A Questão Territorial na Irlanda do Norte

O caso de conflito étnico que vamos tratar é o da Irlanda do Norte (Ulster). Conflito envolvendo questões políticas e culturais, tendo como pano de fundo a divergência entre católicos e protestantes. 

Suas origens remontam ao século XII, quando a Irlanda passou a ser dominada pela Inglaterra, período em que ainda não havia ocorrido a fragmentação do cristianismo, intensificando-se com o surgimento do anglicanismo, no século XVI.

A Irlanda é habitada desde 6.000 a.C. aproximadamente. Primeiro a sociedade organizava-se em clãs, depois passou a organizar-se em pequenos estados sob o governo de um rei e, posteriormente, um rei supremo e eletivo. Do século IX ao século XI, a ilha passou a ser atacada por incursões vikings, enfraquecendo o poder local. 

Em 1170 iniciou-se a invasão anglo-normanda, com sucessivas batalhas, terminando com a assinatura, em 1175, do Tratado de Windsor, pelo qual a Irlanda passou a ser um feudo da Inglaterra. Como vassala, deveria pagar tributos, fornecer homens ao exército e obedecer ao soberano inglês. Na distribuição dos feudos, o rei dava privilégio a nobres ingleses, forçando os irlandeses à servidão.

No século XVII, intensificam-se as lutas pela posse da terra, por autonomia política e divergências religiosas, pois o anglicanismo já havia sido declarado como religião oficial da Inglaterra e os irlandeses persistiam no catolicismo. Não aceitar a imposição religiosa era uma forma de resistência cultural.

Nesse contexto de intensas disputas, em 1641, os irlandeses (católicos) atacaram os ingleses (protestantes), sendo violentamente reprimidos por Cromwell, num longo massacre prolongado, pela resistência, até 1652, levando ao extermínio grande parte da população irlandesa. A maior parte das terras do país foi distribuída entre soldados e financiadores do exército puritano. Muitos sobreviventes emigraram e outros foram escravizados.

Os conflitos e a opressão do dominador sobre o dominado persistiram. No século XIX, o nacionalismo irlandês ganhou nova forma ao 
assumir um aspecto mais cultural e econômico, iniciado com a tentativa de reviver seu idioma, o gaélico, nas escolas, pela organização cooperativista na agricultura e a tentativa de industrialização. Muitos foram os levantes pela independência.

A luta Armada pela Posse do Território

Como tentativa de eliminar o poder inglês e conquistar a independência, surgiu, em 1919, o IRA - Exército Republicano Irlandês.

A Irlanda tornou-se Estado independente em 1921, em meio a fortes conflitos e movimentos sociais, entretanto a Inglaterra manteve sob seu poder o norte (Ulster). A independência só foi reconhecida após a Segunda Guerra Mundial, passando a denominar-se Eire, mas uma porção norte ainda permaneceu junto ao Reino Unido – Irlanda do Norte.

Os irlandeses nunca aceitaram a separação, pois ainda desejam ter todos os irlandeses unidos num mesmo Estado-nação. Nesse contexto, o IRA atuou reivindicando a unificação do país, alternando momentos de reivindicação pacífica da população com atentados terroristas.

O Ulster é uma região de solo fértil, que concentra um grande parque industrial, destacando-se a indústria têxtil, automotiva, construção naval, aviação, eletroeletrônicos e muitas indústrias de bens de consumo não-duráveis, além de petróleo.

A minoria c
atólica (42%) deseja a unificação com a Irlanda, fato que 
é contestado pela maioria protestante (58%), que controla o governo e ocupa os melhores postos de trabalho, desejando a permanência da unificação com o Reino Unido.

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