Sistemas econômicos e globalização

O declínio do feudalismo na Baixa Idade Média deu lugar a um novo sistema sócio-econômico que vai se delinear e se transformar ao longo dos séculos seguintes, ao mesmo tempo em que passa a agir como elemento de construção e modificação do espaço mundial: o capitalismo.

Primeira fase: Capitalismo comercial ou mercantil

Essa fase inicial do capitalismo desenvolve-se concomitante à formação dos Estados Nacionais, às grandes navegações e ao mercantilismo. As relações comerciais definem a acumulação de capital por parte da burguesia e das nações. O exclusivismo comercial entre metrópole e colônia permite, através da exploração dessa, a acumulação de metais preciosos e riquezas na primeira. A classe de comerciantes que constitui a burguesia nascente também realiza sua acumulação de capital através da intermediação entre a produção dos artesãos e manufaturas e o mercado consumidor em expansão.

Segunda fase: Capitalismo industrial ou concorrencial 

Mais adiante, com o advento da Revolução Industrial, a burguesia assume a produção em uma escala muito maior que o período anterior empregando com maior eficiência e exploração os recursos naturais (matéria-prima, energia), técnicos (com a invenção de máquinas) e humanos (contratando mão-de-obra assalariada). A efetiva separação entre os meios de produção, agora sob controle da burguesia, e a força de trabalho leva ao surgimento do proletariado. A partir do século XIX o mundo assiste um novo movimento colonial caracterizado, entre outras coisas, pela avidez das potências industriais europeias em dominar novos territórios, em assegurar o controle de matérias-primas e energia e em dominar novos mercados. Constitui-se a indústria moderna inicialmente com intensa concorrência entre vários produtores em um mesmo segmento do mercado.

A realidade criada nesse contexto insufla os nacionalismos e políticas imperialistas que acabarão por produzir duas guerras mundiais no século XX. No período entre essas guerras, mais precisamente em 1929, a crise da Bolsa de Nova Iorque, que repercute por quase todo o mundo, mostra a necessidade da intervenção do Estado na economia, como um regulador, fiscalizador e participante (com o aparecimento das empresas estatais). O Estado passa a atuar na formulação das políticas econômicas através do controle dos juros, das exportações e importações, empréstimos, investimentos, preços... O objetivo é evitar crises como a de 1929 gerenciando setores da produção, as atividades da iniciativa privada e também assumindo importante papel na montagem da infra-estrutura que seria utilizada pelos setores produtivos.

Terceira fase: Capitalismo financeiro ou monopolista

Pouco a pouco a redução dos níveis de concorrência em vários setores produz o aparecimento de monopólios e oligopólios, o capital financeiro se fortalece e passa a influenciar e comandar as relações de produção e consumo. Assim, após a 2ª Guerra Mundial define-se essa terceira fase do capitalismo. A preocupação em muitos países passa a ser a convivência entre a necessidade de elevar o padrão sócio-econômico de suas miseráveis populações e o pagamento de suas crescentes dívidas externas. Instituições como os bancos privados do Primeiro Mundo, FMI, Banco Mundial (BIRD), tornam-se muito poderosas e aumenta sua ingerência na condução das políticas econômicas dos países devedores.

As crises no mercado financeiro causam pânico em algumas ocasiões e alastram-se facilmente em decorrência da globalização que integrou os mercados de quase todo o mundo.

O Socialismo: breve histórico

Voltando a 1848, época de levantes, de fervor revolucionário, de terror para as classes dirigentes, um Manifesto declara a necessidade de rompimento das relações sociais existentes para acabar com a exploração crescente do proletariado pela burguesia. Marx e Engels imaginavam ser inevitável uma revolução comunista que só viria 70 anos depois em um país que sequer constava de suas previsões de revoltas contra o poder da burguesia: a Rússia.

