Migrações: o vai e vem dentro do Brasil...

A história da formação do povo brasileiro é marcada a partir de fluxos migratórios, da busca contínua pela conquista da sobrevivência. As migrações no Brasil não ocorreram ou ocorrem por causa de guerras, como aconteceu e ainda acontece em muitos países, mas pela inconstância dos ciclos econômicos em cada momento da história e de uma economia planejada independentemente das necessidades da população.

A seguir você conhecerá alguns momentos da história do Brasil que foram responsáveis pelas andanças da população, andanças estas que se basearam na formação de áreas de atração e de repulsão de população. Observe como as migrações acompanham as distintas fases de desenvolvimento econômico do país. 

Os primeiros movimentos migratórios ocorridos dentro do Brasil foram os realizados pelos indígenas, que eram sociedades nômades. Após a chegada dos portugueses, os movimentos migratórios de alguns destes povos passaram a ser forçados. Expulsos das suas terras pelos portugueses, eram obrigados a migrar para o interior do Brasil. Além disso, muitas tribos sofreram um lento e progressivo extermínio pelos portugueses.

Nessa primeira fase do povoamento, ocorreu a ocupação inicial do litoral brasileiro e posteriormente o estabelecimento da agroindústria canavieira no Nordeste. Devido a maior proximidade com a Metrópole e às condições naturais favoráveis, como o clima e o solo, a cultura da cana-de-açúcar se fixou na zona da mata nordestina, foi nessa área que se fixou também o colonizador (leia o Folhas “O Brasil podia ser diferente?”).

Com o passar do tempo, o povoamento extravasou a área de plantio e de industrialização da cana, alcançando o agreste e o sertão nordestino. A atividade responsável pela penetração mais para o interior do Brasil foi a pecuária, encontrando um estímulo para o seu desenvolvimento pelo fato da população do engenho representar um mercado de consumo de carne e couro. Um fato proeminente, determinado pela criação do gado, foi o desenvolvimento do comércio externo de couros e sola, sem falar na carne seca, ou charque, um dos elementos básicos da alimentação das classes menos favorecidas e dos escravos.

Devido à concorrência das plantações de cana nas Antilhas, a produção do açúcar brasileiro sofreu uma queda nos preços, declinando este ciclo econômico. Com o aparecimento da mineração, e consequentemente declínio da produção açucareira, o Nordeste deixou de ser área de atração populacional e passou a condição de área de repulsão. Minas Gerais e regiões de Mato Grosso e Goiás nos séculos XVII e XVIII, tornaram-se áreas de atração populacional, principalmente na primeira metade do século XVIII. 

A atividade mineradora foi responsável, em grande parte, pelo intenso movimento interno migratório, principalmente pelos deslocamentos da população, não só do planalto paulista, mas também do Nordeste açucareiro e da Bahia. Esse deslocamento da economia implicou também no deslocamento do centro político-administrativo da Colônia. A capital deixou de ser Salvador e passou a ser a cidade do Rio de Janeiro, bem mais próxima da região de mineração. Com o passar dos tempos, a fase da mineração começou a declinar.

Muda a Economia, Muda a Direção das Migrações

Diante da decadência desta atividade, a prática da agricultura foi a alternativa encontrada por muitas populações das zonas de mineração.

As migrações internas nesse período, em busca de melhores solos para o desenvolvimento da agricultura, conduziu muitos colonos de Minas Gerais a migrarem para São Paulo. Muitas cidades do Nordeste do Estado de São Paulo tiveram seus núcleos iniciais fundados no início do século XIX por populações de Minas Gerais. É o caso de Ribeirão Preto e Franca, além de outras.

No início do século XIX, o café foi se tornando o principal produto de exportação brasileiro. Sua lavoura situava-se no vale do Paraíba, entre a serra do Mar e as Minas Gerais. A cultura cafeeira fortaleceu a região centro-sul, pois estradas surgiram para o escoamento do produto para o litoral, portos foram aparelhados e estradas de ferro construídas. A mão-de-obra usada foi a escrava, mas com a abolição da escravatura, no final do século, quem passou a trabalhar na agricultura cafeeira? 

As áreas de repulsão de população nesse período compreendiam parte de Minas Gerais, Bahia e demais estados que compõem a região Nordeste. Com a expansão da cafeicultura para outras áreas, o café foi criando condições para o deslocamento de populações em outras direções, como: sul de Mato Grosso e as férteis terras do Norte do Paraná.

Outro fator que estimulou ainda mais as migrações internas no Brasil, foi o avanço das plantações de café, a construção de ferrovias e rodovias que passaram a ligar diferentes lugares do interior, onde o café era produzido, ao litoral, de onde saía para o exterior.

Na mesma época da expansão da cafeicultura, segunda metade do século XIX, uma outra atividade econômica, a extração da borracha, atraiu contingentes populacionais para a sua área de ocorrência – a Amazônia. Uma grande seca no Nordeste, nesta época, e uma imensa rede fluvial de transporte também contribuíram para o deslocamento populacional para a Amazônia. O mundo consumia crescentes volumes de derivados do látex após a aplicação industrial do processo de vulcanização, descoberto em 1848. 

Deve-se a esses deslocamentos de populações do Nordeste para a porção ocidental do Brasil a anexação do Acre ao território brasileiro, pois antes, o que hoje é o Estado do Acre, pertencia à Bolívia. Na década de 1910, a região entrou em decadência em razão das plantations asiáticas, especialmente da Malásia, que superaram em larga escala a produção brasileira de borracha.

A Crise do Café e o Início da Industrialização: novas Migrações

Em 1929, o café passou por uma crise, reflexo da crise mundial que atingiu o capitalismo em função da superprodução da indústria de bens de consumo. Com a decadência do café, em 1930, devido a queda do preço do produto no mercado internacional, a economia passa novamente por um processo de transformação. 

Inicia-se então a exportação de outros produtos da agricultura e da pecuária, e algumas indústrias (de calçados, roupas e alimentos) apresentam um grande crescimento. O desenvolvimento industrial do país determinou também a existência de fortes movimentos migratórios internos, sobretudo do Nordeste para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde este segmento da população constituiu a base do operariado.

É a partir de 1950 que a indústria brasileira realmente se desenvolve, provocando a vinda de grande parte da população do espaço rural para o espaço urbano. 

Outra fase de deslocamento de população para a Região Norte ocorreu na época da construção da rodovia Transamazônica (BR – 230), e de outras rodovias federais nessa região, além da atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA - desde 1970.

No período de 1956 a 1961, o fluxo continuava com a construção de Brasília que absorveu grande parte de operários (candangos) oriundos do Nordeste e Minas Gerais e a construção da Rodovia Belém-Brasília (BR – 153). Estes foram fatores que estimularam o fluxo migratório interno para o Planalto Central. Calcula-se que cerca de 2,5 milhões de pessoas se fixaram ao longo da rodovia Belém-Brasília. 

Muitas famílias, na sua maioria da região Sul e muitas do Nordeste, dada a dificuldade de obter ou mesmo comprar terras na região de origem – especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul – buscaram as fronteira agrícolas da Amazônia, projeto este que fazia parte dos programas de colonização e ocupação da Amazônia, promovido pelo governo nas décadas de 1970 e 1980.

Fonte: SEED
Compartilhe no Google Plus

Sobre Portal do Vestibulando

O objetivo do site é fornecer material didático a todas as pessoas que buscam ampliar seus conhecimentos, vestibulandos ou não. Assim, caso você precise de algum material específico, entre em contato conosco para que possamos disponibilizá-lo!