Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918 foi o maior conflito bélico vivido pelo mundo até então. Após 100 anos de relativa paz na Europa, essa guerra chegou a matar quase 20 milhões de pessoas. Esses números nunca antes vistos se devem, sobretudo, ao fato dessa guerra ser a primeira grande guerra entre sociedades industriais. O embate se deu majoritariamente na Europa, mas chegou a envolver todos os continentes do mundo. 

Entendendo a Conjuntura política da Europa pré-guerra 

A Inglaterra - Encontrava-se envolvida na consolidação do seu vasto império colonial, que em vista da crescente perda dos mercados europeus, se constituía o principal foco dos interesses econômicos ingleses. No final do século XIX, uma parte considerável das exportações britânicas era direcionada para o mercado colonial. Em virtude disso, a Inglaterra praticava a política do "Esplêndido Isolamento", que significa um afastamento das principais questões diplomáticas europeias. Contudo, no início do século XX, o temor em relação ao crescimento da Alemanha como nova potência industrial e militar, obrigou a Inglaterra a envolver-se mais diretamente nas questões políticas da Europa. 

A Alemanha - Após a Unificação (1871), a Alemanha emergiu no cenário europeu como grande potência econômica e militar. Este fator contribuiu para a desarticulação do já tenso equilíbrio de forças, articulado no Congresso de Viena entre 1814-1815. Em 1879, a Alemanha assinou a "Dúplice Aliança" com o Império Austro-Húngaro; em seguida, em 1882, tirou proveito da decepção da Itália por ter perdido a disputa pela Tunísia, e articulou a "Tríplice Aliança", entre Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro. 

Outra preocupação alemã foi manter o isolamento da França no contexto das relações europeias, pois tinha consciência que a anexação à Alemanha da região da Alsácia-Lorena na Guerra contra a França (1870-1871), acarretaria o espírito de revanche entre os franceses. Concomitante a isso, enquanto a Alemanha aumentava o seu exército, chamava a atenção de russos e franceses que também passam a fortalecer seus quadros militares dando assim início a "corrida armamentista". 

A França - Os desdobramentos da Guerra Franco-prussiana, fez proliferar entre os franceses um forte sentimento de revanche. No início do século XX, o acirramento na disputa pelo norte da África, agrava ainda mais o sentimento anti-germânico entre os franceses. Em consequência de tais acontecimentos, a partir da década de 1890, a França iniciou a articulação de alianças de forte caráter anti-alemão. Em 1892, assinou a aliança militar com a Rússia, mantida em segredo até 1897; em 1904, o acordo anglo-francês, denominado Entente Cordiale, no qual a França abriu mão do Egito, este acordo foi de importância fundamental para que, posteriormente, o governo francês conseguisse impor um protetorado sobre Marrocos, acabando, assim, com as pretensões alemãs sobre essa região. 

A Áustria-Hungria - Apesar de submetidos a um único imperador, essas duas regiões possuíam governos próprios que organizavam a convivência e as tensões originadas pelos conflitos de teor nacionalista de vários grupos étnicos (croatas,&nbs
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eslovacos, poloneses, tchecos, etc.), que gravitavam principalmente em torno das discriminações impostas pelas elites germânicas à população de origem eslava. Desde o início do século XIX, a política externa do Império Austro-Húngaro era voltada para a região dos Bálcãs. No entanto, essa orientação entrava em conflito com os interesses, tanto do Império Turco-Otomano, como da Rússia e da Sérvia. 

Em 1878, a Áustria-Hungria adquire o direito de administrar a Bósnia-Herzegovina, que formalmente fazia parte do Império Turco-Otomano que se encontra em processo de esfacelamento. Posteriormente, em 1908, as tensões com a Sérvia e a Rússia também vão se acirrar, em virtude da definitiva anexação deste território ao Império Austro-Húngaro. 

