A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)



O período que compreende o intervalo entre as duas grandes guerras mundiais foi um de profundas crises e reviravoltas políticas no cenário europeu. Diante deste cenário desesperador, à população crescentemente se tornou mais interessante as soluções adiantadas por esferas radicais da política, seja da esquerda ou da direita. Como já vimos quando discutimos o fascismo, com o aumento da aceitação do socialismo em diversos países europeus, camadas da burguesia destes países passaram a apoiar decididamente a extrema direita, a principal concorrente dos socialistas. Se este cenário instável em grande parte deveu-se às discussões e tratados do pós-guerra, foram também as tensões oriundas desta situação que em grande parte motivaram a eclosão de um segundo conflito, este sim de proporções literalmente planetárias. 

Hitler e a Alemanha – O Tratado de Versalhes, imposto aos alemães quando se renderam ao fim da Primeira Guerra Mundial, era como um imenso peso no pescoço da economia e da sociedade alemã. Seu território permanecia ocupado por tropas não-alemãs (mas pagas pelo governo alemão); seu exército foi forçosamente reduzido a números ínfimos, e sua indústria bélica foi basicamente fechada. Além disso tudo e de mais algumas exigências que aqui não cabe incluir, a Alemanha devia pagar aos países vencedores (especialmente à França) grandes quantias como indenização de guerra. Como vimos, fora justamente a incapacidade da Alemanha de sair da crise, tendo que ao mesmo tempo pagar tais enormes dívidas, o principal motivo da crescente aceitação de Hitler que o levaria ao poder em 1933. À medida que a 
Alemanha se recuperava militarmente tornou-se paulatinamente mais fácil para Hitler agir abertamente em desafio às determinações de Versalhes (1935), visto que a França parecia não mais desfrutar de vantagem clara militar sobre os alemães. 

A formação do Eixo – Aproveitando-se da crise européia e do isolamento norte-americano, Hitler se aproxima dos governos afins ao dele – em especial Itália e Japão. Com o Japão assinaria em 1936 o Pacto Anti-Komintern, vislumbrando que a URSS seria um inimigo mútuo de ambos e que, juntos, poderiam forçar a URSS ao dilema que tanto assombrava a Alem
anha: a batalha em dois fronts. 
Afinal, se soubesse que ao atacar a Alemanha, a URSS teria de se ver engajada também contra o Japão, do outro lado de seu imenso território, talvez hesitasse ou mesmo desistisse. Entre os três países se formaria o Eixo Roma-Berlim, que origina o termo pelo qual a aliança totalitária é comumente conhecida: O Eixo. 

Em 1939, quando a guerra já parecia iminente para a maioria dos europeus, as relações entre a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler se estreitam ainda mais, com a firmação do Pacto de Aço, uma aliança entre os dois países. 

Os primeiros movimentos – Após o fim da I Guerra, uma das estipulações do Tratado de Versalhes foi a de retirar da Alemanha todas as colônias que possuía antes do conflito. Dessa maneira, se após a guerra França e Inglaterra tinham amplas reservas de matérias primas a preços baixos para reaquecer sua economia, os alemães não tinham recursos semelhantes, além de terem que pagar sua indenização mensalmente. 

Diante desta situação, Hitler realiza suas primeiras movimentações ofensivas. O Führer estava em busca de espaço vital para sua economia (Espaço Vital é o nome que se dá à noção de que é necessário uma certa quantidade de recursos para viabilizar seu progresso econômico). Ampliando suas fontes de matéria-prima e anexando regiões de mão-de-obra mais barata, Hitler esperava recuperar a economia alemã e ultrapassar seus concorrentes europeus. Obviamente não podemos saber ao certo o que passava na mente do Führer, mas podemos presumir que desde seus primeiros movimentos expansionistas ele já antevia a guerra como inevitável, e tratava apenas de garantir que ela fosse realizada no momento mais oportuno para os alemães. 

As democracias liberais – Inglaterra e França – encontravam-se isoladas, diante da postura isolacionista americana e do cenário totalitário europeu. Eram desejosos de paz e tinham por ambição que a Europa se recuperasse da crise o quanto antes, pois esperavam que, após a normalização da economia europeia, os governos da extrema direita perdessem seu apoio, como ocorrera 
com os jacobinos na Revolução Francesa. Hitler, entretanto, saberia se aproveitar deste desejo de paz e estabilidade dos liberais, e conduziria suas primeiras campanhas em tempos de paz e debaixo dos narizes de França e Inglaterra, que nada fizeram. 

