informações que ele busca – claro que com um objetivo totalmente diferente. Mas, enquanto lia os processos inquisitoriais, muitas vezes tive a impressão de estar postado atrás dos juízes para espiar seus passos, esperando, exatamente como eles, que os supostos culpados se decidissem a falar das suas crenças.”
Carlo Ginzburg. O fio e os rastros. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 283-284. Adaptado.

O texto aponta semelhanças entre a expectativa do inquisidor, que colhia os depoimentos daqueles que eram julgados pelo Santo Ofício, e a expectativa do pesquisador, que, séculos depois, analisa os processos inquisitoriais. O “objetivo totalmente diferente” de cada um deles pode ser assim caracterizado:
a) enquanto o inquisidor desejava salvar a alma do acusado, por meio da expiação de seus pecados, o pesquisador consegue descobrir, no depoimento, a verdade completa e absoluta sobre o período.   
b) enquanto o inquisidor ampliava os limites da fé cristã, ao perdoar os erros do acusado, o pesquisador consegue identificar a fé superior do membro da Igreja e os pecados cometidos pelos réus.   
c) enquanto o inquisidor pretendia obter, do acusado, uma confissão ou o reconhecimento de culpa, o pesquisador deseja encontrar, no processo, indícios que o ajudem a compreender aquela experiência histórica.   
d) enquanto o inquisidor assumia uma atitude de tolerância e respeito perante o acusado, o pesquisador penetra indevidamente na intimidade dessas duas pessoas.   
  
3. (Upe-ssa 1 2016) A Europa é uma criação feita diante do outro. Suas fronteiras são culturais e se opõem em três ao que não é Europa: a Ásia, os Árabes, que assediam a Europa, primeira frente antieuropeia; o ‘leste’ sempre indefinido; e finalmente o Oceano”.
FEBVRE, Lucien. A Europa – gênese de uma civilização. Bauru: Edusc, 2004, p. 118-121. (Adaptado)


O trecho acima representa certa historiografia europeia, que se caracteriza pelo
a) Multiculturalismo – valoriza as contribuições das diversas populações na criação da civilização europeia.   
b) Orientalismo – entende o Oriente como uma criação pacífica e igualitária do Ocidente.   
c) Eurocentrismo – entende a Europa como centro da civilização, ameaçada pela barbárie e obrigada a expandir os limites da Humanidade.   
d) Humanismo – percebe uma mesma essência em todas as manifestações do gênio humano, disfarçada por elementos culturais diversos.   
e) Materialismo Histórico – privilegia os elementos econômicos sobre os culturais e políticos.   

4. (Udesc 2015) “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja menos vão esgotar-se em compreender o passado se nada se sabe do presente.”
Marc Bloch. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, p. 65.

Assinale a alternativa que contém a definição de história mais coerente com a citação do historiador Marc Bloch.
a) A História é a ciência que resgata o passado para explicar o presente e fazer previsões sobre o futuro.   
b) A História é uma ciência que visa promover o entretenimento dos expectadores do presente e um conhecimento inútil sobre o passado.   
c) A História é, tal como a literatura, uma narrativa sobre o passado determinada pela imaginação do historiador.   
d) A História é a ciência que se refugia no passado para não compreender as questões do presente.   
e) A História é uma ciência que formula questões sobre o passado a partir de inquietações e experiências vividas no presente.   

5. (Upe 2014) A cultura material estudada pelo arqueólogo insere-se, sempre, em um contexto histórico muito preciso e, portanto, o conhecimento da história constitui aspecto inelutável da pesquisa arqueológica. Assim, só se pode compreender a cerâmica grega se conhecermos a história da sociedade grega, as diferenças entre as cidades antigas, as transformações por que passaram. 
(FUNARI, Pedro Paulo. Arqueologia. São Paulo: Contexto, 2003. p. 85.)

Com base nas afirmações acima, assinale a alternativa CORRETA.
a) A Arqueologia, diferentemente da História, concentra seus estudos na análise da cultura material, negligenciando fontes escritas e orais.  
b) A relação interdisciplinar entre a Arqueologia e a História é apresentada no texto como um fator essencial na análise da cultura material.  
c) Os estudos arqueológicos pouco retratam as sociedades pré-históricas tendo em vista a ausência de fontes não materiais sobre esses povos.  
d) A arqueologia não contribuiu para o estudo de regiões africanas como o Sudão e o Egito, tendo em vista a exclusividade da análise das tradições orais no estudo dessas sociedades.
e) História e Arqueologia só constroem uma relação interdisciplinar nos estudos sobre a pré-história e a antiguidade, em que a análise da cultura material é o cerne das pesquisas.     

