A expansão marítima e a formação de Portugal


Após a crise do século XIV, a Europa necessitava eliminar as barreiras feudais para desenvolver o comércio através da conquista de novos mercados. Entretanto, alguns obstáculos se interpunham sobre tais interesses, como por exemplo, o monopólio árabe-veneziano sobre o comércio de produtos orientais, sobretudo, das especiarias. Em vista de tal situação, se apresentou em Portugal a possibilidade de encontrar um caminho alternativo para se chegar ao Oriente e, desse modo, comprar diretamente os produtos orientais e assim aumentar os lucros, contornando a África pelo Atlântico e, consequentemente, evitando o Mediterrâneo. O ambicioso objetivo exigiria uma ampla mobilização de recursos, pois implicaria em altos investimentos. Para isso era preciso uma acumulação prévia de capital e uma liberdade em aplicá-lo que só seria possível através da centralização do poder político. 

Características gerais da formação dos estados nacionais 

Acordo entre Rei, nobreza, clero e burguesia - Com o paulatino enfraquecimento da nobreza feudal, as monarquias conseguiram se fortalecer no panorama europeu. As novas monarquias foram chamadas de nacionais ou absolutas e se mantiveram por toda a Era Moderna européia, entre os séculos XV-XVIII. 

Na monarquia absoluta, aparentemente, o rei detém todo o poder do Estado em suas mãos. Entretanto, este nível de centralização de poder pôde ser alcançado apenas mediante uma união de forças com segmentos eclesiásticos e burgueses. Portanto, para uma harmoniosa política absolutista, o rei deveria tentar não alienar suas bases de sustentação, especialmente a burguesia que o financiava e a Igreja que o legitimava. 

Mercado nacional unificado - Interessava ao comércio e à produção dos burgos um estado nacional para o qual não era necessário pagar taxas alfandegárias para atravessar os senhorios (como acontecia na Idade Média) e que mantivesse a unidade dos pesos, medidas e da moeda em todo o reino. Tudo isso foi estabelecido pelo novo estado absolutista. Dessa forma, o mercado nacional foi unificado pelos interesses do comércio e da produção burguesa. Em consequência disso, na época moderna apareceram novidades nas técnicas de comércio como as bolsas de valores, os bancos e as sociedades anônimas que favoreciam a acumulação de capitais. 

Língua nacional – Em 1500, o imperador do Sacro-Império Romano Germânico, Carlos V, disse: "Eu falo espanhol com Deus, italiano com as mulheres, francês com os homens, e alemão com o meu cavalo". É nesse mesmo período que a multiplicidade de línguas dá lugar à imposição de línguas nacionais europeias. Elas foram importantes para que num mesmo país todos se entendessem na fala e na escrita e o Estado se fizesse presente em todo o território com uma língua comum, e para que o membro de dada nação se diferenciasse do que era estrangeiro, visto que os estados nacionais favoreciam aqueles que compartilhavam sua nacionalidade. A emergência das línguas nacionais foi marcada pela publicação de importantes obras literárias nacionais. 

Diminuição do poder da Igreja e do papado - Se durante a Idade Média, o poder do papa se fazia presente em toda a Europa (fragmentada em pequenos senhorios), na Era Moderna, o poder papal encontrou muitas dificuldades para se impor diante dos poderosos estados nacionais, o que acarretou diversos conflitos entre a Igreja e os Estados recém-surgidos. Outros desenvolvimentos do período,como o Renascimento e a Reforma Protestante, contribuíram ainda mais para a difícil situação da Igreja. 

Os casos particulares - Apesar das características comuns ao surgimento dos estados nacionais, cada país se unificou em condições específicas: A Espanha se unificou pelo esforço empreendido por várias casas nobres contra os muçulmanos na Península Ibérica, na chamada Guerra de Reconquista; a França fortaleceu a sua monarquia e o seu exército na Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra; a Inglaterra teve a especificidade de manter forte os poderes regionais, através do parlamento, durante a Idade Média; a Itália e Alemanha mantiveram-se fragmentadas no período, alcançando suas unificações somente no século XIX, já no contexto das revoluções burguesas. 

A unificação de Portugal 

Um feudalismo diferente, centralizado - Assim como na Espanha, também ocupada pelos mouros (muçulmanos ibéricos), a unificação portuguesa tem origem na luta de Reconquista. No entanto, diferente da Espanha, que só conseguiu concluir a expulsão dos mouros do seu território em 1492, a região de Portugal conseguiu se organizar e empreender a expulsão dos mouros ainda no século XII. Desse feito, surgiu o Condado Portucalense como um estado vassalo de Castela, tornando-se independente em 1139. Nesse ano, um nobre chamado Afonso Henriques proclamou a independência do condado e iniciou a dinastia de Borgonha. Desde o início, Portugal se caracterizou por instituir um feudalismo centralizado, diferente do resto da Europa. Seu rei tinha mais poder do que em outras regiões europeias O feudalismo português acabaria, em 1385, com a Revolução de Avis. 

O fim do feudalismo português - Opondo-se ao poder dos senhores feudais, o rei de Portugal concedeu um amplo incentivo à fuga dos servos e também a criação das feiras de comércio. Diante de tal situação, os senhores feudais se enfraqueceram e tentaram se aliar a Castela para manter o poder sobre os senhorios. Tal aliança ocasionou uma guerra que acabou precipitando a formação do moderno estado português. 

A Revolução de Avis (1383-1385) - Em uma disputa dinástica, dois postulantes ao trono português se confrontaram numa guerra. À casa de Borgonha, aliada aos senhores feudais portugueses e ao poderoso reino de Castela se opôs a Dom João, da casa de Avis e aliado dos comerciantes portugueses. A vitória de Dom João I (elevado ao trono português em 1385) marcou o fim do feudalismo em Portugal e o início do estado nacional monárquico português. Com essa unificação precoce, os lusitanos se tornaram o primeiro povo a navegar pelos oceanos em busca de riqueza. Portugal sempre demonstrou uma vocação natural para a navegação, facilitada pela sua privilegiada posição geográfica que permitia o acesso aos mares do Norte e Mediterrâneo, e pelo conhecimento naval adquirido a partir da longa convivência com os mouros, experientes navegadores. No início do século XV, o infante dom Henrique promoveu a reunião de vários cartógrafos, navegadores, estudiosos e construtores, fundando a Escola de Sagres, que permitiu o desenvolvimento de várias técnicas e tecnologias de navegação. 

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