Em 1938 Hitler anexou a Áustria (o que o Tratado de Versalhes expressamente proibia), formando a chamada Anschluss. Apesar de violar o Tratado de Versalhes, a manobra de Hitler se apoiava em outro argumento que se tornou popular após a I Guerra: a autodeterminação dos povos, ou seja, o direito de determinado povo ou etnia de governar a si mesmo. Se lembrarmos da I Guerra, lembraremos que esta se iniciou justamente na luta da Bósnia pela independência do Império Austro-Húngaro, que levou ao assassinato do herdeiro ao império. Após a guerra, não só Bósnia mas também a maioria dos povos que compunham o império austro-húngaro receberam autonomia de acordo com tal critério. Aqui, diziam os nazistas, não é diferente. Após a morte do líder austríaco (orquestrada pelos nazistas), o governo austríaco "convida" a Alemanha a se unir a ela e ambos, enquanto germânicos, tem o direito de tomar tal decisão. França e Inglaterra, querendo evitar um conflito, aceita o argumento. 

Em seguida, voltou-se para os sudetos, uma região tcheca que possuía população germânica minoritária. Este movimento poderia ter iniciado uma guerra, devido a tratados entre Tchecoslováquia e França e URSS. Entretanto, com mediação inglesa, foi aceita internacionalmente a premissa de que as intenções de Hitler sobre os sudetos se justificavam também pelo argumento étnico-nacional. No entanto, no ano seguinte, os sudetos se mostrariam como apenas um movimento de abertura de uma campanha maior, quando a Alemanha desmembra a Tchecoslováquia e toma para si a região industrializada tcheca, declarando independente a Eslováquia. 

Hitler acabaria exaurindo a paciência dos liberais ingleses e franceses em 1939, quando avançou sobre a Polônia Tendo abandonado a política de apaziguamento que permitira as concessões anteriores, França e Inglaterra se opuseram abertamente às pretensões alemãs e soviéticas de anexação da Polônia, e temiam enormemente uma aliança entre URSS e Alemanha. Tendo garantido para si metade da Polônia e a neutralidade de Stalin, Hitler acabava 
de construir a base sobre a qual lançaria sua campanha, guiada pela diretriz Blitzkrieg, ou "guerra-relâmpago". Tendo em mente novamente o risco de ser pega em dois fronts, a política alemã pretendia se aproveitar da neutralidade soviética para atropelar os
liberais ao 
oeste e, após concluída a campanha, voltar-se para o leste e atacar a URSS com apoio do Japão. 

Hitler e a URSS – Nos anos anteriores à guerra houve uma considerável aproximação entre as políticas soviética e alemã. Detenhamos-nos um pouco sobre estas aproximações, já que as relações entre URSS e Alemanha foram tão importantes para o decorrer da guerra. 

Em primeiro lugar, a história russa é uma de relações mais próximas com os germânicos do que com qualquer outra nação européia. A penetração francesa na Rússia se deu especialmente pelo viés cultural, em um momento em que a França era a grande potência cultural do planeta. 

Nos demais aspectos, entretanto, a proximidade com os alemães era maior – no aspecto político, por exemplo. Deve-se acrescentar a isso o fato de que o governante da URSS – Stalin – apreciava a política do Führer e se identificava mais politicamente com os governos autoritários do que com os liberais – estes sendo vistos como arquétipos do capitalismo ocidental, o grande inimigo do socialismo. 

Além disso, Inglaterra e França também pareciam mostrar interesse nenhum em aproximarem-se da URSS diplomaticamente, até o momento em que a Alemanha passou a se mostrar uma ameaça. Mesmo assim, em tal momento a URSS interpretaria tal aproximação como uma tentativa destes países de forçar um conflito entre Alemanha e URSS e, assim, aproveitarem-se das mortes de soviéticos para evitar mortes de ingleses e franceses. 

Stalin ainda tinha consciência de que, no momento em que a economia soviética se encontrava, esta não teria recursos para adequadamente travar uma guerra com a Alemanha. Precisava ganhar tempo. Este seria o principal motivo por trás do tratado de não-agressão assinado em 1939 entre os dois países, no qual se decidia, por exemplo, repartir a Polônia em duas. 

