Capitanias Hereditárias e Governo-Geral - Charge

Algumas considerações antes de analisarmos a charge...

Como o comércio com as índias estava em decadência, pois os lucros haviam desaparecido, sendo consumidos na construção de edifícios, pelos presentes aos amigos da realeza, tanto portugueses como estrangeiros, o Brasil passou a ser o foco das atenções portuguesas, que pretendiam encontrar riquezas por aqui. Contudo, faltavam recursos para a colonização, para implantar uma estrutura administrativa que possibilitasse a exploração econômica. Com isso, Portugal implantou um sistema que transferia a particulares os investimentos no Brasil (os capitães donatários).

Dom João III, mandou dividir o Brasil em 15 grandes lotes (as capitanias hereditárias) e os entregou a pessoas de razoáveis condições financeiras, os donatários, que eram a autoridade máxima dentro da sua capitania, tendo a responsabilidade de desenvolvê-la com seus próprios recursos. 

Através da carta de doação o rei transferia a capitania para posse do donatário e, pelo foral, os direitos e obrigações em relação à coroa portuguesa.

Mas o sistema fracassou devido:

- a grande distância entre as capitanias e a metrópole. 
- grande área das capitanias, que impossibilitava a exploração.
- o desinteresse e despreparo administrativo de vários donatários, que por não possuírem recursos suficientes, nem chegaram a tomar posse de suas terras, bem como a falta de recursos que garantissem investimentos e o desenvolvimento colonizador. 
- constantes ataques dos índios, revoltados com a escravidão 
- constantes ataques dos corsários franceses. 

Apenas duas capitanias obtiveram sucesso:

São Vicente, no atual Estado de São Paulo, cujo donatário era Martim Afonso de Sousa, que contou com a já fundada vila de São Vicente, seguida de novas povoações, como Santos, Santo André, São Paulo, entre outras.

Pernambuco, no nordeste, pertencente a Duarte Coelho. Foi ela a que progrediu, devido, dentre outros fatores, ao cultivo da cana-de-açúcar, que se adaptou facilmente ao clima e ao solo massapê, cujas características favoreciam esse cultivo. Além disso, seu donatário investiu grande somas na fundação de vilas, como Igaraçu e Olinda, e na pacificação dos índios tabajaras, com recursos obtidos no comércio oriental Geograficamente, além da abundância de pau-brasil, a capitania ainda era beneficiada por estar mais próxima de Portugal, o que barateava o produto. 

Assim, quando uma das personagens diz "não podemos errar novamente", está fazendo referência às capitanias hereditárias, primeira tentativa de administração do território brasileiro a partir de Portugal, que, como vimos acima, fracassaram, sendo alvos constantes do ataque dos corsários franceses. Por conseguinte, a implantação do Governo-Geral serviria para centralizar a administração, pois agora as capitanias não seriam mais autônomas em relação às outras como antes, teriam que prestar contas ao governador-geral, que entre outras atribuições deveria guarnecer a colônia dos ataques estrangeiros através do capitã-mor.
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