6. (Upe 2014) Existe em todo historiador, em toda pessoa apaixonada pelo arquivo uma espécie de culto narcísico do arquivo, uma captação especular da narração histórica pelo arquivo, e é preciso se violentar para não ceder a ele. Se tudo está arquivado, se tudo é vigiado, anotado, julgado, a história como criação não é mais possível: é então substituída pelo arquivo transformado em saber absoluto, espelho de si. Mas se nada está arquivado, se tudo está apagado ou destruído, a história tende para a fantasia ou o delírio, para a soberania delirante do eu, ou seja, para um arquivo reinventado que funciona como dogma. 
(ROUDINESCO, Elisabeth. A análise e o arquivo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 09.)

Refletindo sobre o historiador e sua relação com os arquivos, o texto nos mostra que
a) todo conhecimento histórico se encerra dentro dos arquivos, e o historiador é um mero reprodutor de documentos oficiais.  
b) só por meio do arquivo, no século XXI, ele pode retratar o passado tal qual foi.  
c) essa relação é ambivalente, e, ao mesmo tempo em que ele necessita do arquivo para legitimar sua narrativa, deve ter o cuidado de não transformá-lo num saber absoluto.  
d) no seu trabalho, é melhor a ausência de arquivo que o excesso.  
e) todo conhecimento histórico é produzido sem necessidade dos arquivos.   

7. (Ufu 2012) A pintura e a escrita em latim eram práticas das elites artísticas e intelectuais indígenas no processo de conquista e colonização da América. O estudo de tais práticas permite, assim, analisar aspectos da participação dessas elites naquele período histórico.
Texto 1

Na metade do século XVI, um pintor nativo mexicano, batizado Juan Gerson, criou um extraordinário ciclo de pinturas para a igreja franciscana de Tecamachalco, no atual estado de Puebla. O ciclo representa os eventos bíblicos do Apocalipse, no formato oval, pintados em papel amate, tradicionalmente usado pelos mexicas. 
PERRY, Richard. Mexico’s fortress monasteries. Espadana, 1993. Trecho disponível em: <http://www.colonial-mexico.com/PueblaTlaxcala/apocalypse.html, com acesso em 05/07/2012>. Acesso em: 3 jul, 2012. (adaptado)

Texto 2

Os espanhóis, assustados de ver os progressos da adoção da escrita em latim entre os índios, escreviam já na década de 1540: “Os índios têm escritores tão bons e tão numerosos que não sei dizer o número deles, e esses escritores redigem cartas que os colocam a par de todos os negócios do país de um mar a outro, o que antes da Conquista era coisa impossível.” 
GRUZINSKI. Serge. O Renascimento ameríndio. In. NOVAES, Adauto. A outra margem do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 294. adaptado)

As informações sobre as práticas artísticas e intelectuais da elite indígena no processo de conquista e colonização da América evidenciam
a) a mistura de elementos artísticos e culturais da tradição indígena e da cultura ocidental na sociedade colonial em construção.
b) a dificuldade espanhola em impedir o acesso à formação acadêmica e artística dos índios que se projetaram no cenário artístico europeu.
c) o poder da Igreja de destruir a cultura e a religião indígenas no processo de cristianização e ocidentalização da América.
d) o potencial civilizador europeu, que permitiu retirar da barbárie e do paganismo populações até então isoladas da civilização. 

8. (Ufg 2012) Analise a imagem e leia os artigos da Lei n. 4897 a seguir.
 
As sucessivas representações sobre Tiradentes exemplificam o fenômeno de apropriação do passado, tal como se observa na pintura, elaborada no início da República, e na lei, promulgada durante o regime militar. Essas apropriações, em suas épocas, objetivavam 
a) referendar o caráter religioso da Inconfidência.
b) unir a sociedade contra os ideais estrangeiros.
c) justificar a ação inconfidente contra o governo.
d) enfatizar o sacrifício individual em prol da nação.
e) destacar o caráter violento da história nacional. 

9. (Unicamp 2011) A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas.

A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência.
(Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: AlfaÔmega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.0)

As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como 
a) materialismo histórico, que compreende as sociedades humanas a partir de ideias universais independentes da realidade histórica e social.
b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção.
c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio de uma revolução e a implantação de uma ditadura do proletariado.
d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo, com o fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da ação direta.