Por fim, em seus planos de expansão, Stalin via como sendo alvos muito mais interessantes para eventuais expansões territoriais as áreas asiáticas, que ofereceriam resistência menor. Muitos destes territórios eram partes dos grandes impérios liberais inglês e francês, como Índia ou Indochina. Um conflito entre Alemanha e Inglaterra ou França era, pra Stalin, uma briga entre 
capitalistas. Enquanto eles brigam entre si, se abriria uma grande janela na Ásia para a expansão do socialismo. 

Os EUA e a Europa – Os EUA, por sua vez, manteriam sua postura de isolamento quando a guerra se inicia, cumprindo papel de fornecedor de produtos, capital e matérias primas aos aliados. Não participariam diretamente da guerra, portanto, até 1941, quando Pearl Harbor é atacada pelos japoneses e o Eixo declara guerra aos EUA. Nos meses anteriores, o presidente Franklin Delano Roosevelt já vinha pedindo que o congresso e a população entendessem a importância do conflito europeu para o mundo e a necessidade de os EUA participarem deste conflito antes que fosse tarde. 

Após tal ataque, a opinião pública americana passa a apoiar maciçamente a entrada do país na guerra. 

A Blitzkrieg alemã – A estratégia básica alemã na II Guerra se assemelha ao Plano Schlieffen, adotado na primeira. A Blitzkrieg (ou guerra-relâmpago) baseava-se na rápida conquista da França e isolamento da Inglaterra, para depois se voltar à Rússia. 

A ofensiva alemã começou em 1940, pegando a França despreparada, precisando de mais tempo para organizar sua produção de guerra e realizar os preparativos finais para uma estratégia de defesa. Os alemães procederam de forma semelhante à primeira guerra, conquistando Holanda e Bélgica, de modo a conter a entrada na França e permitir apenas entrada marítima. Rapidamente sobrepujada e tendo boa parte de seu território conquistado, a França se via com duas opções: retirar-se para a Argélia e organizar uma resistência a partir de lá, ou chegar a um acordo com os alemães. A proposta que se tornou realidade foi a segunda, encabeçada pelo general Petáin. Sob seus auspícios, o general Petáin, um herói francês da primeira guerra, formou um novo governo francês sediado na cidade de Vichy, sujeito aos alemães, e no qual o próprio Petáin seria um líder com poderes ditatoriais. As exigências alemãs eram duras, reduzindo o exército francês a um número irrisório, e o pagamento de 400 milhões de francos diários. Além disso, o governo de Vichy seria acusado por diversos franceses de colaborar com os nazistas, empreendendo perseguições a judeus e entregando membros da resistência 
francesa aos homens da SS. 

Com a formação do governo de Vichy, França se tornaria basicamente um protetorado dos alemães. Em decorrência disto, os alemães poderiam tranquilamente utilizar a esquadra francesa para seus próprios fins. Os ingleses temiam que, unindo-se as esquadras francesa alemã e italiana o Eixo fosse capaz de invadir a Inglaterra. Assim, optaram por destruir parte da esquadra francesa, o que levou ao corte de relações diplomáticas entre os países pelo decorrer da guerra. 

Exilado na Inglaterra, no entanto, surgiria uma figura que hoje ainda é muito importante na memória dos franceses: o general Charles De Gaulle. Através da estação de rádio BBC, De Gaulle urgia aos franceses que resistissem aos alemães e não aceitassem o novo governo. Petáin, por sua vez, dizia fazer tudo isso pelo bem dos franceses, para evitar que sofressem nas mãos de um inimigo muito mais forte que eles, e chamava De Gaulle de traidor e covarde. A guerra parecia caminhar para uma vitória do eixo. A França estava dominada, e a Europa estava sob o comando de Hitler ou de governos amigáveis a ele. A Inglaterra, capaz de repelir qualquer ataque marítimo às suas costas, era bombardeada quase diariamente por aviões alemães, tornando a vida especialmente difícil e afetando a produção do país. Apesar de não poder ser invadida naquele momento, a Inglaterra não oferecia aos alemães ameaça considerável. 

Em 1941, entretanto, Hitler agiria em concordância com o diagnóstico de Stalin, que o achava "extremamente capaz, mas incapaz de saber a hora de parar". Achando que o cenário do oeste estava sob controle, Hitler voltou-se para o lado leste e atacou a URSS de surpresa, como Stalin imaginava que ele faria. Stalin apenas imaginava que teria mais tempo. A campanha foi aberta por bombardeios aéreos alemães que inutilizaram boa parte dos aviões soviéticos. Nos primeiros conflitos a vitória alemã foi recorrente, e as baixas de guerra soviética aumentavam exponencialmente. A estratégia militar soviética sofria com a centralização do poder e a incapacidade de Stalin de tomar decisões instruídas em certos assuntos militares, além de faltarem tropas treinadas, armas e munição. 

