O Espaço Geográfico na História

Independente desta questão da mudança de nome, as praças tiveram diferentes usos ao longo do tempo e estes usos estavam relacionados à cultura do grupo social onde estas se encontravam.

Na Grécia antiga, a praça (ágora) era o local onde os cidadãos, aqueles que se dedicavam ao pensar, discutiam política. Lentamente tornou-se símbolo da presença do povo nas atividades políticas, representando mais do que a simples praça de mercado – espaço do comércio. Era o símbolo da liberdade, onde os cidadãos se expressavam. Desta forma também funcionava a praça (fórum) romana, sendo um símbolo de poder. 

Será que na antiguidade a palavra cidadão possuía o mesmo significado que possui hoje? Leia o quadro 1 “Gregos” para entender melhor como o cidadão era visto naquele período.
Quadro 1


Gregos – Na Grécia, cidadão era todo homem que opinava sobre os rumos da sociedade. Para ter esse direito de expressão, deveria ter posses, pois assim não precisaria trabalhar para sobreviver, podendo se dedicar integralmente às questões públicas. Estrangeiros, mulheres, escravos e homens livres que trabalhavam (artesãos, comerciantes) não pertenciam a este seleto grupo.
As praças medievais assumiram outras características. O comércio ficou muito restrito, não mais se discutia política ou se expressava opiniões. Sua nova função estava muito mais próxima do espetáculo. Nela ocorriam julgamentos e execuções, um espetáculo de horrores, como as execuções de “bruxas”, ao qual a população comparecia.

Durante a Revolução Francesa, a Praça Luís XV, em Paris, tornou-se o local predileto dos revolucionários, servindo de cenário para inúmeras execuções na guilhotina, inclusive de nobres como a rainha Maria Antonieta e o rei Luís XVI, sempre assistidas por numerosa platéia. Neste momento importante da história, esta foi denominada Place de la Révolution e atualmente chama-se Place de la Concorde. Na atualidade, as praças passaram a ser o local das passeatas e das reivindicações sociais em diferentes países, como é o caso da Praça Tiananmen, popularmente conhecida por Praça da Paz Celestial, em Pequim, na China. Nome, aliás, bastante contraditório considerando-se os eventos de que este espaço urbano foi palco. Em abril de 1989, estudantes e outros setores da sociedade pediam reformas políticas e econômicas na China. Chegaram a levar mais de um milhão de pessoas às ruas de Pequim. Em 15 de maio, o governo iniciou a mobilização de tropas para pôr fim ao movimento, dando início a uma batalha de rua conhecida como o massacre da Praça da Paz Celestial. Estima-se entre 300 e 3 mil o número de mortos na repressão.

No Brasil, até a década de 1970, as praças das cidades do interior tinham grande importância na vida da sociedade. Geralmente possuíam um coreto ou algo semelhante ao centro; era local de discursos políticos, festividades religiosas, exposições locais, mas, principalmente, local de encontro. As pessoas iam para a praça para verem e serem vistas. Os encontros se davam nas praças. Havia toda uma organização ritual nos passeios pelas praças nos fins de semana e feriados. Os rapazes circulavam ocupando, sempre, a porção externa da calçada e as moças ocupavam a parte interna, caminhando em sentido contrário. Assim, um ficava de frente para o outro, ou seja, os olhares se cruzavam, as pessoas se viam e os namoros começavam.

No momento atual, em que a TV se tornou um dos meios de comunicação de massa mais usuais e o shopping center é o local de encontro (ou desencontro), a praça perdeu a sua essência. De local de debate, de comércio, de espetáculo e de encontro, onde a cultura de um povo se evidenciava, passou ao efêmero, onde as pessoas não se encontram, não se vêem, apenas passam rapidamente e, muitas vezes, com medo, proporcionado pelo abandono em que se encontram, ou pelos seus novos ocupantes – moradores d
e rua, gangues, prostitutas. Esporadicamente, estas se enchem de pessoas, mas sem o mesmo significado de outros períodos históricos.


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