Paisagem e Espaço


Primeiramente, é preciso ter claro os conceitos de paisagem e de espaço. A Paisagem é estática, é parte de um todo e é o registro de um momento histórico. É como uma foto. Observe em fotos antigas como era o espaço de sua cidade. O que foi transformado na paisagem?

Em cada período a paisagem se caracteriza por um determinado conjunto de técnicas. Estas técnicas são as maneiras de construir casas, templos (sistemas de engenharia), maneiras de produzir alimentos, carros, eletrodomésticos (tecnologias de produção), maneiras de se relacionar socialmente, entre outras. Tais técnicas, associadas às condições econômicas, políticas e culturais, criam as formas. A paisagem não se cria de uma só vez, mas sofre acréscimos e decréscimos ao longo da história, por isso ela é uma herança de muitos momentos passados. 

Já o Espaço é mais que paisagem, pois retrata o movimento da sociedade em suas relações e dinamismo. É a ação do trabalho humano.

Quando olhamos ao nosso redor, devemos pensar e repensar os porquês da configuração espacial, pois ela pode nos dizer muito de nossa realidade. Por exemplo: as praças sempre foram locais de encontro ou desencontro, aonde muitos iam para discutir assuntos polêmicos, vender mercadorias, passear, brincar, namorar, reivindicar atitudes, encontrar amigos ou conhecidos, dentre outras coisas. No Rio de Janeiro, na Praça da Aclamação (hoje Praça da República), foi proclamada a República em nosso país; na Plaza de Mayo (Buenos Aires – Argentina), muitas mães reivindicaram, e reivindicam até hoje, ações governamentais referentes ao desaparecimento de seus filhos, familiares e amigos durante a ditadura na Argentina, ato que deu nome a uma associação (Asociación Madres de la Plaza de Mayo).

As praças, assim como as construções em geral, têm sua história e essas histórias são frutos de uma época, de uma sociedade em constante reestruturação. 

A Praça Tiradentes, em Curitiba, simboliza o “marco zero” da cidade, foi construída no local onde, segundo a lenda, o cacique Tindiquera, da tribo Tingui, teria escolhido para estabelecer o povoado que daria origem à cidade. Ela, além de fazer parte da história da sociedade curitibana, mostra o dinamismo existente na sociedade e a necessidade de atender aos anseios políticos de diferentes momentos históricos, refletindo a cultura de seu povo. Inicialmente, esta praça recebeu o nome de Largo da Matriz, o qual durou até 1880, quando o imperador D. Pedro II visitou Curitiba. Neste período, a sociedade sentiu necessidade de prestar-lhe uma homenagem, e a praça passou a ter o nome do imperador – Largo Dom Pedro II. Após a proclamação da República, mudou novamente de nome, passando a ser a Praça Tiradentes. Para os dirigentes do novo regime, era necessário eliminar os “vestígios ou os heróis” do regime anterior, reconstruindo a imagem de novos heróis, anteriormente desconsiderados. Essa prática é comum em muitos países.

A República necessitava tocar os sentimentos, o coração dos brasileiros, e a melhor forma encontrada para isso foi a reconstrução do passado, criando um conjunto de símbolos e, entre estes, merece destaque a reconstrução da figura de Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o “bode expiatório” da Conjuração Mineira. 

Como podemos deduzir, uma pessoa de pouca influência, pobre e, praticamente, desconhecida provavelmente tenha sido escolhida para servir como exemplo do que acontecia com aqueles que conspiravam contra o sistema, o único a receber a pena capital, executado em 21 de Abril de 1792. 

Tiradentes foi propositalmente esquecido durante o Império e “ressuscitado na República”. A Monarquia teve como seu principal símbolo D. Pedro I, herói da independência. E a República, quem seria seu herói? Antes mesmo de sua proclamação, os republicanos já haviam retrocedido um século em nossa história e reconstruído a imagem de uma pessoa que sonhou com o fim da opressão portuguesa e a liberdade da colônia: Tiradentes. Utilizavam-se de imagens como o Cristo crucificado. As homenagens prestadas ao mártir, em 1890, foram resgatadas através de pesquisas em jornais e outros documentos e descritas pelo historiador José Murilo de Carvalho.

Você pode identificar como as coisas acontecem em nosso mundo? Pense nos personagens de nossa história e procure identificar outros personagens que também tenham sua imagem associada ao sacrifício pela nação.

Através desse pequeno exemplo, procuramos mostrar como o espaço geográfico é constantemente modificado, sendo estas modificações, muitas vezes, fruto de interesses de uma minoria, a elite econômica e/ou política.

Fonte: SEED
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