Com mão-de-ferro, entretanto, o líder soviético levantou a indústria bélica a longos passos e eventualmente conseguiu alguns triunfos, que culminariam na batalha de Stalingrado, em 1942. A partir desta primeira grande derrota alemã, os russos iniciariam uma contra-ofensiva que se demonstraria essencial para a derrota do Reich. 

A estratégia alemã foi prejudicada pela decisão de um de seus aliados: o Japão. Como já vimos, a Alemanha esperava que, quando se voltasse contra a URSS, o Japão aproveitasse a deixa e invadisse o território soviético pelo leste, forçando as tropas de Stalin a se dividir. O Japão, entretanto, pensou diferente. Vendo que a URSS e a Alemanha trocavam golpes, o Japão se sentiu seguro para iniciar uma ofensiva contra outro rival, os Estados Unidos. Desde do fim do século XIX havia tensões entre os dois países, visto que durante o período de expansão imperialista ambos se voltaram para o pacífico em busca de anexações. 

Em 1941 os japoneses bombardearam Pearl Harbor. Esperavam que um golpe bem dado inutilizasse as forças aéreas americanas, mas calcularam mal. A partir de então, os japoneses se comprometeram com uma guerra no pacífico, e pouco fizeram contra a URSS, permitindo que esta alocasse todas as suas forças na repulsão dos alemães. 

Com o ataque à URSS e a bem-sucedida resistência da mesma, Hitler passou cada vez mais a negligenciar o front oeste que, com a entrada dos EUA na guerra, começou a alcançar avanços consideráveis. A Alemanha passou a ser brutalmente bombardeada, recebendo nada menos que 500 mil toneladas de bombas em 1945. Na África, colônias francesas como a Argélia e regimentos ingleses em colônias como o Egito começam a "empurrar" o exército alemão de volta para a Europa. Da África invadiram a Itália pela Sicília, levando à deposição de Mussolini. Em resposta a isso, Hitler invadiria a Itália e restauraria seu aliado, apenas para em seguida ver os aliados capturando Mussolini e o executando em 1945. A última grande campanha da guerra seria 
justamente o imenso desembarque na Normandia, chamado de Dia D, em 1944. Antecipado por bombardeios estratégicos, esta imensa operação seria a grande responsável pela reconquista da França e derrota dos alemães, após o suicídio de Hitler. 

O fim da guerra – Sendo atacados por todos os lados e claramente em desvantagem, membros do gabinete de Hitler começaram a falar de rendição, apenas para serem considerados traidores. Hitler tentou reagir até não ver mais escapatória e saber que as tropas aliadas se aproximavam de Berlim. Perdendo as esperanças, se mata, junto com a mulher Eva Braun e Goebbels. A rendição alemã viria dos militares, em maio de 1945. Finda a ameaça alemã 
e italiana, a guerra rumava ao seu fim, e o Japão apenas restava como beligerante. Desde 1944, quando decidiu que a Alemanha não mais demonstrava uma ameaça à URSS, Stalin reduziu seus esforços de guerra contra os alemães e começou a transferir recursos para o front oriental, com intuito de combater os japoneses se necessário. Stalin, no entanto, não tinha nenhum desejo de fazer favores aos capitalistas, e apenas agia no benefício destes quando era capaz de extrair vantagens de tais atos. Atrasaria, portanto, sua intervenção sobre japoneses, alegando, por exemplo, problemas logísticos. 

Os americanos, impacientes com as baixas no pacífico, decidiram por um caminho radical, cujo intuito era de quebrar o espírito japonês e forçá-los a se render imediatamente e incondicionalmente. Este caminho foi o das bombas atômicas, lançadas em 1945 sobre Hiroshima e Nagazaki, causando cerca de 300 mil mortes e tantos muitos outros feridos. Os japoneses, aturdidos com a potência de tais armas, não viram opção senão renderem-se. Inicia-se a chamada era atômica, marcando o fim do maior conflito da história até então, apenas para ser uma das protagonistas das tensões futuras.

Disponível em Vetor Pré-Vestibular
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