A Revolução Industrial

Por Aldilene Marinho César


Chamamos de Revolução Industrial um conjunto de transformações técnicas e econômicas no modo de fabricação dos produtos consumidos pelo homem, tendo como principais características, o surgimento das fábricas (em lugar das antigas manufaturas); a produção em série e o trabalho assalariado. Essa mudança alterou profundamente as relações econômicas, sociais e a paisagem geográfica que passou por um novo desenvolvimento urbano. 

Revolução industrial foi a disseminação do modelo fabril pela Inglaterra durante o período que abrange aproximadamente os anos entre 1780 a 1840. Esse modelo fabril é constituído pelo uso conjugado da mão-de-obra humana (assalariada) associada ao uso de máquinas. 

industrialização pode ser considerada uma etapa mais elaborada da produção artesanal nas manufaturas, já que a utilização das novas descobertas tecnológicas como a máquina a vapor, dinamizaram a velocidade e diminuíram os custos da produção.

A Primeira Revolução Industrial 

É denominada Primeira Revolução Industrial, o processo de organização da produção fabril que teve início na Inglaterra, em finais do século XVIII e início do século XIX, e que se difundiu, no decorrer do século XIX, por outros países da Europa -principalmente, França, Alemanha, Itália, Holanda e a Bélgica –, Estados Unidos e Japão. As principais fontes de energia utilizadas nessa primeira fase da industrialização foram o ferro, o carvão e a máquina a vapor. 

Os desdobramentos da industrialização

Um dos principais efeitos da Revolução Industrial foi o surgimento de um grupo social específico, mais conhecido como classe operária. Formado principal
mente por ex-camponeses e 
ex-artesãos, esse novo grupo não dispõe mais de recursos próprios para trabalhar, pois foram expropriados das suas terras ou não podiam mais competir, com produtos artesanais, contra a produção das nascentes indústrias. Em conseqüência de tal situação, passam a vender sua força de trabalho em troca de um salário tornando-se assalariados. Segundo o filosofo alemão Karl Marx, mesmo recebendo um salário, resta uma parcela do trabalho dos operários que não era remunerada: a mais-valia.


A teoria marxista da mais-valia consiste na diferença existente entre o valor produzido pelo trabalho do operário e o salário que esse recebe do empregador, segundo Marx, essa diferença seria a base da exploração do sistema capitalista.

Fatores que fizeram da Inglaterra a precursora da Revolução Industrial

As transformações no campo - As mudanças que vinham ocorrendo no campo na Inglaterra desde o século XVI, como por exemplo, os cercamentos, geraram uma concentração das propriedades rurais e à consolidação das figuras do arrendatário e do assalariado rural que seriam determinantes para a realização da Revolução Industrial. Os cercamentos (em inglês, enclousures) promoveram a unificação dos lotes de terras dos camponeses, num imenso campo cercado, usado na criação intensiva de ovelhas ou nas plantações de maior interesse econômico do proprietário. Essa medida, aliada às novas técnicas agrícolas permitiram um crescimento na oferta de mercadorias, gerando uma diminuição nos preços. Essa prática era permitida pelo parlamento inglês desde o século XVI e, no século XVIII, culminou na extinção dos trabalhadores arrendatários. Uma consequência dos cercamentos foi o crescimento no número de desempregados no campo, que acabou liberando mão-de-obra das áreas rurais para as cidades na Inglaterra. Muitos trabalhadores deixam o campo e vão para as cidades. As crianças são muito procuradas para o trabalho nas indústrias.

O Mercado – A principal condição para o sucesso e a expansão da Revolução Industrial foi a existência na época de uma forte demanda pelos nascentes produtos industrializados tanto no mercado interno como no mercado externo. Os tecidos de algodão eram amplamente procurados na sociedade européia e também em algumas colônias, como as da América. Os tecidos de algodão produzidos industrialmente tinham preços relativamente baixos, o que possibilitava o consumo de tais produtos pelas camadas assalariadas. 

As repercussões da Revolução Industrial

A emergência do capital industrial - Com o desenvolvimento das fábricas, ocorreu o fortalecimento de um novo grupo social, a burguesia industrial, que logo superou em poder econômico a velha aristocracia agrária e os grandes comerciantes. A burguesia industrial tornou-se o grupo social hegemônico na sociedade inglesa, rapidamente ascendo à elite política daquele país.

A resistência dos trabalhadores – Muitos camponeses, expulsos do campo pelos cercamentos, migraram para as cidades em busca de ocupação. Desempregados, acabavam aceitando o regime desumano de trabalho nas fábricas. Recebendo baixos salários e enfrentando péssimas condições de trabalho, homens, mulheres e crianças eram obrigados a cumprir jornadas de trabalho que muitas vezes ultrapassavam 16 horas diárias, num ambiente quente e insalubre. Como era de se esperar, tal situação produziu conflitos e gerou vários movimentos de resistência operária. Primeiramente, alegando a culpa das máquinas (que executavam o trabalho do homem com mais rapidez) na situação do trabalhador, muitos operários invadiram as fábricas e quebraram seu maquinário, eram os chamados luditas, o termo deriva de Ned Ludd, um dos líderes desse movimento. Em seguida, os trabalhadores ingleses reunidos em grupos começaram a organizar as primeiras paralisações do trabalho, as greves, e redigiram uma carta com reivindicações trabalhistas. Esses passaram a ser chamados cartistas, e assim como os luditas, também sofreram uma forte repressão policial. Esses movimentos inspiraram o futuro sindicalismo.

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