A Rússia - Desde o último quartel do século XIX, graças ao afluxo de capitais estrangeiros, principalmente,  ingleses e franceses, o Império Russo consegue empreender um processo de industrialização e modernização da economia na parte mais ocidental de seu vasto território. No entanto, não se pode esquecer que a maior parte do Império continuava mantendo uma estrutura economicamente atrasada, fundamentada na agricultura. 

O novo quadro europeizante nos principais centros urbanos da Rússia contribuiu para a ocidentalização de suas elites, o que implicaria também em uma maior aproximação política da Rússia em relação aos países da Europa. O período entre 1890-1904 caracterizou um acirramento das tensões entre a Rússia e o Império Austro-Húngaro; a Rússia desejava dominar o Império Turco-Otomano, almejando uma saída para o Mediterrâneo, assim como controlar a região dos Bálcãs. A emancipação da Bulgária, frente ao Império Russo, em 1886 - com apoio da Áustria - veio contribuir para que a nova orientação expansionista russa se voltasse para o Extremo Oriente. 

Outro choque de interesses se desenhava no que se refere as pretensões dos russos e japoneses (impulsionados pela "Revolução Meiji", de 1868, ao quadro das nações imperialistas) sobre a região da Manchúria chinesa. O agravamento deste conflito de interesses ocasionaria a Guerra Russo-japonesa (1904-1905), da qual a Rússia sairia derrotada, e o Japão como o primeiro país asiático a vencer uma potência "europeia". A partir de 1905, a Rússia voltou-se novamente para a Península Balcânica incentivando a oposição à Áustria-Hungria na região. Para justificar esse expansionismo, difundiu o "pan-eslavismo", movimento político segundo o qual a Rússia tinha o "direito" de defender e proteger as pequenas nações eslavas dos Bálcãs. 

O Império Turco-Otomano - Assim como a Áustria-Hungria, este Império também era composto por múltiplas etnias (albaneses, gregos, macedônicos, trácios, turcos, etc.) e, conseqüentemente, de vários movimentos nacionalistas e emancipacionistas, dentre eles, aqueles que acarretaram as Independências da Grécia, entre 1821 a 1830; da Romênia em 1856 e a criação da ―Grande Bulgária‖, em 1878. No final do século XIX, o Império já se encontrava bastante fragmentado e os seus domínios restringiam-se às áreas contíguas à Turquia. Esse panorama favoreceu os interesses do Império Austro-Húngaro e dos russos sobre a região dos Bálcãs. No período pré-guerra, conflitos de interesses ocasionaram as chamadas "crises balcânicas", o agravamento das mesmas contribuiu decisivamente para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. 

Para fixar 
  • Dúplice Aliança - Alemanha e Império Austro-Húngaro, 1879; 
  • Tríplice Aliança - membros da Dúplice Aliança e Itália, 1882, posteriormente, também agregará o Império Turco-Otomano e a Bulgária; 
  • Aliança militar entre França e Rússia – 1892; 
  • Entente Cordiale - França e Inglaterra, 1904; 
  • Tríplice Entente - Entent
    e Cordiale e Rússia, 1907, posteriormente, Sérvia, Japão, Bélgica, Itália (que abandona a Tríplice Aliança), Portugal, Romênia, Grécia, EUA e Brasil. 
As origens da guerra

O fator decisivo para o desenrolar da Primeira Guerra foi o Imperialismo. A divisão do mundo nos grandes impérios coloniais existentes no período não dizia mais respeito ao real poder econômico dos países industrializados em 1914. A produção industrial inglesa já tinha sido ultrapassada pelas economias alemã e norte-americana. Entretanto, Inglaterra e França tinham quase o total controle sobre os territórios colonizados na África e na Ásia, enquanto os dois países emergentes tinham poucos territórios no ultramar. Tal situação se constituía em um entrave para a expansão do capitalismo alemão e, em menor escala, do norte-americano. Esse fator foi decisivo para a eclosão da Primeira Guerra. 

Contudo, não se deve somente ao conflito de interesses entre Inglaterra e Alemanha as principais origens desta Guerra. Entre os países europeus, também existia uma série de disputas políticas por territórios e áreas de influência na Europa e nas áreas coloniais. Isso levará a Europa a se dividir em duas grandes alianças. 