10. (Ufu 2011) [...] devia ser um ponto capital para o historiador reflexivo mostrar como no desenvolvimento sucessivo do Brasil se acham estabelecidas as condições para o aperfeiçoamento de três raças humanas [...].
MARTIUS, Carl F. Ph. von. “Como se deve escrever a História do Brasil”. In: _____. O estado de direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1982. p. 89.

Considerando o texto, escrito por von Martius e publicado em 1845 pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, assinale a alternativa correta.
a) O autor demonstra que o branco português não obteve participação tão significativa na formação histórica do Brasil quanto o africano ou o indígena.
b) O autor procura, em uma perspectiva evolutiva da humanidade, demonstrar que a história do Brasil é o resultado do cruzamento gradativo entre brancos, indígenas e africanos.
c) O aperfeiçoamento das três raças no Brasil é resultado de um conjunto de políticas de branqueamento populacional, ao mesmo tempo em que se extinguem as populações africanas e indígenas.
d) O branco teria que aprender a cultura e a língua do indígena para sobreviver no Brasil, assim como deveria aprender a cultura do trabalho com o africano para desenvolver-se economicamente.

11. (Ufsm 2011) Leia os textos:

Texto I

"A intensa radiação solar na região equatorial é responsável direta pelas altas taxas de evaporação da água de sua superfície, levando à formação de massas de ar quente e úmido que condicionam os altos índices pluviométricos observados. Assim, elevadas temperaturas, intensa radiação solar e muita chuva caracterizam o clima das regiões tropicais e nos fazem entender as luxuriantes formações florestais e as riquezas dos recifes de corais típicos dessas latitudes. Esses fatores reunidos explicam, ainda, a elevada produtividade associada aos referidos ecossistemas." 
UZUNIAN & BIRNER. Biologia. São Paulo: Harbra, 2007. p.820.

Texto II

"É seguramente fácil encontrar casos de correlação íntima entre um fato geográfico e um fato social. A contiguidade* de duas regiões, planície e montanha, onde a ordem dos trabalhos não é a mesma e onde as colheitas amadurecem em datas diferentes, torna disponíveis os trabalhadores que alugarão periodicamente seus braços. A presença de uma grande cidade faz nascer à sua porta cultivos especiais, associados a hábitos igualmente especiais, como o dos horticultores. A ocorrência bem localizada de um produto de primeira necessidade pode engendrar consequências sociais e políticas." 
VIDAL DE LA BLANCHE, Paul. As condições geográficas dos fatos sociais. 
http://www4.fct.unesp.br/raul/saude_ambiental/condicoes_geograficas_faros_sociais.pdf

*contiguidade = proximidade, vizinhança.

O desenvolvimento das ciências neste século XXI oferece uma variedade de explicações sobre os processos que envolvem as relações entre os seres humanos e os ecossistemas.

A História, ciência social, na medida em que estabelece o diálogo e o debate com os demais campos do conhecimento científico, pode confrontar explicações e buscar novas e mais abrangentes formas de entender o conjunto dos processos que envolveram as ações humanas ao longo do tempo e nos diversos espaços.
Como se pode perceber, através das informações da Biologia e da Geografia nos textos apresentados, essa abertura é possível e necessária, porque a História é uma ciência cada vez mais
a) pragmática.
b) experimental.
c) teórica.
d) interdisciplinar.
e) factual.

12. (Upe 2011) A História é uma área do conhecimento, que sofreu várias inovações metodológicas no século XX. Essas inovações provocaram mudanças que estão ligadas à eclosão da Escola dos Annales. Nessa perspectiva, é correto afirmar que
a) a Escola dos Annales reafirmou os postulados positivistas, reforçando uma história política como a única perspectiva de análise da sociedade.
b) a produção cultural humana assim como as mentalidades, o imaginário, o cotidiano e a cultura popular foram vistos como novos interesses de estudo dos historiadores.
c) a análise econômica desaparece da pauta de temáticas estudadas pela História após o advento dos Annales.
d) a única preocupação dos historiadores influenciados pelo pensamento dos Annales se refere à cultura.
e) não existem ainda hoje ecos do pensamento dos Annales nos estudos sobre a história do Brasil.

13. (Enem 2010) Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa república que já se viu na América Latina, a do Paraguai.
CHIAVENATTO, J. J. Genocídio americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado).

O imperialismo inglês, "destruindo o Paraguai, mantém o status o na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre".

Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria tem alguma repercussão.
(DORATIOTO. F. Maldita guerra: nova historia da Guerra do Paraguai. São Paulo: Cia. das Letras, 2002 (adaptado).

Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que ambas estão refletindo sobre
a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais motivos dessa Guerra.
b) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra.
c) o resultado das intervenções britânicas nos cenários de batalha.
d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre os motivos dessa Guerra.
e) o nível de crueldade das ações do exército brasileiro e argentino durante o conflito.

14. (Ufc 2010) “A maneira como os indivíduos manifestam sua vida reflete exatamente o que são. O que eles são coincide, pois, com sua produção, isto é, tanto com o que eles produzem quanto com a maneira como produzem. O que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais da sua produção.”
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 13.

Com base nessa citação do livro A ideologia alemã, que trata da teoria marxista para a interpretação da sociedade, é correto afirmar que:
a) o capitalismo teve origem no modo de produção socialista, a partir de uma revolução burguesa.
b) o capitalismo teve origem em ideias religiosas, a partir do Renascimento, e no crescimento da burguesia.
c) a produção de ideias na vida social, no decorrer da história, está separada da produção da vida material.
d) a perspectiva de análise marxista examina a sociedade levando em consideração as relações sociais estabelecias no modo de produção.
e) o pensamento marxista surgiu no início da revolução francesa, com a defesa da igualdade e da fraternidade entre todos os seres humanos.

15. (Ufg 2010) As pinturas rupestres são evidências materiais do desenvolvimento intelectual dos seres humanos. Embora tradicionalmente estudadas pela Arqueologia, elas ajudaram a redefinir a concepção de que a História se inicia com a escrita, pois
a) funcionam como códices velados de uma comunidade à espera de decifração.
b) expressam uma concepção de tempo marcada pela cronologia.
c) indicam o predomínio da técnica sobre as forças da natureza.
d) atestam as relações entre registros gráficos e mitos de origem.
e) registram a supremacia do indivíduo sobre os membros de seu grupo.

16. (Unesp 2010) A Ilíada, de Homero, data do século VIII a.C. e narra o último ano da Guerra de Troia, que teria oposto gregos e troianos alguns séculos antes. Não se sabe, no entanto, se esta guerra de fato ocorreu ou mesmo se Homero existiu. Diante disso, o procedimento usual dos estudiosos tem sido:
a) desconsiderar os relatos atribuídos a Homero, pois não temos certeza de sua procedência, nem se eles nos contam a verdade sobre o passado grego.
b) identificar na obra, apesar das dúvidas, características da sociedade grega antiga, como a valorização das guerras e a crença na interferência dos deuses na vida dos homens.
c) desconfiar de Homero, pois ele era grego e assumiu a defesa de seu povo, abrindo mão da completa neutralidade que todo relato histórico deve ter.
d) acreditar que a Guerra de Troia realmente aconteceu, pois Homero não poderia ter imaginado tantos detalhes e personagens tão complexos como os que aparecem no poema.
e) descartar o uso da obra como fonte histórica, pois, mesmo que a guerra tenha ocorrido, a Ilíada é um relato literário e não foi escrita com rigor e precisão científica.

17. (Ufg 2010) Leia o texto a seguir.

Origens do regime feudal, diz-se. Onde buscá-las? Alguns responderam em “Roma”. Outros “na Germânia”. As razões dessas miragens são evidentes […]. Das duas partes, sobretudo, eram empregadas palavras – tais como “benefício” (beneficium) para os latinos, “feudo” para os germanos – das quais essas gerações persistiram em se servir, ainda que lhes conferindo, sem se dar conta, um conteúdo quase inteiramente novo. Pois, para o grande desespero dos historiadores, os homens não têm o hábito, a cada vez que mudam o costume, de mudar de vocabulário.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar. p. 58. (Adaptado).

Neste fragmento, Marc Bloch discute de que forma os historiadores lidam com a questão das origens, indicando que a
a) origem dos fenômenos históricos deve ser buscada no encadeamento dos acontecimentos, o que confere à História um sentido de continuidade.
b) origem é o ponto de partida da mudança que demarca a ruptura com as formas históricas precedentes.
c) ideia de origem desconsidera a cronologia, ferramenta metodológica que concede sentido à explicação histórica.
d) busca da origem dos fenômenos históricos encobre a relação entre as forças de conservação e de mudança que compõem a vida social.
e) origem dos fenômenos históricos pode ser encontrada na permanência dos costumes e do uso do vocabulário.

18. (Enem 2010)

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis. 
Arrastaram eles os blocos de pedra? 
E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes? 
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores? 
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta? 
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo. 
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?
BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que lê.
Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.

