Blocos Econômicos: Bloco do Pacífico - APEC

O Bloco do Pacífico começou a se caracterizar a partir da década de 80, quando o Japão começou a direcionar seus investimentos para os Tigres Asiáticos como estratégia para diminuir seus custos de produção, haja vista, que sua economia crescera muito, os salários dos trabalhadores tiveram melhoras e sua moeda se valorizou em relação ao dólar, aumentando assim seus custos de produção.

Atualmente esse redirecionamento não ocorre simplesmente como estratégia de redução de custos, mas como estratégia de fortalecimento da economia regional diante da reorganização da economia mundial e do fortalecimento político perante os outros blocos de poder.

A APEC (Asia Pacifc Economic Cooperation) é um bloco bem diferente quando se trata da proximidade física entre os países que o compõem. Engloba países da Ásia, América e Oceania.

A APEC tem, atualmente, 21 membros, que são: Austrália; Brunei Darussalam; Canadá; Chile; China; Hong Kong; Indonésia; Japão; República da Coréia; Malásia; México; Nova Zelândia; Papua New Guinea; Peru; Filipinas; Rússia; Cingapura; Chinese Taipei; Tailândia; Estados Unidos da América; Vietnã.

Outro dado que diferencia a região da Bacia do Pacífico, é o fato desse mercado regional não ser constituído formalmente por nenhum acordo de livre comércio ou de outro tipo. A designação de bloco econômico se deve ao fato de que nas últimas décadas vem ocorrendo, de forma surpreendente, um direcionamento dos investimentos e das relações comerciais entre os países desta região. Entre seus integrantes destacam-se o Japão, a China e os Tigres Asiáticos (Coréia do Sul, Singapura, Hong Kong e Taiwan), além da Austrália e da Nova Zelândia. 

Após a Segunda Guerra, o Japão, por sua localização estratégica em relação ao mundo soviético, recebeu alguns benefícios, como não precisar pagar indenizações de guerra. Foi, no entanto, proibido de se militarizar, ficando sua proteção sob o comando da OTAN (Aliança do Tratado do Atlântico Norte). Dentro da estratégia da Guerra Fria de contenção do socialismo, recebeu ainda investimentos dos EUA com o objetivo de recuperar sua economia e seu desenvolvimento.

Esse contexto foi favorável ao Japão, mas o seu crescimento se deve também a fatores internos, além da ajuda econômica externa. Os baixos salários, os sindicatos controlados pelo Estado e atrelados as empresas tornaram sua economia mais competitiva. Os investimentos estatais na economia, na educação, no treinamento de mão-de-obra e a estabilidade do regime político japonês, aliados a outros fatores tornaram o Japão a grande potência econômica que emergiu a partir dos anos 80.

O mesmo raciocínio explica o surgimento dos Tigres Asiáticos – países que mais se desenvolveram economicamente nas décadas de 60 e 70. Entre os fatores que podem explicar a nova condição desses países estão os baixos salários, ausência de uma política de proteção social aos trabalhadores e os pesados investimentos realizados pelos estados em suas economias. Também não podemos esquecer dos investimentos externos de países capitalistas como estratégia geopolítica de contenção do socialismo vindo da URSS. Lembra-se da Guerra Fria? Qual a relação dela com este fato?

A estratégia de fortalecer o comércio regional promoveu uma verdadeira reorganização dos fluxos comerciais desse bloco, aumentando de forma expressiva o comércio ente os países asiáticos. O volume de negócios realizados entre os países asiáticos teve um acréscimo de aproximadamente 140% no período de 1992 a 2002.

O Japão, devido ao seu desenvolvimento econômico e sua estratégia de direcionar boa parte dos seus investimentos para o interior dessa região, coloca-se como principal liderança de bloco econômico, rivalizando em termos econômicos com os países da U.E. e com os Estados Unidos. No entanto, a economia japonesa também vem encontrando dificuldades de manter um padrão elevado de vida de sua população. O desemprego vem aumentando e a estabilidade no emprego, característica de sua economia, está desaparecendo.

Na Região da Ásia, a China vem se destacando como o país que mais cresce em termos de desenvolvimento econômico, apesar de ter recentemente diminuído o seu ritmo de crescimento, sua economia desponta entre as maiores do mundo. O crescimento chinês aparentemente se explica pelo fato da China combinar uma economia fortemente estatal com uma abertura econômica que possibilita investimentos privados, principalmente investimentos externos. Outros fatores, como um grande mercado consumidor e mão-de-obra abundante e barata, também contribuem para esse crescimento. Apesar disso, enfrenta graves problemas sociais e ambientais. 

Essa organização do espaço geográfico mundial em blocos econômicos, característica do processo de globalização, não tem alterado uma realidade mundial, talvez a tenha camuflado. Enquanto a atividade comercial e financeira se intensifica entre os principais blocos econômicos e suas potências econômicas, os países pobres não conseguem ou não possuem recursos para o seu desenvolvimento. A população desses países pobres representa a grande maioria da população mundial, em torno de 75%, mas a distribuição da riqueza mundial não ocorre na mesma proporção, cabendo a essas populações algo em torno de 20% da riqueza mundial. Esses países geralmente não possuem o domínio de tecnologia de ponta e de pesquisas, o que dificulta ainda mais o seu desenvolvimento econômico. 

O cenário geopolítico no século XXI se configura na existência de três grandes blocos econômicos que teoricamente dividiriam o poder político e econômico do Mundo Globalizado. Mas esse jogo de poder não está tão definido assim e não podemos esquecer de que esse processo é dinâmico, está em constante transformação, o que pode levar a novas configurações geopolíticas.


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