A Revolução de 1917, seguida por violenta guerra civil, provoca a formação da URSS que se torna o primeiro país socialista no mundo. Ao término da 2ª Guerra Mundial vários países da Europa Oriental, ocupados pelo exército soviético vão ter que aceitar o novo sistema da economia planificada que lhes é imposto. Em 1949, a Revolução Chinesa e em 1959, a Cubana, conduzem esses países a esse mesmo sistema. A descolonização na África e na Ásia e o próprio jogo da Guerra Fria, da política de alianças vão levar outros a experimentarem, ainda que por breves períodos, governos socialistas.

A partir do final da década de 80, consumido por crises econômicas e políticas, onerado pelo custo da Guerra Fria, o mundo socialista entra em colapso e desenfreadamente executa reformas para não ficar excluído da globalização. Fortalecidos e munidos de novas estratégias (a política econômica neoliberal, por exemplo) os poderosos que comandam o mundo capitalista preocupam-se agora em apressar a queda dos últimos bastiões do mundo socialista (Cuba e Coréia do Norte) ao mesmo tempo em que travam novas batalhas pela supremacia mundial expandindo suas transnacionais, criando barreiras sanitárias, sociais e alfandegárias ao mesmo tempo em que formam blocos regionais de comércio (EU, NAFTA, APEC) e procuram ditar as regras em organismos como a OMC.

Nesse breve painel histórico talvez possamos concluir que a única previsão possível é a continuidade das disputas pelo poder e riqueza, irregularmente distribuídos en
tre os homens e as nações, mas o risco é grande se quisermos acertar qual a realidade que o mundo estará vivendo em dez anos.

Evidentemente verificamos que no mundo real surgem situações que nos parecem estranhas se nos restringirmos rigidamente a essas características: a existência de empresas estatais, por exemplo, pode ser registrada também em países capitalistas. Em muitas ocasiões o Estado é o único a fomentar o nascimento e desenvolvimento de um setor para o qual a iniciativa privada nacional não possui recursos ou não vê possibilidades de lucros imediatos diante do volume de investimentos necessários. Alguns setores demoram a retornar o capital investido. O Estado tem atuado na criação de infra-estrutura (saneamento, energia, transportes...), até mesmo beneficiando a iniciativa privada. No Brasil o Estado foi fundamental no desenvolvimento de setores pesados como a siderurgia e a exploração do petróleo. Por isso mesmo muitos criticam a venda de empresas estatais argumentando que se trata de um entreguismo do patrimônio nacional, principalmente quando adquirido pelo capital estrangeiro.

Por outro lado, sabemos que em muitos países socialistas, os privilégios concedidos à classe dirigente, burocratas, militares de alta patente, os diferenciava da população comum. Enquanto poucos consumiam produtos de boa qualidade e importados, circulavam com carros luxuosos, viviam em casas com torneiras revestidas a ouro em seus banheiros, tinham contas no exterior, a população comum enfrentava a baixa qualidade e a falta de produtos, além de muitas filas diárias para adquirir o necessário para o seu dia, muitas vezes obedecendo ao limite de quotas de consumo estabelecido pelo providencial Estado socialista.

No final da década de 80, fatos importantes alteram a geopolítica mundial, as estruturas de poder e dominação. Em 1989 cai o muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria iniciada após o final da 2ª Guerra Mundial. Em 1990 reunificam-se as Alemanhas e em 1991 fragmenta-se a URSS que deixa de existir. Um novo ordenamento mundial começa a se configurar e a tomar corpo. A rapidez na evolução da globalização da economia mundial e da multipolarização assusta e gera protestos contra os efeitos negativos desse processo: as altas taxas de desemprego, os excluídos, a ampliação das desigualdades sociais no mundo, a concentração ainda maior da riqueza e do poder pelos líderes mundiais, a intensificação dos movimentos migratórios e o aumento das barreiras das sociedades mais ricas para impedir a entrada de estrangeiros (xenofobia)...

Ao final da Guerra Fria os nacionalismos estão exaltados, ocorrem conflitos étnicos e religiosos, contestações de fronteiras e tentativas de separatismo. Enquanto a economia se globaliza e formam-se blocos regionais de comércio e alguns países se esfacelam em guerras civis.
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