Partindo das reflexões de um trabalhador que lê um livro de História, o autor censura a memória construída sobre determinados monumentos e acontecimentos históricos.
A crítica refere-se ao fato de que
a) os agentes históricos de uma determinada sociedade deveriam ser aqueles que realizaram feitos heroicos ou grandiosos e, por isso, ficaram na memória.
b) a História deveria se preocupar em memorizar os nomes de reis ou dos governantes das civilizações que se desenvolveram ao longo do tempo.
c) grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram.
d) os trabalhadores consideram que a História é uma ciência de difícil compreensão, pois trata de sociedades antigas e distantes no tempo.
e) as civilizações citadas no texto, embora muito importantes, permanecem sem terem sido alvos de pesquisas históricas.

19. (Enem simulado 2009) A Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desenvolveu o projeto “Comunidades Negras de Santa Catarina”, que tem como objetivo preservar a memória do povo afrodescendente no sul do País. A ancestralidade negra é abordada em suas diversas dimensões: arqueológica, arquitetônica, paisagística e imaterial. Em regiões como a do Sertão de Valongo, na cidade de Porto Belo, a fixação dos primeiros habitantes ocorreu imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil. O Iphan identificou nessa região um total de 19 referências culturais, como os conhecimentos tradicionais de ervas de chá, o plantio agroecológico de bananas e os cultos adventistas de adoração.
Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=14256&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia>. Acesso em: 1 jun. 2009. (com adaptações).

O texto acima permite analisar a relação entre cultura e memória, demonstrando que
a) as referências culturais da população afrodescendente estiveram ausentes no sul do País, cuja composição étnica se restringe aos brancos.
b) a preservação dos saberes das comunidades afrodescendentes constitui importante elemento na construção da identidade e da diversidade cultural do País.
c) a sobrevivência da cultura negra está baseada no isolamento das comunidades tradicionais, com proibição de alterações em seus costumes.
d) os contatos com a sociedade nacional têm impedido a conservação da memória e dos costumes dos quilombolas em regiões como a do Sertão de Valongo.
e) a permanência de referenciais culturais que expressam a ancestralidade negra compromete o desenvolvimento econômico da região. 

20. (Ufpa 2013) “Os judeus tinham que usar uma estrela amarela, [...] tinham que entregar as bicicletas, [...] não podiam andar de bonde, [...] ficavam proibidos de dirigir automóveis.[...] só podiam fazer compras das três às cinco horas e só em casas que tivessem placa dizendo ‘casa israelita’. Os judeus deviam recolher-se às suas casas às oito da noite [...]. Ficavam proibidos de ir a teatros, cinemas e outros lugares de diversão.”
FRANK, Anne. Diário de uma jovem. São Paulo: Editora Mérito S. A., 1958, p. 14, 3ª edição.

Esse trecho, que foi retirado do diário de uma adolescente judia prisioneira num campo de concentração, na Alemanha, onde morreu em 1945, revela
a) poucas e distorcidas informações para se compreender o que foi a 2ª Guerra Mundial.
b) detalhes das perseguições sofridas pelos judeus na Alemanha, durante a 1ª Guerra Mundial.
c) ideias falsas, pois os alemães não podiam abrir mão do dinheiro que os judeus gastavam em locais como cinemas e teatros.
d) aspectos importantes para nossa compreensão acerca das perseguições sofridas pelos judeus, desde a 2ª Guerra Mundial até os ano de 1960, com o fim do apartheid.
e) a importância desse diário como documento histórico que registrou, para a posteridade, a perseguição sofrida pelos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.

21. (Upe 2013) A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que fabrica, tudo o que toca pode e deve informar sobre ele.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001, p. 79. (Adaptado).

Sobre as fontes históricas, com base no texto acima, assinale a alternativa CORRETA.
a) O pensamento marxista aboliu a utilização de fontes escritas nas pesquisas históricas.
b) A afirmação do texto sintetiza a nova perspectiva historiográfica sobre as fontes históricas.
c) Os utensílios produzidos pelo homem se enquadram como registros arqueológicos e não como fontes para o historiador.
d) Marc Bloch, no texto, defende a primazia das fontes escritas.

e) A escola positivista foi a primeira a fazer uso da chamada história oral.

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1 comentários:

  1. Conheço vários blogs e sites especializados em atendimento ao professor. Mas os melhores são pagos. Como blog de acesso livre este é um dos melhores. Parabéns!!!

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