Em 1914, com o assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, tem início a Primeira Grande Guerra.

A Guerra 
Formam-se os principais blocos: a Itália se afasta da Tríplice Aliança e, posteriormente, se alia à Tríplice Entente. Assim, tem início a "guerra de movimento", com as duas frentes, ocidental e oriental.

Na Frente Ocidental a Alemanha, principal potência da guerra, invade primeiro a França e depois a Rússia. Porém, os alemães ficam presos toda a guerra nas trincheiras lutando contra franceses e ingleses, tentando ofensivas que chegaram perto de Paris, mas nunca conseguiram avançar por muito tempo. Na Frente Oriental, com a parte ocidental da guerra paralisada, os alemães invadem a Rússia e obtêm seguidas vitórias, em função de sua superioridade tecnológica. 

Em 1917, os bolcheviques - revolucionários socialistas russos - tomam o poder e assinam em 1918 um acordo de paz, o Tratado de Brest-Litovsk, em separado com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. Em 1917, Os EUA, neutros desde o início da guerra, resolvem entrar na mesma, pois a ameaça de uma derrota da Entente colocaria em risco os investimentos norte-americanos nesses países. Além disso, o governo americano temia a vitória e o conseqüente crescimento da hegemonia alemã na Europa. Sua participação foi decisiva para a vitória dos aliados contra o exército alemão, que segue na guerra sozinho no final do conflito. Ao fim da Guerra, segue-se a abdicação do imperador Guilherme II da Alemanha e a proclamação da República de Weimar, em 1918. 

Os tratados de paz e o pós-guerra 

Ao término da Guerra, cada país europeu derrotado teve um tratado de paz específico, impondo as condições da rendição incondicional às potências centrais. Com o fim dos quatro grandes impérios, o russo, o alemão, o austro-húngaro e o Turco-Otomano, desenha-se também um novo mapa político da Europa. Todos os países derrotados tiveram seus territórios reduzidos, além das duras condições impostas pelos tratados de paz. 

Em 1918, o presidente americano Woodrow Wilson, apresentou a proposta que ficou conhecida como "Os 14 pontos de Wilson". Seus principais pontos são: 
  • autodeterminação dos povos, ou seja, direito de independência; 
  • a paz sem anexações territoriais ou indenizações;
  • o fim dos acordos secretos e a criação da Liga das Nações. Esta proposta foi a base para a rendição alemã. No entanto, a proposta de Wilson não foi respeitada. 
Um dos principais tratados assinados no pós-guerra foi o Tratado de Versalhes, assinado em 1919. Neste a Alemanha foi responsabilizada pela guerra, e, em virtude da forte pressão francesa (revanchismo francês originado pela Guerra Franco-prussiana), recebeu severas punições, foi obrigada a pesadas indenizações, perdas territoriais e de todas as colônias, ocupação militar provisória e restrição quase total à formação de um exército, marinha e aeronáutica. 

Este tratado, impossível de ser completamente cumprido, tem em si os principais motivos que levaram à Segunda Guerra Mundial, como já era previsto em 1918. Outra atitude dos países vencedores foi a política de isolamento dirigida à Rússia. Os antigos aliados promovem a formação do chamado "Cordão Sanitário", basicamente um "cordão" formado por pequenas repúblicas em volta do território soviético. Foi criada também a Liga das Nações, espécie de tribunal supranacional, que por muitos é considerada uma precursora da ONU. 

Não teve grande sucesso, principalmente, por não conseguir atingir o seu principal objetivo, evitar outros conflitos deste porte, assim sendo, foi desarticulada com a eclosão da Segunda Grande Guerra. O fim da Primeira Guerra Mundial, teve como grandes beneficiados os Estados Unidos, que saíram deste conflito como a grande potência em ascensão, tornando muitos países europeus dependentes do seu sistema financeiro. 

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